QUEM É QUE SÃO MESMO OS FASCISTAS? – Já tinha visto anarquistas libertários, autónomos, sindicalistas e até autoritários, mas nunca tinha visto anarquistas sem um pingo de vergonha na cara.

Um texto publicado no Indymedia, que faz um balanço da manifestação e da assembleia popular do passado dia 21 de Janeiro, prefere a mentira aos factos e aos argumentos e prescinde de fazer o debate que tanta falta faz ao movimento. Usa uma “táctica política conhecida como ‘recuperação’ que consiste em determinada situação vista como vantajosa para determinada ideologia ou grupo político ser canalizada para benefício dessa ideologia ou grupo, previamente esvaziada do seu real conteúdo e do contexto em que decorreu” e tem o despudor de vir assinado por alguém que assume que não contribuiu para a organização da Marcha da Indignação.

Independente das opiniões que exprime sobre a plataforma 15 de Outubro, que podem sempre ser debatidas, sobram calúnias, tão falsas como cobardes, que ofuscam, entre outras polémicas, aquela que deveria aprofundar o que fazer para o futuro. É pena que o texto se limite a evangelizar, esquecendo-se de apelar à participação, sugerir caminhos ou pelo menos citar as decisões colectivas tomadas em assembleia.

O dislate que dá corpo ao título do texto – “Os novos fascistas são democratas” – é duplamente preocupante. Primeiro porque insulta sem provar, sem perceber que também se insulta a si próprio, depois porque revela que o companheiro acredita que é capaz de dobrar sozinho, “num barco pequeno e leve”, os diferentes fascismos que o movimento enfrenta nas ruas do protesto.

Acusa o artigo publicado no Indymedia que a plataforma 15 de Outubro “começou apressadamente a andar assim que as primeiras bocas aos nacionalistas começaram”, com a intenção de “deixar para trás conflitos (físicos, verbais, de ideias, etc…) e isolar uns manifestantes de outros”. De rajada, acrescenta que houve “pessoas a tentar calá-los, apelando à ‘não-provocação’, a ignorarmos a presença de fascistas e a seguir em frente como se nada se passasse”, alimentando a ideia que era intenção dos organizadores deixar passar em branco a participação dos nacionalistas.

Atira ainda, várias vezes e sempre sem nomear ou concretizar nenhuma acusação, claro, que “representantes da Plataforma15O” fizeram isto ou aquilo, sempre em detrimento do interesse democrático da manifestação e chega a questionar o direito a que esta organize assembleias populares no final dos protestos por si convocados.

Ora, o autor do artigo publicado no Indymedia sabe, porque é possível saber isso sem tomar a palavra, a proposta, o voto ou o esforço militante, que houve uma demarcação pública face aos fascistas, antes, durante e depois da manifestação, como se pode ler neste, ou em qualquer outro relato da manifestação publicado na rede ou na comunicação social.

Devia igualmente intuir que a variedade de colectivos e activistas que se mobilizaram para expulsar os fascistas não se consegue por geração espontânea e que houve inclusive activistas, de diferentes origens ideológicas mas também anarquistas, que depois dos confrontos foram protegidos de eventuais retaliações, precisamente na abjurada cabeça da manifestação.

Não sei se o Indymedia subscreve todos estes disparates mas sei que muitos dos seus leitores gostariam de ser esclarecidos.

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