Homossexuais de todos os países, adoptai!

Afirma o Bernardino Soares que o voto do PCP contra a adopção por parte de casais homossexuais “não significa uma posição de rejeição, mas expressa apenas a necessidade de prosseguir o debate, o esclarecimento sobre a questão”. Ora, sem sequer levantar o argumento formal de que se poderia ter abstido, importa lembrar o Bernardino que todos os votos contra significam uma posição de rejeição sobre o assunto em debate. O PCP não se absteve, votou violentamente contra ao lado da direita conservadora, da direita liberal e dos socialistas inseguros. Há unidades que não se podem fazer, sem tirar daí todas as responsabilidades e consequências.

O PCP tem uma postura medieval no que diz respeito à adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Afirma que vota contra um debate por ele não ter sido feito na sociedade portuguesa, quando na verdade o seu único receio é que este debate não esteja amadurecido, quer no interior do partido, quer na sua base eleitoral. O medo da sua direcção, passe o exagero, é que a orientação do seu voto coloque em causa a ortodoxia da sua masculinidade. Aqui, como se tem visto, percebe-se que as reacções mais violentas face ao sentido de voto do PCP vêm precisamente de militantes comunistas, que não encontram, naturalmente, um argumento para justificar que um partido que aceita o casamento entre elementos do mesmo sexo trave a universalidade dos direitos desse mesmo casamento. Isto, claro, sem falar daqueles que sem qualquer altar, registo civil ou mesmo união de facto, entendem constituir família nos termos da sua identidade, sem nenhuma necessidade de circo, estado ou igreja.

Com esta concepção podem não ter voltado costas à consciência média dos trabalhadores, mas desistiram de a elevar. Esta matéria denota, necessariamente, uma compreensão reaccionária na  luta pelos direitos cívicos dos trabalhadores e uma das formas mais abjectas de discriminação social.

O PCP não temeu apenas avançar numa tema mal entendido pelos seus eleitores e militantes. A verdade é que a sua direcção não está convencida que o socialismo que aí vem, e com ele o homem novo, tenha filhos só de pais e pais só filhos das mães.

Indesculpável.

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