Nem Congresso, nem Democrático, nem Alternativa.

 

 

 

 

 

 

 

O Bloco de Esquerda, coordenador efectivo dos trabalhos que decorrem na Aula Magna, entregou, na mesma sala onde nasceu, o que lhe restava de capital político e humano, ao Partido Socialista. A par da defesa da renegociação da dívida – que a direita neoliberal tratará de realizar em muito pouco tempo – este é o grande balanço que se pode fazer do “Congresso” “Democrático” das “Alternativas”.

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15 Responses to Nem Congresso, nem Democrático, nem Alternativa.

  1. CausasPerdidas diz:

    Fico espantado que escreva “o que lhe restava de capital, político e humano”. A crer no que o Renato insistentemente escreve aqui, o BE há muito se passou para o outro lado.
    Eu não fui, mas partilho consigo uma dúvida minha: terá sido uma grande chatice a presença no debate de deputados e anónimos que fazem a intervenção do BE no país.

    • armando herculano diz:

      está a equivocar-se. O Congresso era de convergência da esquerda, não de independentes de esquerda, ou de apartidários.
      Lá estiveram além de deputados do BE e do PS, militantes do PCP, vários, mas também do Partido Humanista, Garcia Pereira do PCP/MRPP, da Renovação Comunista, e se quiserem, de ‘ressaviados’ de vários partidos ou de todos eles, militantes sem partido e dos movimentos sociais.
      O Congresso não será de fácil assunção pelos partidos de esquerda, designadamente do BE e mais ainda do PS e PCP. Assuntos vários, entre eles a abertura dos partidos à sociedade civil, designadamente o problema da disciplina de votos, das listas abertas de deputados para as eleições, etc., colocam problemas que serão difíceis para estes e todos os partidos. O BE, por exemplo, está longe de aceitar facilmente esteas regras

  2. Rocha diz:

    Estranho que as perguntas cordatas e sem ironias que fiz aos promotores deste Congresso presentes neste blog continuem sem resposta.

    Nomeadamente no que se refere ao que raio fazem os nove anões (deputados do PS) dentro desta Branca de Neve (o Congresso das alternativas arquitectado pelo BE). Será que esperam pelo príncipe encantado (Manuel Alegre ou outro do mesmo género)?

    E como disse ao Tiago, também não esqueço a presença de certos ressabiados do PCP ou ex-PCP, que dizendo-se comunistas anda ali a dar cobertura ao PS. Este PS hipócrita dos nove anões que estão contra a Troika e o governo para fins eleitorais e a favor da Troika e do governo para fins carreiristas para rapar o tacho.

    • armando herculano diz:

      sim, temos conhecimento que estiveram presentes alguns a quem lhes foi retirado o ‘certificado’ de comunistas, pela única entidade que em Portugal ( e na europa) ainda mantém em atividade essa delegação da extinta URSS.

  3. Tiago Santos diz:

    Acho que é extremamente redutora essa afirmação, até porque se falou e ficou registada a hipótese de saída do euro. O Carvalho da Silva no discurso final abriu a possibilidade da discussão da legitimidade da dívida e nunca se descartou a hipótese da suspensão da dívida como arma. E, se houve alguém que levou por tabela foi o PS, a Ana Gomes foi a única vaiada, precisamente por questionar a denúncia do memorando. Não se pode, em post anterior, criticar a falta de união entre PCP e BE, e, logo a seguir, entrar no mesmo tipo de sectarismo. O mesmo sectarismo que manteve o PCP, imperdoavelmente, fora deste debate mas bastante presente no Pátio da Galé vedado ao povo e onde onde nem Soares, nem Eanes tiveram a ousadia de por os pés.

    • Renato Teixeira diz:

      A união é feita sobre políticas concretas e sobre formas de luta. Não de apontamentos vagos e colaterais.

      Hoje foi tudo uma metáfora. A direita a meter o país de pernas para o ar. A esquerda, reunida a discutir o futuro dentro de quatro paredes.

      • VBV diz:

        Quando diz “A esquerda, reunida a discutir o futuro dentro de quatro paredes.” até parece que fala de um encontro de uma sociedade secreta. O congresso era aberto a quem quisesse participar, ao contrário das cerimónias oficiais que só entrava quem tivesse convite. Não foi “fechado” só porque decorreu no interior de um edifício.

        Toda e qualquer tentativa de aproximação/união de esquerdas é mais do que bem-vinda, necessária para combater a situação actual do país. Não temos de pensar da mesma forma, mas encontrar pontos de convergência para uma luta mais forte e mais organizada.

        • Renato Teixeira diz:

          Percebeu mal a ironia ou ela falhou o seu objectivo de deixar a nu o ridículo da CDA ter passado ao lado de todos os protestos que aconteceram, fora dessas paredes, no enterro do 5 de Outubro.

      • armando herculano diz:

        Sim de acordo, polítcas concretas. Concreto é o documento aprovado e em breve disponível em http://www.congressoalternativas.org.

