Desvalorizar o sindicalismo molengão e fazer a unidade com os movimentos que também estão na luta

Para todos os que vêm com desconfiança os movimentos dos precários e como resposta aos cada vez mais residuais comentários sobre uma alegada linha anti-sindical que protagonizariam, é bom que leiam esta saudação ao congresso da CGTP-IN dos Precários Inflexíveis.

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27 Responses to Desvalorizar o sindicalismo molengão e fazer a unidade com os movimentos que também estão na luta

  1. Duarte diz:

    O Tiago deve estar resplandecente. Agora com o Arménio Carlos o Comité Central do PCP já mexe os cordelinhos todos lá para os lados da Intersindical.

    Quanto aos Precários Inflexíveis, gosto pouco de reformistas. Mas, por isso mesmo, percebo porque é que eles gostem do PCP.

    Avante! Por mais uns cobres, e viva o Capitalismo caro Tiago!

    • Vasco diz:

      Eh pá, tu deves ser um revolucionário do caraças, pá… E a revolução, por que tarda ela, com homens desta têmpera?…

    • Vasco diz:

      Quem elegeu o Arménio Carlos foram os membros do Conselho Nacional da CGTP e quem elegeu estes foi o Congresso da CGTP. Se o homem é comunista a eleição é menos legítima por isso?…

  2. Pedro Penilo diz:

    Tiago, tanto quanto julgo saber, os Precários Inflexíveis nunca tiveram um discurso anti-sindical.

  3. RML diz:

    Ó Tiago, por favor. Dizer que este parágrafo («O movimento de trabalhadores precários – Precários Inflexíveis – saúda o XII congresso da CGTP. Com votos de que os trabalhos decorram com sucesso e com ampla participação dos e das activistas sindicais, afirmamos que estaremos juntos na luta social que irá em 2012 defender os direitos dos trabalhadores e de todos os cidadãos.») esclarece essa linha anti-sindical é mesmo forçar a barra. Picando o ponto sem comprometer: era difícil fazer outra coisa.

    Mas já agora, e não falando directamente sobre a questão que aqui é colocada, não deixa de ser interessante que se queira defender os interesses dos trabalhadores e de todos os cidadãos, como se fosse possível defender o interesse do cidadão trabalhador e do cidadão patrão ao mesmo tempo…

    • Rocha diz:

      “(…) não deixa de ser interessante que se queira defender os interesses dos trabalhadores e de todos os cidadãos, como se fosse possível defender o interesse do cidadão trabalhador e do cidadão patrão ao mesmo tempo…”

      A linguagem utilizada pelos Precários Inflexíveis é reformista? É sim senhor. Mas o seu trabalho, como o trabalho de diversos outros grupos criados para a defesa de direitos de trabalhadores precários é produto da própria afirmação da luta dos trabalhadores precários e da sua necessidade de criando os seus próprios forums de debate e acções de protesto afirmar a luta contra a segregação do trabalho: não aceitamos ser trabalhadores de 1ª, de 2ª, de 3ª, de 4ª, etc…

      Os movimentos de precários são produto da própria luta de classes, produto da necessidade de afirmação de várias camadas, entre as quais trabalhadores precários pobres, jovens trabalhadores sem perspectivas além de call centers e de uma classe média (pequeno-burguesia) crescentemente falida.

      Independentemente da linha política do PI, que obviamente depende de quem a dirige, ser mais para aqui ou mais para a ali, a criação deste movimento e de outros análogos (desde a FERVE, a ABIC mais ligada ao PCP, até à Geração à Rasca) é produto da própria intervenção e afirmação destas camadas de trabalhadores e outros explorados na luta de classes.

      Pequenos gestos como esta saudação do Congresso da CGTP – e sabemos que já houveram muitos outros gestos de colaboração e solidariedade – constituem, a meu ver, atitudes positivas para a luta de classes, para a aliança entre diferentes camadas de trabalhadores e outros sectores anti-monopolistas que se expressam naturalmente (e não por qualquer competição) em diferentes movimentos como o sindicalismo, as associações de defesa de direitos, assembleias populares, ocupações, acampadas e em diversos formatos de juventude indignada.

