Solidariedade em modo upside down

Multiplicam-se as iniciativas e os manifestos em solidariedade com o povo grego. Velas, vigílias, concentrações simbólicas, paz, amor e harmonia. Sem nenhum desdenho por quem apenas consegue com isto resolver a angústia da sua consciência, quanto mais não seja porque ainda hoje estive numa e provavelmente irei a outras, sinceramente não consigo perceber o sentido do que se anda a fazer. Dia sim, dia não, a malta achega-se à beira das praças, declaram-se, em representação, palavras doces aos jornalistas, quando os há, e volta-se para casa tendo feito tudo ao contrário do que se faz na Grécia. À falta de ideias com outra combatividade já é alguma coisa, está certo, mas a melhor solidariedade que poderíamos ter com o povo grego não seria protestar exactamente como o povo grego?

Nestas coisas o cão do Pavlov entra dentro de mim e acabo a ir a todas, mas pergunto-me se, entre velas, não estamos a homenagear o povo grego com o contrário do que ele anda a fazer. Ao invés de reforçar a luta estamos a adoptar uma nova forma de religiosidade.

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