O Estado da Nação

De acordo com o Banco de Portugal, este ano será o primeiro, desde 1943, em que a balança comercial portuguesa registará um excedente. Ou seja, o valor das exportações ficará acima do das importações. A notícia parece ser interessante para a economia nacional, se não pensarmos que o país, com um aparelho produtivo débil, tem de importar bens essenciais. Na verdade, o que a notícia revela é que há bens essenciais que não estamos a conseguir comprar e, não é por acaso que apenas tivemos este registo nos anos da 2ª Grande Guerra.  Portugal vive um contexto de guerra, sem tiros.
O país é um enorme campo de concentração ao qual só lhe faltam os muros – veremos se, mais dia menos dia os alemães não impõe restrições à circulação na UE de cidadãos gregos e portugueses – e a julgar por mais este artigo hediondo de Camilo Lourenço até já estão abertas as candidaturas para chefe de campo.

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26 Responses to O Estado da Nação

  1. antónimo diz:

    Como bem lembram nos Ladrões de Bicicletas, com o euro desvalorizado 13% em relação ao dólar, não deixa de ser normal que as exportações tenham crescido. Este crescimento vale é quanto?

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    É evidente que este equilíbrio das contas externas só é possível pela contração brutal do consumo e do investimento, mas gera um espaço de oportunidade que não devia ser desprezado. Era essencial agora identificar rapidamente as áreas de produção onde podíamos vir a ser competitivos, quer no mercado interno quer no mercado externo, e promover os investimentos necessários nessas áreas, para que, dentro de poucos anos, a nossa balança comercial se mantivesse equilibrada mesmo sem ser por causa da austeridade. O equilíbrio das contas externas é condição sine qua non para que a nossa economia possa sustentar o nosso consumo, e deve ser mantido custe o que custar. Mas não como consequência de um empobrecimento dos mais desprotegidos na nossa sociedade. Muitas empresas portuguesas estão a descobrir que podem ser competitivas nos mercados mundiais, e isso é bom. Mas é preciso que isso se traduza em investimento, em criação de postos de trabalho, em recuperação do poder de compra dos trabalhadores.

  3. jpm diz:

    Um enorme campo de concentração? A sério? Eu sei que as frases rendem mais quanto mais bombásticas forem mas pede-se alguma contenção. É que o pior não é um tipo deixar de levar a sério o que lê, é mesmo fazer as críticas, que eu acho que são justas, perderem toda a credibilidade. As coisas já são suficientemente graves por si, não precisam destas hipérboles históricas.

  4. António Carlos diz:

    Bom mesmo era a balança comercial continuar a apresentar défices, de preferência sempre a crescer. Aí é que viviamos bem e o nosso futuro estava assegurado!

  5. enhorabuena diz:

    que interessante ver um comunista a branquear o fascismo e os campos de concentração (este tipo de comparações só branqueia)… mas, melhor observado até se percebe a razão!

  6. Dédé diz:

    Versão tuga da estória do cavalo do espanhol.

  7. Filipe diz:

    Claro que há um forte contracção da procura interna, mas será mesmo da compra de bens essenciais? Não será antes de bens como automóveis, plasmas, computadores, gadgets, etc? Isso não são bens essenciais. E é muito bom termos as nossas balanças comercial e de pagamentos equilibradas, porque este desequilíbrio, somado ao défice das contas públicas, foi o que nos obrigou a pedir ajuda externa. Creio que faz sentido discutir onde devem ser feitos os cortes da despesa, ou melhor, para onde deve ser direccionada a austeridade. Por exemplo, deve-se cortar nas PPP, nos institutos públicos que não são necessários, nas rendas da energia, etc, etc. Mas a austeridade é inevitável. O dinheiro não cai do céu e seguirmos o caminho da Grécia, que anda desde o início a dizer que não cumpre, não é solução. É preciso bom senso, coisa que parece faltar a uma certa esquerda que parece salivar por quanto pior melhor.

    • De diz:

      Um com falinhas mansas a falar em plasmas e outras coisas que tais.
      Olha para o umbigo e pensará que todos são como ele?
      Os mais de um milhão de desempregados e o empurrão que o desemprego teve da troika e deste governo estão aí em toda a realidade tangível

      Este fala de plasmas.E continua com aquele discurso à ministro germânico sobre a realidade grega e o não cumprimento da.
      Um discurso que fede.
      Ou por outras palavras,vá mas é o dito Filipe salivar por quanto pior melhor ao pé dos seus gadgets de estimação

      • Filipe diz:

        Se o caro amigo tem dúvidas sobre os produtos que estamos a importar menos, consulte os números das importações do Banco de Portugal e do INE. Quanto à realidade grega, ela fala por si. Se acha que o caminho grego é o mais correcto, olhe, nem sei o que lhe diga. E repito: a austeridade orçamental é inevitável, porque pura e simplesmente não há dinheiro. E monetarizar défices, através da impressão de notas às toneladas, não é solução, como a história demonstra até à exaustão. Mas é possível pôr um prática uma austeridade mais inteligente e mais justa e equitativa do que aquela que tem sido aplicada em Portugal. Disso não tenho a menor dúvida. E a Esquerda devia centrar o discurso nesta questão, em vez de andar a alimentar fantasias. É possível cortar na despesa pública de forma mais justa e equilibrada. Mas é preciso cortar. E é necessário equilibrar a balança comercial, para que a actual crise não se repita. Isto não é ser de Esquerda ou de Direita, mas simplesmente ser realista.

