Há que treinar com 50% de desconto para um dia destes levar tudo à borla!

Vídeo via Brumas.

Não entendo a facilidade com que se critica aqueles que foram hoje ao Pingo Doce. Confesso que se soubesse da promoção a tempo a minha conta bancária era a primeira a recomendar uma visita ao merceeiro.

Tratados como consumistas invertebrados, figurados como zombies, a crítica esquece que a miséria vai trazer imagens bem mais bárbaras do que as que o Jerónimo Martins nos proporcionou hoje.

A responsabilidade deve ser exclusivamente imputada a quem usou os consumidores como moeda de troca para uma provocação indigna e não às centenas de pessoas desesperadas por arrancar uma preciosa poupança à austeridade que lhes anda a ser imposta.

A única crítica que se pode fazer a quem foi ao Pingo Doce é o de ainda não estarem capazes de sair de lá sem pagar um euro pelas suas compras, mas como há uma década na Argentina estamos muito perto de isso começar a acontecer. Os mesmos que hoje apontam o dedo aos zombies serão os primeiros acusar quem rouba, saqueia e resgata o direito a matar a fome de serem vândalos inconsequentes, jovens sem princípios, onde o único valor que os move é o amor à desordem, aos motins e às barricadas.

Há que agradecer o treino ao Jerónimo Martins com o sorriso da serpente e recordar o que se gritou bem alto à porta do Pingo Doce da Almirante Reis, que convenientemente fechou à passagem da manifestação do 1º de Maio: “Martins, Ladrão, o teu lugar é na prisão”. O escárnio (e a devida resposta) deve ser dirigido apenas a quem o merece.

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22 Responses to Há que treinar com 50% de desconto para um dia destes levar tudo à borla!

  1. um gajo qualquer diz:

    Martins, cão sarnento,
    o teu lugar é diante do fuzilamento…

  2. um gajo qualquer diz:

    nhãaa… poesia popular é muito mais métrica e muito mais verdeira

  3. Gentleman diz:

    Jerónimo Martins não é nenhuma pessoa actualmente viva…

  4. HELDER FIGUEIREDO diz:

    O que mais gosto desta publicaçäo é a sinceridade e franqueza que se trata os supostos cidadäos por consumidores, porque hoje em día, e cada vez mais, perdemos o estatuto de cidadäos e somos meros consumidores!

    • Renato Teixeira diz:

      Não conheço, mas estou disposto a ser surpreendido, de encontrar cidadania despojada de bens de consumo.

      • HELDER FIGUEIREDO diz:

        seria o equivalente a ver um ex-alcolico ou um ex-dogodependente recuperados, uns melhores que outros, mas com o passar do tempo e das geraçöes seria uma liçäo aprendida! Eu sou apologista de uma economia baseada em recursos, náo em uma economia de crescimento ilimitado baseada em recursos limitados!

  5. Nuno Cardoso da Silva diz:

    “A única crítica que se pode fazer a quem foi ao Pingo Doce é o de ainda não estarem capazes de sair de lá sem pagar um euro pelas suas compras, mas como há uma década na Argentina estamos muito perto de isso começar a acontecer.”

    Amen!

  6. Grande Renato! Estives-te muito bem neste post, aliás até parece que no meio da confusão já houve alguma requisição popular!

    “As autoridades não confirmaram a informação, mas foram vários os casos de vandalismo com laivos de saque e pilhagem, como no Monte Abraão.”

    http://economia.publico.pt/Noticia/parece-o-fim-do-mundo-1544267

  7. Estamos diante de um experimento provocatório com muito sucesso para o lado do porcos capitalistas. Devem estar-se a rir às gargalhadas dos demagogos que discutem amendoins,comentam crónicas jornalísticas na Internet,inventam desfiles com bandeirinhas e tudo e mais alguma coisa. Companheiro, isto é sério, está na hora de deixar de brincar aos revolucionários e agir imediatamente. Já reparaste que não existe esquerda alguma que consiga mobilizar tanto jumento, com tal repercussão, num ataque de acção directa contra os grandes porcos capitalistas. Mas eles sim! Hoje cuspiram no valor simbólico do trabalhador, quando os próprios trabalhadores são os primeiros a virar as costas a esse valor e decidem ir para o supermercado fazer noticias consumindo enfeitiçados pelo absurdo.
    Há dias escreviam sobre o pensar a esquerda. Fará mesmo falta pensar? Não fará mais falta agir?

    …não sei nada. Sei que quando saio à rua tenho mais vontade é fugir!

    Abrç..

