A mentira, a manipulação e o preconceito [Baptista Bastos]

“As origens deste descalabro não podem ser unicamente apontadas à especulação financeira. O capitalismo está mergulhado numa crise que será sangrenta se as forças progressistas se lhe não opuserem. O projecto neoliberal não é, somente, político-económico: é ideológico, e tende a transformar o pacto social num tapete onde uma casta limpa os pés. “[…] “Quando Passos Coelho nos adverte que vamos empobrecer para, depois, nos reerguer, a declaração só pode suscitar dois sentimentos: de repulsa e de cólera. Ainda por cima é a admissão da incapacidade de combater a propensão: um fatalismo medíocre e cabisbaixo, muito a ver com as “teorias” e os “princípios” do salazarismo. Pobrezinhos mas honrados.”

“O PCP e o Bloco de Esquerda cumprem o seu papel de partidos contestatários e de travão aos desmandos do poder. Dir-se-á que pouco podem fazer; talvez. Mas muitas coisas estariam pior não fosse a intervenção deles. E também constituem forças morais e éticas num período da História em que, parece, esses valores e padrões soçobram, ante as investidas actuais. Não é necessário ser comunista ou bloquista para se compreender a natureza de certos partidos. E o preconceito ideológico, sabiamente organizado e dirigido, prejudica, inclusive, o conhecimento dos factos e as verdades históricas. Até quando?”

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16 Responses to A mentira, a manipulação e o preconceito [Baptista Bastos]

  1. von diz:

    O senhor Bruno Carvalho já afiou o seu lápis azul, hoje?

    • Rafael Fortes diz:

      ??????????????? realmente fico estupefacto…eu publico excertos de um texto do Baptista Bastos e vem uma pergunta ao Bruno??????

  2. De diz:

    Este texto de Baptista Bastos fez-me lembrar um outro, de Mário de Carvalho, que li no Tempo das cerejas 2

    «(…) Os interesses reinantes têm beneficiado do colapso dos instrumentos críticos. Da miniaturização da linguagem. Da ablação da memória. Da unicidade de critérios. Da tirania das escolhas. Do condicionamento das atitudes. Do emparedamento do gosto. (…) Tudo são apelos ao conformismo e à submissão, convites à obediência e ao redil. O povo, quando presente é constituído em populaça. A ralé fez sempre jeito às contra-revoluções. Chegamos a esta maravilha paradoxal se serem os carneiros eleger os lobos, os coelhos a eleger os furões, os pintos a eleger as raposas,, as carpas a votar no lúcio, o melro a votar na cobra (…) ».

    Mário de Carvalho, no seu artigo «A semântica das atitudes» publicado no novo número da edição portuguesa de “Le Monde Diplomatique”.

  3. Luis Almeida diz:

    Eu temo, no entanto, que mesmo a passividade do voto de 4 em 4 anos da democracia burguesa seja posto em causa por “eles” e não por nós.
    Os substitutos de Papandreo na Grécia e de Berlusconni em Itália, por exemplo, não foram eleitos por ninguém…
    Quem nos diz que não é apenas o começo?
    A democracia, mesmo a formal, só não será posta em causa enquanto não lhes convier…

  4. Realmente parafraseando Baptista Bastos (o B.B.)
    . . . O PCP e o Bloco de Esquerda cumprem o seu papel de partidos contestatários e de travão aos desmandos do poder. Dir-se-á que pouco podem fazer; talvez. Mas muitas coisas estariam pior não fosse a intervenção deles. E também constituem forças morais e éticas num período da História em que, parece, esses valores e padrões soçobram, ante as investidas actuais. Não é necessário ser comunista ou bloquista para se compreender a natureza de certos partidos. E o preconceito ideológico, sabiamente organizado e dirigido, prejudica, inclusive, o conhecimento dos factos e as verdades históricas. Até quando? W

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    Foi a incapacidade de analisar o que realmente foi a tal pátria do Comunismo
    na sua atuação política, mais a cegueira caninamente praticada por Álvaro Cunhal,
    mais a prática de seleção/eliminação de todas as tendências não ortodoxas que levaram o PCP à situação presente: a de um partido virado para si mesmo, incapaz de renovação,
    fechado â realidade, surdo aos apelos de bom senso e análise crítica dos seus apaniguados.
    Agora, no plano interno, esgotou toda a reserva de credibilidade quando o tal *motor do
    anti-fascismo* deixou de alimentar o alibi da sua conduta.
    Forças morais e éticas (de que querem ser o modelo) são patetices a que ninguém liga já há
    décadas. No plano externo apregoam as excelências de dois ou três regimes do mais castradores que o mundo já viu : Cuba, Coreia do Norte, a que se juntou o *califado* Sírio
    do monstruoso Bashar al-Assad. A assim são levados na paranóia alguns imbecis úteis . . .

