1917 – Dois livros fundamentais, 95 anos depois

São os dois melhores relatos que já li sobre a revolução mais marcante do século XX. O de Reed é a melhor reportagem de todos os tempos. O de Trotsky o guia mais completo para se voltar a conseguir fazer tudo outra vez.

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10 Responses to 1917 – Dois livros fundamentais, 95 anos depois

  1. António diz:

    God bless America!!!

  2. o Trotskysmo é um embuste, uma história inventada post-morten. Não foi ele que disse ser impossivel implantar o socialismo num só país? Teria sido, ou foi. Mas isso é mentira. Trotsky nunca se opôs à idéia do “socialismo num só pais” desde que fosse seguida a política económica correcta.
    No prefácio ao seu livro “Towards Capitalism or Socialism” (1905), Trotsky descreveu a sua posição numa passagem que seria depois muito citada e famosa: “as contradições na posição de um governo dos trabalhadores num país atrasado, com uma população maioritariamente camponesa, serão resolvidas somente num contexto internacional, na arena da revolução proletária mundial” – mas o que é que Trotsky no contexto da época queria dizer com isto? – que era preciso aguentar o voluntarismo na construção do Socialismo na URSS até que a revolução vencesse na Alemanha. Que como se sabe foi derrotada em 1918-1919…
    E lá se foi a “revolução mundial”. Se os comunistas estivessem à espera da “globalização” dos trotskystas nunca teria havido qualquer Revolução

  3. Rocha diz:

    A propósito de uma assalto armado ao poder e a propósito da Rússia mergulhada no caos da guerra e da violência.

    Olhamos para a Grécia, para Portugal, Estado Espanhol e Itália, para o sul da Europa actual e vemos a mesma coisa.

    A violência, o fascismo e a guerra, não estão a chegar. A violência já cá está. O fascismo está cá e a guerra… para a guerra militar pouco falta. A guerra económica e social é isto mesmo que estamos a viver.

    Os piedosos reformistas e intelectuóides que alertam para os perigos da via nacional ou nos desviam a atenção para nos amedontrar, alertando para lutas soberanistas que nos levam pretensamente à bárbarie que já estamos a viver apenas mascaram a realidade. Não há qualquer via pacífica, a violência já cá está.

    O melhor que se pode fazer é encontrar tácticas pacíficas dentro de um contexto mais alargado de um confronto violento.

  4. Montenegro diz:

    Um livro fundamental será sem duvida Maurice Brinton – The Bolsheviks and
    Workers’ Control. Há que desmontar as fantasias e fabulações tanto trotskystas como stalinistas.

  5. Nuno Cardoso da Silva diz:

    A história da revolução russa de Trotsky é uma obra fundamental para quem queira conhecer e perceber essa grande revolução. Mas não se caia na fantasia de pensar que ela pode servir de guia para voltar a fazer uma revolução de mesmo sentido. Pelo contrário, essa história mostra-nos bem porque não seria possível hoje fazer uma revolução assim. A revolução de que precisamos pode ser orientada por valores e preocupações em grande parte semelhantes aos que os revolucionários de 1917 tinham, mas mais nada. Nem o método nem o sistema nos poderiam servir hoje. E é bom que percebamos isso se não quisermos ter uma enorme desilusão. Podemos estar à beira de uma nova oportunidade de derrubar o capitalismo e toda a perversidade que o acompanha. Mas falharemos essa oportunidade se quisermos repetir a receita de então.

  6. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Renato,
    Por alguma razão não gostaste do que tentei aqui comentar, e que ia no sentido de afirmar que por muito interessante que a História da Revolução Russa seja – e é – ela não pode ser vista como um manual para a revolução de hoje, mas pelo contrário uma demonstração das razões pelas quais a revolução que queremos fazer terá de utilizar outras formas. Fazer de conta de que nada mudou entre 1917 e 2012, que nada aprendemos com os erros cometidos, que ainda não percebemos que o vanguardismo, o autoritarismo, o capitalismo de estado, conduzem a formas de opressão tão gritantes como as que o capitalismo burguês nos impõe, não torna viavel o que sabemos ser inviavel. Sem esquecer que somos uma comunidade, também não podemos esquecer que somos indivíduos dentro dessa comunidade, e que a dignidade individual não pode ser oprimida em nome de uma sociedade dirigida por iluminados autopromovidos, nova classe dominante tão asquerosa como todas as que a antecederam. O grande desafio dos nossos dias é o de criar um socialismo libertário, onde o todo não esmaga as partes, nem as partes subvertem o todo. Não é com o Trotsky de há cem anos que podemos lá chegar, embora admire Trotsky suficientemente para pensar que, hoje, ele não seria trotskista no sentido comum do termo.

    [NOTA: Não publicar este comentário não o torna menos pertinente…]

    • Renato Teixeira diz:

      Nuno, acredite, não vivo agarrado à máquina. O comentário não foi publicado porque só agora regressei à rede.

  7. desmontando em três linhas a lenga-lenga reaccionária de NCS
    Fundamentalmente, só existem duas classes sociais: a dos que produzem e a dos que consomem sem produzir. É a primeira que tem de tomar o Poder a todos os niveis e submeter a dos parasitas a uma condição inoperante, até que sejam extintos.

  8. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Francisco,
    Já pensaste em utilizar o Zyklon B? Os pais da Merkel deram-se muito bem com esse produto…

    • Carlos Carapeto diz:

      De certeza que ninguém consegue apresentar melhor o perfil politico e pessoal de Trotsky que Victor Serge em “Memórias de um Revolucionário”. Nem o próprio.

      Quanto ao Kyklon B é de “louvar” a sua terrivel eficácia, felizmente só apareceu quase no fim da “festa”. Porque antes dele (Zyklon B) já tinham contemplado muitos milhões de “convidados” com o gas de escape das centrais de aquecimento, só no campo de Trostents na Bielorrússia (já lá estive) liquidaram mais de 200 mil inocentes com esse método.

      Quanto ao desacordo sobre as classes sociais não sei quais são as outras para além destas duas?
      Talvez só aqueles que produzem de manhã e consomem de tarde e por aí fora, se analisar-mos a sociedade por este método, de certeza que há mais classes socias que galáxias no universo.

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