Duas notas sobre a esquerda grega nas eleições de Junho de 2012

Há uma mania persistente de alguns autores e comentadores analisarem a situação política e social apenas a partir das suas convicções. Independentemente das minhas divergências com vários dos seus postulados, Lénine foi um revolucionário bem-sucedido por precisamente ter analisado a realidade a partir dos seus dados concretos e onde a acção política era muito menos marcada pela fraseologia (pretensamente) revolucionária à base de chavões e de declarações puristas de princípios. Não que os princípios fossem abandonados mas a acção política desejada nunca deixou de se balizar pela realidade material concreta.

Posto isto, gostava de abordar alguns dados relevantes das últimas eleições gregas do passado domingo. Vou focar-me apenas na esquerda grega.

1)      Tendo plena consciência que os processos políticos nunca se resolvem por via eleitoral, mesmo assim cabe dizer que se é verdade que a Syriza não venceu as eleições, o seu resultado foi positivo para os trabalhadores europeus e para o futuro da luta na Grécia e para a necessária coordenação internacional das lutas. Se em 2009 este partido não chegava aos 5% dos votos, em Junho de 2012 os resultados são francamente positivos. Com cerca de 27% dos votos e mais de 1,6 milhões de votantes, a Syriza captou a esmagadora maioria do descontentamento popular às medidas de austeridade, contribuindo para o sangramento do KKE e do PASOK. Dentro deste quadro a lúcida defesa da manutenção da Grécia no euro e o centrar da contestação nas medidas de austeridade surtiu efeitos palpáveis e tem o condão de levar amplas massas de trabalhadores a concentrarem a sua luta contra a exploração e a não se desviarem para propósitos nacionalistas. Portanto, esta linha política contra as medidas que promovem o aumento da exploração dos trabalhadores gregos é bem mais saudável para o futuro da luta da classe trabalhadora grega (e da restante UE) do que embarcar no aventureirismo anti-alemão[1].

Em cima: “Eles morreram para que a França viva”.
Em baixo e em destaque: “O Partido Comunista Francês – O Partido dos Fuzilados. O Grande Partido do Renascimento Francês”.
Ou de como foi possível utilizar o heroísmo anti-nazi em prol de um objectivo nacionalista de esquerda. A classe operária como o aríete para a reconstrução nacional francesa do pós-guerra.
O “socialismo” seria doravante uma construção nacional e não mais a transformação das relações de trabalho.

Por outro lado, a Syriza ao rejeitar o nacionalismo mais arreigado nalguma esquerda tem a vantagem de poder ajudar a colocar a luta dos trabalhadores no único plano em que ela deve ocorrer: no plano da exploração e no necessário aprofundamento da solidariedade internacional entre os trabalhadores europeus. Na medida em que eu estou longe de apoiar um partido da mesma maneira que os que aqui critico fazem relativamente a KKE’s e afins, posso perfeitamente afirmar que, apesar de todas as suas insuficiências e defeitos, a verdade é que, neste contexto muito específico, a Syriza faz muito mais pelos trabalhadores ao: 1) rejeitar o isolacionismo nacional(ista); 2) não embarcar no discurso vergonhoso dos “gregos” contra os “alemães”, como se dentro dos gregos os seus capitalistas fossem mais aceitáveis do que os trabalhadores alemães…; 3) centrar a luta política contra as medidas de austeridade. Este centramento funciona duplamente como um objectivo político de luta contra os objectivos das burguesias europeias para elevar a exploração dos trabalhadores, e contra o fosso que tem marcado a concentração dos mecanismos de extracção da mais-valia relativa no centro da zona euro (Alemanha, Holanda, etc.) e os mecanismos de extracção de excedente económico por via da mais-valia absoluta na periferia dessa mesma zona euro (vd. aqui para uma explicação mais ampla deste assunto).

2)      O resultado do KKE é a melhor prova de como o centramento do discurso e da prática políticas em torno de tarefas nacionais e soberanistas[2] nem sequer rende mais o peixe do ponto de vista eleitoral e da ligação às massas perante uma extrema-direita em crescendo. Com o decorrer do processo político grego, o KKE foi dando cada vez mais primazia à luta pela soberania nacional e pela saída unilateral da Grécia do euro, colocando a luta contra o memorando da troika e as medidas de austeridade como pura decorrência da perda de soberania. Esquecer isto só pôde resultar numa transferência de votos de trabalhadores para a Syriza e no fortalecimento (inconsciente mas real) da extrema-direita. Podem os mestres da dialéctica vir com a conversa que o problema do KKE neste acto eleitoral de Junho foi o “voto útil” na Syriza e na campanha mediática anti-comunista. Isso é tudo verdade mas é secundário. Isso nada explica porque, por um lado, foi a Syriza que esteve nas bocas do mundo como perigosos radicais que até quereriam atirar a Grécia para fora da zona euro e, por outro lado, não explica porque 270 mil trabalhadores no espaço de um mês deixaram de votar no KKE e preferiram votar na Syriza ou engrossar a abstenção.


Ministério Georgiano das Obras Públicas, ex-URSS
“Le mort saisit le vif” – “O morto apodera-se do vivo” ou As saudades da ruína como lema do “socialismo” da miséria

O pior de tudo isto é a actuação política do KKE apenas em torno das suas convicções sobre o que a realidade devia ser… Por exemplo, em todos os escritos que pude consultar do KKE no seu site internacional não há uma medida concreta sobre o que esse partido faria se a Grécia saísse do euro. Sobre a forma como a Grécia financiaria a sua economia depauperada, como reconstituiria o seu aparelho produtivo, com que dinheiro compraria maquinaria, combustíveis e alimentos, etc. Claro que os mestres da dialéctica preferem brincar a ver quem é mais revolucionário nas palavras em vez de tentarem responder às questões concretas que se colocam no actual contexto europeu. Salvem-se as convicções numa saída miserabilista do euro, desde que o confronto com a realidade concreta não tenha de ser feita… Pelos vistos, os puristas nacionalistas de esquerda prefeririam viver num mundo onde teriam de pagar 100 mil escudos por dez pães e, esfomeados mas aliviados e sorridentes, pudessem clamar que a pátria estaria salva… O povo e os trabalhadores que dizem defender que aguentassem as agruras. Que maior felicidade poderiam ter por viver num “socialismo”[3] da miséria?



[1] Acho espantoso como há quem à esquerda consiga ler a crise económica do euro e os resultados eleitorais deste domingo a partir de “vitórias alemãs” ou de “derrotas gregas” no lugar do antagonismo de classe. Para quem se diverte a chamar os outros de reformistas e de reformadores do capitalismo, não deixa de ser curioso o facto dessas mesmas pessoas lerem toda a problemática da crise económica do capitalismo a partir de critérios identitários e geopolíticos. Para quem avalia o cenário socioeconómico e político quase sem menção às classes sociais baste-me dizer que coerência não lhes falta…

[2] É inusitado o facto de que as únicas forças políticas gregas com deputados eleitos que defendem uma saída do euro são o KKE e a Aurora Dourada. Para quem passa a vida a desancar a Syriza por ter uma postura reformista, talvez fosse positivo começar-se a interrogar sobre a coincidência de pontos de vista neste plano. Se os Partidos Comunistas em nada têm a ver com o fascismo, a verdade é que o nacionalismo presente nos dois campos opostos auxilia que trabalhadores que inicialmente apoiaram esses partidos possam, mais tarde, ser captados por forças fascistas. O exemplo francês de transferência de milhares e milhares de votantes do PCF para a Frente Nacional de Le Pen é um entre vários possíveis. Da centralidade da nação nas tarefas de vários partidos comunistas europeus foi a extrema-direita buscar parte da sua base eleitoral presente.

[3] Os mestres da dialéctica que apoiam ou que têm amplas responsabilidades em organizações de esquerda são notáveis pelas circunvoluções operadas no plano da luta ideológica. A propósito da Syriza, dizem eles que esta formação política não estava a lutar pela superação do capitalismo. O que eu acho extraordinário é o facto de que para os treinadores de bancada alinhados com o KKE o socialismo é o sinónimo de uma saída nacional do euro, ao mesmo tempo achando que bastaria a nacionalização da banca e de alguns sectores da economia para que uma sociedade pudesse ser classificada de socialista… É mesmo notável como os mestres da dialéctica esquecem o que é a riqueza, como ela é produzida e quem a apropria a partir do momento em que tomam o poder político. Das duas uma, ou o socialismo é o reino da não-economia e os seres humanos passariam a viver do ar, ou estão a recalcar as raízes de uma futura dominação classista por parte de uma novel classe de gestores, aspecto que permeou todas as experiências ditas de construção do socialismo no século XX (URSS, China, Cuba, etc.). Como comunista defendo apenas da Syriza o que ela possa ajudar a impedir o avanço das maiores armas anti-operárias tais como o nacionalismo ou as concepções estatistas e miserabilistas de um putativo socialismo. As organizações são instrumentais para a luta dos trabalhadores rumo a uma sociedade socialista e não o inverso. O compromisso de um comunista não deve(ria) ser com uma dada e eterna formação política, mas com o objectivo da «emancipação dos trabalhadores pelos próprios trabalhadores».

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110 respostas a Duas notas sobre a esquerda grega nas eleições de Junho de 2012

  1. miguel serras pereira diz:

    Belo post, João.
    Deixa-me só acrescentar aqui, à laia de nota suplementar, o texto de ontem do Zé Neves no Facebook, que partilhaste comigo. É uma reflexão pré-eleitoral, mas que no pós-eleições gregas só ganha, se possível, mais actualidade e acutilância:

    «Espero que a Syriza tenha um excelente resultado eleitoral e se possível a vitória. Se assim for, não será uma vitória da Grécia nem será uma derrota da Grécia. Será uma vitória de uma parte da Grécia contra outra parte da Grécia. E será uma vitória aplaudida por uma parte da Europa e lamentada por outra parte da Europa. Quem quiser brincar às lutas de gregos contra alemães, que espere pelo jogo dos quartos-finais, no qual, diga-se, estou pela selecção da Alemanha»

    Abraço solidário

    msp

  2. Mercader diz:

    Penso que esta frase final “compromisso de um comunista não deve(ria) ser com uma dada e eterna formação política”, é a que melhor define os objectivos deste texto. Para quem ele é dirigido.
    O teu relambório de ataque aos comunistas clarifica onde estás e para onde vais.
    Podes citar Lenine mil vezes que o teu caminho está traçado.
    A vida é dura. Uns são firmes e outros não.
    Boa viagem!

