E PAÇOS está muito preocupado com o assunto… E GASPAR, oh, ainda mais… (aquilo é só “sensibilidade”, estética e social, sobretudo social)

LEONARDO da VINCI – “Rapariga lavando os pés a uma criança” (c. 1430). Colecção da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto [até que o pinochetista não assumido V. Gaspar, o outros que tais, queiram? Já agora, quando fundirem as universidades, todas com todas, isto vai parar às mãos de quem??].

Lemos no “Público” : “Há uma fuga de arte do país e soma mais de 50 milhões de Euros desde 2009”

(Só em 2010 daqui saíram 3 Renoir!)

Lemos ainda: “Em Portugal, pelo menos desde os anos 1930 ou 1940, que não há nenhuma estratégia de aquisição nacional, muito menos internacional. E o estado, na verdade, não tem registos nenhuns para controlar saídas”.

Em compensação, entretém-se este governo a desvalorizar a colecção Berardo, ou a tentar reavaliá-la e reavaliá-la para, de facto, o mais possível, a desvalorizar; para a comprar por uma ninharia gaspariana, como se Berardo e nós todos fôssemos parvos, como devem julgar os nossos governantes e delinquentes de serviço – uma colecção que representa muitíssimo bem o século XX internacional inteiro, de Picasso e Mondrian, passando por Balthus e Bacon, até Raymond Hains ou Hockney…. Quer dizer, sem ter feito nada, há muitas décadas, para adquirir uma única obra de um único artista do século XX (apenas a Gulbenkian se ocupou a sério do nosso primeiro modernismo, não o estado!!), os tipos que nos “governam” queriam agora uma doce prenda. Entretanto, as obras saem de cá para lugares mais recomendáveis. E eu só posso tal aplaudir.

Portugueses, votem em mais 40 anos de Paços, Macedos, Álvaros e Gaspares. É só mais um pequeno esforço. Repitam a dose em 2015 – todos a merecemos.

Como diria esse rosto da independência da crítica televisiva de nome Cintra Torres (ou Sintra Torres, ou lá o que é); esta malta é gente boa, porque não faz futurologia: apenas dizem que 2013 será ano de retoma e que, em Setembro desse ano, voltará Portugal aos mercados. Mas, nada de futurologia, esta gente boa não faz isso (diz o tal Cintra ou Sintra). Resumindo, que saiam as obras. Que cá não estão, de facto, a fazer nada. E Paços está muito preocupado com o assunto…. Oh, oh…. E eu com Paços….

(PS: O Leonardo acima reproduzido faz parte da exposição “Cinco Séculos de Desenho na Colecção da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto”, inaugurada a 15 de Março – quem do nosso querido “governo” esteve lá presente? É uma pergunta, não uma afirmação.)

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32 Responses to E PAÇOS está muito preocupado com o assunto… E GASPAR, oh, ainda mais… (aquilo é só “sensibilidade”, estética e social, sobretudo social)

  1. licas diz:

    Só mostra que ao contrário do ex (Sócrates) agora
    o 1º tem mais que fazer do que mostrar a carantonha deslavada
    em toda a ocasião * para ficar bem na TV *.
    Ficou célebre o seu * estou bem assim? *.

    • Carlos Vidal diz:

      Bom, bardamerda, o que me diz nada tem a ver com o post.

      • De diz:

        Claro que não tem.Mas nada se perde,nada se cria para esses fautores da atitude plantígrada de atirar para o lado.(Que pode passar pelo endeusamento tolo dos 1ºs de ocasião. A dita expressão célebre (???) deve provavelmente ser uma privada blague entre os cultores do género neoliberal primoministerial.Nem se enxergam)

        A sensibilidade de tal gente assenta nos lucros obtidos pelos Mellos de todos os matizes…e nas botas cardadas,quantas vezes com sotaque alemão.

        A atitude dos governantes perante tudo isto é eminentemente política ( como de resto toda a Arte ). Mas a que ponto revela a indigência mental e a “traição” das nossas élites governamentais?Um Portugal pequenino,vil e triste tão ao jeito dos Gaspares de ocasião e dos Paços que “estão bem assim”

        (Caro Vidal:A chamada de atenção para a “ausência de futurologia” tão gabada pelo Sintra e o seu contraponto real foi de mestre.Nem coram de vergonha perante os seus próprios dislates peganhentos e babosos?)