  8. Manela diz:

    Márcio Guerra – Eu não tenho culpa que o povo, no seu global, seja burro. Não é com o aproveitar da promoção. Isso cada um olha ao seu bolso apesar de eu, desempregado e com uma filha bebé a cargo, me recusar a comprar no dia de hoje. É ao não ter dignidade. A mim, depois do que fizeram com as taxações dos lucros dos impostos, se já não gostava deles antes, ainda fiquei a gostar menos. Depois do dia de hoje, então, ide para p*ta que pariu o PD…

    Para quem trabalha lá, como vi aí, a defenderem o «patrãozinho», quais escravos do passado, digo que há-de chegar o dia em que vão trabalhar por cama e comida. Ponto final. Por este caminho é onde vamos parar. A classe média está a desaparecer em Portugal, os pobres estão a aumentar, e não, não é por gastarem mal gasto, é por não receberem como deve ser, ao contrário do que também por aí é dito.

    Parece-me que as pessoas em Portugal estão a perder noção do que é a política. No geral. Há os lobbistas nacionais, para irem pelos partidos rotativistas do poder para lá também, e há os outros, que simplesmente dizem «eles é que sabem». Aí está o que eles sabem. Há alguns comentários tão certos, aí no meio, que é pena serem tão poucos, haver tão pouca gente lúcida, pois até custa a acreditar que as pessoas não consigam ligar simples 2+2. Isto vai afectar tudo. Vai afectar cadeias concorrentes, vai afectar pessoas que lá trabalham, vai afectar pessoas que trabalham noutros sítios. Vai afectar o geral do país.

    As pessoas não ligam a brutal ofensiva, orquestrada, isto só prova que é orquestrada, que está a ser feita aos direitos dos trabalhadores, dos reformados, dos que ainda não trabalham. Informem-se, pois à pala disto, para o ano, serão enganadinhos de novo. Ou pior, ficam à espera de haver e chapéu, não há, e perderam-se os direitos dos que têm que lá ir trabalhar à mesma. Foi o Dia do Trabalhador, não Do Escravo ou Do Trabalho. Quem lá esteve dentro teve que penar, num feriado, mais do que num dia normal, muito mais. Além disso, já não basta ser um feriado, é um feriado específico, a ver:

    «Artigo 236.º Regime dos feriados 1 – Nos dias considerados como feriado obrigatório, têm de encerrar ou suspender a laboração todas as actividades que não sejam permitidas aos domingos. Isto no CT. Por isso, estou como o Guterres, é…, é…, é fazer as contas.»

    CT, contrato de trabalho. Foi um direito que tinham, não trabalhar neste dia, que foi COM O CESTO DA GÁVEA!!! FOI COM O C*R*LHO! E com este vão outros.

    Abram os olhos, ignorantes, por vocês e pelos vossos filhos, pelo menos! O PS assina o acordo com a Troika, o PSD e CDS apoiam. Depois mudam de assento, e onde um antes criticava, agora critica o outro, por fazerem exactamente igual ao que o outro fazia antes! Nenhum quer o nosso bem, nenhum! Apenas e só querem o bem destes «empreendedores» e «empregadores», que limpam Portugal e os portugueses.

    Dá-me nojo viver num país que em menos de 40 anos após uma revolução (ah, tenho 32, sim!) para lutar pelos seus direitos, deixou praticamente tudo voltar à forma inicial.

    Temos um ministro, Mota Soares, a querer dar senhas de refeição. Vão lá, vá, que ainda dizem que está a ser bonzinho, ao invés de se preocuparem em acabar com a miséria, apenas se prolonga o estado da mesma, não criando condições para quem nela se encontra possa dela sair.

    Temos outro que quer por mais presos por cadeia, «ao molho e com fé em Deus»… Outra que «reza» por chuva, ou sol, ou o que for preciso, mas que vai é dar os terrenos a quem já tem muito para assim ter mais, sob a égide dos «novos empresários», já agora, que o são até aos 45 anos, na agricultura.

    Temos outro para o qual a solução para Portugal é vender mais pastéis de nata para fora de Portugal.

    Temos outro que sonha dia e noite em extorquir os cêntimos todos que sobrarem aos portugueses…

    Temos o chefe da comandita que realmente se parece cada vez mais com o Salazar e sem precisar de photoshop, não só na cara, como nas medidas que toma, continuando e permitindo políticas de agiotagem dos bancos, seguradores, combustíveis, energias, agora grandes cadeias de distribuição, com ataques ao código de trabalho, enfim, à dignidade das pessoas…

    Temos uma oposição (??) «Segura» que a mesma é feita se disser que não, que não se deve cortar simplesmente… tanto, não apresentando alternativas ao que o outro c*brão faz.

    Depois, temos os outros partidos queimados, porque interessa queimar, na opinião pública, para que tudo continue igual…

    Sabem o que vos digo, ide todos mas é à merda, que não tenho paciência para isto. Vejo o país a ir por água abaixo todos os dias e não vejo vontade DO POVO em mudar. Ainda deverão estar à espera que vos vão ao «pacote» sem dó nem piedade para abrirem os olhos de uma vez por todas e decidirem mudar!

