IAC – Não se pode auditar uma dívida sem se suspender o seu pagamento porque não se pode derrotar os agiotas em unidade com os caloteiros e porque não se pode demonstrar a democracia sem se ter democracia. Em suma, com o PS a esquerda não avança e a esquerda já devia saber disso.

Ana Benavente, aqui com João Soares.

A Iniciativa Auditoria Cidadã (IAC) é a mais recente prova disso. Não se ganha o retrato da Ana Benavente sem contrapartidas e as que a IAC está a assumir, em nome de uma unidade sem princípios com o PS, liquidam a sua seriedade. Sem questionar as boas intenções da iniciativa – auditar as contas da dívida – uma primeira leitura dos seus documentos deixam perceber algumas contradições. Vejamos:

Dizem querer “identificar parcelas ilegítimas da dívida pública”, não vendo que assim assumem que há uma parte da dívida que nos diz respeito, legitimando-a antes mesmo de serem abertos os livros de contas. Dizem que “o corolário lógico de uma auditoria cidadã” é “uma reestruturação da dívida”, optando por não ver que ao contrário do que afirmam a renegociação dos termos será sempre feita pelos “credores”, com os resultados que conhecemos ainda há tão pouco tempo, na vizinha Grécia. Em suma, mais manifesto menos manifesto e face ao intervalo de intervenção que definiram, o mais certo é os companheiros da IAC conseguirem dar legitimidade a um negócio que só interessa aos verdadeiros caloteiros.

Para haver “rigor e precisão na detecção de dívida legítima, ilegítima, insustentável ou odiosa” esta não pode ser feita ombro a ombro com uma parte significativa dos representantes políticos dos patrões. Conceber que a auditoria sem o recurso à suspensão do pagamento da dívida pode abrir uma saída para a “crise” é como ir ao hospital e ficar contente apenas com o diagnóstico. A cura não é um juízo moral, um processo de intenções ou a repetição do caminho que provocou a doença. Recuperando uma ideia do Eric Toussaint, o tempo é de escolher entre “a dívida ou a vida”.

Off topic: A avaliar pela rapidez com que o Ricardo Santos Pinto replicou o formato das mentiras do Sócrates, a ver quanto tempo teremos que esperar pelo top dos tempos modernos. Ainda assim, o PS, em materia de calote, não leva mesmo lições de ninguém.

 

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