Desempregados nos querem, organizados nos terão!

Os números são dramáticos e não é preciso nenhuma notícia, declaração ou desabafo ornamental, para se perceber isso. Quem ande na rua sem ser com os olhos no chão, quem esteja atento à vida dos seus amigos, familiares e colegas de profissão, tem perfeita noção que o degredo que nos estão a impor está em toda a parte e mesmo quem ainda conserva o seu emprego sabe que ao mínimo percalço tem a serventia da casa à espreita.

A nossa força de trabalho, mesmo parada, é um factor determinante no processo de produção, sobretudo por representar um exército de reserva de mão-de-obra, cada vez mais qualificada, que à medida que a austeridade avança vai garantindo a maximização dos lucros que a crise tem proporcionado aos patrões.

Um grupo de desempregados em luta, que escreveu uma carta aberta na passada greve geral, prepara-se agora, à imagem de outros países, para passar das palavras aos actos: “Na Argentina, em França ou no Brasil, quem está nesta circunstância já deu passos em frente que nós teremos que aprender a dar. No Egipto, no Estado Espanhol ou nos EUA têm sido indispensáveis nos movimentos que estão a mudar a relação de força dos 99%. Há que ser capaz de forjar as nossas organizações, as nossas iniciativas, os nossos sindicatos. Há que ser capaz de interferir na agenda, incomodar a troika e derrotar as intenções da absoluta minoria que nos quer reduzir a mercadoria. Não devemos continuar escondidos atrás de estatísticas, do medo, da vergonha ou da desmoralização própria de quem vê a sua vida privada de vida.”

Mudar o destino e transformar a desistência em resistência é uma tarefa difícil para todos, mas é um desafio redobrado para os desempregados. A sua sujeição à vergonha, a dimensão depressiva do seu quotidiano, a pressão para ficar longe da actividade política e a ausência de uma organização que os represente, são parte da razão que os mantém em silêncio por mais vontade que tenham de gritar.

Querem roubar-nos a vida mas este é o tempo de passarmos a existir.

Adere, divulga e participa!

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