Portugal num cavaco

“Quer emagrecer 25 quilos? Corte uma perna.” Este é o tipo de solução que o governo nos propõe para a economia. Consegue-se a perda de peso, não consta é que o paciente corra muito. Os partidos da troika e os economistas do regime, que nos levaram ao estado actual, explicam-nos candidamente que, embora a gente esteja a tomar as medidas da Grécia, o resultado vai ser, naturalmente, a Suécia. É obviamente impossível reduzir quase 6% o défice público num só ano, aumentar brutalmente os impostos, secar o crédito bancário às empresas, cortar mais de 30% dos salários, subir drasticamente o preço dos transportes, saúde e educação e pretender ficar com uma economia saudável.
A receita é tão estapafúrdia que é preciso considerar o que de facto pretendem os governantes, para além do manto da propaganda. Estão a borrifar-se para o país. Há muito tempo que PSD e CDS assumiram o objectivo de conseguir impor o modelo económico da ditadura chilena, usando as imposições da Alemanha como tanques. No final desta crise, o executivo de Passos Coelho terá dado aos grupos económicos sectores estratégicos da economia, como a energia e as águas, que gerações de contribuintes pagaram. Terá acabado com a educação e a saúde públicas, de modo a que haja um serviço pago, de qualidade, para os ricos e uma espécie de sopa dos pobres para todos os outros. E, finalmente, terá garantido uma mão-de-obra submissa e a metade do preço. Não lhes interessa que os portugueses vivam melhor, basta-lhes que alguns tenham lucros milionários.

Crónica do i

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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7 respostas a Portugal num cavaco

  1. Para eles tudo é gordura desde que não seja o nervo da “sua” segurança e o sangue dos impostos convertido em empréstimos ás empresas para ajudar a engordar (!) os empresários. Mas repetem, repetem, repetem. E babam-se.

  2. xatoo diz:

    muito bem; ficam aqui analisadas as consequências; adiante: serás capaz de publicar uma crónica no i sobre as causas que provocam a crise?
    tópicos:
    – quem são os actores na emissão de moeda?
    – de quem depende a concessão de crédito?
    – quem decide o desvio de fundos para a NATO?
    – influência das corporações sobre os bens públicos
    – a corrupção da labregada autárquica=patobravismo
    – a promoção partidária por bons serviços prestados à corrupção
    é melhor para por aqui, senão enches o jornal inteiro…

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  4. Ativo diz:

    Esta é a parte assustadora de tudo. A maioria dos portugueses ainda não percebeu que 2012 vai ser um ano muito mais difícil do que aparenta Mas como ainda não sentimos na pele, ainda não tivemos força para agir de forma coerente e coesa.

    Num país de ditados populares resta-me dizer: Depois da casa roubada, trancas à porta.

  5. Manuel diz:

    Luta de classes, interesses de classes, partidos de classes. Nem percebo o espanto com o que PSD, CDS e PS têm feito e querem continuar a fazer. Alguém com esta grelha de análise esperava mesmo um comportamento diferente?

  6. Diogo diz:

    Que fazer, então, a Passos Coelho, aos seus parceiros de extorsão e respectivos donos?

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