        • De diz:

          “O caro amigo” não tem dúvidas sobre os produtos que importamos.E esse mesmo continua a dizer exactamente o mesmo.Apontar o dedo aos que falam nos plasmas e nos gadgets enquanto se esboroa o poder de compra e o emprego entre os portugueses.As responsabilidades directas da trupe que nos tem governado nestes últimos 35 anos,acentuadas por esta governação de pulhas neoliberais submetidos aos ditames da troika não pode ser obliterado por conversas moles a tentar atirar poeira para os olhos.O umbigo dos Filipes desta terra pode afinal não passar de uma estratégia deliberada para ocultar os responsáveis e para forçar as soluções(deles)

          “O caminho grego o mais correcto”?
          Deve estar a brincar com toda a certeza.O caminho escolhido pelos banqueiros e pelas organizações do capital como o mais correcto só como piada de mau gosto.

          O”realista” tem destas coisas.O refúgio cobarde do”não ser de esquerda nem de direita” como táctica para nos convencerem que não há outra via senão este caminho feito de miséria, desespero e morte não passa.Isso queria v. A nuvem com que se tenta mascarar a realidade pretensamente asséptica das soluções tecnocratas já teve melhores dias. Só mesmo saída dos que nos querem fazer engolir a pílula dos crápulas que nos governam
          E não passa

          • filipe diz:

            Nao vou discutir mais consigo, porque ja vi que por um lado nao entende metade do que escrevo e por outro prefere insultar em vez de argumentar. Nao me conhece de lado algum, mas isso nao o impediu usar termos como pulha, crapula e covarde, para alem de por em causa a minha boa fe, fazendo me cumplice de uma qualquer conspiracao para o forcar a tomar comprimidos. Tambem eu podia recorrer a esse tipo de tacticos – conheco palavroes que nem deve imaginar que existem – mas guardo isso para palhacos de carne e osso. Para concluir, continue assim que isso ajude quem nao suporta o vosso tipo de esquerda.

          • filipe diz:

            Nao vou discutir mais consigo, porque ja vi que por um lado nao entende metade do que escrevo e por outro prefere insultar em vez de argumentar. Nao me conhece de lado algum, mas isso nao o impediu usar termos como pulha, crapula e covarde, para alem de por em causa a minha boa fe, fazendo me cumplice de uma qualquer conspiracao para o forcar a tomar comprimidos. Tambem eu podia recorrer a esse tipo de tacticos – conheco palavroes que nem deve imaginar que existem – mas guardo isso para palhacos de carne e osso. Para concluir, continue assim que isso so ajuda quem nao suporta o vosso tipo de esquerda. Sabe porque e que a maioria dos portugueses nao suporta o BE? Por causa dessa arrogancia e desprezo por quem pensa de forma diferente. Nunca hao de chegar ao poder precisamente porque o povo nao gosta da vossa atitude.

          • De diz:

            Ora bem.
            E se lesse melhor o escrito?
            Onde está a palavra “pulha”:As responsabilidades directas da trupe que nos tem governado nestes últimos 35 anos,acentuadas por esta governação de pulhas neoliberais ”
            ( a menos que Filipe seja um dos pulhas que nos tem governado,claramente que não é dirigido ao personagem em questão)
            Onde está a palavra “crápula””:” Só mesmo saída dos que nos querem fazer engolir a pílula dos crápulas que nos governam”
            (a menos que Filipe seja um dos crápulas que nos tem governado,claramente que não é dirigido ao personagem em questão)
            Se a Filipe lhe fazem impressão as expressões acima citadas, muito mais me fazem a mim as políticas seguidas por esta cambada.Políticas criminosas, políticas que mostram por um lado uma tentativa de recuperação e de concentração do capital por outro um ódio boçal a tudo o que cheire ao 25 de Abril.

            Os comprimidos que fala devem fazer parte do seu argumentário clássico,porque não é a primeira vez que o ouço.Adiante.

            Quanto à atitude ” educada” da burguesia, aqui vai um exemplo claro,claríssimo dessa mesma atitude:
            http://www.youtube.com/watch?v=wSJojhUw_uI&feature=player_embedded

            “Sí, nuestros enemigos, los que necesitan de nuestra ruina para su lucro, los que nos necesitan “jodidos” para vivir a todo tren, esos mismos”.

