Rui Tavares, Miguel Portas e Marisa Matias, as mulheres líbias agradecem!

Hoje, sai a notícia de que Kadafi pode ter sido sodomizado antes da execução. O presidente do Conselho Nacional de Transição rejeita qualquer investigação internacional e classifica-a como uma provocação. Uma organização de direitos humanos, daquelas que costumam atacar tudo o que cheire a socialismo, encontrou 53 cadáveres de simpatizantes pró-Kadafi num hotel em Sirte. E o novo regime anuncia que a sharia vai ser uma das bases do novo sistema legal. Tudo cheira a podre na mais recente colónia do imperialismo.

Quando ouço o silêncio envergonhado dos que, à esquerda, abriram o caminho a esta barbárie, lembro-me de quando abri as hostilidades, neste blogue, em Março, contra a aprovação no Parlamento Europeu da resolução sobre a Líbia. O Renato Teixeira juntou-se à denúncia e vários dirigentes e os eurodeputados do Bloco de Esquerda tiveram de responder à indignação que se gerou. Em ziguezague, tentaram lavar a imagem de uma posição indefensável.

Rui Tavares, então eurodeputado independente do Bloco de Esquerda, tinha aprovado toda a resolução e não teve qualquer pudor em defender a intervenção da NATO. Numa declaração conjunta, Miguel Portas e Marisa Matias tentaram aligeirar o papel do Bloco de Esquerda na construção da resolução: “existia uma razoável maioria no Parlamento Europeu para aprovar uma moção intervencionista a menos de 24 horas de um Conselho Europeu que iria decidir sobre o assunto (…) em face da concreta relação de forças na mesa de negociação, ou a esquerda se desinteressava do assunto – e o resultado mais do que provável seria um parágrafo imposto pelas forças mais à direita, neste caso com apoio dos verdes – ou procurava segurar e melhorar a versão proposta pelos socialistas”.

Na altura, escrevi isto: Esta negociação, como descrevem, implicava aprovarem na generalidade a resolução, a par da maioria de direita no Parlamento Europeu. Como contrapartida, ganharam um rebuçado: votar à parte o parágrafo que continha aquilo que os eurodeputados do BE consideravam uma vitória, dentro das circunstâncias, dando assim possibilidade à esquerda de votar contra. Contra aquilo que o BE considerava uma vitória? Sim, isso mesmo. Confuso? Talvez, mas Miguel Portas e Marisa Matias explicam que “com esta salvaguarda, a esquerda podia deixar bem clara a sua oposição à possibilidade de uma zona de exclusão aérea. (…) E foi porque o fizemos que pudemos, simultaneamente, dar um voto favorável a uma resolução que condicionava fortemente a possibilidade de uma medida desta natureza”.

Hoje, está mais do que claro que a postura dos eurodeputados do Bloco de Esquerda, ingénua ou não, foi errada. Serviu os interesses do imperialismo e abriu caminho a esta Líbia que já pensa em aprovar leis que retiram direitos às mulheres. Como no Afeganistão, onde as mulheres podem agradecer calorosamente os que, à esquerda, condenaram a intervenção da União Soviética a pedido do governo progressista e as lançaram para o abismo medieval em que vivem. Fica a pergunta: porque é que se abre caminho à entrada de forças militares estrangeiras na Líbia contra a vontade de um governo que preservava os direitos das mulheres e se condena a entrada de forças militares estrangeiras no Afeganistão a pedido de um governo que preservava os direitos das mulheres?

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167 respostas a Rui Tavares, Miguel Portas e Marisa Matias, as mulheres líbias agradecem!

  1. JMM diz:

    são claramente perguntas para as quais já tens (temos!!) as respostas.

  2. Vasco diz:

    É assim a social-democracia esquerdizante. Muito palavreado bonito para, no fim, abrir caminho à barbárie capitalista e imperialista. Assim foi na Jugoslávia também, lembram-se?

    • José diz:

      Na Jugoslávia cujas nações constituintes quiseram tornarem-se independentes?
      Os bascos podem tornarem-se independentes, os croatas não?

      • Nuno Rodrigues diz:

        A questão é, os croatas queriam.se tornar independentes? Ainda um dia destes tive num bar na Eslovénia, com uma foto do tito, em pleno centro de Ljubliana” Cheinho de jovens! Se calhar…há aí alguma coisa de errado.

        • José diz:

          Hmmm… excelente pergunta.
          E num óptimo contexto, o que escolheu.
          A Eslovénia foi a primeira a ganhar independência, com a população a pegar a em armas e a expulsar os militares do exército, maioritariamente constituído por jugoslavos de etnia sérvia.
          Os croatas não quiseram a independência e não lutaram durante anos pela mesma. Foi tudo um sonho mau.
          Há mesmo alguma coisa de errado, Nuno.

  3. RS diz:

    Resta acrescentar que, no caso do Afeganistão, a então URSS partilhava fronteiras com um território onde, pelo menos 6 meses antes do início da intervenção, havia claros indícios de apoio militar e financeiro da CIA aos chamados “Mujahideen”.

    A propósito do Afeganistão recordo esta foto, com a legenda que a torna ainda mais clara:
    http://www.bartcop.com/reagan-taliban.jpg

  4. paulo diz:

    bruno
    qual alternativa?
    é isso que não entendo parece que para o pcp era preferivel manter o kadafi no poder

    • José António Jardim diz:

      O que tem a ver o PCP com o Kadafy?
      O PCP respeita a soberania dos POVOS,e não apoia qualquer invasão de nenhum País por alianças bélicas e terroristas como é a nato.
      Os resultados estão á vista;milhares de mortes entre a população civil,e o roubo das máterias primas incluindo o petróleo e o gás Libio.
      Arrepia-me o conceito de democracia desta esquerda moderna tipo “caviar beluga” alojada numa coisa que se chama be.

      • José diz:

        Sim, se fosse o Pacto de Varsóvia, essa aliança de Estados amantes da paz, aí não há problemas, agora da Nato, nunca!
        Hungria, Checoslováquia ou Afeganistão, sim!
        Líbia (não invadida), não!

        • José António Jardim diz:

          O que é isso do “Pacto de Varsóvia”?Existe?Existiu?E se existiu quantos paises invadiu ou bombardeou,afim de lhes roubar as matérias primas?

        • Leo diz:

          “Hungria, Checoslováquia ou Afeganistão, sim!” ???? O Pacto de Varsóvia no Afeganistão? Porque carga de água? Não, não houve nenhuma participação do Pacto de Varsóvia no Afeganistão.

          Agora na Hungria e Checoslováquia com certeza, ambos eram membros do Pacto de Varsóvia e os seus governos legítimos pediram apoio. Mas nunca nenhum avião do Pacto de Varsóvia sequer entrou em acção bombardeando fosse o que fosse quer na Hungria quer na Checoslováquia, muito menos civis.

          Quanto à Líbia foram lá despejadas mais de 40.000 bombas pelos aviões da NATO. Repito, mais de 40.000 bombas das mais letais e potentes. E o legítimo poder do país nunca tal coisa solicitou. E o pior é que a NATO continua a despejar bombas e mísseis sobre a Líbia. Não há maneira de travar esta carnificina.

          • Rivera diz:

            Nenhum governo legítimo checo ou hungaro pediu a intervenção do Pacto de Varsóvia, Budapeste foi atacada com tanques com imensas vitimas civis. Mas a questão não é a Sharia? Para mim qualquer governo que queira impor a Sharia deve ser combatido e não tolerado. Sistemas de leis religiosas só no Vaticano e em Meca, por razões históricas e ponto final.

          • José diz:

            Leo, na sua ânsia, treslê o que escrevo. Veja lá se escrevi que o Afeganistão foi invadido pelo Pacto de Varsóvia…
            Os governos legítimos da Hungria e da Checoslováquia não pediram apoio e não pediram qualquer invasão.
            http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/dates/stories/november/4/newsid_2739000/2739039.stm
            Como vê, também não tem razão: houve bombardeamentos em 1956 na Hungria, em Budapeste.
            Em ambos os casos, os tanques entraram e milhares de mortos, feridos, presos, torturados, perseguidos, exilados depois saíram.
            O que se passa na Líbia é feio, é uma guerra civil, com cobertura a uma das partes por forças internacionais.
            Nas guerras civis mata-se e morre-se, tantas vezes de forma mais cruel do que numa guerra convencional, e a Líbia não é excepção.
            O assassinato do Kadahfi foi isso mesmo: um assassinato, a que acresceu as circunstâncias de exposição pública e das sevícias que sofreu.
            Faz-me lembrar o assassinato de Mussolini e da sua amante: ambos presos por guerrilheiros, ambos fustigados por forças internacionais, ambos seviciados, mortos e expostos publicamente.
            Não me regozijo pela morte de quem quer que seja e, menos ainda, por assassinatos nas circunstâncias como as de Kadahfi (e Mussolini).
            Mas, da mesma forma que Mussolini morto daquela maneira não passou a herói, também Kadahfi assassinado naquelas ciscunstâncias não se transforma num heróico resistente, num bondoso governante, num democrata impecável.
            Finalmente, os eurodeputados que votaram a favor da intervenção na Líbia têm tanta responsabilidade pelo que sucedeu ao Kadahfi, quanto Estaline tinha responsabilidade pelas múltiplas violações perpetradas pelos soldados soviéticos na Alemanha, nos últimos dias da 2ª Guerra Mundial, isto é, nenhuma.

          • De diz:

            Continua a lembrança com Mussolini.Para alguns.
            Já o disse.A comparação entre os dois casos é paradigmática da forma de “pensar” e da formatação ideológica.Mas também é um pouco mais que isso.
            Apontar um traidor à Itália e ao seu povo como um resistente às forças internacionais é o mesmo que dizer que um que “deu” à Alemanha uma parte de territórios italianos,que permitiu que cidadãos italianos fossem expulsos do seu país ocupado para dar lugar ao novo dono,que autorizou que o seu governo tivesse ministros nomeados por Hitler, é um bom patriota.As coisas começam assim a ser “tremidas”
            Mas há mais.
            Apontar como “fustigado pelas forças internacionais”, um que chefiou tropas de assalto a outros países,contribuindo para a invasão e a guerra,para a mortandade e para o espalhar do monstro bélico, é próprio de alguém que quer apagar da História os responsáveis pelo maior conflito guerreiro até então.Mussolini.Co-responsável pela guerra,teria que ser irremediavelmente alvo dos exércitos dos povos estrangeiros que agrediu (Kadafi parece que “agrediu” com fundos para as eleições de alguns políticos ocidentais,hoje claramente identificados como pulhas)
            Mas há mais.Na ânsia “perversa” de se tentar apagar as coisas,dizer que a atitude de Kadafi,ao optar por resistir ao invasor na sua pátria,não aceitando as inúmeras ofertas de refugio internacional, não tem algo de heróico é de uma boçalidade que faz jus a quem o diz.
            Sobra a desonestidade quando na mesma onda em que se nega a heroicidade do feito, se juntam qualificativos que nunca foram afirmados, como o”bondoso governante ou democrata impecável”.Misturas no mínimo pouco honestas…mas enfim.
            A absolvição dos travestidos que se conluiaram com o império, vai na mesma onda do atrás exposto.Permite consolidar mais o que foi dito.
            É que nem sequer a passagem do tempo permitiu a alguns,o ajustar de contas com a própria consciência ou com a lição acusadora dos factos
            Demasiado cobardes para tal?
            ou as coisas ainda são piores do que parecem ser?

    • Vasco diz:

      Parece-me óbvio que arrasar um país à bombaça e armar uns «rebeldes» para sacar o petróleo em condições favoráveis não é solução. Concordamos nisso? Quanto ao Kadafi não era pior do que muitos outros que por aí andam e que continuam no poder apenas porque cedem aos EUA o que eles querem e muito mais. A questão é esta – o Kadafi ser bom ou ser mau nunca foi a questão por detrás de mais uma agressão militar da NATO e dos EUA.

    • Leo diz:

      Ontem, passando os olhos pelos media descobri:

      Os de Misrata continuam a expor como troféus de guerra alguns cadáveres num armazém-frigorífico local.
      Os de Bengazi aplaudiram o anúncio do regresso da poligamia no evento da “libertação”.
      Em Tripoli, segundo a BBC, comemoraram tal evento sacrificando dois camelos levados numa pick-up truck na Praça dos “mártires”.
      E em Sirte, segundo a CNN, encontraram os corpos de 53 apoiantes de Ghadafi “executados com tiros na cabeça e as mãos atadas atrás das costas” num hotel controlado pelas brigadas de Misrata.

      Tudo muito século XXI, mas século XXI Antes de Cristo.
      Um pouco à imagem e semelhança dessa lamentável votação no PE. E repito parte do meu comentário desse texto de Março do Bruno: Obviamente que os três votaram da mesma maneira que votaram Nuno Melo, José Manuel Fernandes, Elisa Ferreira, Regina Bastos, Mário David, Maria da Graça Carvalho, Diogo Feio, Carlos Coelho, Ana Gomes, Edite Estrela, Nuno Teixeira, Vital Moreira, Luís Paulo Alves e Paulo Rangel e assim formaram a maioria do país tendo todos tidos a classificação de “leal à maioria do país”. Ao contrário destes seus colegas que também obtiveram a classificação de “leal à atitude do grupo”, Rui Tavares, Marisa Matias e Miguel Portas tiveram a classificação de “rebelde à atitude do grupo.

      Os únicos que tiveram a honrosa classificação de “leal à atitude do grupo” e “rebelde à maioria do país” foram apenas Ilda Figueiredo e João Ferreira.

    • Miguel Lopes diz:

      “parece que para o pcp era preferivel manter o kadafi no poder”

      Sim, é isso mesmo. É preferível manter a Jamahiriya.

