A oposição que não quer ser

Em Portugal nunca houve, além de 74-75, uma tradição de fazer das greves uma acção política para além das justas e oportunas e quantas vezes urgentes reivindicações económicas. Todo o sindicalismo, por mais radical que seja, e o nosso não é, termina numa parede se não tem uma saída estratégica para as pessoas. Por aqui não exige sequer a mobilização contra a troika com a consequente queda do governo mas uma greve para marcar uma agenda de uma situação política que ninguém quer ter nas mãos (a direita e a esquerda) e todos querem empurrar com a barriga até às eleições. Todos sabem que a renegociação da dívida é uma panaceia e que ninguém recupera os direitos adquiridos sem uma convulsão social que implica a saída do euro. Todos sabem que quando puserem as pessoas na rua não sabem como as tirar. É uma luta que se sabe como começa mas não se sabe como acaba. Os limites da estratégia política dos sindicatos terminam na captação de quadros e votos para os partidos que dirigem esses sindicatos.
Por isso não há piquetes – salvo mais dúzia de delegados sindicais – em cada fábrica e empresa e a tendência é para que haja cada vez menos. Num país que fez durante mais de um ano, 2008, as maiores manifestações de toda a Europa no ramo da educação e uma manifestação como a de 12 de Março do ano passado, certamente a maior manifestação de sempre em Portugal desde o 25 de Abril, a razão para a greve não ter sido um momento de assembleias e luta pela queda do Governo está numa situação política peculiar – o Governo não tem força e a oposição não é alternativa.

Piquete Kilkis Grécia – Hospital ocupado

Piquete hoje na greve da educação em Inglaterra

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