    • João Valente Aguiar diz:

      Uns são firmes em relação ao socialismo e à causa de libertação dos trabalhadores. Outros são firmes em relação às capelas e à edificação de uma falsa sociedade socialista que não é mais do que uma nova sociedade de classes. Boas rezas!

      • Samuel diz:

        Os “abandonos”, ou simples caminhos (legitimamente) divergentes, devem, se possível, ter justificações vistosas.
        Este post é, sem dúvida, bastante vistoso. 🙂 🙂

      • Carlos Vidal diz:

        João viste luz agora, uns tempos depois?
        Ouves vozes também? Magnífico.
        E também lês esse notável ensaísta de nome Serras Pereira? Aquilo é obra. Cuidado. Cada livro, cada…..
        Seja como for, é uma boa opção. Força.
        (Eu, às vezes, também ouço vozes.)

      • Rocha diz:

        João, noutros tempos foste atrás do radicalismo verbal sem cuidar que os velhos ratos de biblioteca não mexem uma palha na luta dos trabalhadores – a tal teoria sem prática.

        Agora vais atrás do internacionalismo verbal sem cuidar que te atrelas ao reformismo do vale tudo para receber a gestão do sistema. Internacionalismo talvez seja, mas de que classe?

        É o teu ponto de vista, é a tua opinião, eu respeito.
        Mas será essa a classe pela qual tomaste partido como comunista?

        Espero que tal como noutros tempos, te pese mais a consciência do que a vaidade.

  3. N Faleiro diz:

    Por fim, uma análise lúcida do processo eleitoral. Nesta situação concreta, talvez única, a Syriza esteve perto de ganhar as eleições. Segundo as sondagens, ou ganhava, ou ficava em segundo, por uma curta margem. Oportunidade única dentro de um processo eleitoral quase sempre dominado pelo chamado arco governativo. Repito: eleições, e não a anunciada revolução anticapitalista que alguns pensam que vai emergir por sufrágio.
    O KKE usou uma velha estratégia: imobilismo em nome da radicalização da sempre imaculada luta revolucionária. Não vacilou, negou à partida qualquer negociação, e seguiu a via nacional(ista) sem apresentar uma medida concreta de como sair do euro sem agravar ainda mais a vida dos gregos (digam-lhes, por favor, que a União Soviética já foi à vida).

  4. Augusto Osório de Castro diz:

    Que texto desonesto!!
    Socialismo da miséria na URSS? Que vergonha, que nojo!!

    • João Valente Aguiar diz:

      Era o sol na terra… Como disse no post porque quando certas organizações chegam ao poder já não querem saber de quem produz a riqueza e de quem a apropria? Lá está. Se pensassem bem nisso se calhar a crença ia por aí abaixo.

      • Pedro Pousada diz:

        Foi durante decadas o unico lugar onde as classes trabalhadoras foram solares.E ve-se q pouco ou nada sabes sobre a arquitetura e o urbanismo sovieticos de 1924-1990 para postares fora d contexto esse magnifico edificio q s tornou uma ruina c o fim d SSSR.Socialismo d miseria um pais q se ergueu das cinzas em 1921 e em 1945 salvou a humanidade do fascismo ?Um pais q atingiu os niveis d producao industrial do ocidente, o pais da mais extraordinaria revolucao cultural e politica q alguma vez as classes trabalhadoras protagonizaram?Shame on you.

        • miguel serras pereira diz:

          Depois da derrota da revolução – sim, houve uma revolução russa: a democracia de tipo novo prefigurada pelos sovietes e pela participação igualitária dos trabalhadores e cidadãos comuns no exercício do poder, direcção da economia, governo das suas próprias condições de existência… -, a URSS foi durante décadas uma sociedade classista: uns governavam, outros eram governados; uns trabalhavam, outros geriam, administravam e fixavam as condições e os objectivos do trabalho dos outros; uns eram o cérebro e a consciência organizada, outros súbditos comandados por pastores que os queriam reduzir a “rebanho pelo medo perseguido”.
          Desigualdade, exploração, repressão sistemática dos direitos e liberdades fundamentais, sistema concentracionário, culto do Estado após o esmagamento dos sovietes e da gestão colectiva (o Estado não é só instrumento de uma classe, mas essencialmente forma e matriz classista), etc. justificam que a propósito das palavras que a sigla URSS significava, Castoriadis tenha escrito: “quatro palavras, quatro mentiras. A URSS não é uma união, não é uma república, não é soviética, não é socialista”.

          msp

        • Justiniano diz:

          As saudades da ruina como lema – é absolutamente extraordinário o romantismo desta frase. Há ali algo de Ruskin.
          Há que enaltecer a ruina como espelho do passado e não a abjurar!!

        • João Valente Aguiar diz:

          E quem controlava a produção Pedro Pousada? Quem decidia sobre as decisões fundamentais da sociedade soviética? E os trabalhos forçados deviam ser, de facto, muito solares…

          Eu não demonizo a URSS como muita gente o faz. Sei perfeitamente do malabarismo de contas sobre o pretenso genocídio staliniano com que a burguesia nos brinda todos os dias. Sei perfeitamente do conjunto de atoardas preconceituosas e mentirosas sobre a URSS. E valorizo o papel da URSS na edificação de um estado social no resto da europa e na derrota militar do nazismo. Agora, chamar à sociedade soviética socialista é que me parece abusado. Existiu dominação de classe e que foi sendo ampliada ao longo do tempo. Dominação de classe que, depois da guerra civil e de os sovietes terem perdido toda a sua vitalidade inicial, redundou na constituição de uma nova classe de gestores que se apropriavam colectivamente da riqueza produzida pelos trabalhadores.

          E sobre a imagem. Eu sei perfeitamente que aquilo so aconteceu depois da queda da URSS. O que me interessa chamar ali a atenção é para a saudade que muita gente continua a ter da URSS, como se aquilo fosse modelo de alguma coisa… Por rejeitar terminantemente a dominação capitalista dos EUA e da europa, isso não me leva a concordar acriticamente com algo que esteve longe de ser socialista. Ou melhor que só foi socialista precisamente até ao início dos anos 20 quando diz, e aí concordo plenamente consigo, que ali ocorreu a «mais extraordinaria revolucao cultural e politica q alguma vez as classes trabalhadoras protagonizaram»- Pois, o problema foi elas terem deixado de ser o motor da construção socialista… E equivaler o socialismo ao níveis de produção industrial do ocidente é interessante. Então o socialismo seria só crescimento económico mantendo o fulcro das relações de trabalho inalteradas?

        • Ricardo Noronha diz:

          Muitos dos acontecimentos verificados e que se estão a verificar em alguns países da Europa de Leste representam graves derrotas para o socialismo. Mostram que o processo de edificação da nova sociedade é mais difícil, complexo e demorado que o previsto e que a sua realização se tem desenvolvido e continuará a desenvolver-se por tempo indeterminado no quadro de uma aguda competição (económica, política, ideológica, militar) com o capitalismo, o que afecta inevitavelmente a própria dinâmica do desenvolvimento do socialismo, tanto mais que o capitalismo manteve a supremacia económica a nível mundial. Mostram que se registou excessiva confiança na irreversibilidade dos processos de construção do socialismo, no processo revolucionário mundial. Mostram que a rigidez e cópia mecânica de objectivos e métodos, com subestimação e mesmo afrontamento da vertente democrática do socialismo, afectaram e comprometeram a construção da nova sociedade. Mostram
          que se subestimou a necessidade e dificuldade de formação de uma consciência socialista. […]
          A perestroika na União Soviética e os acontecimentos e mudanças profundas noutros países socialistas da Europa evidenciaram que existia uma crise latente – económica, social, política, cultural, ideológica, moral, nacional e partidária – cujas causas fundamentais na sua totalidade é e será imperioso estudar, mas entre as quais se podem já discernir com segurança não só o esgotamento de soluções anteriores (designadamente no plano da economia) como, sobretudo, apreciações, orientações e práticas contrárias ao ideal comunista. As situações em desenvolvimento tornaram objectivamente indispensável e mesmo inevitável o decidido abandono de um «modelo» que, com um conjunto de erros e deformações, contrariou e se afastou de valores essenciais do socialismo, a superação de grandes atrasos e medidas de renovação e reestruturação em todas as esferas da vida dos países respectivos. […]
          As mudanças radicais da situação política verificada noutros países socialistas da Europa resultaram de situações de profunda crise gerada por orientações e práticas que se afastaram dos objectivos, métodos e valores do ideal comunista. Contradições entre os órgãos do poder político centralizado e o povo; entre a organização e a gestão da economia, o desenvolvimento económico e o melhoramento das condições de vida; entre a direcção do partido e o partido e entre o partido e o povo; contradições aprofundadas com o abuso do poder e situações de privilégio e de corrupção – agravaram-se ao longo dos anos e conduziram a inevitáveis rupturas, a extraordinária instabilidade e a processos descontrolados de evolução social e política cuja conclusão é ainda difícil de prever.
          http://www.pcp.pt/resolu%C3%A7%C3%A3o-pol%C3%ADtica-do-xiii-congresso-do-pcp-extraordin%C3%A1rio

          É caso para dizer que houve aqui alguém que se enganou.

      • Baresi88 diz:

        http://averdade.org.br/?s=Stalin&x=0&y=0 Aprenda alguma coisa sobre a história Shôr João Valente Aguiar.

