TRÊS CARTAS ARMADILHADAS (nos últimos dias) são mais eficazes do que DEZ POSTS (ou seja: depois da cimeira de Bruxelas que entreteceu o fascismo nacional alemão com o fascismo económico, AINDA SERÁ POSSÍVEL ESCREVER POSTS?? PARA QUÊ??)

É claro que eu estou a glosar a declaração ou statement de Theodor Adorno de 1949, quando escreveu não ser mais possível escrever poesia depois de Auschwitz. De seguida, releia-se o Capítulo III (ponto 1), da Terceira Parte de Negative Dialektik, de 1966. Fulminante Adorno, que não viveu até aqui, mas poderia estar a pensar na última cimeira de Bruxelas.

Já lá iremos.

Pedindo emprestado conceitos ao meu amigo A.V., repetiria que agora, findo o mundo das escolhas – comunismo ou liberalismo (sempre ilegal e selvagem, nunca com “rosto humano”) – resta-nos o mundo dos fascismos: o económico, sempre apoiado na democracia (agora, mas não em 1973!), da Alemanha à Líbia, passando pelo Iraque, fazendo historicamente a sua trajectória do Chile de Pinochet ao Portugal de Vítor Gaspar; o fascismo nacional, triunfante na última cimeira de Bruxelas, aquela do défice ZERO (repito, “0” ou 0,5%, o que é a mesma coisa, ou ainda do défice orçamental 3% para as nações com menos de 60% de dívida em relação ao PIB, como se sabe); fascismo nacional, porque a Alemanha impôs o que nunca cumpriu, ou raramente cumpriu, fascismo nacional porque há um país que decide da justeza de punir outros – a propósito: em que vão constar as punições?? Olhar para o retrato de Merkel, dormir com Merkel?………..

Ora, sem comunismo, nem “social-democracia” (o tal abstruso “capitalismo de rosto humano”), nem liberalismo, entramos na era do fascismo GLOBAL: como disse, económico e nacional (e também religioso).

E nunca como agora pude estar numa situação pronta a simpatizar com o bandidismo inglês que, a pretexto de proteger os offshores do Império britânico  e os especuladores da City, decidiu sair fora disto!! Pois muito bem feito, precisamente porque demonstraram ao verme alemão e ao anão francês que NÃO há “capitalismo legal”. Logo, toca a defender a City e toca de abandonar os teóricos do “capitalismo legal”. Pelo menos, no capitalismo, que nunca será “legal” nem humano, a Alemanha não reinará sozinha!

Magnífico Adorno, dizia eu há pouco:

A perpetuação do sofrimento tem tanto direito a expressar-se como o torturado tem de gritar; daí que quiçá tenha sido falso ter dito que depois de Auschwitz não mais se poderiam escrever poemas. Mas o que, diferentemente, não é falso é a questão menos cultural sobre se se pode viver depois de Auschwitz [ou depois de  Bruxelas-Merkl traduzo/actualizo eu].

Ora curtam, estetas do fascismo económico, curtam……

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