O nepotismo incha com a crise


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Reza a lenda que um famoso tio de um ex-governante, sempre que tinha um interesse imobiliário numa qualquer autarquia, começava por oferecer os seus bons préstimos familiares ao correspondente edil. Uma simpatia tida como normal.
Recordo esta história a propósito da venda do Pavilhão Atlântico ao consórcio Arena Atlântico.
Para perceber o que está em causa é bom que se comece por escrever que este é um negócio ruinoso para o Estado, ainda que aparentemente vendido à proposta com o valor mais elevado. Todo o processo de construção do pavilhão custou, há escassos 14 anos, quase três vezes o valor pelo qual será agora alienado e, há pouco mais de um ano, anunciava-se ter triplicado os resultados, garantindo lucros de 725 mil euros.
Curiosamente, este negócio resulta em proveito de um grupo em que pontifica o genro do Presidente da República, Luís Montez – indivíduo envolvido em inúmeras notícias de alegados favorecimentos do Estado e processos em tribunal por dívidas astronómicas, e com uma estranha história de renegociação da dívida com o BPN revelada pela revista “Sábado”. É óbvio que não se quer defender que os elementos do clã Cavaco Silva devam estar inibidos de exercer actividades comerciais, mas não me pareceria exagerado que o Presidente da República moderasse a sanha familiar quando se trata de abocanhar as últimas partes lucrativas de um Estado do qual o próprio patriarca é o principal responsável.
Estando cada vez mais enraizada a lógica de compadrio e nepotismo entre as elites financeiras – basta passar os olhos pela repetição de apelidos dos mais altos cargos das principais empresas públicas e privadas –, restam poucas dúvidas de que Cavaco Silva terá tido um papel central neste negócio. Quer dele tenha tido conhecimento prévio, quer não.

Hoje no i

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