      Felizmente temos uma CGTP forte e com comunistas na frente da luta (ao contrário da paisagem sindical dominada pelo amarelo do resto da Europa). Arménio Carlos já deu mostras de ser um comunista e sindicalista combativo o que provoca grande irritação ao caro amigo Duarte – sugiro-lhe umas pastilhas rennie…

      Uma CGTP forte e combativa, movimentos de precários, da juventude indignada e várias camadas anti-monopolistas, norte, sul, campo, cidade, unidos para a luta enfrentando todas agressões que já nos fizeram mais aquelas que estão para vir – e aqui gostaria de sublinhar o já esperado desmoronar do Euro na Grécia e depois em Portugl. Acho que num momento destes nunca é de mais afirmar: todos somos poucos na luta do trabalho contra o capital!

  4. Ricardo diz:

    Enquanto a luta for dividida entre os sindicatos e os não sindicalizados,entre os trabalhadores e os desempregados quem ganha é o sistema corporativo instalado e o sistema agiota global, e quem perde é sempre o povo e o país!

    • Vasco diz:

      Pode ser. Sugestões?…

    • Antónimo diz:

      Confesso nunca ter ouvido aos sindicatos esse discurso da divisão entre trabalhadores e desempregados sindicalizados e des-sindicalizados. Apenas ouço comentadores dizerem isso.

      Talvez valha mais a pena lutar sabendo separar a realidade das suas representações publicadas acriticamente acolhidas.

  5. João Madeira diz:

    Completamente de acordo com o RML – até porque não é só a “linguagem” dos PI que é reformista – a consideração de um “precariado”, que objectivamente se opõe ao proletariado ( criando uma lógica de divisão entre trabalhadores com vínculos precários e trabalhadores com vínculos efectivos) tem expressão numa concepção que coloca aos trabalhadores com vínculos precários, a pretexto do combate à precariedade, uma lógica de divisão e de confronto com o movimento sindical, que atinge o eixo essencial da luta contra precariedade: a força da unidade dos trabalhadores e o reforço da organização sindical como organização de todos os trabalhadores. Exemplo concreto desta expressão: a palavra de ordem nos cartazes conjuntamente assinados pelos PI e FERVE, colados massivamente pelas ruas do Porto em vésperas da última greve geral: “falsos recibos verdes – VERDADEIRA exploração! greve geral 24/11” – lá está, remetendo para uma sociedade dividida, fundamentalmente, não entre exploradores e explorados, mas (numa falsa concepção de “privilégios” que a burguesia tanto procura difundir) entre “priveligiados” e “não priveligiados” considerando como “priveligiados” os trabalhadores com vínculos efectivos ao lado do Capital, e do outro lado os trabalhadores precários e os desempregados. Compreendo que seja mais fácil apelar a uma falsa unidade com este ou aquele movimento do que fazer frente à ofensiva ideológica anti-sindical e discutir formas de organização (sem aspas” das camadas intermédias proletarizadas (e que a pós-modernidade cilindrou ideologicamente) que constituem o grosso deste movimentos, como compreendo que seja mais fácil considerar um “precariado” (…tão pós-fukuyama) do que assumir a sua “proletarização” (…tão pré-fukuyama) – até porque isso implicaria reconhecer a existência de um proletariado e, quiçá, de uma luta de classes. Como disse – compreendo; mas não me parece que seja esse o caso (à luz de outros textos do autor), parece-me apenas ingenuidade.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Lamento, mas sem o perceber, é o João Madeira que sai do plano da luta de classes. Repare que se pensa que o “precariado” se opõe ao proletariado, e admitindo que se coloca do lado do proletariado, é o próprio João Madeira que está a construir um outro inimigo de classe.

      • João Madeira diz:

        não percebeu. não é por acaso que coloco “precariado” entre aspas – não considero nenhum “precariado”; considero um proletariado e outras camadas que a evolução da crise do sistema proletarizou ou tende a proletarizar, e com as quais é necessário convergir; e considero, também, uma ofensiva ideológica que não se limita à difusão da resignação, mas também investe na divisão e na desorganização dos trabalhadores (com expressão concreta nas concepções e nos movimentos, que delas se alimentam, atrás referidos).

