Por uma política de tumultos

“Há noites em que o futuro é abolido, quando de todos os instantes só subsiste aquele que nós escolhemos para não ser”, é uma citação de Cioran que resume o momento.
Garantem-nos que temos de ser pacientes. Vivemos acima das nossas possibilidades, dizem-nos. É preciso reformar a economia, explicam-nos. O mundo muda a uma velocidade vertiginosa, e é necessário sob perigo de ruína ou morte (é a mesma coisa para os nossos economistas-administradores-comentadores), adaptarmo-nos a essa mudança inevitável, ou não estar mais neste mundo, repetem-nos.
Às vezes devemos preferir a dor à sonolência. Escolher a violência em vez da passividade. Fazer um acto irreversível. É melhor simplesmente não ser.

Originalmente publicado aqui

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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5 respostas a Por uma política de tumultos

  1. De diz:

    Um belo texto!

    Descobri também este trecho tirado do mesmo sítio indicado pelo Nuno:
    “Um homem matou-se em Atenas. Não aceitava viver de joelhos depois de uma vida inteira a trabalhar. No mesmo dia, o presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi, que recusa emprestar ao povo grego uma milésima parte que oferece aos bancos, veio-nos revelar que o modelo social europeu morreu. E que todos temos que aceitar as reformas;. Parece-me mais justo obrigar o senhor Draghi a reformar-se compulsivamente do que aceitar passivamente a morte de um reformado grego de 77 anos”

    Outro belo texto

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Assim estás a lixar-me a crónica de amanhã. Esse texto que escrevi na parte nocturna é a base dela 🙂

  2. Rocha diz:

    Quem é o autor desta peça?

    Subversivo, muito subversivo… e poético mas também muito real. Gostei!

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