      • xatoo diz:

        João:
        uma nota: “o sol da terra” é um chavão reaccionário, usado e revezado pela extrema direita; e uma correcção:
        quem chegou ao poder na URSS não foram os mesmos que sairam dela. Nem as pessoas, nem as condições objectivas, nem a ideologia, para já não mencionar todo um mundo que evoluiu/regrediu durante 70 anos

  5. Edgar diz:

    É estranho que com mais ou menos conversa, à direita e a certa esquerda, o facto mais importante das eleições gregas seja … a redução de votos do PCG.
    Quanto ao Syriza, sem desmerecer a luta por causas e a contribuição que pode dar na luta contra as injustiças sociais, confesso que já vi aparecer e desaparecer tanto “syriza” ao longo da minha vida, antes e depois do 25 de Abril, que já não me impressiono muito.
    Característica comum nestes aparecimentos, para afirmação pessoal e prova de independência perante a direita, parece ser a necessidade de darem umas “bicadas” nos comunistas.
    “Ver para crer”! Vamos ver que papel vai desempenhar o Syriza nos próximos tempos.

    • João Valente Aguiar diz:

      Claro que os resultados do KKE são importantes. A direita só me preocupa enquanto defensora da burguesia. A esquerda é que nos deve preocupar e interessar, esteja ela correcta ou incorrecta.

      • Edgar diz:

        Infelizmente, como a vida tem ensinado, não é só a direita que defende a burguesia (subentendendo-se, para simplificar, que estamos a falar da mesma coisa).
        Quanto à esquerda, falando claro, também para simplificar: na minha opinião, se houver algum partido que politicamente mereça estar à esquerda do partido comunista é porque este não verdadeiramente comunista.

      • Baresi88 diz:

        Agora os os resultados do KKE já são importantes! Que Lata!

  6. Kirk diz:

    NA MOUCHE, esta análise do processo grego.
    Para os camaradas que são mestres da dialética, não há que ficar ofendidos com as análises que os possam apoucar. É responder na mesma moeda. Nada de chavões e palavras de ordem. Para alem de tentarem denegrir a imagem do Syriza não se viu uma análise com pés e cabeça. Esforcem-se um pouco mais. Ah, e vejam se deixam de se vitimizar; os camaradas fazem da vitimização um dos principais cimentos agregadores dos militantes do partido. Os camaradas inconscientemente cairam na armadilha do Antoninho das botas: “orgulhosamente sós”. Nada a opôr a isso. Tenho para mim que a roda da História é imparavel. Depende dos Homens não dos partidos; este são uma mera ferramenta que pode em qq altura ser descartada. Jáviram o que aconteceu aos partidos que governavam a europa antes da crise? E aos partidos que governavam a Leste antes da queda do muro? Camaradas, os senhores é que têm que se adaptar á realidade, não é a realidade que tem que se adaptar aos vossos sonhos, embora sonhar seja importante.
    K

    • Caxineiro diz:

      O Paços não diria melhor!
      E você, já se adaptou ?

    • Carlos Vidal diz:

      Nada de especial João esta tua inflexão e “mudança” de campo:
      não foi para as bandas do trotskismo, não, não foi, apesar da tua nova cantiga internacionalista ou não-nacionalista (sem perceber o porquê do nacionalismo ou da invocação à pátria em certos momentos – Nietzsche, quando enlouqueceu também chamou a mãe e isso em nada lhe beliscou a filosofia, ora tu pegas no nacionalismo de certos comunismos como se eles fossem o todo da questão, mas são uma sua ínfima parte); não migratste para as bandas do trotskismo, pois daqui primam teses bem mais interessantes e úteis, como a anulação das dívidas que sugam povos e nações (lá está, a palavra proibida). Não foi para aí que migraste, pois acima dizes que a Syriza responsável e lucidamente defende a manutenção da Grécia no Euro (e como vês o problema seria logo sem esta austeridade – dizes que no socialismo não se vive do ar, mas a Syriza conseguiria manter-se no Euro sem a austeridade germânica; ora conta lá como… amanhã, sff, porque daqui a nada vou prá cama). Migraste para uma mistela negriana, ainda com uns laivos leninistas fora de propósito, no negrianismo. Mas já com uma apetência crítica notável (daí a considerares Lenine o fundador do fascismo, vai pouco). Negri, esse advogado de vários tratados europeus só porque iriam acabar com as nações. Mas é capaz de valer mais a preservação das nações do que essa coisa supra-nacional que o Hans Magnus Enzensberger muito bem caracteriza num seu recente livro: “apenas 49% dos europeus consideram positiva a integração do seu país na União [essa coisa que é preciso lidar com lucidez e responsabilidade, oh, oh], e só 42% têm confiança nas instituições europeias” (Bom, João, vai, vai que o Tsipras acompanha-te; o Castoriadis e o Serras também).

      • João Valente Aguiar diz:

        Que dizer perante deturpação tão gritante do que escrevi?? Naturalmente, sorrir.

        • Carlos Vidal diz:

          Que dizer perante tão gritante deturpação do que escrevi?
          Sorrir.

          “Dentro deste quadro a lúcida defesa da manutenção da Grécia no euro e o centrar da contestação nas medidas de austeridade surtiu efeitos palpáveis e tem o condão de levar amplas massas de trabalhadores a concentrarem a sua luta contra a exploração e a não se desviarem para propósitos nacionalistas.”

          Gosto muito. Afinal li mal.

          • Justiniano diz:

            Eu ainda não consegui perceber lá muito bem no meio de que ponte está o JVA!! De um lado chove no nabal e do outro faz sol na eira!!

          • João Valente Aguiar diz:

            Não é no meio da ponte, mas do lado do socialismo e contra todas as formas de capitalismo.. Andar aí a tentar atirar coisas e a inventar é que não adianta de nada

        • Jorge diz:

          ? Sorrir? A sorrir, será desta resposta!
          Não entendermos o que ouvimos, ou lemos, já é suficientemente preocupante, mas pode estar relacionado com dificuldades de expressão do emissor, e é então justificável. Agora, não entendermos o que escrevemos, é a mesma coisa que não termos consciência do que pensamos.
          O Carlos Vidal já republicou o parágrafo, não vou republicar novamente… mas talvez exista um contexto subliminar, ou poético, que afinal não captámos!…

      • miguel serras pereira diz:

        Justamente, no plano das ideias, a maior vitória do “anticomunismo” talvez tenha sido a consagração da concepção segundo a qual, na construção do comunismo (uma sociedade sem classes), a via da “emancipação dos trabalhadores pelos próprios trabalhadores” poderia ser substituída, com vantagem, pela via da tomada do poder e do seu exercício sobre os trabalhadores e o conjunto da população comum por um partido, conjunto de guias geniais ou “militantes revolucionários especializados”. Esta versão do “comunismo” como o governo dos melhores pastores, dos mais sábios, dos mais competentes e mais entendidos, equivale à consagração ideológica da sociedade de classes e do Estado classista, contra a ideia de autogoverno igualitário e de democratização radical como via necessária da emancipação. A oposição e o antagonismo entre “comunismo” e “democracia” sistematicamente estipulados pelo Carlos Vidal, por exemplo, são o exemplo perfeito do desvio e da captação de um vocabulário mais ou menos marxista por uma concepção classista e oligárquica da política e da questão social.

  7. Des diz:

    “Há uma mania persistente de alguns autores e comentadores analisarem a situação política e social apenas a partir das suas convicções.”
    Poderá não ser APENAS, mas seguramente que toda a gente faz um análise política e social a partir das suas convicções. A realidade é uma construção social, também, e é percepcionada a partir das lentes que cada um escolhe.

    • João Valente Aguiar diz:

      Não nego isso. O apenas é precisamente “apenas”. Claro que toda a gente faz uma análise a partir das suas convicções. O que eu critico é ver-se isso somente a partir de convicções e a realidade que aguente com as convicções.

  8. João Valente Aguiar,

    Acho que este é o melhor texto que li na sequência das eleições gregas (e também da época de caça à SYRIZA que se abriu no 5 dias, por parte dos suspeitos do costume).

    Há apenas um ponto que continuo sem perceber, que é o da insistência da necessidade da manutenção no Euro. Com a actual estrutura da UE e da união monetária, e com os governos existentes no centro da Europa, não vejo que tipo de solução (ou que federalismo digno desse nome) possa sair daí. Adicionalmente, convém referir que a saída do Euro, apesar dos perigos e da elevada incerteza que acarreta, não será o apocalipse, menos ainda se for planeada em vez de desordenada (ou seja, causada por um empurrão do governo da Merkel e pelo BCE). Afinal, a Islândia e a Argentina, ainda que constituam casos diferentes, ilustrar precisament isso. Ou, se se preferir, os problemas que o Ecuador enfrenta, e continuará a enfrentar, por estar preso ao dólar – falo do Ecuador por ter um governo cuja linha ideológica estará razoavelmente próxima da que seria possível antever como prosseguida pela SYRIZA – ilustram as dificuldades com que um governo de esquerda, de agenda inegavelmente progressista, (ou proveniente da social democracia radical ou o que quer que se lhe queira chamar) iria inevitavelmente esbarrar.

    • João Valente Aguiar diz:

      Sobre o assunto que coloca se tiver paciência e disponibilidade deixo-lhe a ligação para um tratamento mais exaustivo e sistemático da matéria nos seguintes locais:

      http://passapalavra.info/?p=59652
      http://passapalavra.info/?p=60016
      http://passapalavra.info/?p=60577

      Termino apenas dizendo que o grau de interdependência da Grécia e de Portugal na zona euro é muitíssimo superior ao que ocorreu na Islândia, Argentina e Equador. Se Portugal e a Grécia estivessem nessa situação, as medidas que esses países tomaram poderiam, em traços gerais e apesar de eu não as subscrever, ser ali tomadas. A interdependência económica transnacional da economia da zona euro é tal que uma saída dos seus componentes cria problemas enormes no resto do sistema. E o problema não é, para mim, o que isso causaria à burguesia, mas o que a burguesia faria sobre todos os trabalhadores europeus (“nativos” e migrantes). O fascismo não andaria longe.

