Elogio aos funcionários públicos

Hoje, ouvi Victor Gaspar elogiar os funcionários publicos. Foi um elogio assim, a modo, que um pouco bizarro,tratava-se de um agradecimento pelos sacrificios que estes estariam a aguentar “sem pensar nos seus direitos” sem se terem tornado num bando de incompetentes.

Conheço alguns funcionários publicos, conheço alguns e dentro daqueles que eu conheço, não me lembro de nenhum que coloque a sua anuência às politicas do governo como condição sine qua non para exercer a sua função com brio e profissionalismo. Por isso, achei o elogio do Ministro como algo estranho, bizarro.

Mais que bizarro, perigoso. Muito perigoso e ofensivo para a massa enorme de trabalhadores (cantoneiros, operários, médicos, professores, militares, etc) que independentemente da sua posição e posicionamento politico cumprem com brio e profissionalismo as funções que lhe são designadas. Não são comissários políticos, se era o que esperava Victor Gaspar e eram competentes muito antes de Gaspar estar na pasta das finanças e continuarão a ser competentes depois de Gaspar ir embora.

Não, sr. ministro. A honradez com que centenas de milhares de portugueses trabalham para o bem comum não está dependente da sua aprovação, do seu beneplácito. E não, não quer dizer que “não pensem nos seus direitos”. Muito pelo contrário. Os funcionáros publicos merecem o elogio de todos porque apesar de si, apesar dos ataques do seu governo, eles continuam. Os funcionários publicos merecem o nosso elogio porque foram e são usados, de forma directa e indirecta, no jogo politiqueiro do empurra de responsabilidades entre os partidos do arco da governação, com uma profunda ostracização e culpabilização consciente por pessoas como o senhor e os seus pares. Os funcionários publicos merecem o nosso elogio porque apesar de receberem horas extraordinárias com atraso, de verem os seus salários reduzidos e os seus subsídios de Natal e férias roubados, apesar de verem de dia para dia as suas condições de trabalho degradarem-se para niveis terceiro-mundistas e serem o bode expiatório da sua incompetência e da incompetência dos três partidos que o suportam, eles conseguem fazer andar o país para a frente.

Sr. Ministro, espere por dia 24 e terá um estrondoso e ruidoso “DE NADA” e depois logo dirá  quem é que não pensa nos seus direitos…

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