      • José diz:

        E porque é que é preferível para o PCP manter uma ditadura na Líbia a ouvir a voz do povo?

        • Miguel Lopes diz:

          A Jamahiriya não é uma ditadura e compreende um sistema de democracia mais directa que a nossa, exactamente para ouvir o povo.

        • Leo diz:

          Chama a mais de 7 meses de bombardeamentos da NATO “ouvir o povo”? Nem reparou no disparate que escreveu, José?

          • José diz:

            Não, Leo, não reparei no disparate que escrevi, mas reparei no disparate manipulador que você escreveu, quando me atribui aquilo que eu não escrevi.

      • De diz:

        Obrigado por ter publicado por escrito os nomes dos envolvidos na votação.
        É preciso dar o nome aos bois.
        Aos obscenos e aos cúmplices

  5. Pingback: Auto-punição |

  6. Leo diz:

    “Hoje, está mais do que claro que a postura dos eurodeputados do Bloco de Esquerda, ingénua ou não, foi errada. Serviu os interesses do imperialismo e abriu caminho a esta Líbia que já pensa em aprovar leis que retiram direitos às mulheres. ”

    Essa postura esteve errada desde o princípio. E quem quer saber o que se passou – e continua a passar – por lá sabe que a NATO já despejou mais de 40.000 bombas sobre o país! E continua a despejar bombas de todo o tipo sobre Sirte e Bani Walid.

    E quem conhece minimamente as leis internacionais sabe que esta incrível agressão por parte da NATO sobre um país soberano e independente violou todos os códigos: Declaração Universal dos Direitos do Homem, Convenções de Genebra, Carta da ONU.

  7. Helena Borges diz:

    São tão ingénuos, mas tão ingénuos…

  8. Ouvi a notícia (da TSF) no carro; “cadáveres (será que ouvi 65?) encontrados num hotel com as mãos amarradas”. fui do trabalho almoçar a casa e estive atento à TV, o enviado especial (um tal Dentinho) falava da “liberdade do directo”, cadáveres nicles.

    Sobre a Sharia noticiada agora, já tem meses, acho que referi isso num dos meus posts no “oclarinet”, onde desde Março (quando o iniciei, e noutro blogue em Fevereiro) tenho várias publicações sobre a guerra da Líbia.

    A Sharia é o Estado de Direito a que a nova “democracia” líbia tem direito, basta ver a indumentária das mulheres que agora se manifestam para imaginar o futuro, um retrocesso civilizacional sem comparação. Não será só aí.

    Sobre as posições das “esquerdas” também me prenunciei a seu tempo, não assisti à discussão porque nem tenho tempo para fazer um postito diário, não há autocritica, apenas se diz que as pessoas não perceberam. É verdade não perceberam.

    Um abraço, do desalinhado mas não amarrotado (político) C.Mesquita

  9. GreenMan diz:

    Se a democracia expressa a vontade do povo, se esse povo eleger pessoas que querem implementar a tal Sharia, e deixar entrar os tais imperialistas, pode-se afirmar que há povos que ainda não compreendem o que é a democracia e logo não devem expressar a sua opinião?

    • Miguel Lopes diz:

      “Se a democracia expressa a vontade do povo, se esse povo eleger pessoas que querem implementar a tal Sharia”

      Onde é que o povo elegeu pessoas que querem implementar a Sharia?
      Se o povo quisesse a Sharia, já a tinha aprovado no Congresso Geral do Povo.

      • José diz:

        Evidentemente que sim!
        Mas quem não percebeu que o Congresso Geral do Povo era uma verdadeira casa da democracia?!
        Sim, para além do povo líbio, esses ingratos, praticamente toda a gente que interessa sabia que a Líbia era uma democracia!

        • Miguel Lopes diz:

          “Mas quem não percebeu que o Congresso Geral do Povo era uma verdadeira casa da democracia?!”

          Prove-me o contrário.

          • José diz:

            Eu, Miguel?!
            Mas não leu?
            É evidente que só posso concordar consigo e com as suas provas irrefutáveis de que o Congresso Geral do Povo era uma verdadeira democracia, a Líbia uma democracia exemplar, melhor do que qualquer sistema político europeu decadente, e que o Kadahfi, não possuía qualquer poder, tinha apenas uma posição decorativa em todo o sistema político líbio!
            Afinal, não isso que você defende?

          • Miguel Lopes diz:

            O José pode retorcer-se como quiser nesse tom sardónico, mas é exactamente isso que diz.
            Faça a sua própria pesquisa, fale com líbios, leia mais, e chegará à conclusão que o Congresso Geral do Povo é um órgão democrático e mandatado pelo povo líbio que se organiza nos conselhos populares de base.
            O resto é propaganda que você engoliu.

          • José diz:

            “Congresso Geral do Povo é um órgão democrático e mandatado pelo povo líbio”
            Nem mais!
            E o desgraçado do povo líbio, esse ingrato, não soube reconhecer todos os enormes méritos da brilhante democracia onde viviam e rebelou-se!
            Que ingratidão!

    • Leo diz:

      “se esse povo eleger pessoas que querem implementar a tal Sharia”

      Pois aqui é que a porca torce o rabo, pois nenhum líbio elegeu quem ontem proclamou a sharia e a poligamia.

      E tal como eu nenhum cidadão deste mundo minimamente atento se apercebeu de nos últimos 8 meses o povo líbio ter sido chamado a expressar-se nas urnas de votos fosse sobre o que fosse.

      Em contrapartida eu – e com certeza muita gente – apercebi-me de os líbios se terem manifestado aos milhões em praças e ruas pela continuação da sua legítima Jamahiriya. Obviamente que essas manifestações não passaram nas televisões ocidentais mas que se realizaram, realizaram.

      De qualquer modo através da sua Jamahiriya, eleições era coisa que não faltavam aos líbios. Só eleitos directos tinham cerca de 600.000.

      • De diz:

        Leo:
        Na mouche.
        Um abraço

      • João diz:

        ora porra, nesse caso ganham as eleições que se seguem.

        • Miguel Lopes diz:

          João, o mesmo discurso cínico podia ser dito aos rebeldes.
          Se querem uma mudança de rumo político, têm os canais democráticos e institucionais da Jamahiriya para o fazer, e apenas têm de conquistar a maioria da população nos conselhos populares de base. Aí submetem a candidatura de Abdul Jalil a Secretário-Geral do Congresso, que depois é votada por todos os mandatários.

          Dúvidas?

          • José diz:

            Dúvidas… sim.
            Com tanta democracia, o que correu mal?
            Porque é que os líbios se rebelaram?
            Porque é não puderam constituir partidos políticos que fizessem passar a sua mensagem nos conselhos populares de base?
            Porque é que as rebeliões tunisinas, egípcias, iemenitas e no Bahrein são boas e as rebeliões líbias e sírias são más?

          • Leo diz:

            “Com tanta democracia, o que correu mal?”

            Nem percebeu ainda que o jogo na Líbia e na Síria é exactamente igual ao jogo em Cuba?

            Se não sabe eu explico-lhe: seguem as ordens norte-americanas de não participar no jogo democrático para não “legitimar o regime”. São essas as ordens.

            Por várias vezes Seif Ghadafi lhes propôs congressos, encontros, eleições, reuniões e a resposta deles foi nenhuma, Ou melhor foi atacarem esquadras, quartéis, hospitais e enforcarem nos candeeiros públicos polícias, militares e médicos.

            Eles nunca quiseram sequer dialogar. Abriram as portas à NATO para melhor derrubar o seu próprio governo.

            E veja lá a maioria dos poucos membros revelados até hoje do CNT eram ministros do Ghadafi. Pior ainda, foram os ministros que Ghadafi despachou para Bengazi para dialogar com os “dissidentes” e resolver os problemas. Veio-se depois a saber que estavam feitos com a NATO.

            E já agora não arme ao ingénuo fingindo não saber distinguir uma revolta popular com um golpe de Estado. Sim o que ocorreu na Líbia foi – é! – um golpe militar e uma brutal agressão da NATO. Nada teve a ver com as revoltas populares na Tunísia e Egipto, José.

          • José diz:

            Um golpe militar na Líbia?
            Com que militares, se o exército praticamente não existiu nesta guerra civil??
            Então, se bem percebi o que o Leo pretende dizer, tudo o que se passou na Líbia e na Síria são resultados de maquinações dos serviços secretos norte-americanos, que contrataram milhares de líbios e sírios para fazerem umas revoluções? Perdão, golpes de Estado, revoltas populares são exclusivo da Tunísia e do Egipto (esqueceu-se do Bahrein e do Iémen?).
            Bom, para quem defende que as invasões da Hungria, da Checoslováquia e do Afeganistão resultaram do pedido dos governos desses países, também pode acreditar nessa fantasia.
            Mas continua sem se perceber porque a democracia líbia correu tão mal, porque tantos milhares de líbios renegaram o paraíso que tinham e meteram-se na aventura de uma guerra civil.
            Isso o Leo não explica.

          • De diz:

            É bom que se veja a desonestidade intelectual de quem não quer ver o que se passou.Porque por trás das palavras de desculpabilização aos exércitos invasores(que digamos sem rebuço mais se assemelham ao levantar dos braços na saudação típica aos exércitos vencedores de outros tempos),aparece a sombra do passado,citado aqui bastas vezes.
            É que assim a clara desonestidade com que se tenta manipular o presente,permite questionar a inocência de alguém que assim clama pelo passado
            Como se se tivesse apanhado um mentiroso.Por exemplo o caso concreto de Bush.Que como se sabe é o maior criminoso do presente milénio.E que agora nós acreditássemos nas palavras deste quando fala nas armas de destruição maciça no Uganda,por exemplo.
            A luta ideológica para alguns passa pela manipulação.Esta junta-se à desonestidade.E esta adiciona-se à defesa da guerra colonial e imperialista.O ciclo completa-se
            Como já vimos noutras épocas.

  10. Augusto diz:

    Ao menos o PCP é coerente, Khadafi, Chavez, Castro, Pol Pot, Kim-il Sung,tudo boa gente.

    Democracia, liberdades, sindicalismo livre, liberdade de imprensa, tretas de burgueses sociais democratas.

    Admiração…. se até o João Jardim, é parceiro em inaugurações “protocolares”.

    E o ministro da propaganda Miguel Relvas é frequentável , desde que ofereça tachos….

    • JMJ diz:

      Só falta o “comem criancinhas”…

      Trate-se!

    • Miguel Lopes diz:

      Você não tem pena de ser assim?

    • De diz:

      Há algo de profundamente surreal neste post
      Para defender o que é indefensável,este Augusto junta tudo.Num monte.Está desnorteado.Podia ao menos fingir.Nem isso consegue
      Numa amálgama assaz curiosa replica os mentores de direita pura e dura.Ei-lo que soma Pol Pot com Fidel,”esquecendo-se” da amizade franca e fraterna de Kissinger com o líder cambojano e o apoio da China de então na luta contra o Vietnam, este sim apoiado pelo PCP.Na sua ânsia de tapar a cumplicidade boçal com os criminosos, ei-lo a tentar disfarçar o sol com a peneira.E a aldrabar
      Até junta Jardim.E mete Relvas à mistura
      Assim não.
      Porque assim sobra só desonestidade pura e dura.
      Assim não.
      Porque assim à traição de certos rapazes com a luta anti-colonial ,junta-se a má fé
      Lastima-se por este Augusto
      Lastima-se por quem foi cúmplice com a agressão imperialista.A diferença que há entre os oportunistas e os revolucionários passa por aqui.
      Há escassos dias,este Augusto falava na esquerda reformista,única em Portugal. Agora dá origem a este post.
      Devia ter vergonha

    • José António Jardim diz:

      Pol pot?Poxa “sectário anti-PCP” Augusto?Isso não era a UDP e o PC (R) que venerava o Pol-Pot?Augusto revê os manuais e as cartilhas ideólogicas da época;.Enver Oxa e Pol Pot e um Kampuchea livre eram palavras de ordem dos esquerdelhos do Partido Comunista (r)(recauchutado),cujos militantes,aqueles que não desertaram para os partidos da direita se encontram nessa coisa chamada be,juntamente com os militantes da Udp.

      • igr diz:

        Em Portugal, tal como em grande parte do Ocidente, houve muito pouco apoio expresso ao governo da Angkar. Não só as informações, sobretudo as que diziam respeito ao carácter ideológico do processo, eram poucas como a própria situação Cambojana muito instável e de difícil compreensão imediata. Contudo, creio que erra nas organizações que teciam loas a Pol-Pot. Penso que esse apoio veio mais do lado dos maoístas e para-maoístas (MRPP, AOC, os vários PCP m-l, PUP e derivados), sobretudo devido ao vazio ideológico e referencial em que se encontravam no fim dos 70’s, sem Revolução Cultural e Mao no plano externo e sem andor do PS no plano interno.
        Não tenho conhecimento de que a tendência m-l, sobretudo as organizações mais próximas do Enverismo (como as que enumera), apoiassem os Khmer, até porque isso não fazia muito sentido, sob o ponto de vista da linha ideológica defendida por ambas as partes (Enver Hoxha e Pol Pot). Basta ver que, nessa altura, já se tinha dado o corte de relações entre China e Albânia e Pequim era quem mais apoiava o governo da Angkar, na sequência da linha “terceiro-mundista”, que os Enveristas repudiaram.

    • José António Jardim diz:

      Júlio de Matos já Augusto.A fobia continua.Cura-te enquanto é tempo.

  11. jpm diz:

    Então o critério para legitimar uma intervenção é o direito das mulheres? Espantoso critério que ditaria que a intervenção no Afeganistão seria legítima. É que o problema de legitimar a intervenção no Afeganistão ( a da URSS) e deslegitimar a da Líbia é que nos põe numa contradição absoluta. A pergunta é, quando é que é legítimo violar a soberania de um Estado? Quais os critérios? É possível uma base de entendimento comum? E não me lixem a dizer que a intervenção da URSS foi a pedido de um governo que aí teríamos de entrar numa conversa muito mais complicada que é analisar a relação entre soberania popular e legitimidade dos que exercem de facto a soberania.