        • Carlos Vidal diz:

          Este Scintra Torres, antes radical, incorruptível e robespieriano (o que é um disparate estar eu a classificar quem desprezo com um epíteto tão nobre, mas enfim: o indivíduo acha-se mesmo robespierre – com letra pequenina, vamos). Este “crítico”, com o artigo que eu linkei, deveria gradualmente perder o seu espaço de crítica, obviamente. Deveria passar para uma espécie de jornalismo “generalista”, ou ser posto gradualmente na prateleira merecida. Questão de justiça. Pois o Paços dele outra coisa não tem feito que não “futurologia” – atenção, para todos nós, ao grande ano de 2013 !!!! O do começo do fim, evidentemente.

        • JgMenos diz:

          O Estado!!!
          Porque é que há gente que acha que o dinheiro do Estado não é o seu dinheiro?
          Provavelmente não pagam impostos.
          E há que ter presente que o Berardo pagou parte da colecção com benefícios fiscais e o restante com uma clara actividade de exploração capitalista, e não apostaria em como a especulação financeira não tivesse a melhor parte nessa acção!
          E até agora não deu nada a ninguém, limitou-se a conservar a sua colecção a baixo custo – o que só quer dizer que sabe olhar pela vida dele.
          Já o Mello cria empregos e merece o pior!

          • Carlos Carapeto diz:

            O Mello cria empregos com a mira apontada ao aumento dos lucros sem respeito por os direitos daqueles que explora desenfreadamente e ainda usa artimanhas muito bem engendradas de fuga de milhões aos impostos, que se eu tentasse fazê-lo sonegando algumas centenas de €, até as lampadas de casa me penhoravam.

            Se não fossem os Mellos deste mundo, (sistema) tudo parava?

            Por isso mesmo enquanto eles falam em privatizar, eu grito. COOPERATIVAS, COOPERATIVAS, COOPERATIVAS…………….

          • De diz:

            Os Mellos merecem mesmo o pior.Sintetizando.Os mellos pertencem aquela imensa minoria que é dona do mundo e que vive do suor,sangue e lágrimas de quem exploram e de quem roubam. Literalmente.Roubam.
            Quem cria riqueza é quem trabalha,não é quem vive do trabalho dos outros.
            O resto é paleio de quem quer perpetuar o status quo criminoso e ominoso em que nos vivemos.E que se posiciona na defesa da classe dominante dos exploradores parasitas

          • JgMenos diz:

            Socialismo básico!
            Raivinha pseudo-proletária!
            Imobilismo patético!
            Falem-me de iniciativas que não sejam promoção da má-língua ou marchas de protesto. Que cooperativas, que participações em criação ou gestão de trabalho?
            Sempre a suspirar por um Estado que tudo resolva…Vergonha!

          • De diz:

            Vergonha é algo que um neoliberal não tem.
            Basicamente verte palavras quando tenta esconder a sua raiva da classe possidente aquando de processo de desmascaramento.
            “Má-língua” suspira por um estado que tudo resolva…feito à moda dos mercados a que preza e adora.
            Eis o retrato de JMenos.
            Vergonha?Claro.Mas não só

  2. Rafael Ortega diz:

    “Em Portugal, pelo menos desde os anos 1930 ou 1940, que não há nenhuma estratégia de aquisição nacional, muito menos internacional. E o estado, na verdade, não tem registos nenhuns para controlar saídas”

    Se as obras forem do Estado faz todo o sentido que o Estado saiba onde andam.
    Se as obras forem de um qualquer coleccionador porque motivo é que o Estado deve controlar o que é que o a pessoa faz com aquilo que é seu?

    • Carlos Vidal diz:

      Parece-me que leu muito mal o post.
      Eu até acho que o Berardo deve virar as costas para esta terra sem vergonha.

      Mas, há uma sua observação muito inteligente, ora, ora.
      Parece-me que me diz que aquilo que é do estado já lá nasceu.
      “Se é do estado o estado deve preocupar-se”.
      E como é que uma obra chega a ser do estado?
      (Ainda há anos o estado comprou um Tiepolo – aquilo não nasceu lá: o estado tem olhos ou só tem boca?)

      • Rafael Ortega diz:

        Não me estava a referir ao Berardo. Se diz que o Estado não tem registos para controlar as saídas eu quero perceber porque acha que deve ter?

        O argumento é, se for do Estado este deve ter o registo de onde está e em que condições. Se não for, o que é que o Estado tem a ver com o quadro que eu tenho em casa e para onde o levo? A não ser que não seja isto a que se refere (e se não é fui eu que percebi mal).

        “E como é que uma obra chega a ser do estado?”

        Compra (ou é doada). Essa parte do seu raciocínio dá para perceber. So fiz perguntas sobre o que é pouco claro.

