Vamos lá a ter calma.

Nas semanas anteriores à manifestação do 15 de Outubro, surgiram vozes indignadas de que a CGTP deveria estar a mobilizar para a acção que, entretanto, juntou milhares entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República. Nessa altura, isso ainda não estava tão claro e dizia-se que uma delegação da CGTP seria bom mas insuficiente. O que queriam, efectivamente, era que os sindicalistas repetissem o esforço que foi feito para o 1 de Outubro. O mesmo esforço que mais ninguém fez quando se tratou de mobilizar para essa data.

Hoje, perante o sucesso evidente da manifestação que ocupou a escadaria da Assembleia da República, ouço a arrogância dos que felizes dizem que foi um momento histórico. Não porque se conseguiu juntar milhares de pessoas mas porque se conseguiu uma acção de massas sem o apoio de sindicatos ou partidos (ou da burocracia). Este é, de resto, o sentimento que tem levado muita gente, nos blogues e caixas de comentários, a propor, na maioria dos casos, a exigir, à CGTP que faça isto e aquilo.

Se é certo que o 15 de Outubro foi uma importante demonstração de descontentamento não é certo que toda a mobilização se devesse aos seus activistas. O que de resto é normal. Se a 12 de Março, a mobilização se deveu, em grande parte, ao apoio da comunicação social, a 15 de Outubro deveu-se, principalmente, ao efeito do anúncio das medidas a aprovar no Orçamento de Estado. E também à imprensa. Essa deu, e bem, destaque. Mas foi o destaque que nunca darão às acções da CGTP e, infelizmente, sabemos porquê.

Também é falso que não tenha havido partidos a mobilizar. Houve-os e isso para mim não é nenhum escândalo. Estranhamente, o partido que mais mobilizou é o mesmo que costuma aparecer bem identificado nas manifestações da CGTP. E curiosamente, desta vez, adoptou uma postura diferente e optou por respeitar o carácter unitário do protesto. O MRPP substituiu-o e apresentou-se com uma faixa bem destacada.

O Renato Teixeira sabe tão bem como eu que a greve geral já estava a ser equacionada antes dos “100 mil” a 15 de Outubro. Mais do que dividir, a ideia deve ser convergir. É a opinião que tenho. Com os partidos, com os sindicatos e com associações. A luta tem de se reflectir através da participação organizada. E a organização não deve ser uma palavra que a alguns provoca urticária. Esquecer todo o património construído pelos trabalhadores portugueses ao longo de quase um século seria traição. Com todos os perigos e potencialidades, a resposta deve ter toda a força necessária para fazer recuar o capital.

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15 respostas a Vamos lá a ter calma.

  1. Augusto diz:

    A deturpação das posiçôes dos adversários politicos , é uma tactica antiga do PCP.

    A Manifestação sindical de 1 de Outubro foi muito importante, era a primeira resposta de massas, aos ataques da direita.

    A esquerda na sua TOTALIDADE deu-lhe o seu apoio.

    As manifestações de 15 Outubro, foram a continuação dessa luta, só que neste caso, o apoio do PCP não só foi tibio, como pior , viu-se escrito em letras de imprensa por militantes do PCP, frases de demarcação dessa mesma manifestação.

    Face á combatividade e ao grande numero de manifestantes, esses mesmo que ontem punham em duvida a eficácia de manifestações apartidárias , com todo o desplante hoje , tentam-se colar a elas.

    Já conhecemos o metodo, a história e os exemplos ….mas a vida continua, e a luta tambem.

    Havendo um inimigo comum , o PREC da direita,há que unir tudo o que pode ser unido, sem que por isso haja necessidade, de se esconderem divergências.

    Apesar de cada um pedalar na sua bicicleta, há que seguir em pelotão compacto, não há lugar para fugas , vedetismo, ou atitudes de prima-dona, caso contrario será uma queda colectiva.

    • Bruno Carvalho diz:

      Isso é falso. O PCP nunca atacou a manifestação de 15 de Outubro e até esteve presente com dois deputados, pelo que sei.