    • Leo diz:

      “A pergunta é, quando é que é legítimo violar a soberania de um Estado? Quais os critérios? É possível uma base de entendimento comum?”

      Nenhuma disposição da Carta da ONU autoriza as Nações Unidas a intervir em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado, ou obriga os membros a submeterem tais assuntos a uma solução. É isto que diz a alínea 7 do Artigo 2 da Carta da ONU.

      Dito doutro modo, não é legítimo violar a soberania de um Estado por assuntos que dependam da jurisdição interna desse Estado.

      Quanto aos direitos das mulheres obviamente que o seu primeiro direito é o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
      O mesmo que está consignado no artº 3º da Declaração Universal dos Direitos do Homem. E não é segredo nenhum que este foi um dos direitos mais grosseiramente violados na guerra da NATO à Líbia. Quantas centena de milhares de vidas já se perderam? Quantas mais se vão perder entretanto decorrentes dos bombardeamentos que arrasaram mais de 60% da canalização da água, electricidade e esgotos? Quantas se perderam nos hospitais e dispensários arrasados? E quantas mais se estão a perder neste preciso momento em Sirte e Bani Walid onde a NATO continua a bombardear?

  12. Miguel Lopes diz:

    Fazendo um pouco de advogado do diabo: na altura, eu também acreditei piamente que existia uma revolta popular na Líbia, e também acreditei – como foi amplamente noticiado -, que a força aérea líbia estava a bombardear manifestantes em Benghazi e Tripoli, e portanto apenas considerei nociva a possibilidade da zona de exclusão aérea no diploma (parágrafos 3 e 10). O resto eram condenações, o apoio à resolução 1970 da ONU e ao CNT (parágrafo 4). Quem engole as mentiras, vota a favor da resolução. Poderíamos dizer que os eurodeputados foram vítimas de mentiras.

    Se abandonarmos o papel de advogados do diabo, temos imediatamente que notar o seguinte: eles são eurodeputados! A função deles não pode ser só aprovar resoluções com base em notícias de televisão e jornais. Caso contrário, eu poderia ser eurodeputado nas horas mortas!! Se há uma notícia que diz que foram bombardeados manifestantes em Tripoli, a função do eurodeputado é ligar para lá e perguntar, falar com quem está no terreno, pedir fotografias e investigar. Pelos vistos isso não foi feito.

    Não tenho grandes esperanças que a Marisa Matias e o Miguel Portas venham fazer acto de contrição em relação à forma como votaram aquele documento, mas o mais correcto era que o fizessem.

    • ora aí está diz:

      subscrevo totalmente o teu comentário e admito que sofri do mesmo mal

    • Outro diz:

      O que vai totalmente ao encontro da profunda importância que os meios de comunicação têm hoje na manipulação da opinião pública, e que mesmo os mais avisados e cautelosos não estão imunes aos seus efeitos orwellianos.

      Toda a fundamentação da resolução 1973 do concelho de segurança foi fabricada nos intestinos do National Endowment for Democracy e a sua frente Libyan League for Human Rights em conluio com o National Transitional Council.

      O Tribunal Penal Internacional chegou a socorrer-se a fontes como a Fox News.

      Recomendo para melhor familiarização:

      Lies Behind the Humanitarian War in Libya – Parte 1

      Lies Behind the Humanitarian War in Libya – Parte 2

      Também fui vítima da campanha de diabolização do regime líbio, e estou hoje abraços com as consequências.

    • igr diz:

      Oh Miguel, já tens idade para suspeitar de tudo o que é NATO logo à partida 😉

      Em relação à questão da natureza política da Jamahiriya Líbia, que já ficou bem explicada anteriormente, gostaria de acrescentar que Khadaffi tinha, desde as reformas do final dos anos 70, muito pouco poder político e decisório efectivo, sendo apenas o CEMG das FA’s. O Congresso Popular era quem detinha, de facto, o poder legislativo e executivo da Jamahiriya.

      De um dos países mais estáveis e desenvolvidos de África e do Mundo Árabe, a Líbia passará a um “novo Iraque”. Cá estaremos para acompanhar a tragédia. E a farsa.

  13. Augusto diz:

    Qual foi é é a posição do PCP sobre:

    Invasão do Tibete pela China e feroz repressão sobre a identidade do povo tibetano?

    Invasão do Afeganistão pelas tropas da ex-União Sovietica?

    Repressão brutal da Primavera de Praga pela ex-União Soviética?

    Invasão de Angola pelas tropas Cubanas.

    Neste quatro casos poderia citar muitos mais, os povos Tibetano, Afegão, Checo, Angolano, tiveram de suportar uma feroz repressão exercida pelos ditos libertadores,mas neste quatro casos , como em muitos outros, o PCP pouco se preocupou com os povos, e mais com os seus aliados INVASORES.

    Querer dar lições de ética politica, é no minimo ridiculo, para quem se adapta e com enorme facilidade e oportunismo, a todo o tipo de repressão, desde que ela seja exercida pelos AMIGOS.

    O que se está a passar na Libia, a ser verdade, é totalmente condenável, como o foi o bombardeamento da Libia pela Nato.

    Mas o regime, ditatorial repressivo e corrupto do clã Khadafi, não pode merecer nenhum tipo de defesa.

    Afinal o ditador Mussolini tambem foi barbaramente assassinato , assim como muitos dirigentes de cupula do regime fascista.

    O Savimbi também teve o cadáver exposto á gula dos jornalistas.

    Nos dias que se seguiram á libertação de Paris, a Resistência, fez justiça sumária a muitos colaboradores dos nazis.

    Os acontecimentos recentes na Libia, provam que a historia se repete.

    • Miguel Lopes diz:

      “Invasão do Tibete pela China e feroz repressão sobre a identidade do povo tibetano?”

      Invasão? Repressão da identidade?
      Tenho a pequena suspeição de que você não faz ideia do que está a falar, e papa toda a açorda que os meios de comunicação social lhe metem à frente do nariz. Se começarmos um debate série sobre a “questão tibetana”, talvez isso se comprove

      Cumprimentos

    • Leo diz:

      A Gomes, Marisa, Portas e Tavares seguem sempre a agenda dos democratas norte-americanos. O Augusto segue a agenda de todas as administrações norte-americanas democratas e republicanas.

    • De diz:

      Ensandeceu!
      Só pode.
      Para justificar o injustificável socorre-se até de Mussolini…de Savimbi
      E junta-os aos resistentes franceses

      Como é possível?

      A história repete-se?
      …ah,pois

    • João diz:

      invasão de angola? o governo angolano pediu ajuda porque o país estava a ser invadido pela áfrica do sul. derrotada a invasão os cubanos foram embora e continuou a guerra entre anolanos. vamos ser sérios.

    • igr diz:

      A “questão Tibetana” é a mais bela das jogadas de propaganda do Ocidente contra a China e, em menor grau, contra as correntes de opinião desalinhadas com a máquina. Consegue juntar no mesmo saco a “esquerda” chic e a “esquerda” freak, o centrão, hipócrita por definição nestas coisas, a direita cristã e “social” e os tipos (e tipas) do reiki, da macrobiótica e outras extravagâncias semelhantes. Contudo, quando vemos o que é proposto em alternativa para a região, apercebemo-nos de que não se trata de um Shangri-La de padres sorridentes e monges eunucos aos saltinhos, mas sim de uma teocracia feudal, onde o povo é, por lei, equiparado ao gado e considerado propriedade de um fulano que aos 6 ou 7 anos de idade foi raptado por um grupo de alucinados e formatado para dono e senhor de um território. Isto para não entrarmos nas perseguições étnicas contra os Han, perpretadas pelos simpáticos monges de roupagens exóticas.

      Quanto ao resto, só um pequeno esclarecimento. No caso Afegão podemos, sem dúvidas, falar de invasão Soviética. A questão do “pedido” do Governo de Taraki é apenas um preciosismo. Moscovo queria fazer do Afeganistão a 16ª RSS, não tenho as menores dúvidas. Aqui é o mesmo que dizer que os EUA não invadiram o Vietname mas sim que agiram “a pedido” do governo de Saigão.
      Contudo, no caso Angolano aqui citado, a intervenção militar das forças Cubanas não passou disso mesmo, de uma intervenção militar, feita a pedido expresso do governo de Luanda e aprovada por Moscovo, naturalmente. Não houve qualquer tipo de repercussão política no caso. Nem estou a imaginar o bom do Fidel a planear controlar Angola.

      • Leo diz:

        “No caso Afegão podemos, sem dúvidas, falar de invasão Soviética. A questão do “pedido” do Governo de Taraki é apenas um preciosismo.”

        É a sua opinião, tem direito a ela. Mas não passa de uma opinião não estribada em qualquer facto. Lembro-me que quando os soviéticos responderam aos pedidos reiterados das autoridades afegãs de o PCP ter explicado que fora o único partido político português a enviar um dirigente seu ao local para avaliar a situação. Confesso que na época achei isso um preciosismo, hoje dou-lhes razão.

        Com efeito o enviado do PCP testemunhou então a insistência dos pedidos das autoridades afegãs e que a URSS demorou bastante tempo a responder positivamente. E também testemunhou as incríveis atrocidades que os grupos armados, financiados, municiados e organizados pelos USA, Paquistão e Arábia Saudita lá cometiam contra as populações civis e instalações civis e governamentais.

        • igr diz:

          Convenhamos que um relatório feito por um enviado de um partido tão pró-URSS como era (e é) o PCP, não será a mais fiável das fontes.
          É evidente que os EUA e aliados regionais já apoiavam e armavam os “insurgentes” locais, mas também é verdade que o Afeganistão era um objectivo estratégico de Moscovo, sobretudo depois da queda do Xá no Irão e consequente afastamento desse país da órbita de Washington.

          Não é vergonha nenhuma assumir que foi uma invasão e não uma intervenção militar pedida pelos Afegãos.

          • Leo diz:

            Por cá foi fonte única pois mais ninguém teve curiosidade em ir até ao Afeganistão saber da situação.

            Sim, o Pires Jorge foi de propósito ao Afeganistão para falar com as autoridades afegãs. Foi o único português a fazê-lo. Os restantes preferiram assinar por debaixo das acusações dos States.

            Vergonha é assumir mentiras e querer fazê-las passar por verdades. É ter votado a favor da guerra da NATO à Líbia e dizer que está contra a guerra da NATO à Líbia.

            E repito, a URSS só respondeu positivamente ao pedido de ajuda das legítimas autoridades afegãs muito tempo e muita reflexão depois e quando concluiu que era de facto necessário travar os actos dos fundamentalistas organizados, financiados, armados e municiados pelos USA, Paquistão e Arábia Saudita e que cometiam atrocidades.

    • Irene Sá diz:

      Invasão de Angola pelas tropas cubanas?!?! Que absurdo!!!
      Ele há gente que consegue realmente retorcer os factos…

  14. José António Jardim diz:

    Nem a direita,mais”trauliteira” e retrógada utiliza os argumentos que esta esquerda “soft” “light” e “caviar” utiliza para justificar os acontecimentos da Libia.
    Se isso é “esquerda” eu vou ali e já venho.

    TENHAM VERGONHA!!!!!!!!!

  15. ziriguidum diz:

    Desde o início se viu que os rebeldes eram tudo menos pro-democracia. A näo ser que fosse “democracia da Sharia”, óbvio.

    Entretanto, tal como na Jugoslávia, a manipulaçäo noticiosa foi gritante.
    Manif pro-Kadaffi atacada por rebeldes, dada como “manif pro-democracia recebida a tiro por tropa de Kadaffi”:
    http://www.youtube.com/watch?v=-cf6VqhOp0c&feature=player_embedded

    A celebraçäo da tomada de Tripoli na Praça Verde, filmada no Qatar:
    http://www.youtube.com/watch?v=ftr0DrpH_oM

    No fim de contas, o ditador Kadaffi foi corrido porque:
    1- queria lançar o dinar de oiro, e logo na África toda, o que destruiria o dólar, que já de si está por um fio. Já o Saddam foi corrido assim que disse que queria receber o pagamento do pitrol em euros… e isto em 2001 quando o euro valia menos que o dólar.
    2- foi GARGANEIRO! Entäo näo é que ele pediu em Dezembro de 2010 a módica quantia de 5.000 milhöes de euros/ano para ser polícia das fronteiras da UE, a meio de uma cryse?
    http://www.newstatesman.com/blogs/the-staggers/2010/12/obama-gaddafi-black-europe
    Os do CNT (muitos ex-kadaffios) devem ter feito a coisa por 2.000 milhöes… ou menos!

    Saudaçöes de um anti-fundamentalista, sejam eles cristäos ou muçulmanos!

    • Leo diz:

      Eu acho que bombardearam a Líbia e mudaram o regime do país apenas porque podiam. Apenas porque têm a força das armas. Como qualquer gangster.

      • Outro diz:

        Parece-me que foi mais além disso. Sem dúvida que se trata de uma demonstração de força por parte da Nato.
        Mas parece-me também que o poder emancipatório de alcance no continente africano seja por via de exemplo, pelas riquezas naturais da Líbia mas também de medidas concretas do regime de Gaddafi constituía algo de simplesmente intolerável à elite norte americana e europeia.

        Petrólio (sweet)
        Água
        Politica Monetária
        Avanço Tecnológico
        Emancipação humana e específicamente feminina num contexto islamico
        Emancipação científica
        Dívida externa controlada
        Acesso a crédito interno e externo (fora das párticas usurárias do sistema)

        São demasiados motivos concentrados num só país.