        • Carlos Vidal diz:

          O quadro é seu, faça dele o que quiser.
          Experimente, numa fronteira, passar com um Bacon debaixo do braço.
          Depois diga que é seu.

  3. Antónimo diz:

    Que má onda, Carlos Vidal,

    Se o economista que nos governa, quer dizer, se o economista, que, lá em são bento, faz lá aquilo, aquelas coisas, essas cenas, soubesse que leonardo desenhava (http://www.youtube.com/watch?v=OBPBBL-iyN8) tenho quase a certeza que teria levado o outro economista, o de belém, à vernissage.

    Quando esse outro estava também em são bento, era um rodopio de gente a ir bailar ao Estoril quando lá ia o Iglésias. Cadilhes, Miras Amarais, que bem que dançavam, nas páginas da Olá.

    • Carlos Vidal diz:

      Bons, velhos e irrepetíveis tempos esses, em que a aristocracia europeia vivia feliz no Estoril (acho que estou a misturar aqui outra história, mas não faz mal).
      Saudosos tempos, o tempo daquele que mandava construir uma autoestrada por minuto, em que Morus tinha até escrito um “Doutor Fausto”. (E engolido um bolo-rei de uma só vez.)

      Agora a sério, ninguém da governola foi ao Leonardo? Nem um escritor?
      Também tal não me xoca (esta é de homenagem ao Sintra Torres, o inimigo da incultura orto-gráfica, a grande laranja independente!!).
      Tal não me xoca, porque também ir dobrar a espinha por um Leonardo e aí embasbacar, isso não é bom – nem para a espinha, nem para o défice (também este a ser controlado por uma regra de ouro, oh se o Leonardo soubesse até ajudava os imbecis nisso da “regra de ouro”….).

  4. Domingos diz:

    Eu acho que a questão está mal colocada. Sim, é verdade tudo aquilo que o Carlos Vidal diz mas isto não passa de um exemplo da incapacidade do Estado fazer micro-gestão seja em que área for (a arte é querida ao Carlos mas não é específica para efeitos do argumento; pode aplicar a qualquer actividade económica ou não). Este é o argumento de base do liberalismo económico a menos que o Carlos diga “não. Este Governo / Estado faz mal mas eu acredito que é possível um novo Estado /Governo que consiga fazer melhor”. Ou seja mercado vs Estado ou (mau) Estado vs (bom) Estado. Eu acho que se formos sérios não podemos acreditar na segunda hipótese.

  5. Horizonte XXI diz:

    Apenas uma questão se não for incomodo.
    Onde está a arte?
    Nesta crise onde está a arte como essência e antevisão da utopia?
    Onde estão os poetas, actores, cantores e musicos, como interpretes do amanhã, na exigência do hoje?
    Sentados ao colo de quem?
    É que não se vê ninguém a agitar a alvorada.

    Abraço livre.

    • Carlos Vidal diz:

      A arte precisa de produtores, mecenas, financiamentos – é verdade que nem sempre (se quiser, quase nunca) a relação entre artista e poder é “limpa” e/ou ética – aparentemente. Uma vez escrevi aqui que a ética em arte não está neste ponto, nesta relação: está DENTRO da obra. A obra tem de ser ética dentro dela própria.
      O artista ético (na obra) nada perde na sua relação com os novos Medicis ou Bórgias. A ética existe na obra! NA/DENTRO da obra.

      Mas a arte de amanhã anda por aí: no cinema de Pedro Costa (de certeza!!), na recente “Morte de Danton”, na encenação de Jorge Silva Melo – a “Morte de Danton” (para partidários de Danton ou Robespierre) é uma meditação sobre a revolução. E esta esta meditação que não pode parar, como todos sabemos.

  6. licas diz:

    Carlos Vidal says:
    9 de Abril de 2012 at 17:58
    Bom, bardamerda, o que me diz nada tem a ver com o post.
    __________________

    Não hã processo de *moderação* para a linguagem
    deste *cavalheiro* ?
    Parece que, sendo *dono* do blogue, pode impunemente dar
    largas ao seu *vocabulário* de estimação . . .

    • Carlos Vidal diz:

      Não falei, nem estou a falar para “licas”.
      Disse bardamerda para todas as formas sem nexo de falar de matérias ou de forma que nada têm a ver com o post ou os posts (sejam eles de quem forem).
      Aliás, não devia sequer publicar o primeiro comentário de “licas”, por deslocado de todo.

    • De diz:

      (O chamar o nome aos bois é uma qualidade.
      Inestimável.)

