Terrorismo capitalista e o Magina Silva catalão

David Piqué, o Magina Silva catalão

“Podem esconder-se onde quiserem porque vos vamos encontrar. Seja num buraco ou num esgoto, que é onde se escondem as ratazanas, ou numa assembleia, que não representa ninguém, ou atrás de uma cadeira de uma universidade”. Estas são as palavras que incendeiam por estes dias a Catalunha. Não foram ditas por um furioso banqueiro ou por um patrão inflamado. É parte do discurso de David Piqué, Comissário Geral dos Mossos d’Esquadra, polícia regional catalã.

Não sei se é o ideólogo de Magina Silva ou se este prefere recolher inspiração nos pouco tolerantes agentes bascos da Ertzaintza que durante a greve geral dispararam uma bala de borracha à queima-roupa contra Xuban Nafarrete. O jovem grevista recuperou do derrame cerebral. A mesma sorte não teve Iñigo Cabacas, adepto do Athletic Club de Bilbau, assassinado pelo mesmo corpo policial e alvo de grande homenagem no Estádio de Alvalade por bascos e portugueses.

Impedindo o trabalho dos piquetes ou agitando agentes infiltrados para justificar cargas policiais que diminuam o impacto das greves gerais na comunicação social, quer-se especializar a polícia portuguesa na arte do terrorismo ao serviço do capital. Amedrontar a população, descredibilizar os movimentos sociais e defender banqueiros e patrões é, pelos vistos, o que pretende o governo.

Como afirmou o chefe da polícia catalã, aos que se opõem ao actual sistema capitalista e às políticas de destruição de direitos sociais, que são os que “pretendem destruir através da violência o modelo de sociedade eleito democraticamente”, as forças de segurança vão “impedi-los” e fazê-los “pagar caro”. A polícia, segundo David Piqué, é a “primeira linha de defesa” do modelo de sociedade “que, apesar de algumas deficiências, foi decidido de forma democrática”. Tão democrática que, pelos vistos, tem de ser defendida da maioria pela força.

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