  16. Leo diz:

    A ler e acompanhar:

    Fidel Castro: O papel genocida da Otan

    http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=166975&id_secao=9

  17. gosto em particular da ideia do “imperialismo”… não sei, faz-me recordar o que li sobre os tempos da guerra fria.

  18. De diz:

    “There is just so much – what term do I want to use? – low taste, gratuitous reveling in the murder of this man, who was born 70 years ago in the very city he was murdered in on the 216th day of NATO’s bombing of his country. He was born under Italian Fascist occupation and he died under NATO occupation.”

    Eis um naco dum texto que merece leitura:
    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=27224

  19. Leo diz:

    Das guerras do ópio às guerras do petróleo
      por Domenico Losurdo

    http://resistir.info/losurdo/kadafi_23out11.html

  20. closer diz:

    Do post delirantemente imberbe do inefável Bruno Carvalho, concluo que Miguel Portas foi (pelo menos moralmente) responsável pelo acto de sodomização de Kadafi antes da sua morte.

    Devo ser eu que sou muito estúpido e não percebo as vanguardas proletárias que com grande sapiência se derramam neste texto.

    Mas diga-me uma coisa, por favor: o anti-imperialismo de Kadafi é semelhante ao socialismo de José Eduardo dos Santos, várias vezes sabiamente elogiado pelo infalível Jerónimo de Sousa? Ou teria mais laivos de revolucionário à norte-coreana?

    Repito a pergunta que já anteriormente fiz a outra brilhante escriba deste maravilhoso espaço de pluralismo, clarividência e unidade das esquerdas, a dona Helena Borges: Será que o inimigo do meu inimigo é meu amigo?

    Parece que ela não percebeu, mas o sr. Bruno com toda a lucidez luminosa que as boas práticas da JCP lhe incutiram desde a mais tenra idade com certeza que saberá responder-me.

    Enquanto anseio pela resposta, grato subscrevo-me.

    • Leo diz:

      Mais outro a precisar de tratamento urgente.

      Eu bem sei que para alguns acima de tudo está a defesa da agenda das administrações norte-americanas, mas nalguns casos isso torna-se obsessivo. Não se trate não, daqui a pouco está como o Augusto.

    • Miguel Lopes diz:

      O Bruno não me passou procuração para responder, mas tenho que lhe dizer que imberbes são respostas deste calibre:

      “o anti-imperialismo de Kadafi é semelhante ao socialismo de José Eduardo dos Santos”

      Não interessa o que o Khadafi é. Interessa o que está em causa nesta guerra de ocupação. De um lado tens a Jamahiriya, uma experiência original, democrática, num país muçulmano; e do outro lado tens um projecto colonial que agrega os países da NATO, tribos islamistas e apoiantes da antiga monarquia.
      É dentro deste quadro que se deve fazer a análise, e não nessa estratosfera pueril..

      “Ou teria mais laivos de revolucionário à norte-coreana?”

      Enfim, respostas doentias e simplórias.

      “Será que o inimigo do meu inimigo é meu amigo?”

      Sim. Quer um exemplo? A burguesia e o proletariado não deixaram de ser forças antagónicas só porque se juntaram para derrubar o regime feudal.
      Por vezes para vencer é necessário fazer alianças. Quem não perceber isto, não ganhará nada na vida.

  21. Eduardo diz:

    Não foi só alguma cumplicidade entre os deputados do BE e do exército criminoso da NATO.

    Foi também o seu silêncio em relação a esta guerra.

    Durante os meses em que Kadahfi resistiu, nenhum dos seus comentadores habituais, do estilo Daniel Oliveira ou Sérgio Lavos, quis saber da resistência, nem dos crimes que se estavam a cometer contra os inocentes líbios (por parte da NATO).

    Caso tivessem alguma coisa a dizer sobre o assunto, a resposta seria “não gosto de Kadahfi” ou “é um monstro”.

    Sem investigação ou consulta de documentos, preferiram o caminho mais fácil; aquele que não dá muito trabalho.

    Portanto, os linchamentos racistas contra soldados do exército líbio, por parte do chamados “rebeldes” foram esquecidos; como os bombardeamentos de fósforo à cidade de Sirte, por parte de NATO; ou as implicações do regime do Qatar nesta guerra.

    Em todo o caso, muitos jornalistas estrangeiros (alternativos) estão a contribuir para diversos esclarecimentos desta guerra (e massacre). É o caso de Bill Van Aucken, Layla Anwar, P. Ngigi Njoroge, Justin Raimondo, Curtis Doebbler e muitos outros.

    Quem ler os seus esclarecimentos, não precisa de perder tempo com casos tão pequenos, como BE, Daniel Oliveira ou o anão Sérgio Lavos.

    • ´De diz:

      Um bo comentário este, caro Eduardo.
      Outro dedo na ferida.
      Porque de facto o silêncio dos ditos foi ensurdecedor.Como se o umbigo ou o orgulho ferido fosse mais importante do que o que se passava no terreno.
      Como se…
      O que se lastima.
      E irremediavelmente leva a outras conclusões

  22. “a intervenção da União Soviética a pedido do governo progressista ”

    “entrada de forças militares estrangeiras no Afeganistão a pedido de um governo”

    Oh, Bruno Carvalho – explique só uma coisa: o que é que aconteceu ao presidente do tal governo progressista do Afeganistão quando as forças soviéticas lá entraram?

    • Leo diz:

      Concorda portanto que foram as forças da URSS – e não do Pacto de Varsóvia – que entraram no país a pedido das autoridades legítimas. Já é um avanço pois não o vi lá acima a esclarecer este facto.

      E depois de lá terem estado a ajudar as autoridades legítimas a combater os grupos fundamentalistas armados, financiados e municiados pelos USA (e Paquistão, Arábia Saudita) as forças militares soviéticas saíram pelo seu pé, de cabeça levantada e deixando um inestimável património de obras que ainda por lá se mantém: escolas, universidades, estradas, fábricas por exemplo. E muito mais revelador as legítimas autoridades do país mantiveram-se no poder durante anos e até sobreviveram à própria URSS. Foi a dissolução da URSS que acabou por ditar o seu fim.

      Quem hoje ocupa o Afeganistão são os USA, NATO e seus aliados. Curiosamente alguns deles antigos membros do Pacto de Varsóvia, estrearam-se na ocupação do Afeganistão como membros da NATO. Outros – Estados bálticos – repetem a dose: estiveram lá integrados nas forças soviéticas e estão lá hoje como membros da NATO. E já lá estão há mais tempo do que estiveram quando eram soviéticos.

      • miguel serras pereira diz:

        Curioso, curioso era saber o que entende o Leo por “governos legítimos” ou “autoridades legítimas” – ou, o que vem a dar no mesmo, definisse o que etende por “legitimidade” e esclarecesse que “legitimidade” tem em mente.
        Por exemplo, o governo do Irão é legítimo? E o saudita? O governo de Mubarak era legítimo? Quando é que se torna legítmo ou ilegítimo um governo? Quem ou o quê legitima quem e o quê? A legitimidade é uma representação dos sujeitos ou uma qualidade objectiva, independente da posição de quem fala?

        msp

        msp

        • Leo diz:

          Perante a constatação de que são USA, NATO e seus aliados quem mantém a mais longa ocupação do Afeganistão, assobia para o lado e …saca da amalgama do costume. E mistura o Irão onde desde há décadas se realizam eleições multipartidárias com a Arábia Saudita onde nunca houve eleições e o Egipto onde os militares se mantém no poder mas que em breve vai ter eleições.

          • miguel serras pereira diz:

            Comprovo que não respondeu à minha questão. Insisto: explique lá a sua concepção de “governo legítimo”, não se acanhe.

          • Leo diz:

            E ele a dar-lhe com o “governo legítimo” nesta discussão sobre a agressão da NATO à Líbia. Vê-se que foi um dos que engoliu as patranhas da Gomes que aquilo do CNT era tudo gente séria, intelectuais e outras tretas que tais.

            O legítimo governo da Líbia foi o que sofreu esta agressão interminável, sangrenta e cruel da NATO que culminou com o assassinato do seu Chefe de Estado, uma estreia da NATO que assim copia práticas norte-americanas.

            Desça à terra e discuta a Líbia. Tem medo, certo?

          • De diz:

            O governo”legítimo”.
            Ah,esse governo tão legítimo que o seu chefe até era beijocado pelos chefes dos governos que agora o assassinaram

            Ah o jogo macabro,porque cúmplice, de alguns dos “intelectuais,” que mais não fazem do que procurar refúgio na circularidade geométrica das suas “análises” aparentemente puras e descomprometidas.
            E que,quando,confrontadas com a realidade fria dos factos e com as suas pavorosas consequências, permitem tirar ilações que aqui me abstenho de o explicitar

  23. A diz:

    Augusto, mete a cabeça num saco e grita. Acho que estás a ficar vermelho de tanta desorientação!

  24. LAM diz:

    Tanta treta e tanto número de acrobacia teórica suportada pela contra informação kadhafista para justificar afinal aquilo que mais não foi do que a aplicação, essa sem qualquer base de conhecimento ou “estudo” – como vi por aqui chamarem-lhe – por parte da eurodeputada Ilda Figueiredo que (como vem sendo normal e os exemplos sucedem-se), coitada (conheço e tenho simpatia pela senhora, mas enfim…), ao deparar-se com a urgência de uma tomada de decisão achou por bem a aplicação da “chapa 5” da “não ingerência” e pátáti pátátá, salvaguardando numa estranha equidistância o desenvolvimento que se previa sangrento da situação Líbia. Repare-se que à data, com exceção do trogloditismo habitual de alguns comentadores, e face às insuspeitas notícias que chegavam da carnificina em curso, o alinhamento agora explícito com a ditadura dos Gaddafi era mais ténue, sempre temperada com o discurso proto-consensual anti-Nato. À data, e para aqueles cuja história do sangue a correr e os relatos de limpeza tribal só tem um mês e pico, para quem a intervenção “ocidental capitalista e imperialista expropriadora dos recursos dum país independente” só arrancou há 3 meses; o massacre por parte do exército e força aérea Líbia com recurso a armamento pesado contra bairros inteiros de população desarmada e indefesa, só pela suspeita da existência de opositores ou serem compostos por população descendente de tribos rivais, era o pão nosso de cada dia.

    • JMJ diz:

      sabe, esta coisa dos povos decidirem por si o seu futuro é uma treta… coisas do século passado…

      Bom e moderno é ter os Mrs. Know-it-all da NATO a decidir o que há de ser o mundo. E se para fazer a quadratura do circulo for preciso bombardear massivamente, faça-se!, porque não serão os povos a parar a marcha triunfal do “desenvolvimento e do progresso” na sua própria casa.

    • Leo diz:

      “achou por bem a aplicação da “chapa 5″ da “não ingerência” e pátáti pátátá”

      Refere-se ao Artigo 2º da Carta da ONU, alínea 7? Pois fique sabendo que continua em vigor como qualquer outra alínea ou artigo dessa carta.

      E continuam em vigor todas as alíneas desse Artigo 2º da CARTA da ONU:

      A Organização e os seus membros, para a realização dos objectivos mencionados no artigo 1º, agirão de acordo com os seguintes princípios:

      1. A Organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros;

      2. Os membros da Organização, a fim de assegurarem a todos em geral os direitos e vantagens resultantes da sua qualidade de membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por eles assumidas em conformidade com a presente Carta;

      3. Os membros da Organização deverão resolver as suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo a que a paz e a segurança internacionais, bem como a justiça, não sejam ameaçadas;

      4. Os membros deverão abster-se nas suas relações internacionais de recorrer à ameaça ou ao uso da força, quer seja contra a integridade territorial ou a independência política de um Estado, quer seja de qualquer outro modo incompatível com os objectivos das Nações Unidas;

      5. Os membros da Organização dar-lhe-ão toda a assistência em qualquer acção que ela empreender em conformidade com a presente Carta e abster-se-ão de dar assistência a qualquer Estado contra o qual ela agir de modo preventivo ou coercitivo;

      6. A Organização fará com que os Estados que não são membros das Nações Unidas ajam de acordo com esses princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais;

      7. Nenhuma disposição da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervir em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado, ou obrigará os membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta; este princípio, porém, não prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do capítulo VII.

      • LAM diz:

        Não perceberam a parte do “pátáti pátátá”, eu já suspeitava que isso ia acontecer. Quer dizer “conversa para boi dormir”, “violinos de Chopin”, por aí. Adiante.
        Perante a eminência da aprovação quase que por unanimidade de uma resolução que explicitamente (se soubesse pôr bold nisto, a “eminência”, a “unanimidade” e o “explicitamente” não escapavam), dava carta branca à Nato para uma intervenção militar, e não conforme foi aprovado pelo parlamento europeu impondo limites a essa intervenção (zona de exclusão aérea), se houve matéria sobre a qual os eurodeputados Miguel Portas e Marisa Matias estiveram bem, atentos e com capacidade de intervenção, foi aí.
        Agora podem dizer o que quiserem, nomeadamente o autor do post pode cavalgar à custa das palas do séquito de comentadores “organizados” e devidamente emparelhados, metendo tudo no mesmo saco e fazendo trampolim do que de facto aconteceu com responsabilidades dos referidos deputados, à extrapolação e leitura conveniente, mas de responsabilidade limitada por parte do PE, feita pelas potências ocidentais e nato. Siga o circo.

        • Leo diz:

          “Perante a eminência da aprovação quase que por unanimidade de uma resolução”

          Eles não quiseram ficar de fora. Preferiram encarneirar com os da quase unanimidade votando ao lado do PS, PSD e CDS. A escolha foi deles assumam pois as consequências e que tenham sonos tranquilos.

        • miguel serras pereira diz:

          Caro LAM,
          não pensava entrar nesta discussão, na qual a capacidade de discutir com argumentos e razões brilha pela ausência quase completa.
          Mas já que a lucideza e a coragem dos teus comentários me obrigam a fazê-lo, gostaria de dizer o seguinte.