      • Rocha diz:

        João, a tua análise do euro é inexistente.

        Limitas-te a avaliar as consequências que euro teve e tem pelo discurso mistificador e superficial dos porta-vozes da burguesia.

        Essa avaliação nem sequer reflecte o verdadeiro ponto de vista burguês.

        Tu focas no crescimento do aparelho produtivo da Alemanha, mas ignoras, que isso foi feito à custa do declínio industrial do resto da Europa. O capitalismo industrial europeu está mais do que derrotado pelos concorrentes emergentes. Desse capitalismo industrial apenas resta a Alemanha, tudo o resto foi arrasado. Não há em termos europeus uma estratégia de crescimento industrial, há sim uma estratégia de declínio. Por isso a atracção das burguesias europeias por guerras na Líbia e na Síria, para um capitalismo de saque, vai crescendo.

        Passas completamente ao lado do facto central de que as medidas de austeridade são motivadas pelo auge do capitalismo financeiro e a sua crise estrutural. O euro é apenas um elemento de uma crise maior que é a crise financeira e que também põe o dólar em causa.

        Nem o euro, nem a esmagadora maioria dos bancos europeus poderão sobreviver a esta crise. A democracia burguesa já está morta na Grécia e o fascismo vai continuar a galopar precisamente pela permanência numa zona euro que não tem nem solução, nem salvação em si mesma e sobretudo para os povos que são forçados a pagar todo o peso do seu colapso – trata-se de um processo de ruína premeditada.

        • João Valente Aguiar diz:

          Ando a escrever para o boneco mas aqui vai:

          «Em termos muito genéricos e introdutórios, a zona euro foi-se construindo em torno de um modelo alemão assente na exportação de bens portadores de valor acrescentado; portanto, seguindo no centro do espaço económico europeu os pressupostos da elevação da mais-valia relativa: 1) aposta na exportação para todo o mundo; 2) inundou a zona euro com os seus produtos; 3) apostou na articulação com mecanismos menos eficazes de mais-valia relativa na periferia da eurozona (no caso português, a troika [Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional] e o governo têm apostado numa elevação da exploração por mecanismos muito mais próximos da mais-valia absoluta como o corte de feriados, o aumento do horário de trabalho ou o corte dos salários nominais). Estes três aspectos devem ser vistos como fortemente interligados. Porém, uma advertência. A construção da eurozona com uma diferenciação bastante pronunciada entre um centro e uma periferia não obedece a qualquer padronização do tipo de uma “colonização” país a país, mas corresponde a um processo de integração das (pretéritas) economias nacionais num qualitativamente novo grau de interdependência que, em caso de perda de uma componente do sistema, todo ele corre o risco de desabar. E não se trata simplesmente dos investimentos da banca na dívida pública grega e dos seus efeitos de contágio financeiro por via da “toxicidade” dos títulos do tesouro grego [1]. A própria estrutura de produção e de consumo de mercadorias e de capitais aparenta estar fortemente conectada. Por conseguinte, Portugal e a Grécia não são estr(e)itamente mercados nacionais mas componentes de uma economia transnacional.»

          http://passapalavra.info/?p=60016

          Dizes tu: «Nem o euro, nem a esmagadora maioria dos bancos europeus poderão sobreviver a esta crise.» Pois não. E em 1929 também não e quem pagou o custo disso foram os trabalhadores com o nazismo e uma segunda guerra mundial em cima… Não sei onde está a dúvida que, no actual contexto, se o euro cai quem vai pagar os custos (e refiro-me aos custos humanos sobretudo) serão os trabalhadores. A burguesia perderá dinheiro, terá mais uns gajos a mandar-se da varanda abaixo, mas, no fim de contas, quem pagará a “conta” humana e económica serão os trabalhadores.

  9. closer diz:

    Este post de João Valente de Aguiar é a coisa mais lúcida e brilhante que li neste blog desde há muito tempo.

    Parabéns ao seu autor!

  10. Tiago Mota Saraiva diz:

    Camarada, sobre a Grécia, como temos vindo a conversar, estamos, em muita coisa, em desacordo. Contudo não me sinto um “mestres da dialéctica”, um “treinador de bancada” nem partidário de um “socialismo de miséria”. Penso que a estigmatização de quem não pensa como tu prejudica a tua análise. Análise essa, que deve ser debatida.
    Sobretudo no que toca ao discurso eleitoral do KKE e, em termos ideológicos, sobre a relação entre os partidos comunistas e o que é tido como social democracia.

    • João Valente Aguiar diz:

      A classificação não é para ti como certamente saberás… Mas tb concordo que o debate seja feito no plano em que ele deve ser feito: no plano político e ideológico.

  11. Joaquim diz:

    As análises (a grande maioria,como esta, muito incipientes,quase infantis) aqui neste blogue fazem lembrar os treinadores de bancada no futebol.Dão tácticas para tudo, que até parece que são grandes ideólogos.Para esse peditório…já bastou o nosso grande educador da classe operária(hoje na grande prateleira dos ideólogos).

  12. A.Silva diz:

    Ora parece que estamos perante um candidato a “ mestre da metafísica”. Um pouco a despropósito resolve começar o seu texto com uma referência a Lenine, não adianta ou atrasa nada e só parece servir para o autor do texto se esconder atrás de um nome para credibilizar as suas convicções, tentando dar-lhe a força e a credibilidade que pelos vistos elas não têm.

    Diz JVA que com 27% dos votos o Syriza captou a esmagadora maioria do descontentamento popular, é um facto, mas o que JVA se esquece de dizer, olvidando-se da realidade, é que esse descontentamento e esse deslocar das massas para a esquerda é resultado da luta das massas, luta essa em grande parte dirigida pelo KKE, analisar este facto sem ter em conta a história recente da Grécia é obra digna de um “mestre da metafísica”.

    Fala o JVA em sangramento do KKE, como se a história não fosse um processo dialéctico e como se este facto positivo que representa a votação do Syriza, não significasse uma alteração qualitativa de comportamento das massas gregas, o criar condições para que comece a ser impraticável para o capital a gestão dita democrática do país, o que permite pensar que a luta na Grécia pode assumir um grau superior, que levará obrigatoriamente ao agudizar da luta. A resolução do problema Grego (e não só) não será feita nas urnas mas sim na rua e aqui também podia ir buscar Lenine.

    Tirando esta visão simplista, redutora e burguesa das eleições gregas, JVA limita-se a propagar o seu dogma; Não se pode sair do euro!
    Parece que para este “mestre da metafísica”, se a Grécia (ou qualquer outro país) saísse do euro o Sol nunca mais nasceria por aquelas terras e só a miséria mais triste e negra subsistiria. A europa está condenada a viver com o euro e fora dele é o vazio.
    E não julguem que isto é uma questão de fé, não! É uma realidade que pode ser comprovada hoje na Grécia, na Irlanda em Portugal, ou em Espanha, para não ir mais longe.

    • João Valente Aguiar diz:

      Sobre o Lénine. Repare no que escrevi: «Independentemente das minhas divergências com vários dos seus postulados, Lénine foi um revolucionário bem-sucedido por precisamente ter analisado a realidade a partir dos seus dados concretos e onde a acção política era muito menos marcada pela fraseologia (pretensamente) revolucionária à base de chavões e de declarações puristas de princípios.». Ou seja, eu não concordo com muita coisa do legado leninista, mas o Lénine era genial do ponto de vista da sua capacidade de avaliar as correlações de forças concretas, algo que falta nitidamente aos seus proclamados seguidores. Foi nesse sentido que eu utilizei o exemplo do Lénine. Não há aqui outra interpretação possível.

  13. Nuno Rodrigues diz:

    Só uma coisa, fala em mestres da dialéctica e em desadaptação da realidade.

    Depois compara situação Francesa e Grega e URSS com distinção. São processos complexos, que você simplica com rolos compressores.

    Eu ainda não percebi uma coisa, sou sincero: Os resultados de eleições, a mostrar o fracasso dos modos de agir, mostrariam também o sucesso de quem ganha. E sendo assim, você acha que se deve adaptar um discurso á probabilidade de sucesso, ou tendo em vista a justiça social? Mas a malta por aqui conhece tão bem o syriza para avaliar a concepção que o KKE tem do mesmo? Mas agora viramos todos abutrezinhos que achamos que qualquer oportunidade de chegar ao poder e fazer golpes de teatro? Eu tenho dúvidas muitas vezes por aqui da malta que cá escreve e ao contrário do que diz, não porque discorda comigo. O Renato teixeira escreve muitas vezes por aqui, discordo com ele, mas noto-lhe a firmeza das ideias. Agora malta como tu, meu deus. Parecem ondas. E acima de tudo, mostram um desconhecimento histórico e uma arrogância intelectual capaz do mundo. Não são.

    • João Valente Aguiar diz:

      Só uma coisa. No início do post digo logo o seguinte: «tenho plena consciência que os processos políticos nunca se resolvem por via eleitoral».

      • Nuno Rodrigues diz:

        Então se não resolvem, porque esta análise exaustiva? É só isso que eu digo. Analisas tudo com demasiadas certezas, com factos não existentes nem dados não adquiridos.

  14. Baresi88 diz:

    Devo estar parvo, vossa excelência disse que é comunista e não fez outra coisa no seu discurso senão desancar no comunismo e no KKE. E para além disso tenha muita atenção no vídeo que partilhei à pouco que é para ver se toma tino, porque a saída do euro não é um disparate é uma exigência, é uma necessidade.

