Le Grand Finale do Cavaquismo

Cartaz do Artigo 21.º

A situação a que o Presidente da República se remeteu é tão caricata, tão anedótica e tão ridícula, que uma pessoa é tentada a desejar que resista a cada um dos dias que faltam para terminar o seu mandato. Sem mais jogos de espelhos à mão e sem ninguém à direita a querer salvar-lhe a honra, Cavaco passou a ser numa espécie de bobo de uma corte que até de si já morre de riso. Transformou-se num acelerador de partículas, seja lá o que isso quer dizer, no sentido em que onde quer que vá, o povo levanta-se irado. Acabaram-se as vernissages, as inaugurações, as homenagens, as salvas e os urros. Acabou-se o contacto com gente que seja gente e à sua volta apenas uma turba de abutres bafientos. Acabaram-se as idas ao espectáculo, à igreja ou ao Jamor e acabou-se até o aparato, que assim deixa de ser preciso. Cavaco tornou-se recluso de si próprio, refém do seu legado e presidiário na ruína do regime democrático que ajudou a minar. Cavaco vai definhar, devagar e em carne viva, ao som do festim da luta de classes que no meio da bebedeira do seu escárnio, ainda vai ter força para lhe atirar à cara, a cada suspiro público, a vexe dele mesmo. Sobram os chás das cinco dentro do palácio ou no estrangeiro, cercado de polícia e de um punhado, tendencialmente residual, de jornalistas amestrados. Seria possível sonhar um final melhor para o cavaquismo?

EXTRA! – Já se sabe as razões do cancelamento da visita de Cavaco à sua escola. O SIS revelou uma fotografia com um perigoso anarquista, eventualmente Black-Block e quase de certeza com ficha na Interpol, infiltrado na manifestação de estudantes da António Arroio:

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