Ainda o caso FRANCISCO LOUÇÃ – MARCELO REBELO DE SOUSA

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção anuncia-se como uma imensa acumulação de espectáculos. Tudo o que era directamente vivido, afastou-se numa representação.

(…)

As imagens que se desligaram de cada aspecto da vida fundem-se num curso comum, onde a unidade desta vida já não pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente desdobra-se na sua própria unidade geral enquanto pseudomundo à parte, objecto de exclusiva contemplação. A especialização das imagens encontra-se realizada no mundo da imagem, onde o mentiroso mentiu a si próprio. (…)

E espectáculo, compreendido na sua totalidade, é ao mesmo tempo o resultado e o projecto do modo de produção existente. Ele não é um suplemento ao mundo real, a sua decoração readicionada. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares, informação ou propaganda, publicidade ou consumo directo de divertimentos, o espectáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação omnipresente da escolha já feita na produção, e o seu corolário é o consumo.”

(1. Não vale a pena mencionar o nome do autor, o melhor de França, do texto aqui citado. 2. Pois é, caro Francisco Louçã, não se deve brincar com coisas sérias, sob pena de se embonecar e esvaziar tudo aquilo que se disse e quer dizer; sob pena de não se ter dito nada, no fundo. Vendido alguma coisa, mas ter dito nada. É a vida, mas não devia ser assim. 3. Eu, por exemplo, não vou comprar este livro de Louçã/Mortágua. Não sei que crédito possa merecer.)

(aqui e aqui)

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