  15. Pedro Pinto diz:

    Essa do “nacionalismo de esquerda” é idiota demais para alguém que se quer tão esperto e inteligente. Qual a solução, então? A UE reformada? A luta global à escala planetária? ilusões tontas…

  16. um gajo qualquer diz:

    Como diz (e bem) um comentador aqui de cima, limitas-te a proclamar o dogma do dilúvio que vem se á Grécia sair do €uro… mas não consegues demonstrar, em absoluto, como é que estando dentro do €uro se consegue sair do buraco…

    Aliás! Causa espanto como é que um estudioso destas coisas muito complexas da economia ingora como o dracma ateniense, o denário romano, o ducado veneziano, a libra esterlina ou o dóllar americano (tal como agora o €uro alemão) foram instrumentos de dominção imperialista!!!!

    É como estares a dizer aos indianos, em 1947, que não podiam saír do império britânico, que deviam de gramar com as leis, imposições, quotas de produção e moeda inglesas, senão era o caos!

    Há nações na europa, quer queiras, quer não. E há países que estão a dominar outros. E sempre que assim sucede, a luta de classes e de libertação nacional, andam a par.

  17. Pingback: A “purga” |

  18. Boa tarde João,
    «Por exemplo, em todos os escritos que pude consultar do KKE no seu site internacional não há uma medida concreta sobre o que esse partido faria se a Grécia saísse do euro. »
    – Programa do KKE: http://inter.kke.gr/Documents/docprogr/docprog6/
    Sobre a saída do Euro aconselho-te a estudares, por exemplo, o que sobre o assunto muito tem analisado e escrito no seu blog o economista Sérgio Ribeiro. E não só…
    Quanto à esmagadora maioria das tuas teses, como é óbvio, estou em profundo desacordo. Mas a resposta fica para o meu blog. «No plano em que ele(a) deve ser feito(a): no plano político e ideológico.»

  19. Vasco diz:

    “… Uma outra Europa dos trabalhadores e dos povos, de cooperação, de progresso e de paz, terá de ser construída por via da luta contra as medidas anti-sociais e anti-populares que estão a ser impostas pela União Europeia; pela defesa da soberania nacional e da democracia; pelo direito ao desenvolvimento económico soberano de cada nação; pela cooperação e solidariedade na resistência às medidas; pela denúncia da natureza neoliberal, federalista e militarista da União Europeia e defesa da ruptura com este processo de integração capitalista.

    Consideramos que neste quadro, ganha evidência a importância do marco nacional como campo fundamental da luta dos trabalhadores e dos povos em prol da democracia e da soberania, em prol de transformações sociais.
    Só através da afirmação e pleno exercício da soberania nacional é possível rejeitar imposições e condicionalismos externos que agridem os interesses dos trabalhadores e dos povos e salvaguardar a democracia, isto é, o direito soberano de cada povo a decidir do seu presente e futuro, de determinar de forma autónoma e livre as suas políticas económicas, de garantir a utilização e promoção das potencialidades produtivas de cada País, de realizar uma política de paz e cooperação com todos os povos. …”

    Jerónimo de Sousa, Almada, 15.06.2012.

    Que tem isto a ver com nacionalismo?

    • Nuno diz:

      A contínua referência ao quadro nacional? Digo eu…

      • Vasco diz:

        A compreensão de que o quadro nacional continua a ser o palco privilegiado da luta de classes não significa qualquer fechamento sobre si próprio, ou qualquer nacionalismo. Pelo contrário, significa que é transformando a realidade existente num país concreto – no qual vivemos, trabalhamos e lutamos – que se quebra o elo da cadeia do capitalismo.

        Agora devolvo-lhe a questão: o que é a luta no quadro extra-nacional de que falam? De que consta? Contra quem se move? Quem mobiliza e em torno de quê? Não respondendo a estas questões, não passa de poesia… da má…

        • Nuno diz:

          Os trabalhadores não têm pátria, é tão simples como isso. Nunca uma saída nacionalista seria solução, em especial num país de fracos recursos como é Portugal. Ou diga-me lá como montava um sistema produtivo, iria pedir emprestado a outros, mantendo-se assim dependente? Um Capitalismo de Estado não é socialismo.

          • João Valente Aguiar diz:

            Ora nem mais. Todas as ondas revolucionárias foram até hoje empreendidas no plano internacional (1917-23: Rússia, Hungria, Alemanha, Finlândia, Itália, França…; 1968-75: França, Itália, Cordobazo argentino, Portugal, Espanha, Chile, etc.) e até o próprio Lénine até Brest-Litovsk via a revolução russa como parte de uma revolução internacional. Depois a coisa tomou outras direcções mas isso é outra história. O que me importa para aqui é que sempre que a mobilização operária foi expressiva isso deu-se SEMPRE no plano internacional e, ao mesmo tempo, não foi consequência imediata de uma crise económica. As ondas revolucionárias correspondem a crises de dominação da burguesia, não a períodos de mera crise económica. Aqui – http://passapalavra.info/?p=60577 – será publicada em breve uma 4ª parte de um artigo sobre todas estas questões e com enfoque nas crises económicas (ex. 1929-36, 2008-…) e nas crises de dominação política da burguesia (1917-23; 1968-75).

          • Nuno diz:

            Muito bem apontado. A dimensão internacional da luta dos trabalhadores é essencial para o seu sucesso.
            Tenho lido com atenção o seu artigo no Passa Palavra, ficarei à espera da 4ª parte.

          • Vasco diz:

            Então ficamos sentadinhos à espera que outros nos venham libertar, é isso? Muito revolucionária, essa… Os trabalhadores não têm pátria? É uma tese no mínimo discutível, mas então não se integram num determinado país, com um determinado governo, com determinadas forças sociais e políticas? Ou estão criadas as condições para rupturas revolucionárias ao mesmo tempo em todos os países? Quem começa a partir? A vossa tese é simples: estratosfera. É mais fácil e não dá trabalhinho nenhum!

          • miguel serras pereira diz:

            Nem mais, Nuno. Muito bem.

            msp

          • Pedro Pinto diz:

            O Lénine via a revolução russa como parte de uma revolução internacional e continuou a ver. A questão é que a revolução não estalou em mais lado nenhum (excepto a Finlândia e a Hungria, derrotadas prematuramente) e os russos viram-se sozinhos na tarefa de empreender uma sociedade socialista. Não porque o quisessem mas porque não tiveram alternativa.

          • A.Silva diz:

            Que idiotice!
            Os trabalhadores podem não ter pátria mas têm patrões, têm locais de trabalho, deviam ter uma legislação que regulasse as relações de trabalho!

            Ou não perecisamos de nada disso e é o capitalismo selvagem, que é para onde estamos a ir.

            Que estupidez e que verborreia mais pretensamente revolucionária.

  20. Alexandra Marreiros diz:

    João,
    Para quem inicia o post com referências a Lenine, seria difícil uma visão mais estreita e distorcida da “realidade material concreta”. Para quem lê habitualmente os seus textos, com gosto devo dizer (apesar de nem sempre concordar…), este surpreende e, de certa forma, entristece pela miopia que evidencia. Creio que não se livra da “mania” que justamente aponta aos autores e comentadores da praça…
    1. Não é preciso sequer saber citar Marx ou Lénine para identificar o euro (ou a moeda única, ou a União Económica e Monetária, como queira) como um projecto político do grande capital europeu. Basta analisar com rigor os acontecimentos e o percurso histórico que a ele conduziram. O euro não foi reclamado pelos trabalhadores e pelos povos europeus, como um instrumento ou sinal da sua luta emancipadora comum contra o grande capital (nacional ou europeu, para o caso, tanto dá). Ou foi? Foi sim, durante muito tempo, reclamado pelo grande capital europeu (e nacional, nos diferentes países) e finalmente criado pelos governos ao seu serviço. Os resultados de uma década de euro evidenciam bem a sua natureza de classe: para além facilitar a conquista e o controlo de mercados pelos grupos monopolistas europeus, o euro teve este efeito cristalino (revelado por números da própria Comissão Europeia): em dez anos de euro, os lucros na zona euro, em média, aumentaram 35,8%; enquanto os custos unitários do trabalho reais tiveram uma redução de 1,1%. Ou seja, o euro foi desde a sua origem – e ainda é! – um inquestionável instrumento de exploração. Logo, lutar contra o euro não é um sinal de isolacionismo nacional(ista), como, a meu ver, disparatadamente afirma. Defender o euro e lutar contra a exploração é, isso sim, uma manifesta contradição – em que cai a Syriza e cai o João. “A luta política contra as medidas de austeridade”, o “objectivo político de luta contra os objectivos das burguesias europeias para elevar a exploração dos trabalhadores” exige o fim do euro e da UEM. Pela simples razão de que o euro é um instrumento dessas burguesias europeias para explorar os trabalhadores. De facto, e perdoe-me a pequena provocação, na defesa do euro, a Syriza e o João estão ao lado das grandes associações do patronato europeu (e dos nacionais também, já agora, incluindo o grego. É certo que isto pode mudar a prazo, porque há também, evidentemente, contradições entre diferentes burguesias nacionais, mas por enquanto é assim…).
    2. Não quero aqui defender o KKE, mas só por desconhecimento grosseiro das suas posições se pode afirmar que este partido foi “dando cada vez mais primazia à luta pela soberania nacional”. Recomendo uma leitura mais atenta dos textos e das posições do KKE. Quanto à saída do euro e da UE, sim, é verdade, defendem-no.
    3. Isto que digo acima relativamente às posições do KKE não apaga, a meu ver, a importância da luta pela soberania nacional, enquanto parte indissociável da luta, no actual contexto histórico, pela democracia. Luta pela soberania que no seu texto menospreza (ou despreza…). Os processos e as lutas de libertação nacional que a história do século XX e início do século XXI nos deu a ver sempre contaram com a oposição das classes dominantes nos países dominados. De igual forma, os processos de submissão nacional hoje em curso na UE constituem-se como inegáveis formas de opressão de classe e de exploração e, como tal, em Portugal ou na Grécia ou na Irlanda, contam com o apoio entusiástico das classes dominantes destes países. Só não o vê quem anda distraído face à “realidade material concreta”…

    • João Valente Aguiar diz:

      O primeiro (ou dos primeiros) comentário(s) que tenta debater em condições. O que só posso agradecer, apesar das discordâncias mútuas.