          1. Passam-se coisas abomináveis na Líbia, mas não se segue de a situação ser a que é a superioridade do regime kadafista. O problema é que parece haver quem pense que se a linha agora é negra, antes teria de ser vermelha, porque não pode haver senão duas linhas, nem mais do que uma só boa ou má de cada vez.

          2. Quanto a dizer que, independentemente dos textos oficiais e da propaganda kadafista, o regime anterior era democrático e Kadafi quase não dispunha de poderes, é mais ou menos como dizer que Hitler foi um defensor intransigente dos judeus da Europa e de todo o mundo. Até mesmo deixando de lado a questão dos direitos e liberdades, os casos das “batas búlgaras”, das prisões, das torturas e das chacinas, escapa ao meu entendimento como é que um amigo e sócio de Berlusconi, um polícia das fronteiras do Mediterrâneo ao serviço da oligarquia europeia, um titular de contas multibilionárias em tudo o que é banco ocidental, poderia ser ou um pobre símbolo sem poderes efectivos, ou um animador de uma “experiência democrática”.

          3. Além disso, creio que o alinhamento de certas facções em defesa de Kadafi tem uma dimensão geoestratégica: trata-se de apoiar o imperialismo “vermelho” de Pequim contra o imperialismo “negro” de Wahington, segundo a mesma lógica do “inimigo do meu inimigo é meu amigo” que o Closer já denunciou.

          4. Embora haja muitas coisas que me separam do Rui Tavares ou do Miguel Portas e da Marisa Matias, a verdade é que os termos em que estes tomaram posição sobre a Líbia e a legitimidade de uma intervenção internacional contra um Kadafi que se comparava a Franco antes da conquista de Madrid, se apoiam em razões que mantêm a sua força e pertinência democráticas: “”há momentos em que o pseudo-pacifismo de quem nunca foi pacifista se confunde perigosamente com a defesa do ditador. Esta atitude não é mais nem menos cínica do que a dos governos europeus que, debitando loas aos Direitos Humanos, apoiaram durante anos a clique de Kadafi” e, por isso, ” é legítimo “que a comunidade internacional impeça, por meios militares, qualquer tentativa de bombardeamento das cidades sublevadas pela força aérea do ditador. Se a situação se degradar e Kadafi optar pelo massacre da insurgência e das populações civis, esta possibilidade não deve ser posta de lado”. (http://adeuslenine.blogspot.com/2011/03/mentira-tem-pernas-curtas-resposta-dos.html)

          5. Por fim, é precisamente pelas mesmas razões que tornam democraticamente inaceitável a defesa de Kadafi que hoje podemos e devemos condenar o modo como as potências ocidentais estão a gerir a “transição”. Melhor do que eu poderia fazê-lo aqui, explica-o bem esta lúcida crónica de Manuel António Pina:
          ‘E que dizer da “satisfação” pela horrorosa morte infligida ao ditador manifestada por governos que ainda há pouco o sabujavam e lhe iam comer à mão (como agora farão com os novos senhores de Trípoli) na mira de uns dólares ou um contrato petrolífero? Quantos desses governos não foram eleitoralmente financiados com o dinheiro sujo de Khadafi ou – como o britânico, que não hesitou em libertar o autor do atentado de Lockerbie, que vitimou centenas de inocentes, em nome dos negócios da BP – teriam motivos para temer o que o ditador pudesse revelar se viesse a ser sujeito a julgamento?
          A única conclusão possível é a de que somos governados por gente capaz de tudo, que talvez limpe educadamente os pés mas tem as mãos sujas’. (http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina)

          6. Conclusão: quem quer bater-se contra as “mãos sujas” dos que nos governam e não quer que o remédio seja tão mau desastroso como o mal, ou pior do que ele, terá de o fazer com meios e fins que não reproduzam os do opressor. Quando “vale tudo” são a liberdade e a igualdade que deixam de valer.

          Abraço

          msp

          • José diz:

            Nem mais!
            Pode atacar-se as soluções encontradas na guerra civil líbia, sem se ser obrigado a iconizar Kadahfi e a sua “democracia”…
            Há – ou deveria haver – limites para o tacticismo e a desonestidade intelectual.

          • Miguel diz:

            Muitas palavras e muitos pontos (uma certa mania portuguesa de escrever muito e não dizer nada)…

            Na verdade, o que sabe sobre o conflito líbio?

            O que sabe sobre os bombardeamentos criminosos da NATO sobre Sirte e Ben Walid (e outras cidades)?

            Que armas da NATO e EUA foram utilizadas nesta guerra?

            De onde vieram os chamados “rebeldes”?

            Qual o verdadeiro papel do regime do Qatar nesta guerra?

            Quem realmente resistiu e lutou contra a NATO?

            Responda a estas perguntas e deixe-se de “tretas”.

            (Na verdade, é mania portuguesa não fazer o trabalho de casa e inventar ou falar muito, como é o caso do Miguel Serras Pereira)

          • De diz:

            “A ausência quase completa de argumentos e razões”..começa assim um longo post de msp.
            Segue-se um ror de “argumentos?…perdão…antes uma via sacra desculpabilizante de alguém que disse aquilo que disse.
            Alguém que,como outros,tomou a benção,as dores,a defesa do que tomou.
            Alguém que nem sequer tem “tomates” para admitir que se enganou
            Um “impostor” à moda intelectual?
            Talvez isso,talvez mais

            Há coisas que se devem calar para se defender o que é essencial.Na luta quotidiana…na luta travada todos os dias.
            Há coisas que não se podem calar
            Este ainda não percebeu que a questão não era Kadafi?
            Ainda não percebeu que logo aqui se desmascarou o Kadafi que tinha pactuado com os agora seus carrascos?
            Olha para o seu umbigo inchado
            E junta argumentos ..perdão,colecciona palavras nesta via sacra penosa daquilo que se lê

            Por isso as lágrimas hipócritas que verte pelo agora acontecido chegam tarde.
            Há meses que as coisas se mostravam como eram…
            o silêncio deste “intelectual “,o seu silêncio de chumbo…dizem tudo,ou quase tudo

            Falou sim…para sacudir a água do capote.
            Não é nem a primeira vez,nem a última que alguém com capacidades intelectuais que se louvam age como msp

            Muito tarde.Para a “lição” de cidadania
            Demasiado tarde.Para a atitude hipócrita de quem falou como falou e se calou perante o horror colonial e imperial
            À soma de 40 000 bombas que dilaceraram a Líbia…e os seus habitantes

          • Leo diz:

            “Embora haja muitas coisas que me separam do Rui Tavares ou do Miguel Portas e da Marisa Matias, a verdade é que os termos em que estes tomaram posição sobre a Líbia e a legitimidade de uma intervenção internacional contra um Kadafi (…) se apoiam em razões que mantêm a sua força e pertinência democráticas”.

            Acho absolutamente deliciosa esta tentativa do MSP de nos querer convencer que estes três eurodeputados do PE tomara alguma posição particular sobre a Resolução do PE. Não tomaram, limitaram-se a votar como a maioria dos eurodeputados do PS, PSD e CDS e seus congéneres europeus. Limitaram-se a seguir a manada.

            Pensa ele ainda que não sabemos que esta Resolução é da autoria de diversos deputados de todos os grupos parlamentares e de vários países incluindo dois portugueses: Ana Gomes e Miguel Portas. E é precisamente aqui que a porca torce o rabo. Porquê? Porque Ana Gomes seguiu a opinião maioritária do seu grupo parlamentar. Miguel Portas pelo contrário não atendeu à opinião maioritária do seu grupo. E os outros dois – Tavares e Marisa – limitaram-se a seguir a voz do dono.

            E como já lembrei anteriormente esta agressão à Líbia viola claramente a Carta da ONU! Sobre isto MSP nada diz porque sabe que isso é verdade.

          • LAM diz:

            Também eu, caro Miguel, não era para me meter nesta discussão. Enfim, traído por um momento de fraqueza. (mas isto deste post já ir pelos cento e tal comentários, não deixa de ter a sua graça…).

            Não tenho nada contra e acho absolutamente passíveis de discussão as posições então tomadas quer por quem tentou, dentro dos condicionalismos conhecidos, limitar a legitimidade de uma intervenção armada na Líbia e de quem optou por deixar arder, lavando as mãos e recusando o contributo ativo para esse objetivo, no local e tempo certos. Para o que já não dou é a espiral de associações um tanto infantilóides que daí decorre.
            Ainda vou ver por aí dizer-se que foi a Marisa Matias que sodomizou o Kadhafi…

            abraço.

  25. Augusto diz:

    De tudo isto assinalo uma frase lapidar do militante do PCP que dá pelo nome de Leo….

    A invasão da Hungria e da Checoslovaquia pela ex-Umião Sovietiva foi feita a pedido dos respectivos governos……

    Nem Alvaro Cunhal se atreveu a tanto!!!!!!!

    • Leo diz:

      Já perdeu qualquer resquício de vergonha, mente agora descaradamente. Eis o que eu escrevi tim-tim por tim-tim:

      ““Hungria, Checoslováquia ou Afeganistão, sim!” ???? O Pacto de Varsóvia no Afeganistão? Porque carga de água? Não, não houve nenhuma participação do Pacto de Varsóvia no Afeganistão.

      Agora na Hungria e Checoslováquia com certeza, ambos eram membros do Pacto de Varsóvia e os seus governos legítimos pediram apoio. Mas nunca nenhum avião do Pacto de Varsóvia sequer entrou em acção bombardeando fosse o que fosse quer na Hungria quer na Checoslováquia, muito menos civis.

      Quanto à Líbia foram lá despejadas mais de 40.000 bombas pelos aviões da NATO. Repito, mais de 40.000 bombas das mais letais e potentes. E o legítimo poder do país nunca tal coisa solicitou. E o pior é que a NATO continua a despejar bombas e mísseis sobre a Líbia. Não há maneira de travar esta carnificina.”

    • Leo diz:

      Resumindo, Augusto, meta uma vez por todas na cabeça que:

      1 – Foi o Pacto de Varsóvia quem interveio na Hungria e Checoslováquia a pedido dos respectivos governos legítimos;

      2 – Foi a URSS quem interveio no Afeganistão a pedido do legítimo governo do país;

      3 – Nenhum avião do Pacto de Varsóvia disparou um único míssil ou mandou uma única bomba sobre a Hungria e Checoslováquia e uma vez as coisas resolvidas todos os tanques foram retirados.

      4 – Logo que resolvido o problema dos grupos armados no Afeganistão, de cabeça levantada, a URSS retirou todas as suas forças de lá.

      5 – Enquanto isto, vemos 66 anos depois de terminada a II Guerra Mundial centenas de bases militares norte-americanas em solo alemão, belga, holandês, irlandês, britânico, italiano, japonês, etc. Centenas de bases militares onde continuam no mínimo meio milhão de soldados.

      E mais de 50 anos depois do cessar das hostilidades na península da Coreia vemos dezenas de bases militares norte-americanas na Coreia do Sul e dezenas de milhares de militares.

      E uma dezena de anos após o fim do conflito nos balcãs ao que assistimos? A bases militares norte-americanas na Bósnia e no Kosovo.

      E já nem falo das centenas de bases militares norte-americanas que 10 anos depois continuam espalhadas por todo o Afeganistão, no Iraque e nas monarquias do Golfo.

      Muito menos nas bases que continuamente se expandem por países ex-membros do Pacto de Varsóvia (Polónia, República Checa, Bulgária, etc) e até na Roménia e Albânia.

      • igr diz:

        “4 – Logo que resolvido o problema dos grupos armados no Afeganistão, de cabeça levantada, a URSS retirou todas as suas forças de lá.”

        Bem, isso já é distorcer muito a coisa para lá do razoável. A URSS retira as tropas quando vê que não tem hipótese de vencer a guerra a curto prazo (ou de todo) e quando já não tem capacidade nem estabilidade interna para continuar a suportá-la.
        Isto para não dizer que “resolveu o problema dos grupos armados” é totalmente falso. A História seguinte daquele país fala por si.

        • Leo diz:

          A URSS retirou as suas tropas de forma acordada com as autoridades afegãs que prepararam uma digna cerimónia de agradecimento e foi de cabeça levantada que os soldados soviéticos partiram do país.

          Quem entretanto se dissolveu foi a própria URSS porque as autoridades afegãs aguentaram anos sozinhas. E que foi pesada a factura que a URSS pagou, foi. Mas pagou-a com dignidade.

          Alguém está a ver após a retirada da NATO do Afeganistão o governo-fantoche aguentar ao menos três semanas? Ninguém de bom-senso espera isso. Mas após a retirada das tropas soviéticas o governo no poder aguentou-se três anos e sobreviveu à própria URSS. Se acha que isto não tem significado eu acho que tem.

          • igr diz:

            O que eu coloco em causa é o motivo da retirada das tropas Soviéticas do Afeganistão.

            Sim, o governo Afegão aguentou-se 3 anos, mas sempre em guerra contra os grupos decorrentes dos mujahedin, que acabaram por conquistar o poder. Portanto, a situação ficou tudo menos estável com a saída dos Soviéticos.

          • Leo diz:

            Mas queria que os soviéticos não saíssem de lá? Eles foram ajudar numa aflição não foram para ficar.

            A URSS era então o maior país do mundo. Dissolveu-se em 15 países independentes e soberanos. Um deles, a Rússia, continua a ser o maior país do mundo.

          • José diz:

            Belíssimo argumento, Leo!
            A URSS era o maior país do mundo e a Rússia passou a deter esse título.
            Claro que isso justifica inteiramente a invasão do Afeganistão de que o igr falava.