      • De diz:

        Ah..e para que não haja entendidos subterrâneos….
        Os “bois” não é necessariamente o”licas”…mas os “licas” ou “não licas” que chutam invariavelmente para o lado

        • Carlos Vidal diz:

          Claro.
          Eu nem sequer estava a falar para “licas”, nem lhe deveria publicar o primeiro comentário.
          (Quantos blogues dizem não publicar comentários sem relação com o escrito no post?? Quase todos.)

  7. anónimo diz:

    …de facto, devido a muita bardamerda e alguns bois é que não há tusto nesta terra e vivemos de dinheiro emprestado. Arte? Isso é um luxo!… Toca a emigrar, cambada, que a arte já vai à frente!

    • De diz:

      Bardamerda aos que nos têm governado pode ser tido como impróprio.Alcunhar-lhes de bois também.
      Mas eu não desdenharia utilizar tal palavreado para descrever a clique neoliberal pesporrenta e trauliteira que nos (des)governa.E que se vai engordando e engordando os que defende,como por exemplo os interesses do capital alemão e não só.
      O dinheiro que não há?É como as obras de Arte que dizem que também não as há.
      Há sim senhor.Estão mas é a saque por parte dos delinquentes de serviço.

  8. licas diz:

    Deixem-me confessar que fiquei sensibilizado com a frase:
    *Claro: Eu nem sequer estava a falar para “licas”, nem lhe deveria publicar o primeiro comentário.»
    Partindo do princípio que *licas* é um nome coletivo (bem, espero que mesmo dado a
    *bardamerdas*, perceba isto) a humildade de C. Vidal.
    Veio-me à cabeça o seguinte: estava o missionário em peroração que deus criou o Homem,
    patatá, patati, quando da assistência um *licas* levanta-se: e o que me diz do Darwinismo
    padre? (Caiu o Carmo e a Trindade) . . .

    • De diz:

      Não tem nada que ficar sensibilizado.Ou que se confessar a quem quer que seja,seja ao padre,seja aos pulhas que nos governam.
      O nome colectivo a albergar os defensores dos pinochets de ocasião é uma boa ideia sim senhor.Um bom pretexto para justificar as pequenas patifarias do pequeno em acção?
      O Carmo e a Trindade não caem com essa facilidade.Quem nos governa sabe o que faz.Vai-se governando enquanto vai dispondo o tapete para o grande poder económico. A arte , a cultura e a ciência são coisas para abater. Nem sequer os próprios interesses nacionais esta burguesia decadente,vendida, cobarde e traidora sabe defender.Urra já em alemão.E gosta de disfarçar os urros desta maneira pacóvia e pusilânime

  9. leão da abissínia diz:

    E que é feito da magnífica, embora curta, coleção de Rendeiro? Ah o capitalismo selvagem especulativo e o seu amor à arte contemporânea, que casamento tão duradouro e eficaz. Haja sempre um venial em vénia por Berardo, agora que as acções se desfazem no ar e desalinham, mais que as bolas de Baldessari.

  10. licas diz:

    Quando um artigo se valoriza continuamente (como se trata dos objetos artísticos, quadros, por exemplo) nada pode fazer deter a apetência de posse por particulares. A fruição por toda a gente, que seria a situação ideal, só pode ser conseguida por compra pelo estado.
    De certa maneira, é justo: toda a população adquire para que toda a gente possa ter acesso.
    Querer-se-á proibir os particulares da posse dessas obras? *Parece* que alguém grita: blasfémia !!!

    • Rafael Ortega diz:

      “A fruição por toda a gente, que seria a situação ideal”

      Grande parte das grandes obras foram pagas por particulares para sua própria fruição

  11. licas diz:

    Criei uma metáfora (a do missionário) com o fim de
    de ilustrar
    ___Os *sacerdotes*: aqueles que são a sede da * verdadeira doutrina *
    no caso o Marxismo (Leninista ou talvez não),
    ___Os *educadores da classe operária* cuja missão (encomendada ou
    por mto-próprio) última é encaminhar os * herejes * para o paraíso,
    ___Os * puros * abominadores de toda a contaminação existente (podem
    identificarem-se com os *capitalistas*,
    ___Os * avisados * que não *embarcam* em enganos.
    TÁ CLARO AGORA???

    • De diz:

      Mas é evidente que está claro há muito.
      Lol.
      Tanto como os roedores que procuram o refúgio nas águas dos esgotos enquanto vão murmurando uns para os outros:
      “Tá mais claro agora”?

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