O ponto de ruptura

Há uma nova língua no ar: chama-se “ajuda” a um Memorando da troika que condena países à miséria. Chama-se “reforma laboral para criar empregos” a um conjunto de medidas que aumenta o desemprego e transforma toda a gente em trabalhador precário. Chama-se “democracia” a governos que são eleitos, mas cumprem ordens de pessoas que não são escolhidas pelos povos a quem condenam.

Nada melhor que ver o que o Conselho Europeu vai decidir para a Grécia para percebermos o que nos espera. Atenas irá receber 130 mil milhões de euros que vão ser depositados numa conta à parte, gerida por uma equipa permanente da troika, que servirá exclusivamente para pagar dívidas contraídas noutros empréstimos feitos pelos agiotas que lucraram com a crise. A Grécia tem de aceitar ser governada por estrangeiros e que o dinheiro do seu orçamento tem de ser utilizado não para satisfazer necessidades sociais, nem para investir, mas exclusivamente para pagar a bancos e credores. O plano que levará a Grécia à falência mas salvará os bancos e os investidores que especularam com a sua dívida.

Depois desta crise nada ficará como dantes. A disputa política far-se-á entre os discursos que de uma forma mais eficiente arranjarem culpados para esta crise. Este será o terreno do conflito. As políticas do eixo franco-alemão estão a abrir a caixa de Pandora. O nacionalismo, a guerra e a revolução não são acontecimentos trancados no passado. Aqueles que nos vendem a miséria como salvação deviam lembrar-se que há um ponto a partir do qual as pessoas deixam de estar presas pelos seus medos. E se nada têm, nada têm a perder.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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