Eu bem sei…

… que o director do heroico (sem aspas) semanário em causa não é lá dessas coisas de leituras teóricas nem de culturas gerais, ou em geral – mesmo se (como a stripper da anedota) tem a inquestionável vantagem de afixar 37 anos de partido.

Eu bem sei que os tempos estão difíceis, que se tem que fazer pão com a farinha que há, que quem não tem cão caça com gato, e esses lugares-comuns todos.

Mas confesso que, ao ler coisas como esta, no sítio em que foi publicada, não me sai da cabeça uma frase várias vezes ouvida a um velho amigo da margem esquerda do Guadiana, em relação a casos bem menos graves.

Dizia ele, com o seu charmoso e carregado sotaque: «Meu rico partidinho!…»

 

PS: para os mais distraídos, lembro que os “Protocolos dos Sábios do Sião” são um documento forjado nos últimos anos do século XIX pela polícia secreta do czar Nicolau II, enquanto suposta acta e “prova” de um projecto de conspiração judaica e maçónica para dominar o mundo. Foi usado como justificação para repressão política e anti-semita, desde essa altura até ao “Mein Kampf”, de Hitler.

 

PS2: Perante a pressão, a cada 3 minutos que passam, de dois galhardos comentadores, não posso senão retratar-me do 1º parágrafo deste post.

Afinal, o director do jornal em questão é um brilhantíssimo intelectual e romancista de longínqua origem operária (uma suplementar e inquestionável prova de excelência), profundíssimo conhecedor e exegeta dos escritos de Marx, Lenin e etc., e o homem mais culto que conheci em dias da minha vida, particularmente no que à história contemporânea diz respeito.

O aspecto desconfortável desta tardia reposição de justiça é que, a ser assim, a publicação do artigo em causa não se pode ter devido, obviamente, a ignorância ou distração. A ser assim, o director do jornal concordará com o texto de forma consciente e eruditamente informada, aprovando politicamente o conteúdo e as “fontes” em que se baseia. Chatice…

 

PS 3: Agora a falar a sério, a leitura deste post deve ser complementada pela deste outro.

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