        • Rocha diz:

          Eu entendo muito bem o João Madeira. A sua perspectiva do marxismo é não ver e não querer ver a realidade do terreno dos trabalhadores porque esta não se adequa à sua leitura do marxismo, da qual recusa mudar uma vírgula que seja.

          Se eu perguntasse a um qualquer trabalhador se um homem acorrentado a trabalhar é um escravo. Um trabalhador, um qualquer português diria que sim.

          Se eu lhe perguntasse se um indivíduo a trabalhar num call center sob um vínculo a recibos verdes é um precário. Um homem comum, um trabalhador, diria que sim.

          Se eu perguntasse se um trabalhador que até está no quadro de uma empresa é um assalariado. Um trabalhador qualquer diria que sim.

          Já o João Madeira teria pouco a dizer, há que evitar a todo o custo reconhecer a realidade indesejada – são só proletários. A unidade dos trabalhadores segundo o seu ponto de vista consegue-se com a simplificação e unificação de tudo num só vocábulo – o proletariado – que infelizmente para todos nós a grande maioria dos trabalhadores ou esquece, ou acha antiquado, ou desconhece, ou ignora.

          São todos explorados é verdade, são todos proletários é verdade. Por isso toca a ignorar os problemas específicos dos trabalhadores, pois todos sabemos que é assim que se promove a unidade dos trabalhadores.

          Há um fenómeno novo, novas formas de precariedade, o que fazer para evitar a divisão dos trabalhadores?
          Nada (como se ela não existisse para além dos desejos dos catedráticos do proletariado), absolutamente nada, equecemos que os problemas existem porque é assim que os trabalhadores vão ficar mais conscientes.

          Desculpe João mas não resisto a perguntar-lhe sabe o que é passar 10 a lutar por arranjar um mísero contrato e nunca passar do recibo verde? Pois eu sei.

          • João Madeira diz:

            Mais do que não perceber, o Rocha deturpa e tenta reduzir o que eu escrevi ao mais esquemático dos maniqueísmos, o que compreendo que lhe dê jeito, do ponto de vista argumentativo, mas que, convenhamos, é pouco sério e não vem acrescentar nada à discussão. Além do mais, reparei que não abordou o papel das estruturas/formas de (des)organização, nem das expressões concretas que assumem e que mencionei, o que também compreendo porque o obrigaria a entrar em contradição – “São todos explorados é verdade, são todos proletários é verdade.” – não, não é verdade – além do mais são os PI e os FERVE que alegam que os falsos recibos-verdes são a VERDADEIRA exploração – reformas e pensões de miséria, rsi’s, trabalhadores que ganham o salário mínimo, demais assalariados e o próprio Rocha – trabalhador a recibo verde – são todos uma cambada de privilegiados, pressupõem-se.
            Ainda sobre as formas de organização, compreendo a perspectiva do Rocha: se a ideologia burguesa dominante induz conceitos excludentes e divisionistas, pois é com os conceitos da burguesia que trabalharemos – é uma perspectiva gestionária e que, de facto, não é a minha; aliás, o cerne do meu primeiro comentário estava aí, na necessidade de não virar a cara ao combate ideológico. Não concebo um “precariado” pelas mesmas razões que não concebo um “colaborador” em lugar de um trabalhador.
            “A unidade dos trabalhadores segundo o seu ponto de vista consegue-se com a simplificação e unificação de tudo num só vocábulo – o proletariado” – compreendo, uma vez mais, o seu recurso, mas é completamente falso. Veja diferenças entre proletariado e camadas proletarizadas, ou proletarização, sugeridas por Sedas Nunes, por exemplo.

        • Vasco diz:

          Investe na divisão, sim. E quem morde o isco? Não serão os movimentos de «precários», que – por preconceito de classe – não querem nada com o movimento sindical?

  6. Rocha diz:

    Preciso citar-lhe o que já sabe que escrevi e o que já sei que leu?
    “a aliança entre diferentes camadas de trabalhadores e outros sectores anti-monopolistas que se expressam naturalmente (e não por qualquer competição) em diferentes movimentos como o sindicalismo, as associações de defesa de direitos, assembleias populares, ocupações, acampadas e em diversos formatos de juventude indignada.”