      Sobre os pontos que aborda.

      1- totalmente de acordo no papel do euro enquanto instrumento da grande burguesia europeia (alemã, portuguesa, etc.). O que todos os defensores do euro não respondem é a coisas como as seguintes (entre muitas outras):

      «Sobre a forma como a Grécia financiaria a sua economia depauperada, como reconstituiria o seu aparelho produtivo, com que dinheiro compraria maquinaria, combustíveis e alimentos, etc.». do post

      «Do meu ponto de vista, o afã nacional(ista) em querer cortar países periféricos do euro não responde a questões fundamentais. Com a saída do euro, dizem, a moeda nacional desvalorizaria, o que, para efeitos de competitividade, facilitaria as exportações, logo, relançar-se-ia a economia. Este é, de modo muito simples e sucinto, o argumento central dos defensores da saída (logo que possível) do euro. Todavia, este raciocínio parte do ponto de chegada e inverte os termos da equação. É inquestionável que a cotação do euro dificulta as exportações desses países. Mas quando as moedas nacionais imperavam não se pode dizer que a performance económica desses países fosse propriamente melhor ou sequer diferente do ponto de vista qualitativo. A montante desta questão está a organização do aparelho produtivo. E, a este propósito, qualquer observador de esquerda facilmente constata a sua desarticulação profunda dos anos 80 em diante e a inexistência de uma aposta em sectores tecnologicamente avançados. Por conseguinte, em caso de saída voluntária do euro, como reconstituir o tecido produtivo – e este baseado em sectores com elevado investimento em tecnologia avançada – e como se adquiririam as matérias-primas (nomeadamente energéticas) e a maquinaria para esse propósito? É bom lembrar que se é possível recorrer a crédito de países emergentes, é bom lembrar-se com ainda maior nitidez que a moeda desvalorizada funciona para os dois lados.»

      Em suma, de que modo se conseguiria suster uma economia fora do euro? Mais ainda, porque a saída do euro não apenas seria um corte nacional mas redundaria numa violenta crise em toda a europa. Naturalmente com efeitos sobre a burguesia (que em nada me chateia) mas esta faria recaí-los sobre a classe trabalhadora. O mesmo sucedeu em 1929. À crise económica não sucedeu um levantamento revolucionário mas o nazismo…

      2- De forma simples, o enfoque da luta pela saída do euro e depender a rejeição da dívida de uma saída do euro, corresponde precisamente ao que chamei de “primazia da luta nacional”.

      3- claro que a dominação capitalista que sofremos a nível de cada um dos países é decorrente de uma dominação de classe. Mas não é uma dominação de países. Se assim acharmos então temos de concluir (a meu ver erradamente) que os trabalhadores alemães também estariam envolvidos na exploração que a burguesia alemã (entre outras) tem promovido.

      • José Castro diz:

        Não temos que concluir nada disso. Entre as contradições do capitalismo, uma delas é entre países do centro e da periferia – que sim, pode atingir mesmo as suas burguesias, pois pode (mas a burguesia dos pequenos países é, regra geral, subsidiária da outra).

        No entanto, o palco privilegiado da luta de classes continua a ser o espaço nacional – o que não significa qualquer «nacionalismo», mas apenas a constatação de um facto – e não qualquer estratosfera «europeia», «mundial», «universal». Assim, e como disse Jerónimo de Sousa no comício de Almada, o melhor contributo que o PCP pode dar à construção de uma europa (não União Europeia) de paz e cooperação é promover transformações antimonopolistas em Portugal, construir uma Democracia Avançada no País, a caminho do socialismo.

        • miguel serras pereira diz:

          Cingir a luta e as reivindicações ao quadro nacional é facilitar, de facto, a tarefa ao internacionalismo oligárquico-financeiro. Mete-se pelos olhos dentro, penso eu.

          O que incomoda Angela Merkel, os detentores das posições de comando dos mercados financeiros, as camadas dirigentes da oligarquia da UE, e começa a abalar, um pouco por toda a parte, a arquitectura institucional antidemocrática da sua versão da “construção europeia”, não é que a Grécia possa abandonar a zona euro, regressar ao dracma, proclamar tão formal e solenemente como em vão, a reconquista da “independência nacional” e da “soberania plena”; é, sim, o número crescente daqueles que, na Grécia, querem a UE e o euro, ao mesmo tempo que exigem tanto a renegociação da dívida e das condições impostas ao país pela troika como a transformação das regras do jogo do establishment da União, e, na realidade, a redefinição das normas de funcionamento que lhe servem de constituição. (…) não são o soberanismo nem o nacionalismo, mas a “via europeia” o melhor modo de, em cada país ou região da UE, travar e organizar a luta contra a hegemonia neoliberal, criando condições e abrindo caminho, na Europa e por todo o mundo, a novos movimentos de democratização” .(http://viasfacto.blogspot.pt/2012/05/licao-de-grego.html)

          Sobre os projectos da política da oligarquia governante na própria Alemanha muito haveria a dizer. Mas veja-se, por exemplo, sobre o seu “modelo do pleno emprego precário” e outros aspectos, os dados fornecidos por M. Lazzarato e a minha discussão com JM Correia Pinto (http://viasfacto.blogspot.pt/2012/05/o-modelo-alemao-do-pleno-emprego.html ):
          ” Assim, nos países “privilegiados”, as vantagens extraídas das manobras do capital financeiro estão longe de ser distribuídas igualmente “por todos, globalmente”: é possível que as camadas mais desfavorecidas sofram um pouco menos do que as mesmas camadas nos países “subprivilegiados” ou “periféricos”; mas isso não pode fazer-nos esquecer, não só que o seu quinhão na “repartição do produto” não aumenta, mas também que as ditas “manobras do capital financeiro” asseguram, em benefício dos blocos oligárquicos governantes, a instauração de um desequilíbrio cada vez mais nas relações de poder, desarmando cada vez mais a subordinação dos “governados”. Isto é tão verdade que, justamente na Alemanha, o país “beneficiado” por excelência, assistimos ao ao rápido progresso da constitucionalização de um novo “pacto social”, a que melhor seria chamar diktat constitucional da oligarquia financeira, e das medidas que visam a consagração à escala da Europa do “modelo” (por muito verdade que seja que a aplicação do “modelo” se revele no imediato mais dolorosa nas periferias do que no centro). (…) Nos países “subprivilegiados” ou mais “sacrificados”, a lógica é a mesma.(…) não se pode dizer que “todos, globalmente” sofram ou sejam prejudicados pelas “manobras do capital financeiro”. Basta considerarmos o entusiasmo que os governantes portugueses e boa parte dos oligarcas mais activos põem na exploração da oportunidade que a crise lhes dá de redefinirem e empreenderem a constitucionalização das relações de poder e dos critérios de “repartição do produto” em seu proveito para vermos que a realidade é muito diferente. E também que, para combater “o modelo alemão do pleno emprego precário”, em torno do qual as oligarquias governantes cerram fileiras e unificam a sua hegemonia, é fundamental não nos deixarmos aprisionar pelos quadros do Estado-nação e das identidades nacionais”.

          • Vasco diz:

            Quem cinge o que quer que seja é você, o Nuno e o JVA, que se cingem à luta “por cima”, devidamente afastada da realidade concreta da luta de classes – a que se trava nas empresas. Vá às empresas e mobilize para as lutas «por cima» e veja quantos tem atrás de si… Se há quem negue o que quer que seja são vocês. Cá para mim, a luta no plano nacional é central e deve ser coordenada com a luta mais geral.

        • Ricardo Noronha diz:

          Fora do espaço nacional existe a estratosfera. Eis, numa frase, a súmula desta espécie de marxismo-leninismo.

          • Vasco diz:

            Nada disso, Ricardo. Existe o espaço nacional e o internacional. Mas frases como «greves europeias», «combater o capital» (mas não no espaço nacional) e outras afins são, efectivamente, estratosfera.

    • Vasco diz:

      Concordo com o ponto 3 enunciado pela Alexandra Marreiros. E penso que não há qualquer oposição entre a defesa das soberanias nacionais – arrasadas hoje pelo rolo compressor do imperialismo – e das classes trabalhadoras de todos os países. Pelo contrário: só com o pleno exercício da soberania nacional será possível a um povo empreender processos de emancipação. Ou é no quadro da UE que isto se faz?…

    • miguel serras pereira diz:

      A questão não é a da criação do euro ou da adesão de Portugal e outros países à moeda única nas condições em que foi feita. É o que fazer hoje perante a sua existência: a indústria moderna também foi criada pelo capitalismo, e, se desejamos transformá-la, a solução não é voltar ao statu quo ante.
      Ora, por um lado, tudo sugere que a ruptura do euro e a desagregação da UE levariam rapidamente a uma balcanização da Europa, ao reforço dos nacionalismos, à emergência de ditaduras e à militarização, a ameaças de guerra e à degradação acelerada e profunda das condições dos trabalhadores e da imensa maioria dos cidadãos comuns. Ao mesmo tempo, por outro lado, o regresso das soberanias nacionais formalmente reproclamadas e das moedas nacionais não garantiria, de facto, nem menor dependência de cada Estado-vassalo em relação ao exterior nem o enfraquecimento das tutelas exercidas pelos Estados mais fortes.
      Pois bem, a alternativa à ruptura do euro e à desagregação da UE passaria por uma integração orçamental, política e “constitucional”, que poderia reduzir as assimetrias e a dependência das regiões mais fracas, num quadro que seria por certo mais favorável ao desenvolvimento, extensão e articulação das lutas contra a hegemonia das oligarquias governantes e do capital financeiro.

