Uma ofensa a um é uma ofensa a todos

A carga policial foi sobre todos nós, imigrantes de bairros pobres que sobrevivem da caridade, doutorados que recebem como bolseiros, professores desempregados, operários da construção civil que dormem no metro, trabalhadores sindicalizados, estivadores, pensionistas, médicos, idosos, crianças. Estavam lá vários de cada um destes grupos e muitos outros que não enumerei. A carga policial foi sobre todos os que em Portugal vivem do salário e não de renda, juro ou lucro.

Hoje o Jornal de Negócios diz que «há cada vez mais pessoas a ganhar menos de 310 euros por mês». O salário quando não é complementado com a massa fora de prazo do Banco Alimentar é com pedras da calçada. 

Felizmente este não é o país de Salazar, camponeses analfabetos de aldeias perdidas. Não vão fazer-nos lá voltar com a mesma facilidade de 1926. Há 1 milhão e 300 mil licenciados, um analfabetismo quase inexistente, uma população praticamente toda urbanizada e escolarizada, uma esquerda que conquistou o povo para esta verdade singela: vocês são um bando de ladrões.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

5 Responses to Uma ofensa a um é uma ofensa a todos

  1. Maria Augusta Tavares diz:

    Um bando de ladrões, concordamos. Mas tais ladrões personificam o capital. Deles advém o pensamento dominante, o que explica a forma como a mesma carga policial está sendo interpretada pela mídia, levando a crer que a população é a agressora e que o aparato policial apenas defende aqueles que visam tão somente manter a ordem. Braudel defende a tese de que existem condições sociais para o surto e o êxito do capitalismo. Este exige uma certa tranqüilidade da ordem social, assim como uma certa neutralidade, ou fraqueza, ou complacência, por parte do Estado. Enfim, o capitalismo só triunfa quando se identifica com o Estado, quando ele é o Estado.

  2. Pingback: O ‘rebelar-se é justificado’ de PCP e CGTP « O Insurgente

  3. Pingback: A palavra ao movimento | cinco dias

  4. Venho de uma família pobre, aliás, de duas famílias pobres. Mas nunca faltou aos meus pais comida em casa. Nunca se preocuparam em pedir nada ao estado ou a instituições. Foram arranjando e cultivando terrenos para ter o que comer. Com muito esforço conseguiram que os filhos estudassem e hoje vivessem melhor que há 20 anos atrás. Os meus avós maternos tiveram 11 filhos e embora apenas o meu avô trabalhasse, nunca passaram fome porque nunca faltou vontade de trabalhar a terra. Tudo o que se conseguiu foi através do trabalho e dedicação de todos, e não de acções do estado. É precisamente a abundância que vos faz pensar que a riqueza é uma certeza e que esta se efectiva a partir do nada. Não é assim. Sempre aprendi que para comer é preciso semear a terra e esperar que esta dê frutos. por vezes pode demorar anos, como as árvores. Mas isso vocês não percebem. Não percebem que quem tem dinheiro no banco é porque poupou durante a sua vida e não deve ser prejudicado perante aqueles que gastam o dinheiro todo e quando se vêm na penúria recorrem ao estado, como se fosse obrigação deste acorrer a todos os que não se conseguem sustentar. Por muito que tentem, não conseguem alterar a natureza humana, o capitalismo e a liberdade são fruto dessa mesma natureza, mas também a preguiça…

  5. João da Silva diz:

    “Uma ofensa a um é uma ofensa a todos” é desde logo demagógico. Suprime o individualismo para passar ao colectivismo, como se todos fôssemos iguais, munidos dos mesmo valores, ideais, virtudes ou gostos. Aliás, uma ideia típica de esquerda, que baseado nesta colectânea nos corta a liberdade com todos os seus programas sociais e de uma economia planeada e controlada visto que o capitalismo é o problema e o bicho papão. Já agora, nós nunca tivemos capitalismo. Não culpem o que não existe!
    É de uma enorme arrogância pensar que todos se sentem representados por movimentos de protesto, sejam eles de esquerda ou direita. Mas pior ainda é demonializar os que vivem do lucro, do juro e da renda, como se estes últimos fossem elitistas que não passam também por dificuldades. Talvez ainda não tenha reparado, mas chegámos a este ponto de calamidade devido às políticas de esquerda que se implementaram por toda a Europa. Somos vítimas de um sistema financeiro que detém o monopólio da moeda, da regulamentação, dos corruptos, dos lobbys, vítimas da boa moral, dos programas de ajuda, do ridículo que é o bem público, penalizando os empreendedores, os inovadores, os criativos, os autónomos, os que não querem ver a sua vida controlada por governos socialistas, intervencionistas e corporativistas.
    Tudo males que advêm da ausência de liberdade económica e pessoal.

Os comentários estão fechados.