Seguro patético

António José Seguro é a figura mais patética com que o Partido Socialista já castigou o país. Ao pé de si, o Tino de Rans seria um bom líder da oposição. Plástico, inócuo, vazio, tudo em Seguro é um doloroso conjunto de lugares comuns, de banalidades, de coisa nenhuma. Seguro é um som que se suprime, um eco mudo. Se Seguro fosse maleita bastaria para a resolver um leve chá de lúcia-lima, um passeio à beira-mar ou meia hora ao sol a absorver vitamina. Mas Seguro nem capaz é de ser capaz. Seguro é inseguro, inoperante e devia saber que chegou ao topo da carreira. Deve mais à sorte do que ao talento mas poucos dotados de sentido lhe invejam o caminho. Seguro não fala, junta palavras trémulas ditas sempre sem réstia de convicção. Seguro não surpreende, dirá sempre o que sabemos e o que todos já estavam à espera. Passará pela política sem deixar uma ideia e abandonará a liderança do PS sem qualquer amargura, esperando que a sua alma serena seja premiada por António Costa ou qualquer outro que lhe reserve um lugar na carruagem dos fundos no próximo turno. Qual espantalho, Seguro sabe que o seu mandato é fugaz, pelo que fica contente com as suas duas estações de braços ao vento, queixo caído e pernas à banda, a servir mais para o pouso e o aconchego dos pardais do que para o seu medo e a sua fuga. Face à austeridade que norteia o governo PSD-PP, Seguro é o seu melhor aliado e a garantia de que tudo continuará a ser como dantes. Seguro é o governo de unidade nacional mas sem unidade, nem governo, nem opinião. A única coisa que Seguro segura é o pote do Passos Coelho. Entrou quase em silêncio e sairá sem qualquer murmúrio. Nunca será primeiro-ministro e ele, sempre notável, parece ser o único que ainda não percebeu isso.

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