      Hoje, sem dúvida, “a UE (…) [forma] uma espécie de instância tutelar, não eleita e não responsabilizável extra partes, que se vem somar às unidades pré-existentes, para, em cada vez maior medida, as governar do exterior. Assim, no seu quadro, o Estado-nação (ou coligação de Estados-nação) mais forte, ocupando os postos de comando dos aparelhos de decisão da UE, tende a reduzir os outros à condição de Estados-vassalo, e, dentro destes, os direitos e liberdades dos cidadãos, conquistados contra as prerrogativas das camadas oligárquicas que detinham as alavancas de comando dos aparelhos de Estado propriamente ditos e dos aparelhos de direcção da economia, tendem a esvaziar-se de conteúdo efectivo e a ser reduzidos à insignificância. (…) Ora, não se tornariam as coisas mais claras aos olhos dos cidadãos comuns que somos, e não limitaria o poder das oligarquias governantes, uma transformação federalista da UE, que nos permitisse responsabilizar directamente o seu governo como sendo, para cada país, o “nosso”(ainda que este “nosso” designe o inimigo com que temos de nos haver)? Ou, por outras palavras, que, quando nos referíssemos à UE, nos fizesse dizer, por exemplo: “Este governo não serve, é necessário mudá-lo” — ou: “O problema não é só o deste governo, é de regime; é o regime, ou são as instituições e a nossa relação com elas, que temos de mudar, através da instauração de outras formas de poder político, devolvendo as capacidades de deliberar e decidir aos cidadãos que somos, pois que é do nosso governo que se trata, e é a nós que, como cidadãos adultos, compete a tarefa de nos governarmos”? Dizer que a federação por si só, ou em si própria, não basta para desencadear o processo de democratização radical que a sobrevivência da nossa condição de cidadãos activos torna uma necessidade cada vez mais urgente, é, sem dúvida, verdade. Mas é verdade também que tornaria mais favorável abrir-lhe caminho”.
      (http://viasfacto.blogspot.pt/2012/05/encruzilhadas-da-ue-via-federal-e.html)

  21. garcia pereira diz:

    “Se assim acharmos então temos de concluir (a meu ver erradamente) que os trabalhadores alemães também estariam envolvidos na exploração que a burguesia alemã (entre outras) tem promovido.”

    Será assim tão erradamente? Existem condições objectivas que fazem com que um salário mínimo na Alemanha seja muito superior a um salário mínimo num país periférico, entre as quais estão a criação do euro e a destruição da capacidade produtiva no resto da europa. Dos juros que a banca alemã vai cobrando algum vai parar aos cofres do Estado deles, que patrocina saúde e educação pública com qualidade. É irrealista acharmos que o ambiente de prosperidade que existe neste momento na Alemanha não faça com que a classe trabalhadora lá seja naturalmente menos revolucionária.

    Não se pode dizer de ânimo leve que estas condições objectivas tenham sido criadas pela burguesia dos países mais fortes: esse projecto político está mais que validado pelo voto na urna. E isto tem o seu quê de imperialismo. Neste aspecto convenhamos que a direita que luta pelo mercado livre luta por um futuro a curto prazo bastante mais igualitário que a esquerda.

    • garcia pereira diz:

      (Onde escrevi “igualitário” deve ler-se “internacionalista”)

    • Nuno diz:

      “É irrealista acharmos que o ambiente de prosperidade que existe neste momento na Alemanha não faça com que a classe trabalhadora lá seja naturalmente menos revolucionária.” – e os trabalhadores são só revolucionários quando passam fome? A sua própria consciência não poderá dar-lhes um sentido revolucionário? Ou o que quer é nacionalizar a classe trabalhadora portuguesa?, essencializando-a, como se esta, só por ser portuguesa, fosse melhor do que as outras?

      • garcia pereira diz:

        “e os trabalhadores são só revolucionários quando passam fome?”

        Basicamente é isso que a História nos tem mostrado. Se não é, diga-me lá que revolução se deu num país capitalista avançado.

        • Nuno diz:

          Diga-me lá uma revolução socialista que se deu num país que não tivesse um sistema socialista avançado? Não se esqueça, socialista e que tenho durado.

  22. Vasco diz:

    A aposta no quadro nacional como palco privilegiado da luta de classes não pressupõe que os portugueses (ou os que trabalham em portugal) sejam melhores que ninguém. Na Alemanha, os que lá vivem e trabalhem que lutem eles pelos seus objectivos. E que tenham êxito, pois cá como lá a vitória de uns dá mais força à vitória dos outros. Sinceramente não compreendo como é que se faz disto uma tese «nacionalista»…

    • Nuno diz:

      Fala como se houvesse uma clara diferença entre trabalhadores portugueses, seja isso do português o que for, e trabalhadores alemães, seja isso do alemão o que for. Quando diz, com desdém, “(…) que lutem eles pelos seus objectivos.”, está esquecer claramente que a luta dos trabalhadores é contra o capital, e não apenas contra os seus representantes nacionais. Essa visão nega claramente a luta de classes, e tende a substituí-la por uma luta entre países sem o menor sentido e interesse para atingir um projecto comunista, isto é, uma sociedade sem classes.

      • João Valente Aguiar diz:

        Não diria melhor. Mas para os nacionalistas de esquerda essa diferença entre trabalhadores alemães e portugueses afinal é mais importante do que o que eles têm efectivamente em comum: a sua condição de explorados. O pensamento nacionalista coloca a geopolítica e a geoestratégia acima da classe. A classe surge aqui sempre como uma derivação ou como algo secundária da geopolítica.

      • Vasco diz:

        O capital, assim como o apresenta, é algo vago, quase irreal. Lutemos contra o capital… É o que fazem os comunistas aqui em Portugal – nas empresas, em primeiro lugar, e nas ruas contra os seus representantes políticos. E, no espectro partidário, só eles o fazem.
        A luta de classes, sendo um fenómeno internacional (também ninguém aqui o negou) tem expressões diferentes de país para país, de época para época, dependendo da correlação de forças concreta. O que eu digo é que ao invés de uma luta contra não sei quem nem sei onde (como propõe) que em cada país a classe operária faça as alianças necessárias para romper as cadeias do capitalismo – como se fez na Rússia em 1917. Foi ali e em mais lado nenhum (de forma duradoura, evidentemente), porque ali sim estavam reunidas as condições para tal, ao contrário da Alemanha, da França, etc. etc. É aqui que entra o marco nacional da luta de classes e não – como estupidamente acusam – por alguém aqui ter defendido que os portugueses são melhores que os alemães e que a nacionalidade se sobrepõe à classe e baboseiras dessas. Critiquem o que se disse – não ponham palavras na boca de outros só porque é mais fácil para vocês rebatê-las…

        • Nuno diz:

          Vou ser directo porque agora fiquei muito curioso… Porque é que na Rússia havia mais condições para uma revolução do que em França ou na Alemanha? Não estará a dar toda a atenção aos líderes e a esquecer os trabalhadores na sua análise?

          • João Valente Aguiar diz:

            Por acaso as maiores lutas começaram a partir de final de 1916 em França quando os soldados começaram a fuzilar oficiais e a hastear bandeiras vermelhas. Depois vieram corpos pretorianos “pô-los” na ordem… Mas as lutas dos soldados nas trincheiras francesas entre 16 e 18 foram o tiro de partida para uma onda revolucionária internacional nos anos seguintes.

          • Vasco diz:

            Recorrendo àquela tese simples, uma revolução dá-se quando os de cima já não podem viver como dantes E os de baixo já não querem viver como dantes. Na Rússia, estavam – como aliás se viu – reunidas um conjunto de condições para a tomada do poder pela classe operária que viu-se não estarem noutros países. Não por os russos serem melhores ou alguma raça superior, mas porque as condições do domínio da burguesia no seu país e o grau de consciência e luta das massas e do seu partido revolucionário estavam amadurecidas. Quebrou o sistema pelo elo mais fraco. Essa ideia de quando for será de uma vez conduz não à revolução mas ao atentismo, à expectativa, à ideia de que a revolução é um acto súbito e não um processo, construído por anos e anos de luta – de vitórias e derrotas, de acumulação de forças…

      • Vasco diz:

        Não há desdém nenhum, meu caro. Apenas a convicção de que pouco mais posso fazer pelo proletariado alemão do que lutar no meu próprio país (porque é aqui que vivo e trabalho e não por outra razão) e prestar-lhe toda a solidariedade de classe para as lutas que travam. Ou posso fazer mais? O quê? Ir lá a manifestações internacionais? Sim, posso. Mas quem mais poderá? Não estaremos a fazer da revolução uma luta de vanguardas esclarecidas – e endinheiradas – que viajam de país para país espalhando os ventos da revolução?

        • Nuno diz:

          Acaba de demonstrar uma concepção de luta muita fechada, pelo menos parece-me. E que tal, e digo-o sem me parecer nada de muito radical, uma greve geral europeia, coordenada entre os vários representes dos trabalhadores de cada país? Como acaba de ver, até estou a dar destaque aos sindicatos, mesmo que critique duramente a sua actuação.
          Enfim, o que quero dizer é que a luta dos trabalhadores, para ser realmente eficaz, tem de ter dimensão internacional. Luta essa que é não só possível como absolutamente necessária. E que uma saída nacionalista não é mais do que uma fuga, a qual se encontra ligada à ilusão de uma qualquer auto-suficiência que não se entende, e que negue por completo a dimensão internacionalista da luta de classes.

          • Vasco diz:

            Sabe que na Bélgica não se fazia uma greve geral há 20 e tal anos? E que na Inglaterra isso é um mito? E que na Alemanha as coisas não estão fáceis para as forças progressistas? Quer que continue?…

            De país para país as condições divergem, dependendo da intensidade da ofensiva, do estado das forças políticas e sociais de massas, etc. etc. A ideia é boa e bonita – mas não é para já. Infelizmente…

            E até lá? Que fazer?
            E se uma greve geral num país culmina uma fase de lutas sectoriais como preparar tal coisa com as forças que actualmente existem, rendidas ao sindicalismo amarelo?… Estas são questões práticas – prosaicas – mas penso que têm a sua importância…

          • Vasco diz:

            E, repito, que ninguém está a falar de saídas nacionalistas, mas de romper a cadeia por algum lado – com todo o impacto internacional que isso teria; de não ficarmos à espera da coisa grande, internacional, e irmos fazendo a luta onde vivemos, trabalhamos e intervimos. Quanto à auto-suficiência, não sei do que fala, sinceramente, não atingi…

            Quanto aos sindicatos: se não forem eles, quem são, sendo que se trata de uma greve? Os intelectuais pequeno-burgueses radicalizados com o seu sonho de sempre de cavalgar e comandar o movimento operário?