    • De diz:

      “luís a. afonso”
      Caninamente o apaniguado diz as patetices próprias do califado do monstruoso paranóico.Sobra-se a si prórprio,qual imbecil útil.
      O monstruoso paranóico esfrega as mãos e mata mais uns quantos no Afeganistão. Com a cumplicidade de outros imbecis úteis do gênero.
      http://rt.com/news/massacre-kandahar-soldier-american-705/

      Sorry.O nome aos bois.Sempre.Utilizando o seu vocabulário típico.

    • Miguel Lopes diz:

      “a que se juntou o *califado* Sírio”

      Quem diz parvoíces destas nem merece ser lido. Você ao menos sabe o que é o califado?

  5. Victor Cabral diz:

    Da pena de Baptista Bastos sai sempre coisas boas, Quanto às eleições, enquanto elas não alterarem nada, podemos votar. Pelo que disse espero continuar a votar, de forma independente, mas sempre no P C P

  6. Aí está uma forma *independente* de votar . . .
    A não ser . . . que escolhendo a APU, o CDU , . . .
    seja uma forma independente de se optar pelo
    Partido Stalinista, pode ser que seja esta a lógica, sei lá . . .

    • De diz:

      Ora aqui está um caso paradigmático da vacuidade de “luís a.afonso”.
      E do deu modus operandi.

      Requiescat In Pace.

    • Miguel Lopes diz:

      “que escolhendo a APU, o CDU , . . .
      seja uma forma independente de se optar pelo
      Partido Stalinista”

      É muito complicado que, olhando para a história do PCP, ele possa ser visto como um partido estalinista. O PCP alinhou pelas teses do 20.º Congresso do PCUS (o da coexistência pacífica e da desestalinização). O PCP alinhou pelo fim do orientação internacional do komintern da ‘classe contra classe’ e pela opção ‘democracia ou fascismo’, com as frentes populares (Estaline era um feroz opositor dessa linha).

  7. Tenho de promover De: vai de putativo *imbecil útil* a *desonesto *.
    Porquê?
    Pela simples razão de que contrapus o panegírico do B.B. ao PCP,
    uma análise do seu comportamento. Se alguém (em coa consciência)
    deseja criticar o meu ponto de vista deveria dizer de sua justiça.
    Sem mais desviando para a guerra do Afeganistão, que nem sequer mencionei,
    concluo:
    __a) D concorda com o que eu disse, o Afeganistão serviu para disfarçar.
    __b) Nem concorda comigo, e respondeu de forma subliminar: se tu atacas
    (atacando a URSS, sempre ela) eu contra ataco o teu *gringuismo* . Apenas
    há um equívoco muito grande, grande D : eu sou suficientemente honesto
    para, quando respondo, faço-o ao assunto,porém este cuidado não o tolhe,
    grande D. Para já sou igualmente *dialéctico* seja quais forem as nações
    envolvidas, o que não é o seu caso, pelos vistos.
    Só um reparo: desonesto e faccioso. Mais *imbecil inútil* pois com a sua
    argumentação não vai colher . . .

  8. Miguel Lopes says:
    18 de Março de 2012 at 17:09

    *ele* não alinhou: alinhavou-se, talvez (ignoro os pormenores).
    Mas garanto, com toda a força, que NUNCA no Avante houve
    qualquer, mesmo que leve, crítica ao Pai dos Povos, como o
    Cunhal dizia. E ainda continua, e continuará, a *amnésia*.
    Mesmo depois, aí pelos anos 60-70 o PC Italiano,publicamente
    repudiar o Stalinismo. E continuará enquanto se proceder
    à *escolha* para o Comité Central, apenas dos *empedrenidos*.

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