A PSP continua a fazer as notícias, em dias de Greve Geral – 1

(foto Hugo Correia, Reuters)

Ao que tudo indica, a brutal e repetida agressão policial à foto-jornalista Patrícia Melo Moreira, cuja imagem já correu mundo, não foi um aleatório resultado de uma situação de confusão.

Foi deliberada e direccionada, conforme se verifica neste video, em que se vê o agente em causa dar três súbitos passos em direcção a ela, agredi-la com o bastão e recuar – antes de, segundo declarações da própria às televisões, lhe voltar a bater várias vezes quando se tentou levantar do chão.

E ocorreu imediatamente depois de ela tirar esta foto:

(foto Patrícia Melo Moreira, AFP)

Toda a carga policial parece ter sido ilegítima (e, consequentemente, um ilegal abuso de poder, mesmo em relação às normas de actuação das forças policiais, em ocasiões similares), já que não basta para tal o arremesso de ovos a bancos ou algum insulto à mãezinha deste ou daquele agente, que não há testemunho de qualquer arremesso de objectos às forças policiais antes de ela ocorrer e que, conforme as fotos publicadas pelo El País mostram, as esplanadas estão intactas – e até com turistas, que levantam as mãos como num filme do far west.

No entanto, a agressão brutal, repetida, deliberada e direccionada a uma jornalista enquanto fotografa a actuação policial é de um tipo de gravidade ainda mais sério.

Entre isso e um soldado que dispara sobre um jornalista que cobre a sua actuação em teatro de guerra, a diferença está na arma de que dispõe e nos danos que esta é capaz de causar; não na motivação e intenção do acto.

Que sejam tiradas desse facto as necessárias consequências. Criminais e quanto à selecção, formação, direcção no terreno e orientação política da actuação de tais forças policiais.

E que, enquanto cidadãos, não deixemos que tal não aconteça.

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