A saída da crise está a resultar e por isso o desemprego a aumentar

Uma falsa verdade anda por aí dizendo que as medidas de austeridade não estão a resultar. Assumimos assim que existe uma economia e uma unidade nacional e medidas que nos estão a afectar a todos.

A austeridade está a dar resultados positivos. O Deutsch Bank comunicou agora lucros de 50% face ao trimestre anterior. E não se pense que é só a burguesia alemã que lucra com a  crise. A Jerónimo Martins subiu 32% os lucros.

Claro que há empresas que ainda não regressaram às taxas de acumulação média do período anterior, daí que Passos Coelho diga é preciso mais sacrifícios. É preciso continuar esta que é a maior transferência de sempre de valor do trabalho para o capital, apoiada numa extraordinária intensificação e produtividade (taxa de exploração) do trabalho de quem está a trabalhar e de uma altíssima e galopante exclusão do trabalho de quem fica desempregado.

Há 30 atrás a esquerda tinha uma bandeira – e não era o aumento do subsídio de desemprego ou os rendimentos mínimos – era o pleno emprego. Quem quer trabalhar tem um trabalho.

Se não tomamos como bandeira que todos aqueles que quiserem trabalhar têm um trabalho, que não há nenhum problema social que possa ser resolvido com 10, 15 ou 20% de desemprego, então devemos arrumar as coisas e ir embora. Porque não há valorização de capital sem trabalho, nem valorização de capital sem desemprego. Nem valorização humana quando se está condenado à depressão, ao isolamento social e à auto destruição moral, que é isso a que querem condenar hoje 1 milhão de pessoas.

«Marx trata do capitalismo, apontando a existência, nesse sistema, de duas tendências contraditórias entre si. A primeira resulta da luta do capital para controlar a maior quantidade possível de trabalho vivo, de modo a aumentar a massa de mais valia potencialmente disponível. Ou seja, o capital tende a subordinar a si a maior parte do trabalho social, o que exige a expropriação das condições independentes de vida de parcelas crescentes da população, que passam a se apresentar no mercado como vendedores de força de trabalho. “Por outro lado”, diz Marx referindo-se à outra tendência, “o impulso em direção à mais valia relativa [que se expressa no aumento do capital constante em detrimento do capital variável] induz o capital a colocar como não necessários muitos desses trabalhadores.”
A busca da mais valia absoluta faz o capital desejar a “máxima extensão da jornada de trabalho, com a máxima quantidade de jornadas simultâneas”; ao mesmo tempo, a busca da mais valia relativa “reduz ao mínimo o tempo de trabalho e o número de trabalhadores necessários”. A primeira tendência incorpora trabalhadores à esfera especificamente capitalista da sociedade; a segunda, lança trabalhadores na rua»

 

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