A propósito do menu McGreveGeral encomendado

 

 

 

 

 

 

 

 

No post abaixo de Francisco Furtado, sobre os laços de parentesco entre greves gerais, apesar dos elogios às formas que assume a luta na Grécia (num tom que pretende desclassificar o nível e os modos da luta em Portugal – dentro do mote “aprender com os gregos”) o autor não pondera ou esquece-se de ponderar algo de crucial numa avaliação:

É que, apesar de todo o “ardor” da luta grega, os gregos não estão em melhor estado, as políticas de governo não se alteraram. Não tiveram nestes dois anos uma vitória que invertesse ou travasse a evolução do saque.

Quero com isto dizer que os gregos estão errados? Nem por sombras. Quero dizer com isto que a sua (nossa) luta é inútil? Não, três vezes não. Quero dizer então que a luta não deve subir de tom e assumir novas formas? Pelo contrário.

Que quero então dizer com isto? Em primeiro lugar, constatar que escapou ao autor do texto esta tão incontornável ponderação, ou seja, constato que valoriza os processos independentemente dos seus resultados, o que é convenhamos, muito pobre como “lição”. Corre-se o risco de parecer padecer de um deslumbre estético por certos cenários de luta.

Mas quero dizer mais. As ressalvas sobre o tempo, o espaço, a cultura, etc, parecem não funcionar afinal, porque a conclusão é sempre a de “aprender com os gregos”. Chega-se facilmente à conclusão de que os portugueses são incompetentes, moles, não têm coragem, nem criatividade. E de que as lutas fora de portas são imensamente mais simpáticas e empolgantes.

Outra questão não é ponderada. Diz-se: a luta grega leva dois anos de avanço. Mas não será  a crise grega a levar dois anos de avanço? Ou melhor: não será a crise portuguesa a levar dois anos de atraso? Que bestas que nós somos, tão grandes capachos que somos e, afinal, os mercados, em vez de nos engolir a nós primeiro, foram meter-se com os indomáveis gregos! Que teremos nós que atrasou a crise aqui? Não serão certas qualidades intrínsecas dos nosso próprios modos e forças que levaram os mercados a preferir os gregos por dois anos?

Isto para utilizar os critérios do autor…

Na verdade, todos podemos aprender uns com os outros. Mas medir pilas ou pipis de greves é coisa que não lembra ao diabo.

E para destoar de opiniões formuladas aqui no 5 dias: não, não acho que as centrais sindicais devam convocar manifestações em dia de greve. A arena da luta dos trabalhadores é a empresa. É ali que, na greve, se afirma o seu domínio e se exprime (e reitera) o facto de que são eles o motor da sociedade. É lá que se revela mais claramente a luta de classes. É lá que, todos os dias, mas particularmente, a cada greve, se reforça a organização e a consciência dos trabalhadores. Os trabalhadores devem enfrentar com crueza a decisão de fazer greve e assumi-la perante o patrão. E perante todos os outros.

Mas concordo e apoiarei iniciativas de outras camadas da população, ou sectores não abrangidos pelo pré-aviso de greve – trabalhadores por conta própria, desempregados, estudantes, etc. – como manifestações, engrossando o caudal de luta. Como fizeram os artistas na greve geral passada.

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