O partido da cassete


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No fim-de-semana que passou, o mais antigo partido político português realizou o seu 19.º congresso, mas a notícia que abriu a maioria dos blocos noticiosos foi a campanha do Banco Alimentar. Se posso compreender que, na ausência de disputa da liderança e/ou tensão e insultos entre pares, o acontecimento possa não parecer tão sumarento como outros nesta maravilhosa sociedade do espectáculo, já é difícil de entender o interesse de directos à porta de grandes superfícies.
Pelo contrário, em artigos de opinião, não se poupou em ataques àquele partido. No Expresso” online consegue-se registar todas as tipologias. Há quem “revele” o fascismo de Álvaro Cunhal e um pretenso pacto com Salazar (Henrique Raposo) ou a presença de Estaline no congresso (Paulo Gaião), há quem perpetue o anúncio do fim (João Esteves) e há quem critique o facto de os seus dirigentes serem funcionários do partido (Henrique Monteiro e Daniel Oliveira).
Contudo, foi nas redes sociais, e sobretudo entre os inabaláveis fiéis de Sócrates, que o congresso fez furor, propagando-se uma imagem de Jerónimo de Sousa a discursar com uma tela de fundo na qual se podia ler “Insert a cassette”.
Repare-se que, até aqui, consegui evitar qualquer referência ao que se passou no referido congresso. Ainda não escrevi que as cassetes que alertavam para os perigos da moeda única, da desindustrialização, do abate da frota pesqueira, da desertificação dos campos ou da especulação imobiliária e financeira se revelaram certeiras. Ainda não escrevi que do congresso saem sinais importantes para a convergência das esquerdas, para a intensificação da luta contra a troika e para o futuro deste país – seja no quadro do euro ou não. Mas, para o escrever, já não me restam caracteres.

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