          • Leo diz:

            Não houve qualquer invasão. Entraram para socorrer as autoridades legítimas e a seu pedido e saíram de acordo com as autoridades legítimas quando estas deixaram de precisar da ajuda.

            Se me atacarem eu chamo um amigo. Não é por esse amigo ficar uns tempos em minha casa que me invadiu a casa.

    • Miguel diz:

      Augusto,

      O seu caso é o caso de muita gente: «o que é que o cú tem a ver com as calças?»

      Este é um conflito que se arrasta desde 2001, desde a queda das Torres Gémeas.

      Desde esse ano, já vimos uma ocupação criminosa no Iraque, outra guerra no Afeganistão (que ainda não acabou), um cerco criminoso a Gaza, um bombardeamento selvagem no Líbano… e esta guerra na Líbia.

      A minha pergunta é muito simples:

      O que é que a guerra na Líbia tem a ver com a invasão da Hungria e da Checoslovaquia?

  26. Augusto diz:

    De tudo isto, assinalo uma frase lapidar , do militante do PCP que dá pelo nome de Leo….

    A invasão da Hungria e da Checoslovaquia pela ex-União Sovietica foi feita a pedido dos respectivos governos……

    Nem Alvaro Cunhal se atreveu a tanto!!!!!!!

  27. Rascunho diz:

    Ao som de http://www.youtube.com/watch?v=rblk4FNsUdg&feature=related

    de paralelo em paralelo até que a morte nos separe

  28. António Paço diz:

    «Desenvolver e fortalecer um amplo movimento unitário, envolvendo personalidades de diversos sectores, agregando a convergência e dinamizando a acção geral e específica para a rejeição do pacto de agressão, por uma política patriótica e de esquerda para um Portugal com futuro (Comunicado do Comité Central do Partido Comunista Português, reunido a 16 de Outubro de 2011).»
    Não estará na hora de acertar o passo?

    • Bruno Carvalho diz:

      Como assim?

    • Leo diz:

      “Desenvolver e fortalecer um amplo movimento unitário (…) para a rejeição do pacto de agressão, por uma política patriótica e de esquerda para um Portugal com futuro”.

      É este o objectivo e não para branquear a agressão a um país soberano e independente.

  29. António Paço diz:

    Olha para trás, para o tom destes comentários, e diz-me se aqui se distingue alguma vontade de fazer um ‘amplo movimento unitário’ ou ‘juntar esquerda à esquerda (na versão BE)? Só vejo traulitada. Os Líbios são um pretexto, estão lá a fazer de papel de cenário.

    • Bruno Carvalho diz:

      Eu tratei de desmascarar uma posição específica de uma parte da esquerda portuguesa. Não sou responsável pelos comentários mas estou de acordo com muitos deles. Não podemos, a coberto de qualquer tipo de trabalho unitário, esconder quem apoiou o mesmo candidato presidencial que José Sócrates, quem apoiou as ajudas à banca grega, quem abriu caminho à barbárie na Líbia. Isso queria o Bloco de Esquerda.

      • Carlos Vidal diz:

        O que é óbvio.
        E eu nem me daria ao trabalho de responder.

      • LAM diz:

        Não desmascarou nada, Bruno Carvalho. Meteu os pés pelas mãos, nos factos iludiu e deturpou o essencial e tocou os tambores. Ora bolas.

        • Bruno Carvalho diz:

          Fico à espera que me diga onde é que meti os pés pelas mãos, onde é que iludi factos e onde é que deturpei o essencial. Quanto aos tambores não sou grande espingarda.

    • Leo diz:

      “Desenvolver e fortalecer um amplo movimento unitário (…) para a rejeição do pacto de agressão, por uma política patriótica e de esquerda para um Portugal com futuro”.

      É este o objectivo e não para branquear a agressão a um país soberano e independente o mais desenvolvido de toda a África e aos criminosas e brutais bombardeamentos da NATO que arrasaram cidades inteiras! Muito menos para branquear o despovoamento de cidades inteiras apenas por causa da cor da pele dos seus habitantes. Nunca para branquear as dezenas (centenas?) de milhares de inocentes mortos e estropiados.

    • Outro diz:

      Que a necessidade da unidade não nos faça conceder o farol da justiça.

      Hierarquia de valores.

    • Miguel diz:

      Os líbios não são um pretexto.

      O pretexto é a falta de esclarecimento sobre este conflito.

      Estar do lado mais seguro e dizer que “Kadahfi é um ditador” e não querer saber nada acerca da guerra na Líbia, pode até ser uma posição segura, mas não convence os elementos que exigem explicações e querem saber o que se passa no Mundo.

      No caso da Líbia, o BE, como alguns dos seus elementos – como o caso do Daniel Oliveira, deram uma muito pobre prestação.

      A questão também é outra:

      Quem quererá se informar e esclarecer junto do BE?

      O BE emitiu algum comunicado sobre os africanos que foram linchados por bandos de chamados “rebeldes” (do CNT) na guerra da Líbia?

  30. Augusto diz:

    95 comentários que maravilha….

    Mais um para o caminho.

    ANGOLA

    A militante da União dos Estudantes Comunistas SITA VALLES, assassinada pelos cubanos, é um dos muitos exemplos, da pseudo ajuda internacionalista do Fidel Castro ao MPLA.

    Aliás anos mais tarde, o próprio Fidel deu-lhe alguma razão, ao mandar EXECUTAR alguns dos chefes do corpo expedicionário cubano em Angola, por CORRUPÇÂO e ABUSO DE PODER.

    Mas disto o PCP não deve falar aos seus militantes, são assuntos muito incómodos..

    • Leo diz:

      Cá continua ele com as Selecções. Deve ser a leitura de referência. Chiça que este consegue ser pior que os chicos da cuf!

  31. Leo diz:

    Diz o Rivera mais acima:

    “Nenhum governo legítimo checo ou hungaro pediu a intervenção do Pacto de Varsóvia, Budapeste foi atacada com tanques com imensas vitimas civis. Mas a questão não é a Sharia? Para mim qualquer governo que queira impor a Sharia deve ser combatido e não tolerado. Sistemas de leis religiosas só no Vaticano e em Meca, por razões históricas e ponto final.”

    Foram os legítimos governos da época que pediram a intervenção do Pacto de Varsóvia. São factos históricos, não há como negá-los. Sim, os grupos armados de extrema-direita foram rechaçados pelos tanques do Pacto de Varsóvia. Foi precisamente para isso que o Pacto de Varsóvia para lá mandou as suas tropas e houve vítimas dos dois lados. Em qualquer confronto armado há sempre vítimas dos dois lados.

    E tanto quanto todos sabemos sistemas de leis religiosas além do Vaticano e da Arábia Saudita também os há nos Emiratos Árabes Unidos, no Qatar, no Bahrain e em Israel. Ou nem sequer ainda descobriu que Israel não tem Constituição e que a fonte das suas leis reside na Tora?

    Em contrapartida não há sistemas de leis religiosas nem na Líbia, nem na Síria, nem havia no Iraque antes da invasão norte-americana, britânica, portuguesa, etc., nem no Afeganistão antes e depois da saída das forças soviéticas. Só começou a haver após a tomada do poder dos grupos armados apoiados pelos USA, Paquistão e Arábia Saudita.

    • miguel serras pereira diz:

      Sobre os operários, elementos populares, estudantes, etc. que o Leo baptiza como “grupos armados de extrema-direita”, ler, por exemplo, “Hace 50 años: 1956, el octubre húngaro de los consejos obreros”, de Pepe Gutiérrez-Álvarez, um dos principais animadores da Fundacion Andreu Nin (http://www.marxismo.org/?q=node/519). Vale a pena também estudar os documentos que o Miguel Madeira publicou no Vias de Facto por ocasião deste último aniversário da insurreição húngara (http://viasfacto.blogspot.com/2011/10/ha-55-anos-na-hungria.html), bem como o texto de “A Fonte Húngara”, em tradução inglesa, que, também ele, postou no mesmo sítio (http://viasfacto.blogspot.com/2011/10/fonte-hungara.html).

      msp

      • Leo diz:

        Sobre a Líbia, nada!

        Já calculava. Nem nada também sobre a deliciosa tentativa de nos querer convencer que estes três eurodeputados do PE tomaram alguma posição particular sobre a Resolução do PE que carimbou a licença de matar da NATO.

        E também nada sobre esta agressão à Líbia violar claramente a Carta da ONU!

        E agora tira do chapéu a descoberta de nos grupos armados de extrema-direita em Budapeste nos idos de 1956 haver “operários, elementos populares, estudantes, etc”. Alguma vez disse o contrário? Havia e continua a haver.

        • miguel serras pereira diz:

          Leo,
          As suas considerações sobre os acontecimentos de 1956 na Hungria seriam cómicas se o assunto fosse menos grave. Mas são tão reveladoras como a sua insistência obsessiva em que os seus contraditores políticos deveriam ser objecto de tratamento psiquiátrico. Passemos adiante.

          Sobre a Líbia, tenho escrito bastante. Mas, em duas penadas, aqui fica o resumo do balanço que faço:

          1. Como disse há dias, originalmente, antes da intervenção internacional, “a minha posição era que devíamos pressionar os governos da UE a reconhecer um conselho provisório insurrecto (comprometido por um programa mínimo de restabelecimento das liberdades e direitos fundamentais), e a apoiá-lo com armamento, meios logísticos, etc. Não era sequer a decisão que veio a ser adoptada pelas Nações Unidas e muito menos o tipo de invasão que foi levada a cabo, excedendo monstruosamente os seus termos, “cavalgando” a insurreição, e assim por diante. A defesa desta posição continua a parecer-me que era a única possível, uma vez que Kadafi não estava disposto a renunciar, transmitindo os poderes, por exemplo, a um governo de gestão sob a égide das Nações Unidas, até à eleição, a curto prazo, de uma assembleia constituinte”.

          2. Sobre a situação actual e as coisas que aqui se têm dito, a minha posição é a seguinte:
          ” …as repugnantes razões de Estado que levaram à monstruosa execução extra-judicial de Kadafi não são razão para considerarmos menos monstruosa a sua figura, o seu regime, o papel repugnante que a sua autocracia desempenhou ao serviço da opressão do seu próprio povo e de outros povos, oscilando entre as suas próprias ambiçoes delirantes de fundação de um império e a submissão às tarefas de polícia e de prestador de bens e serviços às ordens da grande potência ou coligação delas que melhor pagasse. Não precisamos, para denunciar a ameaça que a sua execução representa para a vontade de democracia e para a simples liberdade em todas as partes do mundo, de fazer dele um exemplo a seguir. Porque seguir o seu exemplo seria justificar, adoptar e promover a extensão das razões, dos meios e dos fins que presidiram tanto à sua ditadura como à sua execução.
          (http://viasfacto.blogspot.com/2011/10/um-epitafio.html)

          • Leo diz:

            “a sua insistência obsessiva em que os seus contraditores políticos deveriam ser objecto de tratamento psiquiátrico.” ???

            É capaz de trocar tão bombástica afirmação por miúdos? É que não dá mesmo para entender! Tenho as minhas opiniões sobre o assunto como outros têm as suas. Não concorda com as minhas e em vez de avançar com as suas, amesquinha as minhas.

            “antes da intervenção internacional, “a minha posição era que devíamos pressionar os governos da UE a reconhecer um conselho provisório insurrecto (…), e a apoiá-lo com armamento, meios logísticos, etc.”

            Trocado por miúdos foi isso exactamente o que Sarkozy fez! Logo em 10 de Março ao reconhecer o CNT, criado no final de Fevereiro como “único representante da Líbia”, exactamente no mesmo dia em que o PE aprovou a Resolução da autoria de Gomes e Portas! E foi a França que levou ao CS da ONU – logo a 17 de Março! – a Resolução que autoriza a no-fly zone para supostamente proteger a população civil. Sabemos qual foi o resultado: de imediato começaram os bombardeamentos desde barcos de guerra, submarinos e jactos – que continuam – e pouco depois já estava a França a mandar por para-quedas armas e o Qatar por avião!

            E relembro a rapidez com que tudo se passou: as “manifestações” começaram em meados de Fevereiro em Bengazy e Baida, Ghadafi despachou de imediato o ministro da Justiça, Mustafá Abdelkhalil, e o do Interior, Abdel Fatah Yunes, para resolverem pacificamente a questões mas ambos juntaram-se à “rebelião” e tornam-se pilares da mesma logo a 22 de Fevereiro. Duas semanas depois já estava tudo a mexer: PE, CE – com uma Cimeira Extraordinária sobre a Líbia em 11 Março – CS da ONU e início dos bombardeamentos! Tudo num mês.

            Extraordinário não é? Num mês todas as forças políticas da UE, NATO e seus aliados – Qatar, Arábia Saudita, Emiratos, Jordânia, etc – uniram esforços e iniciaram a agressão à Líbia?

            Todas? Não! Há a honrosa excepção nacional do PCP e da maioria do seu Grupo parlamentar, Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica.

          • Leo diz:

            E já que concorda com o voto de Gomes/Portas/Tavares e Marisa veja uma das consequências. Mas veja mesmo até ao fim:

            http://www.youtube.com/user/YT4Libya#p/a/u/1/lEA0MaFKcu0

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  33. De diz:

    Alguém escreve:
    “Perante a eminência da aprovação quase que por unanimidade de uma resolução que explicitamente (se soubesse pôr bold nisto, a “eminência”, a “unanimidade” e o “explicitamente” não escapavam), dava carta branca à Nato para uma intervenção militar, e não conforme foi aprovado pelo parlamento europeu impondo limites a essa intervenção (zona de exclusão aérea), se houve matéria sobre a qual os eurodeputados Miguel Portas e Marisa Matias estiveram bem, atentos e com capacidade de intervenção, foi aí.”

