Representantes do povo?

Por breves momentos, ignoremos os motivos do tão súbito quanto efémero interesse de Papandreou em devolver a palavra ao povo e a vergonhosa retaliação dos donos da Europa.
Uma das coisas mais impressionantes dos últimos dias foram as reacções dos principais actores políticos gregos perante a hipótese de referendo. Boa parte dos deputados da maioria governamental não hesitaram em retirar o tapete ao seu líder, deixando claro que a sua acção política não se enraíza no desejo de representação do povo, nem mesmo, na solidariedade partidária. Ao mínimo espirro dos mercados, os seus zelosos representantes, procuraram evitar a constipação dos interesses financeiros, ainda que sobre o cadáver do povo. Liderados pela sinistra figura do actual ministro das finanças – indivíduo com um historial político pouco recomendável no que toca a defesa do interesse público – promoveram um autêntico levantamento de rancho contra a auscultação popular.
No momento em que o PS anuncia o seu apoio ao OE2012, cobardemente encavalitado numa abstenção, há que perceber que esta decisão também não é motivada pelo “superior interesse nacional” ou pelo desejo de representação do povo. Não é demais repetir que todos os estudos de opinião realizados revelam que uma esmagadora maioria da população está contra a operação de sangramento da economia em curso. É bom que não nos esqueçamos desta abstenção quando ouvirmos discursos vagos sobre a aproximação do eleito ao eleitor ou quando pulularem, em ambiente pré-eleitoral, discursos indignados contra a referida terapia medieval.
Isto, claro, se os mercados ainda não tiverem proibido toda e qualquer eleição em países sob intervenção externa.

Ontem no i

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