Krugman: “Portugal não tem de reduzir os salários para o nível dos chineses”

Alertada pelo GraziaTanta, descobri que Krugman esteve em Lisboa para promover uma fusão de universidades portuguesas e que a reboque afirmou que os ordenados em Portugal devem cair cerca de 20%, para se tornar um país mais competitivo. Os Ladrões de Bicicletas, grupo de economistas neokeynesianos que têm produzido o essencial do argumentário para os defensores da renegociação da dívida pública, andam a tentar driblar a queda do anjo: ele não disse bem isso, disse qualquer coisa como «“Portugal não tem de reduzir os salários para o nível dos chineses”». Estamos mais descansados!

Enquanto a esquerda tiver Krugman na política (ele não é um político mas um economista!!) e Marx na prateleira, pagaremos cada cêntimo da dívida, o mesmo é dizer, como Krugman, “não há alternativa a, pelo menos, alguma austeridade”.

E há alternativas? Tão pouco as tenho eu. Um problema desta dimensão social exige uma resposta social, colectiva. Não há soluções fáceis. Também exige controlar o medo e deixar de fingir que não sabemos parte da solução. Há meia dúzia de premissas sem as quais não vai haver qualquer solução: declarar o incumprimento unilateral da dívida, rasgar os contratos das PPPs, impedir o financiamento de quaisquer serviços privados com dinheiros públicos, nacionalizar a banca e o sistema financeiro, deixando de garantir os títulos podres, desvalorizados, e  garantindo só os depósitos médios, usar o nosso superavit para criar pleno emprego.

Alguma austeridade é preciso diz Krugman. Há um milhão e 200 mil pessoas dispostas a produzir que estão num precipício. Vamos empurrar algumas delas, como diz Krugman, todas como diz a Troika, ou vamos agarrar a vida nas nossas mãos?

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