    Silêncio
    e duas notas breves:
    Até onde vai o oportunismo que quem procede perante a “eminência de uma aprovação quase por unanimidade” (honra aos que souberam dizer não!)
    Até onde vai a impotência dos que,aprovando uma coisa,mais não fizeram que caucionar o horror do cometido pelas forças imperialistas e colonialistas…
    com os resultados que se viram

    Quanto à questão da unidade das esquerdas,podem crer que me calei ( e continuarei a fazê-lo) perante muitas “coisas” trazidas à ribalta,aqui no 5 Dias.Em nome de uma luta solidária e de objectivos comuns.
    Mas nesta questão não é possível.
    Sob pena de sermos cúmplices.E de deixarmos de ser o que somos

  34. Leo diz:

    O “Filho de África” reclama as jóias da coroa de todo um continente
    por John Pilger
    http://resistir.info/pilger/pilger_20out11_p.html

  35. ´De diz:

    !O chefe do governo de transição da Líbia, Mustafá Abdel Jalil, voltou hoje a reiterar a vontade de que a NATO se mantenha “envolvida” até ao final do ano para ajudar a impedir que aliados do deposto líder Muammar Khadafi, morto na passada quinta-feira, fujam do país.”

    Dando cumprimento ao estipulado na tal resolução da ONU…
    …como é evidente

    Um nojo tudo isto

    • Leo diz:

      Ali Tarhouni (há 40 anos nos USA, professor na University of Washington Michael G. Foster School of Business) que só regressou à Líbia em Março passado para deter as pastas das Finanças e Petróleo do CNT e hoje numa Conferência NATO/CNT no Qatar se apresenta como “primeiro-ministro” já ontem tinha pedido o mesmo.

      E no passado Domingo vi uma entrevista na Aljazeera com o anterior “primeiro-ministro”, a confessar que tinha pedido mais 4 meses à NATO mas a NATO só dava 15 dias!

      Isto é tudo um jogo de enganos pois obviamente os USA não investiram tantos recursos e homens na Líbia para a NATO sair. Mas para NATO continuar precisam destes pedidos e destes pretextos.

      Agora que os USA até têm um “primeiro-ministro” seu, obviamente que a NATO lá vai continuar no terreno, onde sempre esteve, mas nunca foi confessado.

      Querem lá eles saber da Resolução do CS da ONU que proibia botas no terreno. Estão lá desde há mais de 8 meses.

  36. Miguel diz:

    Para alguns ditos intelectuais (que lavaram as mãos como Pilatos em relação à intervenção da NATO), a morte de Kadahfi agora serve para escreverem uns artigos sobre “a ditadura de Kadahfi” ou “os esquemas de corrupção do velho ditador”, entre outras coisas.
    Serve também para virem para a televisão fazer boquinhas, mostrar a barba bem aparada, ensaiar o discurso, a posse, o sorriso, dizer “sim, sim… não, não… Portanto… Pois… Mas sabe?”

    A minha pergunta é simples:

    Ainda há quem os leia? Quem os grame? Quem lhes dê ouvidos?

    É muito fácil esperar por momentos cruciais de uma guerra, para depois escrever uns artigos. O outro aspecto da questão é fazer o trabalho de casa, ou seja, ler vários artigos sobre a questão, confrontá-los, divulgá-los, debatê-los, mas para isso, os nossos chamados “intelectuais de esquerda” não estão para isso.

    O trabalho de casa é para os outros fazerem.

    • Leo diz:

      “Ainda há quem os leia? Quem os grame? Quem lhes dê ouvidos?”

      Claro que há, Miguel. Pois se eles repetem todos a mesma coisa, estão em consonância com todos os “talking points” do Departamento de Estado, da NATO, do governo, do PSD, do CDS, do PS e se televisões e jornais não convidam ninguém com ideias alternativas, claro que todos temos que os gramar e ouvir.

      Daí a dizer que têm razão não têm. E os que se auto-proclamam de esquerda são obviamente uns vendidos. Mas que os donos dos media pagam bem, lá isso pagam.

      Não só são bem pagos como ganham protagonismo. Ganham a dobrar. Que fazer?

      Continuarmos a “fazer o trabalho de casa, ou seja, ler vários artigos sobre a questão, confrontá-los, divulgá-los, debatê-los” como recomenda e aproveitar todas as oportunidades.

      Porque nós trabalhamos por um ideal, de mudar as coisas, de acabar com a exploração e as guerras. Trabalhamos por um mundo melhor. É esta a nossa recompensa.

      • De diz:

        Clap!Clap!Clap!
        ( e também ao Miguel por convocar uma outra palavra para o debate.A palavra “Pilatos”…
        É também isso aí…e infelizmente talvez mais)

        • Miguel diz:

          É pena que amigos como Leo, De e outras vozes não realizem uma página independente na internet (ou blog), para lutar contra esta apatia em relação ao que está a acontecer na Líbia.

          Por mim, abria-se hoje.

          Em Sirte, está a acontecer uma nova Fallujah, com requintes bem macabros. O tenente-general da NATO abriu a cidade aos bandidos pagos do Qatar para fazer razias. São várias brigadas independentes que vão a todas as casas certificar-se que os moradores são leais a Kadahfi ou não. Se encontram armas, os moradores são abatidos. Se não, são presos e levados.

          Estão a aparecer mortos, com as mãos atadas por detrás das costas (e um tiro na cabeça). Os mortos são ex-resistentes ou leais a Kadahfi.

          Tudo está a acontecer, sem uma palavra de indignação dos tais ditos de esquerda: Sérgio Lavos, Daniel Oliveira e muitos outros.

          “Esta coisa da Líbia” não interessa mesmo e mais vale pôr o video-clip preferido no blog, sintonizar o “ipod” ou assistir a algum documentário no “doclisboa”.

          O sofrimento dos líbios não interessa, não convém… ficará para daqui a uns anos, quando alguém escrever um livro ou lhes disser: “Aconteceu!” … e eles dirão boquiabertos: “A sério?… Não sabia…”

          • Leo diz:

            “É pena que amigos como Leo, De e outras vozes não realizem uma página independente na internet (ou blog), para lutar contra esta apatia em relação ao que está a acontecer na Líbia.
            Por mim, abria-se hoje. “

            Eu prefiro intervir nas caixas de comentários sempre que posso pois que o dia tem apenas 24 horas.

            Tem toda a razão no que diz respeito a Sirte, onde “está a acontecer uma nova Fallujah, com requintes bem macabros. O tenente-general da NATO abriu a cidade aos bandidos pagos do Qatar para fazer razias. São várias brigadas independentes que vão a todas as casas certificar-se que os moradores são leais a Kadahfi ou não. Se encontram armas, os moradores são abatidos. Se não, são presos e levados.
            Estão a aparecer mortos, com as mãos atadas por detrás das costas (e um tiro na cabeça). Os mortos são ex-resistentes ou leais a Kadahfi.

            Tudo está a acontecer, sem uma palavra de indignação” de ninguém, sem jornalistas no terreno. E isto para mim é totalmente incompreensível pois se em Fallujah os G.I.’s tinham proibido a entrada de estrangeiros em Sirte estrangeiros são aos magotes. E pergunto onde estão os seus 100.000 habitantes? E onde estão os habitantes de Bani Walid também?

            E nunca me esqueço que prosseguem os bombardeamentos da NATO na Líbia. Mais de 40.000 bombas não foram ainda suficientes para domar a resistência patriótica.

  37. Mariana Stilwell diz:

    Temo que o que virá a seguir será muito pior do que o tirano deposto. Neste particular, concordo com V Exas.

    Contudo:

    Alguém duvida que se tratou de uma revolução popular à lá Tunisie?

    Acham que foi o império malévolo que acirrou o espírito revolucionário os coitaditos dos Líbios?

    Terão sido perfidamente manipulados por Londres, Washington e Paris?????? A revolução Líbia foi orquestrada por entidades estrangeiras??

    Se a resposta a todas estas perguntas for SIM, recomendo uma visita urgente a um psiquiatra. 🙂

    • Leo diz:

      “Alguém duvida que se tratou de uma revolução popular à lá Tunisie?”

      Eu tenho a certeza absoluta que não foi. Sabia a Mariana que a coisa em Bangazi rebentou a 17 de Fevereiro e a 18 já tinham o tal de CNT e este já tinha um decreto para a constituição do novo “Banco Central” e da nova “Companhia do Petróleo”? E até já tinham a monarquia do Qatar como sócia nessas duas instituições?

      Escapou à Mariana que logo no início enforcaram nos candeeiros públicos de Bengazi e doutras cidades do leste, polícias, soldados e médicos? Sabia que o corpo do médico director de um dos hospitais de Bengazi esteve exposto pendurado num dos candeeiros durante dias?

      Não viu nenhuma selvajaria destas em Tunis nem em qualquer outra cidade tunisina. Nem viu nos media ocidentais ou na Aljazeera a incitação ao ódio como se viu em relação às autoridades da Líbia. E que aliás se continua a ver.

    • Leo diz:

      “Acham que foi o império malévolo que acirrou o espírito revolucionário os coitaditos dos Líbios?

      Terão sido perfidamente manipulados por Londres, Washington e Paris?????? A revolução Líbia foi orquestrada por entidades estrangeiras??”

      Não há “revolução” nenhuma na Líbia. Houve um golpe de Estado – de ministros e generais de Ghadafi e de norte-americanos, britânicos, franceses, qataris e sauditas – que culminou com a captura, tortura e linchagem do Chefe de Estado do país.

      Obviamente com as mãos, pés, pescoços e tudo e mais alguma coisa de Londres, Washington, Paris, Doha e Ryade. Que compraram diplomatas, ministros e altas patentes militares.

      A que os patriotas e resistentes dão luta. Que vai ser longa, dura, cruel e está apenas a começar. Sim vai ser muito dura e longa a luta dos patriotas líbios e desejo-lhes as maiores felicidades.

      Porque não é admissível o arrasar de cidades, a limpeza étnica dos líbios e emigrantes negros, a destruição das infraestruturas, a imposição de fundamentalismos sobre um povo tolerante, hospitaleiro, trabalhador e civilizado.

    • Miguel diz:

      Menina Stilwell,

      Uma guerra como a que ocorreu na Líbia é algo muito forte e muito penoso para vir com recados parvos e infantis.

      Não lhe recomendo perceber ou se informar sobre o que está a acontecer em Sirte, após a tomada da cidade, pelos chamados “rebeldes”. A pilhagem e a matança ainda não acabaram e vão durar por mais dias.

      Só em Benghazi, para comemorar a vitória (ainda não confimada), os seus queridos “revolucionários” deceparam as cabeças de oito camelos e molharam os dedos com o sangue para clamar vitória.

      É bom que não perceba isto… pois quem no fundo vai precisar de um bom psiquiatra é a menina Stilwell.

    • Bruno Carvalho diz:

      É da família da Isabel Stilwell, directora do Destak, que se teve de pôr na alheta do facebook porque não aguentou tanto comentário negativo quando disse que os jovens viviam à rasca porque queriam?

  38. Mariana Stilwell diz:

    Miguel,

    As mulheres Líbias agradecem-lhe.

    • Miguel diz:

      Eu também lhe agradeço os comentários, Miss Stilwell.

      A guerra da Líbia (que ainda não acabou) não é nenhum filme de Hollywood.

      Mande os meus cumprimentos à sua familiar, Isabel Stilwell e diga-lhe que os seus editoriais do Destak são bons para limpar vidros.

  39. Leo diz:

    “Com que militares, se o exército praticamente não existiu nesta guerra civil?”, pergunta o José lá em cima.

    Força aérea e marinha estavam por conta da NATO. E não se diga que trabalharam pouco: só a força aérea fez mais de 26.000 raides aéreos incluindo mais de 9.600 raides de ataque despejando mais de 40.000 bombas que destruíram mais de 5.900 alvos, arrasaram quase todas as infraestruturas, cidades inteiras e tudo quanto cheirava a instalações estatais incluindo de saúde, educação e comunicação.

    Na infantaria além das tropas especiais da NATO – nomeadamente norte-americanas, francesas, britânicas – até participam centenas de alemães (que se tinham abstido no CS…) e hoje segundo o Major General Hamad bin Ali al-Attiya, Chefe das forças armadas do Qatar, foi revelado pela 1ª vez em público que que centenas de soldados seus se tinham integrado nas “forças rebeldes líbias” e estão a combater no terreno. Gabou-se até: “Estivemos entre eles no terreno, às centenas em cada região”. Se foi às centenas em cada região serão portanto uns milhares em frontal violação da Resolução da ONU. E não tardarão muito faroladas semelhantes vindas não só de outras monarquias do Golfo, também da Europa e América do Norte…

    E convém não descurar o exército mediático. Não só a Aljazeera (Qatar) esteve na linha da frente, também a Al Arabya (Arábia Saudita), e as inevitáveis CNN, BBC, Sky, France 24 e todos os media ocidentais sem excepção.

    Conclua por si então quem é que “maquina” na Líbia e na Síria e se tem jeito chamar a golpes de Estado “revoluções”.

    Quanto ao Bahrain e ao Iémen é outro disparate tremendo metê-los no mesmo lote. Ou não sabe que a coisa no Bahrain foi “acalmada” com a entrada de tropas sauditas e polícias dos Emiratos que por lá continuam? Que até destruíram o monumento da praça onde a revolta começou? Que há centenas de presos condenados em tribunal militar a dezenas de anos de prisão? Que muitos destes presos são médicos e enfermeiros que cometeram o “crime” de cuidar dos feridos? Mas ninguém fala do Bahrain, nem sequer os eurodeputados se preocuparam com o Bahrain. Talvez por ser o porto da Esquadra norte-americana?

    No Iémen há um confronto armado. Desde o princípio que o confronto é entre facções armadas. E continua assim sendo.

