O medo deles é a nossa coragem

[Provar do seu próprio veneno. As palavras de Obama e Hillary sobre a Líbia e o Egipto, face aos mais recentes acontecimentos em wall street.]

A Helena Matos, who else, aproveitou o ataque nazi à acampada do “Ocupar Lisboa”, para tirar conclusões precipitadas sobre a totalidade do movimento, do 12 de Março ao 15 de Outubro. Procurando baralhar as contas deste ou daquele leitor mais desatento e que esteja, porventura, a ser levado para os caminhos da insurreição, a ensaísta opta pela instigação. Pensava que seria discreto o seu chamado a que se resolva à paulada o recrudescimento da esquerda que um dia achou fora de moda, e fica à espera que mais ataques dos seus meninos nazis resolvam todas as expressões do descontentamento social. Rui Carmo, para não perder a guerra, vai mais longe. Para este coleccionador de cemitérios abençoados, as 100 mil pessoas que se abeiraram do Parlamento em Lisboa, as 50 mil do Porto e as centenas de milhares pelo mundo fora, não passam de silhuetas combinadas de Hitler e de Estaline. José Pacheco Pereira, sem a prudência que o caracteriza, alerta estes agitprops de qualidade duvidosa que a extrema-esquerda de hoje já não precisa de justificar a sua incompetência, tout court, com as derivas reformistas dos “sociais fascistas”. Ontem como hoje, bastam “cinco pessoas para empancarem os torniquetes das entradas do metro para se poder viajar de graça” disse JPP sobre “o cego” que vê mais do que JPP. Peca por excesso, diga-se. Para empancar torniquetes, rebentar portagens e minar mais uns quantos impostos ilegítimos, sabemos, não são precisas mais do que simples almas solitárias, e isso está longe de ser o que amedronta qualquer um destes milicianos.

Helena Matos, Rui Carmo e José Pacheco Pereira pasmam e perdem-se no meio de tanto disparate. Tudo serve para continuar sem falar que a luta do povo grego se prepara para conseguir com que 50% da “dívida” que lhe foi imposta seja “perdoada” e que uma das primeiras medidas do novo reino da Natlíbia tenha sido aprovação da Sharia.

Na verdade, todos eles mais não mostram do que o medo que o Marcelo Rebelo de Sousa já tinha revelado na sua homilia. A uns e a outros, aconselha-se uma nova passagem de olhos por Fernando Pessoa e um comentário, por curto que seja, ao vídeo que abre esta posta.

Eu Sou do Tamanho do que Vejo

Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo…

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro, no “O Guardador de Rebanhos – Poema VII”

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18 Responses to O medo deles é a nossa coragem

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