    Só vos digo isto, a um sapo, se for posto num recipiente com água à temperatura normal, a aquecer, lentamente, o mesmo nunca sairá de lá de dentro, até morrer, pois vai-se habituando gradualmente ao calor, ao invés de um sapo que esteja num recipiente inicial à mesma temperatura e retirado para um muito mais quente de repente… O segundo foge, se vir no que se meteu, o primeiro deixa-se lá ficar até morrer… Não escolham o que querem ser, não se informem sobre o que são as próximas lutas políticas a defender-vos, e depois queixem-se que ele só disse que devolvia (??) os subsídios de férias como mentira eleitoral…

    Porra Pingo Doce, não gostas mesmo deste país…

    Encontrei este comentário na net. Subscrevo-o na íntegra.

  9. Almiro diz:

    1 – os capitalistas fazem pela vida: procuram mais lucro, mesmo no dia do trabalhador.
    2 Рos consumidores fazem pela vida: procuram pre̤os mais baixos, mesmo no dia do trabalhador.
    3 Рos trabalhadores do PD fazem pela vida: trabalham com mais remunera̤̣o, mesmo no dia do trabalhador.

    A única coisa estranha nisto tudo é que os insultos da esquerda à direita só vão para 1- e 2-, e o coitadinho do trabalhador é poupado, coitado, foi “obrigado” a trabalhar. Que eu saiba, se todos os trabalhadores do PD se tivessem recusado a trabalhar, não teria havido supermercados abertos. Todos fazem pela vidinha, mas os que tem mais poder são os que menos arriscam – os eleitores que deixam tudo na mesma, e os trabalhadores que preferem a “garantia” do amanhã, do que a mudança do sistema que criticam, mas que os pode deixar à chuva.

  10. Gilberto diz:

    Excelente nota sobre os acontecimentos de ontem. Da minha parte, destaco o que me parece mais importante
    1. Ocorreram inúmeras situações de conflitos, brigas, confusões e conflitos. Foram transmitidas em todos os canais de televisão imagens de multidões, empurra-empurra e prateleiras vazias, de seguranças empurrando pessoas e também de clientes gritando que foram enganados, que não encontravam mais os produtos…
    2. Como resultado de toda confusão, o objetivo maior foi atingido – o Pingo Doce foi o tema do dia, foi o pretexto para que os jornais televisivos esquecessem a gigantesca manifestação da CGTP com participação de inúmeras organizações e movimentos, e dedicasse a maior parte de seu tempo ao “dia do consumidor”
    3. Como destaca o Renato Teixeira, não há que criticar aqueles que apertados em seu orçamento quiseram usufruir da promoção, a culpa é exclusiva dos provocadores do Pingo Doce!
    4. Há algo muito evidente nisto – ou as margens de lucro do Pingo Doce são tão extorsivas que permitem que dêem 50% de desconto sem gerar prejuízo (não seria isto crime contra a economia popular?), ou então, caso sua margem de lucro média seja inferior a 100% (ou 50% do preço final), praticou dumping, vendendo produtos abaixo do custo, o que é crime. Nos seus anúncios, o Pingo Doce informou estar vendendo abaixo do custo, o que seria crime confesso, e só sublinha o absurdo da opção por fazer isto no dia do trabalhador.
    5.Passando em frente a qualquer unidade do Pingo Doce era constrangedor ver a situação de pressão e desgaste de seus trabalhadores, sofrendo agressões e trabalhando sobre pressão das gigantescas filas, e ainda sendo responsabilizados pela ausência de produtos nas preteleiras esvaziadas. Para chegar em casa, na Costa do Castelo, passo por dentro de um Pingo Doce para tomar o elevador (público), e vi de perto a tensão, quase duas horas depois de ter as portas fechadas, o supermercado estava cheio de gente, e as preteleiras vazias, com as pessoas procurando produtos quaisquer que fossem para completar os 100 euros e ter o desconto (isto depois de horas esperando para entrar). Como diz o Renato, mais uma vez, a responsabilidade de tudo é exclusivamente dos donos do Pingo Doce!

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  12. Gentleman diz:

    O que se passou ontem foi uma interessante experiência social.
    A Jerónimo Martins mostrou inequivocamente que o grande capital tem mais capacidade de mobilização do que os sindicatos e os todos os partidos de esquerda.

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  14. Winston Smith diz:

    E eu a pensar que a nova serie do “Walking Dead” ainda não tinha começado…

    A maior parte deste povo, actualmente, vende a sua dignidade por muito pouco! E que ninguém venha falar de dificuldades!!! Eu, desde umas declarações do porco que lidera este grupo, acerca dos portugueses, decidi não voltar a gastar um cêntimo naquele grupo. Estou empregado, tal como a minha companheira, mas ambos recebemos pouco acima do salário mínimo nacional, temos casa a pagar, e grandes dificuldades financeiras. Mas a minha dignidade não está à venda.
    Esse criminoso do Jerónimo Martins deve-se ter rido à brava, com os tolos…

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