    E seja sério. Não me viu em parte alguma a defender “invasões da Hungria, da Checoslováquia e do Afeganistão”. Viu-me sim a esclarecer que o Pacto de Varsóvia interveio legitimamente na Hungria e Checoslováquia países membros desse Pacto ao abrigo dos seus Estatutos e viu-me a esclarecer que a URSS interveio legitimamente no Afeganistão ao abrigo do Pacto bilateral de Defesa e Cooperação URSS-Afeganistão.
    E se continua sem perceber porque é que “a democracia líbia correu tão mal” talvez o ajude a lembrança do que ocorreu em 1940 na chamada Batalha de França (9 a 15 de Maio).

    • José diz:

      Você fala em golpe militar líbio.
      Com que militares líbios? Não diz.
      Avança com imensos dados, mas as fontes de informação ficam no segredo dos deuses, pois nas as divulga e, nos media, não se confirma nada disso.
      Para si apenas há revoltas populares na Tunísia e no Egipto.
      As milhares de pessoas que se viram a manifestar, revoltar e lutar na Líbia, na Síria, no Bahrein e no Iémen não existem, nunca existiram.
      Para além de você ser sério também deve aprender a ler: nunca disse que você defendeu qualquer invasão: “Bom, para quem defende que as invasões da Hungria, da Checoslováquia e do Afeganistão resultaram do pedido dos governos desses países,”. Essa sua ânsia volta a traí-lo, Leo.
      E continua a viver nessa fantasia de que as invasões soviéticas e do Pacto de Varsóvia foram realizadas a pedido dos governos legítimos da Hungria, Checoslováquia e Afeganistão…
      E claro! O melhor paralelo que pode haver com a Líbia é mesmo a situação em França em 1940, com os exércitos de diversas potências envolvidos em batalhas convencionais. Como é que ninguém mais se lembrou disso, Leo?!

      • Leo diz:

        “Você fala em golpe militar líbio.
        Com que militares líbios? Não diz.”

        Quer portanto que esqueçamos que a força aérea e marinha estavam por conta da NATO, e que na infantaria além das tropas especiais da NATO participam milhares de tropas qataris (sudanesas, egípcias, jordanas, etc.) e o exército mediático – Aljazeera, Al Arabya, CNN, BBC, Sky, France 24 etc.

        No fundo quer prolongar a mentira da “guerra civil” líbia para ocultar o envolvimento internacional nesta agressão a um país soberano.

        Que houve líbios envolvidos houve, houve, mas eram uma minoria. Obviamente quando o Chefe de Estado Maior enviado por Ghadafi (juntamente com o Ministro da Justiça) trai, leva consigo alguns. E entre os líbios que pegaram em armas estão os da al Qaeda, da brigada que “tomou” Tripoli, esses sim com bastante experiência de combates desde o Afeganistão, Iraque, Iémen. Os tais que a CIA despachou para as prisões da Líbia e que Ghadafi entretanto libertara…

        Quanto a fontes, diga que informação quer que eu confirme, tenho todo o gosto nisso.

        E quanto a revoltas genuinamente populares ocorreram de facto na Tunísia e no Egipto. Claro que houve muita gente em Bengazi a manifestar-se mas houve muitissimas mais a contra-manifestar-se em Tripoli, Sirte, Bani Walid, etc, exactamente como na Síria. No Bahrein todos vimos como a monarquia local deitou mão às tropas da Arábia Saudita e dos Emiratos para proibir manifestações. E no Iémen todos vemos manifestações e contra-manifestações, confrontos armados e contra-confrontos armados todos os dias.

        “O melhor paralelo que pode haver com a Líbia é mesmo a situação em França em 1940” ???

        Eu dei-lhe uma data específica – 9 a 15 de Maio de 1940 – a da invasão da França pela tropa alemã.

        • José diz:

          Você é que se está a esquecer do que escreve e tenta enviar um nuvem de fumo.
          Golpe militar líbio, escreveu você. Não houve, como acaba por admitir.
          Já se percebeu que as pessoas que se manifestam na Líbia, Síria, Iémen e Bahrein são menos populares do que as suas congéneres tunisinas e egípcias.
          E que paralelo é esse entre a Líbia/2011 e a França/1940?
          Você escreveu:
          “E se continua sem perceber porque é que “a democracia líbia correu tão mal” talvez o ajude a lembrança do que ocorreu em 1940 na chamada Batalha de França (9 a 15 de Maio).”
          Que tem a ver uma coisa com a outra?
          Para além de a invasão alemã se ter iniciado a 10 e não a 9 de Maio de 1940.

  40. Leo diz:

    “Os governos legítimos da Hungria e da Checoslováquia não pediram apoio e não pediram qualquer invasão. ” Escreveu o José lá em cima.

    E remete-me para um link da BBC? Está a gozar, só pode. Quanto a Budapeste já lhe respondi aqui em baixo.

    “O que se passa na Líbia é feio, é uma guerra civil, com cobertura a uma das partes por forças internacionais.”

    Só há guerra civil na Líbia porque a NATO bombardeia desde há mais de 7 meses o país. Por ar, mar e terra, aqui através dos seus mercenários. Antes da NATO intervir não havia nenhuma guerra civil. E sem a NATO a coisa estaria resolvida há muito tempo.

    ”O assassinato do Kadahfi foi isso mesmo: um assassinato”.

    Errado, foi muito mais do que isso, foi um assassinato político e uma violação de todas as Convenções de Genebra, da Carta da ONU e da Resolução do CS da ONU. E foi a estreia da NATO a assassinar Chefes de Estado. Antes, era um exclusivo norte-americano.

    • José diz:

      BBC não serve? Prefere o Pravda?
      E, uma vez mais, treslê o que escrevi.
      O link da BBC refere-se ao bombardeamento pela aviação do Pacto de Varsóvia a Budapeste, que você jurava a pés juntos nunca ter existido. Mas, para quem vive num mundo de fantasia, no que à história contemporânea diz respeito, já não surpreende.
      A guerra civil iniciou-se antes da intervenção da ONU, via NATO, e pour cause.
      Provavelmente tem razão. Se não tivesse havido apoio da NATO, o regime de Kadahfi teria ganho a guerra civil e chacinado os seus opositores. Para grande contentamento do Leo, já se sabe.
      Curioso: pareceu-me que os assassinos que se vêm nas imagens eram apenas líbios. Mas se o Leo sabe que foram apenas militares da NATO, que sou eu para duvidar!
      Não seja modesto, Leo. O assassínio de chefes de estado é uma tradição antiga.
      Mesmo na história contemporânea, há outros países com uma rica tradição neste domínio, como a ex-URSS, por exemplo. Afizullah Amin? Não toca campainhas?

      • Leo diz:

        “BBC não serve? Prefere o Pravda?”

        Obviamente que o media estatal britânico esteve ao serviço da propaganda do Ocidente na Guerra Fria e Budapeste e Praga foram dois importantes focos dessa mesma Guerra Fria. Não serve mesmo. Como também agora não serve na guerra da NATO à Líbia: até passou uma manifestação de indianos em Nova Delhi como se fosse de líbios pela “libertação” de Tripoli.

        “A guerra civil iniciou-se antes da intervenção da ONU, via NATO, e pour cause.”

        Intervenção da ONU? A guerra internacional iniciou-se com bombardeamentos desde submarinos, fragatas e caças norte-americanos, continuaram DEPOIS com bombardeamentos de caças norte-americanos, britânicos, franceses, belgas, holandeses, suecos, noruegueses e canadianos sob a capa da NATO.
        E em parte alguma da Resolução 1973 do CS da ONU sequer se menciona a NATO, muito menos bombardeamentos. Era suposto ser somente uma no-fly zone para proteger civis sem botas no terreno.

        “Se não tivesse havido apoio da NATO, o regime de Kadahfi teria ganho a guerra civil e chacinado os seus opositores.”

        Agora chama “apoio da NATO” às mais de 40.000 bombas das mais letais e potentes despejadas sobre a Líbia? É guerra, e das mais furiosas. Que ultrapassa tudo o que anteriormente norte-americanos despejaram sobre o Vietname, Iraque, Afeganistão, Jugoslávia. Mais de 40.000 bombas sobre um país de 6 milhões é uma barbárie nunca antes vista.

        “os assassinos que se vêm nas imagens eram apenas líbios.”

        Mas a caravana foi alvejada por mísseis saídos de drones norte-americanos e caças franceses, e devidamente monitorizada por tropas especiais alemãs, norte-americanas e britânicas em Sirte. Tão ladrão é o que vai à vinha como o que fica à portinha.

        “O assassínio de chefes de estado é uma tradição antiga.”

        Claro, mas uma estreia mundial da NATO.

  41. ´De diz:

    Mais alguns factos que confirmam o quão nauseoso é esta “coisa” toda:
    hhttp://sp.rian.ru/doings/20111027/151310998.html
    ttp://sp.rian.ru/international/20111026/151303525.html

    Há-os para aí.Aqueles que se mantém coniventes…

  42. ´De diz:

    Sob pena de sermos cúmplices:

    “Britain is already demanding that bombarded, bereaved, largely broken Libya, pay compensation for its “liberation.” No, not satire, see:ii.

    “corpses should be dumped in the desert to be eaten by foxes”, stated one “liberator”, claiming that at the deaths: “we all took turns to stamp on” the former Leader’s face, some hitting it “with shoes.”

    When Aisha Quaddafi called her father, minutes after his death, reports state that one of the thugs answered the call telling her: “Fuzzy head is dead.”
    Aisha lost her husband and baby in a NATO bombing in July. She is an internationally respected lawyer, whose cases have included being part of Saddam Hussein’s defence team and who also defended Muntader Al Saidi, the journalist who threw his shoes at George W. Bush in Baghdad, for: “the widows, the orphans ..” the former President had created in Iraq, on his declared “Crusade.”
    She is also a former Good Will Ambassador for the United Nations. One can only speculate how much good will she feels towards a UN which has endorsed the murder and plunder of family, people and land, now. She had lost her father, four brothers, her baby daughter, with her two little cousins, within little over three months. ”

    “This, as rebel forces going by the name of “The Brigade for Purging Slaves (of) Black Skin” have reportedly detained and displaced hundreds, while the people of Tawergha, a town of 20,000, have disappeared without a trace. ”

    “Our armed forces have been in action”, said Prime Minister Cameron. (Yes, the same Cameron who said there will never be “British boots on the ground …”)
    Further: “British Special Forces are engaged in a frantic desert manhunt for Colonel Quaddafi’s son Saif ..” (iv)

    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=27323

    Nojo?
    É uma palavra terrivelmente pobre …

  43. José diz:

    Ok.
    Admite então que faltou à verdade quando escreveu que não tinha havido bombardeamentos pelo Pacto de Varsóvia na ocupação da Hungria/1956.
    Admite que a guerra civil, ao contrário do que escreveu inicialmente, na Líbia se tinha iniciado antes da intervenção da NATO.
    “E em parte alguma da Resolução 1973 do CS da ONU sequer se menciona a NATO, muito menos bombardeamentos. Era suposto ser somente uma no-fly zone para proteger civis sem botas no terreno.”
    Bom, se leu a tal resolução verá que não está a contar tudo, não é Leo?
    Vejamos: “Protection of civilians

    4. Authorizes Member States that have notified the Secretary-General, acting nationally or through regional organizations or arrangements, and acting in cooperation with the Secretary-General, to take all necessary measures, notwithstanding paragraph 9 of resolution 1970 (2011), to protect civilians and civilian populated areas under threat of attack in the Libyan Arab Jamahiriya, including Benghazi, while excluding a foreign occupation force of any form on any part of Libyan territory, and requests the Member States concerned to inform the Secretary-General immediately of the measures they take pursuant to the authorization conferred by this paragraph which shall be immediately reported to the Security Council;

    5. Recognizes the important role of the League of Arab States in matters relating to the maintenance of international peace and security in the region, and bearing in mind Chapter VIII of the Charter of the United Nations, requests the Member States of the League of Arab States to cooperate with other Member States in the implementation of paragraph 4;”

    Admite então, que, ao contrário do que escreveu, quem optou por assassinar Kadahfi foram Líbio e não soldados estrangeiros.

    Admite então, que o exclusivo de assassinatos de líderes políticos não pertencia aos EUA, como escreveu inicialmente.

    Finalmente, se admite que quem matou o Kadahfi foram os líbios, ainda não foi desta que a NATO se estreou nessa antiquíssima tradição de assassínio políticos de chefes de estado.

    Não está mau.

  44. José diz:

    A propósito da Hungria em 1956 e da “invasão a pedido”:
    http://mek.niif.hu/01200/01274/01274.pdf

  45. De diz:

    Não passará.
    A mentira e a trafulhice parece que são características de alguns.
    Confirmado está que a coluna em que seguia Kadafi foi bombardeada pelos pulhas da Nato.
    Aqueles pulhas defendidos por outros que protegem e defendem os pulhas da Nato
    Pulhas da Nato que se sabe hoje que tinham informações sobre os passos de Kadafi.Clinton insinuou abertamente que queria a cabeça do líder líbio.
    Bombardeada a coluna pelos pulhas da Nato.
    Ferido Kadafi provocou refugio.,tendo sido apanhado pelos líbios colegas e cúmplices dos pulhas da Nato.
    Pulhas da Nato que andaram especificamente a perseguir Kadafi e os membros da sua família
    Como qualificar quem anda a dizer que foram apenas os líbios a matar Kadafi?
    Como qualificar quem anda a tentar inocentar a Nato pela morte de Kadafi?

    Não pode passar.Estes crimes assim repetidos que escondem cumplicidades criminosas não passarão.
    Sem que se chame a tal atitude o que se deve chanar

    Repitamos o que Leo disse com uma precisão admirável:
    “O assassínio de chefes de estado é uma tradição antiga.”
    Claro, mas uma estreia mundial da NATO.”

    Os pulhas da Nato a cumprirem o seu destino…
    os pulhas da Nato…

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