        Tão concreto que todos os partidos da esquerda serão confrontados com ele. Não agradará a todos por certo, mas terão de dizer o que não agrada, e terão de contra-argumentar. É claro que podem sempre, continuar a dizer, nós é que somos os bons e todos os outros são…

        E mais uma vez, a desqualificação. Então onde é que o seu partido faz congressos? e jornadas parlamentares? lá não tem paredes?

    • Rocha diz:

      O que é que unir PCP e BE tem a ver com branquear o PS e reciclar o Alegrismo que é o que este Congresso está a fazer?

      Este Congresso sempre pretendeu ser uma converg̻ncia de esquerda, mas ao convergir com o PS Рque ̩ um PARTIDO DE DIREITA Рconverge com o capitalismo e com Troika. Como diz o PCP muito bem PS-PSD-CDS ̩ a Troika nacional tal como UE-BCE-FMI ̩ a Troika estrangeira. Duas faces da mesma moeda, o euro-imperialismo e o luso-capitalismo.

      Eu ainda considero o BE uma partido de esquerda, apesar de social-democrata (apesar de ter abandonado o marxismo). Mas o BE já como o BE está sempre a falar de alianças com o PS (ou seja com a Troika), o BE é que tem de decidir de que lado da Troika quer estar: a favor ou contra.

      O PCP está firmemente fora deste congresso porque não se vende nem se rende. Os comunistas estão contra a Troika nacional e estrangeira, contra o governo e contra o PS. Não somos contra uma parte da Troika, somos contra toda a Troika.

      • armando herculano diz:

        mas para que serve ter sempre razão se com essa razão não se faz nada? se essa razão toda, essa firmeza ideológica toda, não é capaz de vencer a direita, não é capaz de impedir a política da troika, o empobrecimento do país, os ataques ao trabalho e aos mais desfavorecidos? quem coloca no prato a comida que falta? a firmeza ideológica?
        não é tempo de procurar tirar o ‘certificado’ ideológico, a pureza mas sim respostas para os problemas que temos.
        A quem se vende e rende este congresso? onde vê isso nas conclusões e nos propósitos do Congresso?
        Que importa o PS ou a sua direção? o que interessa é construir uma força que vença as políticas da troika, com ou sem PS, mas certamente com muitos eleitores do PS e talvez muitos militantes do PS. Se a troika for derrotada, com ela serão todos os que suportam os seus propósitos.
        O que é ser contra uma parte da troika? palavras sem conteúdo. Ou não? não nos quer explicar?

  4. João Vilela diz:

    Quando militantes de um partido que ontem se absteve de depor o Governo não são simples e liminarmente insultados quando se aproximam da esquerda (reconhecimento aos que vaiaram Ana Gomes), então essa esquerda é tudo menos esquerda. Quer é correr para as pastas ministeriais, de calcanhares a bater no pescoço, quanto antes. Quem, no BE, se opõe a esta capitulação oportunista só tem uma saída: erguer-se como um só homem e derrotá-la na Convenção de Novembro. Se tal não ocorrer, fica claro com que BE se conta.

    • armando herculano diz:

      sim. houve um pequeno grupo que timidamente assobiou a Ana Gomes, mas rapidamente pôs fim a essa excrescência da democracia por verificar a censura silenciosa da esmagadora maioria que não os acompanhou esse. A imprensa deu eco desse ato, por inexistência de outro qualquer incidente, por mais pequeno e isso é também um traço muito significativo do Congresso. Ana Gomes fez ainda outra intervenção, muito corajosa e sem incidentes, em defesa da continuação de Portugal no euro, por oposição a outra intervenção que defendeu a não exclusão dessa saída. A questão foi votada e resolvida como se resolvem em democracia as diferenças de pontos de vista.
      Como dava jeito a um certo partido, que o BE aceitasse integrar um governo d PS. Podem esperar sentados.
      Outra coisa bem diferente, é saber se existe na esquerda propósito de assumir a defesa do povo e da soberania nacional e quem são os partidos que respondem à chamada a esse imperativo. Rasgar/denunciar o ‘memorandum’ é a condição para tal.
      Mais uma vez, aparece formulada uma afirmação (um desejo) retórica sem fundamento, mas que serve o propósito de desqualificar um adversário e assim inviabilizar a convergência à esuqerda.
      A história terá um lugar para estes atores e organizações.

  5. oberon diz:

    e publicar o post quando ele é escrito, hein?

  6. armando herculano diz:

    O sectarismo é a arma dos fracos, ou dito de outra forma, a cegueira psicológica dos videntes. Preferem fechar os olhos a assumirem o que vêem.
    Leia(m) o documento final e comentem o que lá está, não aquilo que inventam ou gostariam que lá estivesse. E já agora, assinalem o que discordam, porque isso permite continuar a discussão, permite melhorar e avançar posições, permite convergir no que acordamos. O sectarismo prefere evitar a discussão, para sublinhar o que discordamos. Quando não encontram divergência substancial ou inultrapassável, inventam ou somente desqualificam o interlocutor.
    É muito triste se não fosse trágico para Portugal, no momento que o país se encontra, haver esta esquerda auto-suficiente e autista.

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