12 DE MARÇO – Um ano depois de começar tudo de novo não temos que voltar a começar tudo outra vez.

Faz hoje um ano que mais de meio milhão de pessoas encheram as ruas de Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Faro, só para citar as manifestações mais concorridas. Várias foram as cidades que fora do país se juntaram ao protesto. As Gerações à Rasca foram a sementeira do que cresceu a seguir apesar dos frutos estarem ainda longe de se poderem colher com muita intensidade.

As ruas continuaram sem saída, mas as portas que se abriram foram importantes. Das assembleias não deliberativas para as assembleias populares, da ocupação do Rossio ao assalto às escadarias da Assembleia da República, da politização das greves gerais à disseminação da resistência pelas questões concretas, o 12 de Março esteve na origem de boa parte da força que se encontrou para caminhar.

A Coluna de Desempregados do Movimento Sem Emprego na Manifestação da Greve Geral, o Plenário de Desempregados da Margem Sul, a ES.COL.A do Alto da Fontinha,  o Acampamento Actua Pelo Tua ou o Encontro de Activistas para uma nova vaga de contestação internacional, só para citar alguns dos exemplos dessa disseminação, estão ai a fazer exactamente ao contrário do que vaticinavam os profetas da opinião como o Miguel Sousa Tavares a Isabel Stilwell ou o Marcelo Rebelo de Sousa. O movimento não se limitou a ser do contra, o que já seria bom face ao tempo dos yes boys, mas soube também encontrar a sua agenda, o seu campo de batalha e o caminho para ver satisfeitas as suas reivindicações.

O M12M transformou-se no MFA dos tempos modernos, ainda que sem COPCON, e cada uma das pessoas e dos grupos activistas que desceu à rua, está a aprender e a interpretar a sua campanha de dinamização cultural. Não fizemos nenhuma revolução, sabemos todos, mas ficámos mais capazes de levar o próximo PREC a vitórias mais substanciais. O sucesso das próximas lutas será determinante para que desta vez tudo não acabe no ano e meio que Abril durou.

Não é o tempo, portanto, para grandes nostalgias. Entre batalhas, a próxima greve geral é o melhor ponto de encontro para continuar a fazer o futuro chegar mais depressa.

Ver também a YC Report – “Vozes e Palavras Saíram à Rua”

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