      Eu não sei que manifestações apartidárias é que diz que nós punhamos em dúvida. Mas não me parece que as manifestações da CGTP sejam partidárias. Acho piada é que diga umas vezes que estamos contra e noutras que nos tentamos colar a estas manifestações apartidárias de que fala.

      Seja coerente.

      • JMM diz:

        pelo menos dois deputados estavam lá. além dos inúmeros militantes “anónimos” que marcaram presença.

      • LAM diz:

        Teremos opiniões diferentes. Acho que os partidos da esquerda apesar da participação dos seus militantes ou simpatizantes em 15-O , fizeram bem em não aparecerem identificados. Não penso o mesmo sobre a CGTP que deveria, a tempo, claramente e sem que se lhe enrolasse a língua, ter apelado à participação e ter-se feito representar. A convocação de qualquer outra ação de luta para uma data posterior não impedia isso, antes pelo contrário, reforçava a força de ambas as iniciativas.

        (dizer que a manif do 12 de março teve sucesso porque teve o apoio da comunicação social, e que esta de 15-O se deveu ao “efeito do anúncio das medidas a aprovar no Orçamento de Estado.” não lembra ao caracol. Então haveria de ser a quê? As pessoas vão para a rua manifestar-se porque são malucas, é? )

      • Augusto diz:

        Basta ler o que escreveu o Bruno Carvalho nas semanas que antecederam o 15 de Outubro.

        Coerência é algo que lhe falta.

        Mas se ler com atenção aquilo que eu escrevi, até pode criticar as minhas ideias, mas por favor arranje outro tipo de argumentos , e sobretudo seja coerente.

  2. José António Jardim diz:

    Esse tal de Augusto tem um ódio fidigal ao PCP?Porquê?Não sei.Tudo o que de mau acontece neste País na opinião do Augusto,o PCP é que é culpado.Isto é uma fobia sim senhor a merecer tratamento no Júlio de Matos, Augusto.
    Ao menos vaia á consulta.O internamento será numa fase posterior se a fobia anti-PCP não desaparecer.
    Cure-se homem!

    • Mike diz:

      Diria mais…

      Para esse, o que corre mal é culpa do PCP e o que corre bem, corre apesar do PCP…

      é assim a vida de muitos… que fazer? deixa-los ladrar e continuar-mos nós a lutar, a mobilizar, a unir, a propor alternativas, porque no final sabemos quem lá vai estar…

    • Augusto diz:

      Que tristeza, nem vale a pena gastar cera com tom ruim defunto.

      No tempo de Cunhal ainda tentavam argumentar, hoje…..,

      Divergir das posições politicas que defendem certos militantes do PCP, apontar os erros estratégicos e tacticos do seu partido, é um direito que me assiste.

      Se calhar se vivesse na sua amada Cuba ou nesses paraiso que se chama China, já para não falar em Angola, isso não era possivel.

      Por enquanto em Portugal ainda é.

      • Mamene diz:

        Atão pq é que perdes tempo a comentar aki e não vais comentar para os abrutos,31 d’armada e quejandos?Vai-te…da-se!

    • Manuel diz:

      “Esse tal de Augusto tem um ódio fidigal ao PCP?Porquê?”

      Senilidade? Talvez. Não há nada a fazer. Ódio velho não morre.

  3. Vicente de Lisboa diz:

    A Manifestação correu bem, ninguém se cortou à dita, e ninguém se pôs em bicos de pés. Isto é uma não-questão. Siga a marcha!

  4. Miguel J. diz:

    Subscrevo na totalidade.

  5. JP diz:

    Oh! Augustus o que é que quer, a luta com organização e unidade capaz de derrotar a direita, ou a sua atitude velada de criar a confusão, para o seu apoio as estas politicas de direita contra o povo e os trabalhadores.
    A sua atitude parece-me
    um verbalismo reacionário inconsequente.

  6. closer diz:

    Eu fico doido com este post e com os comentários subsequentes, venham eles de gente do PCP, do BE, ou de simples indignados.

    Penhorada, a direita agradece a nossa divisão!

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