Hora de Brincar

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Ali para os lados do Conde Barão já dois prédios arderam e um está em vias de ruir. Como os baixos salários não pagam as rendas, entre outras razões, vamos assistindo a esta cidade decrépita que em vez de ver os seus prédios recuperados, têm uma fita de segurança à volta. No Conde Barão a ruína á mais grave e selaram uma rua – não entram nem saem carros. Eis quando reparei, das várias vezes que lá passei que das ruínas brotam agora crianças como cogumelos, que indiferentes à possibilidade de lhes cair um tijolo na cabeça, andam de bicicleta e skate rua acima rua abaixo. Da crise nasce a oportunidade. Quem vocifera sobre a paranóia de pais de filhos únicos neste fim de século devia pensar que a ela junta-se este facto indiscutível – crianças e carros não são nem nunca serão compatíveis e se permitimos que em cada descampado por trás de um prédio nasça um parque de estacionamento, que o limite normal de velocidade dentro de uma bairro seja 50 km teremos necessariamente miúdos presos em casa, com a cabeça partida, não por um tijolo, mas por horas infindáveis de televisão e computadores, e que não sabem a felicidade que é chegar a casa suado, depois de 5 horas a brincar e beber 1 litro de leite do pacote!

PS: Para quem não estiver convencido que o melhor que se pode dar a uma criança é um bom par de amigos, entretenha-se, como eu fiz, na internet a procurar artigos científicos sobre os efeitos da televisão nas crianças e verá que obesidade é um entre uma lista assustadora, que inclui, de acordo com a insuspeita Associação de Pediatras Americanos, hiperactividade (a sucessão de imagens rápidas e barulho tem um efeito parecido com tomar drogas estimulantes) reduz a concentração na escola, pesadelos e terrores nocturnos e por aí fora.

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