O capitalismo é uma relação de expropriação e mercadorização da vida social

Numa colectânea de ensaios de grande valor – “The making of a cybertariat” – a investigadora britânica Ursula Huws desenvolveu uma análise muito instigante dos processos de transformação de variadas actividades domésticas em mercadorias portadoras de valor. «No século XX podem-se ver exemplos disto no desenvolvimento de indústrias como a rádio, a televisão, discográfica; comida congelada e outras formas de comida de conveniência; máquinas de lavar, frigoríficos e outras aplicações de electrodomésticos; cosméticos; drogaria; detergentes e outros químicos». Para a autora, todos estes ramos industriais têm como denominador comum o facto de «todos eles virem do trabalho doméstico». Especificando, «as mercadorias produzidas por esses sectores da economia substituíram actividades executadas no espaço doméstico nas gerações anteriores: cantando, ler em voz alta, tocar piano, geralmente assegurando entretenimento à família, preparando e preservando comida, tratamento no caso de enfermidade, faxina e limpeza». Ursula Huws (2003) – The making of a cybertariat. New York: Monthly Review Press, p.26

Ursula Huws, professora na London Metropolitan University, participará no seminário científico subordinado ao tema “Classe, valor e conflito social” no próximo dia 28 de Novembro na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

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2 respostas a O capitalismo é uma relação de expropriação e mercadorização da vida social

  1. Gentleman diz:

    «as mercadorias produzidas por esses sectores da economia substituíram actividades executadas no espaço doméstico nas gerações anteriores: cantando, ler em voz alta, tocar piano, geralmente assegurando entretenimento à família, preparando e preservando comida, tratamento no caso de enfermidade, faxina e limpeza»

    Deixa cá ver se entendo… As “mercadorias”, isto é os electrodomésticos, não vieram aliviar o trabalho doméstico. Vieram “substituir” actividades de lazer como cantar, ler em voz alta, tocar piano. Isto não faz o mínimo de sentido…

    • João Valente Aguiar diz:

      se quiser e puder apareça então no dia 28 de novembro na FCSH da Nova de Lisboa e coloque essas questões à autora.

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