Vuelvo al Sur


(“Vuelvo al Sur” foi cantado e interpretado por muitíssimos autores fantásticos. Escolho esta versão, por Mercedes Sosa)

Muitos têm defendido que a única solução para Portugal é “mais Europa”.Por “mais Europa” entende-se menos soberanias nacionais e maior integração política e financeira. Quem não o defende é imediatamente rotulado de antieuropeu, nacionalista ou partidário de um Portugal agrilhoado a acordos bilaterais com ditaduras ou estados menos democráticos.
Esta ideia de “mais Europa” parte de dois paradigmas perturbadores: um de arrogância – que a Europa tem no mundo um papel de referencial democrático e dos direitos humanos, outro de ignorância – que é na Europa que se vive a prosperidade e a liberdade. Em Portugal, a estes dois paradigmas junta-se um certo novo-riquismo parolo que, cruzado com as feridas do pós-colonialismo, nos faz olhar com reverência os países ricos do Norte e com desprezo os do Sul.
Contudo, no actual contexto político, deve-se perceber que “mais Europa” significa ter de esperar por eleições em que não votamos para eleger governantes que não elegemos decidirem sobre o nosso futuro. E, ao contrário do que se pretende fazer crer, defender exactamente o seu oposto não é defender o isolacionismo. Menos Europa significa mais mundo.
Voltar ao Sul, como o bandoneón de Piazzolla tocou e “Pino” Solanas escreveu, não representa uma simples gula de ocasião para exportar para outras latitudes as receitas e os agentes que nos vampirizaram. Voltar ao Sul é um caminho identitário, internacionalista e humanista.
Vuelvo al Sur, como se vuelve siempre al amor.

Hoje, no i.

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9 respostas a Vuelvo al Sur

  1. JgMenos diz:

    No sul há graves perturbações: manda a corrupção em Angola, o Brasil está cheio de brasileiros trafulhas/nacionalistas, outros são pobres e só pedem donativos, e quando o Pingo Doce vai para a Colômbia o alarido é enorme !
    O sul já foi…nos idos de Abril, de forma exemplar!

    • De diz:

      Mas eu conheço outras coisas bem piores do que este racismo larvar (já em transformação provavelmente9 que este JgMenos .
      Conheço por exemplo os exemplos paradigmáticos de um extremista de direita,racista por convicção e terrorista por acção.
      Era lá do norte,norueguês, parece-me.
      Já para não falar do pretenso sangue puro de outro caso exemplar de um defensor da supremacia racial,um tal adolfo,nascido e criado lá no coração da Europa.
      Daí que, e por mais que isso custe a Jmenos, o Sul ainda não foi.
      Nem o Sul nem Abril se bem que é com Abril que os pulhas exemplares que nos governam querem ajustar definitivamente contas.
      Sorry JgMenos.

      Ah e esse desvelo tão exemplar que este “rapaz” nutre pelo Pingo Doce.Para além do pequeno entorse à realidade…será que este Jmenos é da fundação do Barreto?Outro caso exemplar de mais pulhices à portuguesa?

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    JgMenos, não conheço em profundidade os freeports de Angola, os brasileiros são menos trafulhas/nacionalistas dos que os “europeistas” de Schengen e afins e lembro-me bem que o alarido foi por causa da Jerónimo Martins se ter “deslocado” para a Holanda, e não para a Colômbia.

    • JgMenos diz:

      O Pingo Doce tornou claro que foi para a Holanda porque quer ir para a Colômbia e outros lugares; mas ninguém quis ouvir porque não dava tanta ‘luta’.

      • De diz:

        Tornou claro,diz este.
        E repete o que o “patrão ” lhe diz,como se a voz do patrão fosse preciosa.
        Confirma-se uma coisa.A tentativa de manipulação mesquinha.

        Porque foi o Pingo para a Holanda?
        Diz este, adepto dos mais abjectos patrões, que foi para a Holanda porque queria ir para a Colômbia…
        Negociar droga?Dar uma perninha ao corrupto traficante que é o presidente da Colômbia?Ou este dava condições melhores ao Pingo para fugir melhor aos impostos?
        “O pingo disse..e ninguém lhe deu ouvidos”
        Mas que diabo está a fazer o Barreto no sítio onde está?Não lhe dão também a devida atenção?

        O Grupo Pingo Doce, foi para a Holanda para não pagar impostos!
        O resto é conversa

  3. Augusto diz:

    Não conheço em profundidade os Freeports de Angola.

    Porque não quer conhecer?

    Ou porque é mais conveniente ignorar?

  4. silva diz:

    É curioso o estado primeiro ajuda as empresas com os diversos tipos de despedimento, como o caso do despedimento coletivo do Casino Estoril e agora dá incentivos para os mesmos, darem emprego o mal disto é a justiça popular andar a dormir.

    • Carlos Vidal diz:

      O bandoneón de Piazzoll, e o seu “Libertango”.
      Inultrapassáveis.
      E as “Lembranças do Brasil” (cito o título da obra de memória) de Milhaud.
      É preciso começar a defender a nossa saída desse melífluo clube de Bruxelas/Berlim e a sua dissolução (e não nos ficarmos apenas pela anulação da dívida – já escrevi isso num comentário nesta casa). A Alemanha que vá à merda e à vida dela.

  5. Luis Almeida diz:

    Belo post, Tiago. E belos comentários de De e Carlos Vidal. Quem, numa cerimónia solene, nos claustros dos Jerónimos, em 1984, nos meteu na UE ( então CEE ) e mais tarde no euro, também devia ir à merda, juntamente com a Merkel!
    A nossa vocação é Atlântica, aliás marítima e não devido a qualquer designio de espalhar a fé e o império. Isso foi, digamos, uma consequência. A “fatalidade” se a houve é geográfica. De um lado um vizinho poderoso
    ( Castela, a Espanha ainda não existia ) e do outro o oceano imenso! Como poderíamos não ter-nos nos tornado navegadores ? Aliás, se repararem bem, actualmente somos ( creio não me enganar ) o único estado mebro da UE, de entre os 27 , que faz fronteira apenas com um único país. Todos os outros fazem com dois ou mais.
    E, virando-me para a semântica, não é curioso que tenhamos ficado para a história e classificados por outros, como “Os Navegadores” ( Prince Henry, The Navigator…), enquanto os espanhóis que, com Tordesilhas, connosco partilharam parte do Mundo, tivessem ficado para as história como ” Los Conquistadores”?
    Não é que não tivessemos cometido barbaridades a outros povos, mas nada comparável aos genocídios em massa de aztecas e incas perpretados por Cortez e Pizarro…
    A versão de “Vuelvo al Sur” da Mercedes de Sosa é fantástica!

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