    Todas as formas de afirmação da luta dos trabalhadores, todas as formas de luta de classes são úteis. A organização e afirmação são a mesma coisa. Há organizações mais permanentes, há organizações mais temporárias, há organizações mais abrangentes, há organizações mais específicas. Todas são importantes.

    E o seu grande argumento é o que leu num cartaz – o tal da verdadeira exploração – como se isso provasse o que quer que fosse. Pois eu já ouvi comunistas, militantes de base, a dizer que beneficiários do RSI são privilegiados, isso quer dizer que os comunistas em geral, como colectivo e como forma de organização subscrevem esta opinião? Sim você compreende que isto é um disparate.

    A desistência do combate ideológico passa por ficar encurralado nestas discussões livrescas que reduzem o combate ideológico à semântica. A desistência do combate ideológico passa por situações como a que eu já vivi num movimento de desempregados que tão depressa foi criado como foi engavetado porque supostamente a prioridade – dentro de um discurso dogmático de certos dirigentes – seria “o trabalho sindical e nas células do partido”, como se houvesse qualquer incompatibilidade entre estas últimas tarefas e a primeira.

    Diferentes movimentos, diferentes organizações ocupam diferentes espaços, diferentes ritmos ou necessidades. Onde a luta não avance com uma forma pode e deve utilizar-se outra. Quando os trabalhadores e camadas anti-monopolistas encontram impasses ou obstáculos aparentemente intransponíveis devem utilizar diferentes formas de luta até derrotar a burguesia, o seu estado e o seu super-estado ou bloco imperialista.

    Vale fazer forums de debate, vale acções simbólicas, vale propaganda por escrito ou por gestos (mais teatral), vale greves, vale ocupações, vale assembleias, vale a indignação, valem estas e outras formas para fazer avançar a luta de classes. O combate ideológico está mais no recurso a todas as armas que temos à mão do que nas grandes discussões semânticas sobre o proletariado.

    • De diz:

      Mais uma vez:
      Um espaço para assinar por baixo

    • João Madeira diz:

      Concordamos em discordar. O Rocha assume que “assembleias populares, ocupações, acampadas e em diversos formatos de juventude indignada.” são expressões naturais de alianças políticas – eu não acho, tão pouco, que sejam expressões “naturais” de protesto, muito menos que promovam qualquer tipo de aliança (em torno de que objectivo e com que consistência? Dou-lhe um exemplo concreto: o apelo à solidariedade interclassista patente no 1.º manifesto da Geração à rasca). Porque não acho que sejam expressões “naturais” ou “livres” de protesto? – Porque não considerando o exercício da liberdade um poder abstractamente incondicionado, considero, que essas expressões são (…não só, mas também) um movimento reflexo condicionado – Porquê? Porque partilho uma concepção de Estado que, não sendo neutro, contempla um aparelho repressivo mas, mais importante, um aparelho ideológico. Concretizo, focando o papel do aparelho ideológico de Estado escolar em relação às expressões que mencionou: pegue em 10 manuais escolares de sociologia, editados nos últimos 10 anos, e aponte quantos contemplam o movimento sindical no capítulo reservado aos “factores de mudança social”, quantos não sugerem o seu anacronismo (e o da luta de classes) e o cariz “burocrático”, em contraposição com os “novos” movimentos sociais, mais “espontâneos” e “informais”?

      “A organização e afirmação são a mesma coisa.” – Não concordo, o movimento, por si só, pode significar afirmação. Ademais a “organização” contraria o reinventado culto da espontaneidade que, pelas expressões que mencionou, grassa.

      “Todas as formas de afirmação da luta dos trabalhadores, todas as formas de luta de classes são úteis.” – Como assumo que considere as “assembleias populares”, as “acampadas”, e as manifestações de “indignados”, “formas de luta de classes”, vou ter que discordar. Considero que há formas de luta estéreis e contraproducentes até; que gritos de revolta contra as “injustiças” do existente se resumem, não raramente, à denúncia poético-idealista de indignações várias, servindo para inviabilizar na prática qualquer esforço real de transformação.