        • De diz:

          Quanto à balança comercial, Antónimo já colocou aqui um link por duas vezes.
          O silêncio sepulcral a este é sintomático.
          Mas há mais

        • De diz:

          Ah estas saudades dos idos tempos de 1943, em que a balança comercial…
          “Nesse tempo glorioso em que exportávamos tanto, os portugueses passavam fome e passavam grandes privações, literalmente uma sardinha era partida em três e condutava o prato das batatas cozidas. Isto quando havia quintal para produzir as batatas. Os trabalhadores que desciam das beiras para as ceifas no Alentejo eram alimentados com uma sopa feita de pão e água temperada com alho e vinagre.
          Nas cidades como Lisboa e Coimbra havia dias em as pessoas se sustentavam com pão e café de mistura, feito de cevada e chicória torrada.
          Assim que o sol se punha não havia iluminação, quem tinha podido comprar petróleo antes do racionamento e do preço ser imcomportável guardava-o preciosamente para acender o candeeiro só em alturas de emergência como a doença de alguém.
          Exceptuando as elites endinheiradas do costume, todos eram pobres, trabalhavam até cair e morriam de tuberculose, de tétano, de infecções várias. Não havia médicos nem forma de pagar os serviços de um médico ou a sua prescrição”.
          Luís Filipe Gomes, tirado daqui:
          http://samuel-cantigueiro.blogspot.pt/2012/07/balanca-comercial-desde-o-tempo-de.html
          Um texto a ler indubitavelmente
          (E o incómodo que sobra que este seja o mundo a que a santa aliança interna e externa quer que regressemos)

        • Caxineiro diz:

          Ó Filipe
          Ser realista é ir buscar o dinheiro a quem o tem, a quem o roubou e continua a roubar e não a gajos como eu que trabalharam toda a vida e pouco ou nada têm, e nunca tiveram a oportunidade de viver acima das suas possibilidades, ou lá o que é isso. É o povo, a base da piramide que está a ser roubada, percebes?
          Vai-te foder mais a tua conversa da treta dos sacrifícios e “notas à tonelada” e merda e tal. Vai contar essa estória ao Duarte Lima, ao Dias Loureiro e ó caralho
          disse:

          • Caxineiro diz:

            …disse e fui talvez violento a ponto de merecer censura mas é que estou cheio de ouvir estes sabujos falar de austeridade e sacrifícios passando ao lado do verdadeiro problema do país que são essa corja de bandidos que há décadas detêm o poder económico e político vampirizando quem trabalha e ao sistema político que os favorece
            Vão buscar o dinheiro à quadrilha que saqueou o BPN, aos vígaros dos submarinos, aos da Moderna etc etc etc
            O Povo está farto!

          • De diz:

            É isso mesmo Caxineiro.
            Estamos em guerra.Só não vê quem não quer.

  8. Kirk diz:

    Off Topic
    Os serviços de saude deste país estão parados dois dias devido a greve dos médicos como forma de protesto contra a politica de destruição do SNS deste governo e nem uma palavra sobre isso neste blogue?!!!
    K

  9. Filipe diz:

    Se lesse o que escrevi, veria que concordo consigo nesse ponto: não podem ser os pobres e a classe média a pagar a crise. Há que cortar na ‘teta’ onde mamam os bancos de investimento, as construtoras, as sociedades de advogados, as consultoras diversas e os lobbies instalados. Refiro-me às PPP (que custam mais de 8 mil milhões por ano, ou seja, o equivalente ao dobro do valor que seria conseguido com o corte dos dois subsídios de toda a gente), às rendas da EDP, aos milhares de ‘tachos’ em empresas públicas e ligadas ao regime, à promiscuidade entre as EDP e as PT desta vida e os partidos políticos, etc, etc. Mas não, preferiu descarregar em cima de mim com os comprimidos dos crápulas e afins (e ao rotular-me como cúmplice deles, foi como se usasse esses termos a meu respeito).

    • De diz:

      Não.Definitivamente não utilizei tais termos a seu repeito.Se também lesse com mais atenção constataria tal facto.
      Mas não costumo fugir às questões, embora muitas vezes mantenha o silêncio em assuntos que tenho por secundários.Daí que se considere que o insultei directamente, peço-lhe desde já desculpa.
      Entretanto embora até concorde com algumas coisas que escreve, não considero que sejam esses os pontos principais da situação em que vivemos.As coisas são mais fundas e passam por uma tentativa deliberada de acumulação da riqueza e da concentração desta em cada vez um menor número de mãos.A que se soma as características quase genéticas de alguma direita,ávida do individualismo e do salve-se quem puder que acaba por desembocar em toda esta corrução que contamina o nosso país desde há dezenas de anos.
      Os nomes aí estão e é inútil agora citá-los de novo.Mas fazem parte do topo do topo dos nossos partidos do poder.Da dita troika interna.Bem coadjuvada pela troika externa.O poder económico a ditar as leis ao poder político, seu servo e fiel mandatário.Sem quaisquer escrúpulos um e outro.
      Esta sociedade de facto não serve.
      E a paciência está-se a acabar,como dirá Caxineiro

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