Parque Escolar, ainda é só fumaça

Finalmente veio a público o primeiro relatório de uma auditoria à Parque Escolar (PE). Curiosamente, a Inspecção-Geral das Finanças (IGF) antecipa o que a auditoria do Tribunal de Contas, iniciada há dois anos, tarda em concluir – há inúmeras ilegalidades nas formas de contratação –, não deixando qualquer espaço para que a decisão daquele órgão de soberania não seja a mais extensa lista de declarações de nulidade contratual da nossa história.
Contudo, o relatório da IGF é extraordinariamente temente ao poder, servindo para que PS e PSD o invoquem para extrair conclusões opostas. Tudo o que pode beliscar um e outro partido é cautelosamente evitado. Ou será que não há consequências financeiras da decisão de suspender as obras com estaleiro aberto? Ou será que não se identificaram estranhas familiaridades e repetições nas contratações realizadas durante o governo de Sócrates?
Mas isto não quer dizer que a IGF não tenha encontrado culpados. A ideia que perpassa o documento é que os arquitectos terão levado a impotente direcção da PE a gastar verbas sumptuosas em luxuosos rituais. Os inspectores não se inibem de se transformar no mais ortodoxo crítico de arquitectura identificando madeiras e pedras naturais “nobres”, surpreendendo-se com a utilização de guardas em aço inox nos exteriores ou denunciando a “qualidade excessiva” de torneiras e misturadoras.
Pena que não se comparem os custos inerentes à desadequada revolução legislativa dos últimos anos, feita à medida de grupos de interesses, com as minudências denunciadas. Cem escolas de torneiras de “qualidade excessiva” não pagam uma escola com inúteis aparelhos de ar condicionado.

Hoje, no i

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