      Por último, se acha mesmo que o meu “grande argumento” é uma palavra de ordem lida num cartaz, porque é que lhe responde e, ainda por cima, com um “diz-que-disse”?

      A discussão não se resume a semântica, ou quem o sugere não investiria nela – os movimentos sociais de cariz gestionário não são excludentes e não entram em competição com o movimento sindical? Aqui como, por exemplo, na Itália? O movimento-dos-movimentos, assente na falácia altermundista, significou o reforço da luta organizada e consequente? Do movimento sindical? O ascenso da consciência (ao menos) social colectiva? Teve tradução política quanto à representatividade parlamentar das forças progressistas?

      • João Madeira diz:

        ainda sobre a consistência e o teor anti-sindical (que nem tem que ter expressão material, está na sua essência, a meu ver) de expressões que mencionou e, do meu ponto de vista, sobrevaloriza: ” (…)Sabemos que para mudar isto temos que lutar nós mesmas/os à margem dos partidos, sindicatos e demais representantes que querem fazê-lo por nós.” – extracto do manifesto da acampada de Coimbra.

      • Rocha diz:

        O João agora faz uma grande misturada. Não defendo o trajecto da Refundação Comunista e dessas teses reformistas do altermundismo, nem pouco nem mais ao menos. Mas o que está em causa não é nada dessa treta dos Forums Sociais, isso está tudo ultrapassado.

        Os movimentos e organizações em causa, de hoje, não se orientam para fazer forums da treta e teses da treta. Aliás isso é completamente oposto às acções de protesto de rua que têm sido feitas em manifestações, ocupações e assembleias.

        Se ressuscita agora o altermudismo (e toda a sua masturbação intelectual) do seu túmulo em que descansava tão pacificamente, utiliza um argumento muito fraco para criticar as últimas acções de massas, que não lhe agradam.

        E não é com esta e aquela frase da acampada de coimbra que vai conseguir encobrir um crescente número de iniciativas tendentes a estabelecer pontes entre o movimento sindical e outras formas de luta já mencionadas.

        Para concluir só posso dizer que lamento que não veja o valor que tem o protesto e a aliança com diversas camadas em luta, quando estes e estas não são convocadas pelo partido ou pelo sindicato.

        Toda a luta de classes teve uma importante participação da acção espontânea, não compreender isso é por exemplo ignorar e desprezar os sovietes da Revolução Russa, negligência que entre marxistas, infelizmente já estou habituado.

        Sim concordamos em discordar. E no entanto creio lutarmos contra os mesmos inimigos. É pena. Assim se criam divisões artificiais.

  7. João Madeira diz:

    De acordo, por fim: Não é com esta ou aquela aquela frase da acampada, não é com esta ou aquela tirada dos PI ou dos Ferve, nem é com este ou aquele inflamado grito proclamado numa assembleia rejeitando capitalismo e comunismo… como disse, são expressões concretas, mas são pormenores, honestas ressonâncias, o ênfase do que escrevi é colocado na génese destes movimentos reflexos extremamente condicionados, de acordo com a minha concepção de liberdade e do seu exercício, que é, parece-me, diferente da sua.

    Na crítica que faço recorro bem mais a Althusser do que a Bertinotti, se estiver atento. Mas, falando em Bertinotti, ao contrário dele, – é verdade – considero que nenhuma transformação do real será possível sem uma organização revolucionária de classe que a dirigida e que não há multiplicidade de micro, pequenos, e médios movimentos que substituam esta última… e o Rocha? acho que reduzir esta concepção, e toda a crítica explanada anteriormente, à desvalorização do protesto, tendo com referencial o mais básico “clubismo” sindical ou partidário, é manifestamente pouco sério.

    Admito que possa ter compreendido mal: quer comparar a “espontaneidade” pré-revolucionária na constituição de sovietes na “Revolução Russa” com a “espontaneidade” “pós-moderna” no 12 de Março?

    O Rocha acha que o altermundismo jaz, eu acho que o revisionismo vive – é só mais uma diferença de opinião.
    Lido bem com diferen̤as de opinịo, quando assentes em discusṣos s̩ria e intelectualmente honesta, mas, sobretudo, sou avesso a unanimismos, esses sim Рartificiais.

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