          • Nuno diz:

            Eu dei a greve geral como exemplo, entre outros possíveis, e não como obrigação. Ainda que perceba o que seu ponto. No entanto, apesar das diferenças que existem entre países, nunca me conseguirá convencer que uma saída nacionalista seria a melhor opção, até pelo simples facto de não ver condições nacionais para tal hipótese.

  23. José Vasco Salinas diz:

    Abandonar a luta em defesa da soberania nacional era entregar o jogo ao imperialismo, à mais poderosa facção da burguesia internacional, que aposta precisamente na «globalização» para impor o seu domínio à escala planetária. Sim, existe contradição – a fundamental – entre burguesia e proletariado. Mas não é a única. Em muitos países do mundo – como negá-lo – fracções da burguesia nacional, esmagada pelo imperialismo, integra processos progressistas de emancipação. Abandonou os seus interesses? Não, claro que não. É um aliado sólido e fiel da classe operária? Evidentemente que não o é. Mas poderemos nós ficar indiferentes quando a base social de apoio do capitalismo e do imperialismo se esvai? Só um tolo o faria – não um revolucionário…

  24. José Vasco Salinas diz:

    Se a luta pela soberania nacional não fosse importante, não nos preocuparíamos em apoiar o legítimo direito do povo palestiniano ao seu estado independente e soberano; não veríamos com bons olhos a resistência libanesa a israel; não acompanharíamos com simpatia os processos emancipadores da América Latina… E ao contrário do que afirmam, isto também é luta de classes e, como gostam, à escala internacional… Portugal é ou não, hoje, um país periférico, praticamente colonizado? Se o é, como penso que sim, necessita de recuperar e usufruir da sua soberania e independência para levar por diante um processo antimonopolista, que favoreça as classes e camadas populares – coisa que, no quadro da UE e do euro, não lhe é permitido. com isto não defendo a saída imediata do euro sem condições, mas não tenho dúvidas que no quadro da UE não vamos lá…

    Agora o que é que isto tem a ver com nacionalismo, com achar que os tugas são melhores que os outros, com a subestimação da luta de classes? Absolutamente nada.

    • Rocha diz:

      Ora nem mais, a relação de exploração e domínio entre o centro e a periferia, na Europa como em qualquer outro lugar do mundo, é uma relação de colonialismo.

      É claro que, em sociedades de pessoas brancas naturalmente vigora – mesmo naqueles que se dizem de “esquerda” – um racismo paternalista que crê que “colonialismo” só acontece a pessoas negras ou de outros tons.

      Não há luta internacional tão importante como a luta de libertação nacional. É essa a luta mais importante para a destruição do imperialismo. E a destruição do imperialismo é a tarefa mais importante da revolução internacional.

  25. Cheguei tarde ao debate mas gostava de deixar uma nota- quando se diz que o resultado do KKE é a melhor prova…tenho para mim que nunca os resultados são por si só a prova de nada, entre a teoria e a prática há uma relação que afasta qualquer perspectiva pragmática da verdade que legitime o sacrifício do princípio da justificação à objectivação da acção reificada e que me parece aliás ir na linha de abertura da primeira nota.

  26. A leitura que faço do texto é a seguinte:
    I – é no quadro do internacionalismo da luta de classes que a acção politica se deve situar, relegando para segundo plano a questão nacional.
    II – é no quadro e no interior das instituições da UE que essa luta se deve colocar : “a lúcida defesa da manutenção da Grécia no euro e o centrar da contestação nas medidas de austeridade surtiu efeitos palpáveis e tem o condão de levar amplas massas de trabalhadores a concentrarem a sua luta contra a exploração e a não se desviarem para propósitos nacionalistas. Portanto, esta linha política contra as medidas que promovem o aumento da exploração dos trabalhadores gregos é bem mais saudável para o futuro da luta da classe trabalhadora grega (e da restante UE) do que embarcar no aventureirismo anti-alemão”
    A minha dúvida é se a consciência objectiva que advém do grau de desenvolvimento que cada país tem em concreto nas classes operárias dos mesmos se situa num grau de luta superior que leve a uma concertação no plano da transformação por dentro das instituições da UE, ou, se isto não se transformará num “reformismo” do sistema.
    Será a questão nacional assim tão displicente?

  27. Vasco diz:

    Nuno, antes do 25 de Abril quase ninguém apostava que Portugal se conseguiria libertar do fascismo e levar a cabo as profundas transformações na estrutura política, económica, social e cultural que se deram. Todos apostavam numa democratização após a saída do franquismo. O PCP, que sempre se bateu pelo aprofundamento da luta popular contra o fascismo, teve razão – contra a opinião e expectativas de todos. Porque não hoje?

    E repito: com isto não digo que a luta em Portugal se isole das outras, claro que não. Mas temos a nossa «carta para jogar», não temos que esperar por ninguém. E se o conseguirmos primeiro que outros estaremos a ajudá-los. Se outros conseguirem primeiro que nós, ajudar-nos-ao a nós, ou não fosse comum a luta que travam os trabalhadores de todo o mundo.

  28. Vasco diz:

    “O reforço da União Europeia como bloco imperialista, sem subestimar as fragilidades e contradições que o processo de integração capitalista na Europa envolve, torna ainda mais clara a natureza de classe da UE como instrumento do grande capital e das grandes potências capitalistas da Europa Ocidental, caindo por terra duas teses centrais com que se pretende enganar as massas: a de que a integração capitalista europeia visaria contrariar os «excessos da globalização», e a que pretende que uma «Política Externa e de Segurança Comum» e respectivos instrumentos militares, tornaria a UE mais segura e um obstáculo ao «unilateralismo» dos EUA. De facto, o que está a verificar-se, e com uma inquietante rapidez, é a intensificação e refinamento das políticas neoliberais orientadas para o aumento da exploração e do poder do grande capital e, no imediato, quer directamente quer via NATO, o reforço da aliança estratégica com os EUA e um intervencionismo cada vez mais agressivo e ambicioso.”

    in Resolução Política do XVIII Congresso do PCP, Novembro e Dezembro de 2008

    «Os Estados Unidos da Europa, no capitalismo, ou são impossíveis ou são reaccionários»
    VI Lénine.

  29. Justiniano diz:

    Arre, JVA!! Vcmcê insiste em não se aperceber das suas contradições!! Eu posso garantir-lhe que a Grécia mais facilmente conseguiria créditos, em euros, para “requalificar” o seu aparelho produtivo tendo uma moeda própria com que pudesse assegurar salários e outras obrigações doque, estando no euro, encontrar créditos, em euros, para cumprir salários, outras obrigações e ainda “requalificar” o seu aparelho produtivo!! Isto, parece-me evidente!! Estar na zona euro não implica, como já se deve ter apercebido, ter garantias de ter euros!! O problema será outro e que, verdadeiramente, o JVA não analisa!!
    E essa do nacional(ismo) à laia do aí vem lobo é de um maniqueísmo tão tonto e artificial que nem lhe sei explicar!!! Como se o mundo livre, progressista e aberto fosse exclusivo da zona euro, ou como se aquelas nações que se entendem no dever de corrigir fossem, por tal razão, votadas ao ostracismo!!! É uma tontíce pegada!!
    Como já lhe tinha referido nas suas anteriores postas, não insista, pois que não há aí nenhum lugar firme a que possa apelidar de argumento!!

  30. Vasco diz:

    Para o JVA. Não escrevi isto, mas gostava de o ter feito…

    http://www.avante.pt/pt/2014/temas/120781/

    • João Valente Aguiar diz:

      Agradeço os mimos e a forma genial como me “arrumaram”. Fiquei estarrecido com tanta sapiência… Então não é que me criticam por eu vos chamar de “nacionalistas de esquerda” e depois defendem a “ruptura unilateral do euro”, precisamente uma saída nacionalista e autárcica? É sempre bom ser “cilindrado” teoricamente com tais brilhantes incongruências.

    • João Jerónimo diz:

      Ya, é claro que quem tenha lido umas coisas percebe a superficialidade destes argumentos que analizam “a realidade a partir dos seus dados concretos” mas utilizando rótulos, como faz o senhor JVA… Mas valia o senhor JVA não se ter gabado em vão, se era para depois argumentar chamando nomes…

      JJ

  31. João Jerónimo diz:

    Por acaso acho que quem tem feito leituras ideologicamente cegas das eleições gregassão precisamente aqueles que se opõem ao KKE. Esses, como você, não se cansam de enxovalhar os comunistas como sectários e nacionalistas, quando o que era necessário era uma análise séria das contradições da sociedade grega, ideologicamente bloqueada de sair da espiral da auteridade por causa da propaganda “europeísta”.

    JJ

    • João Valente Aguiar diz:

      Eu não enxovalho ninguém. Apenas digo o óbvio: o KKE é nacionalista. E o PCP também. Veja esta prosa deliciosa do último editorial do Avante e veja como a resposta a dar à troika só se foca na questão nacional: «o prosseguimento do combate à acção nefasta das troikas, não dando tréguas a esta política que afunda Portugal no abismo; que flagela os portugueses com sucessivos roubos e atentados aos seus direitos e interesses; que procede a um autêntico saque dos recursos do País; que deposita a soberania e a independência nacionais nas garras do grande capital internacional; que trata com os pés a democracia de Abril e que espezinha todos os dias a Constituição da República Portuguesa».

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