Definições

Tive de reescrever o texto várias vezes porque não percebi se a Gui Castro Felga acha mesmo que “há trabalhadores que, por definição, não podem fazer greve”. É que a definição que eu tenho é a de que até ao momento o direito à greve ainda não foi proibido e que, acima de tudo, os direitos se defendem exercendo-os. Por isso, parece-me escandaloso que se colabore com a direita e os patrões na disseminação da ideia de que nos devemos vergar ao medo e à repressão e não fazer greve.

A greve geral é uma forma superior de luta. É uma arma que ataca onde mais dói ao capital. Bem antes de eu e a Gui Castro Felga existirmos, os trabalhadores desafiavam o medo e a repressão do fascismo. Aí, sim, por definição, os trabalhadores não podiam fazer greve e, ainda assim, faziam-na. Num momento em que precisamos de um contra-ataque à altura, há quem lance a dúvida e a confusão. O cúmulo do oportunismo é, ainda, pensar se deve ou não haver greve geral porque a maior parte da base de apoio do 15 de Outubro são precários e desempregados. Felizmente, a maioria não pensa como ela.

Outro que parece não perceber muito bem de definições é o Paulo Granjo. Propunha que se fizesse greve geral de dois dias mas com manifestações. Alugavam-se umas camionetas e traziam-se os trabalhadores para as acções de protesto. Pois é, o problema é que, por definição, uma greve geral é mesmo uma greve geral e a ideia de uma greve geral é ninguém trabalhar. Coisa que até eu, um revolucionário de teclado – como o próprio me apelidou – percebe. E só quem nunca esteve num piquete de greve, fixo ou móvel, – como os cagões – é que pode achar que há horas para manifestações ou concentrações que não colidam com o trabalho dos piquetes.

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48 respostas a Definições

  1. Vasco diz:

    Excelente texto. Na anterior greve geral, muitos trabalhadores de grandes superfícies comerciais, por exemplo (poderão estes fazer greve?) fizeram-na, desafiando corajosamente o poder patronal. Estaremos juntos nos piquetes – nas nossas empresas ou dando uma mãozinha nas outras. Para darmos um grande contributo para o fim do roubo.

  2. Vasco diz:

    Os piquetes de greve e os que neles participam podem nunca vir a aparecer na televisão – mas são grandes obreiros das greves gerais. Quantos milhares de trabalhadores só se decidem a aderir quando vêem os seus colegas (e outros) à porta, corajosos, esclarecendo e mobilizando? Só quem nunca participou é que pode duvidar.

    • Rafael Ortega diz:

      “Os piquetes de greve e os que neles participam podem nunca vir a aparecer na televisão”

      Apareceram já por várias vezes.

      “Quantos milhares de trabalhadores só se decidem a aderir quando vêem os seus colegas (e outros) à porta, corajosos, esclarecendo e mobilizando?”

      Ou impedindo de trabalhar quem não quiser aderir à greve…

      • De diz:

        “Apareceram já por diversas vezes”

        Há algo de surreal nesta frase.Como se os tais que aparecem na televisão usurpassem um tempo mediático que não devia ser seu.
        Como se as “vozes do dono ” mediáticas não tivessem o quase monopólio da informação …
        Como se as (poucas ) vezes em que tais piquetes aparecem nas televisões não o fossem por vezes em condições colaterais e em situações em que os tentam vilipendiar
        Como se o trabalho de milhares de trabalhadores em tais “ofícios” se reduzissem ao parco tempo dispensado a estes

        Há mais.
        Os piquetes de greve …”ou impedindo de trabalhar quem não quiser aderir à greve…”
        ” O direito à greve, consagrado na Constituição da República Portuguesa, é um direito de todos os trabalhadores, independentemente da natureza do vínculo laboral que detenham, do sector de actividade a que pertençam e do facto de serem ou não sindicalizados”
        Os piquetes de greve estão também enquadrados na nossa legislação sobre a greve

        Ainda não conseguiram alterar a lei pois não?
        É que o que se verifica é precisamente o contrário.O empregador coagir o trabalhador a não aderir a uma greve ou prejudicá-lo ou discriminá-lo pelo facto de a ela ter aderido.
        Como aliás se insinua nas ameaças veladas com que mimoseiam os trabalhadores do “privado” em caso da adesão destes à greve.
        Como é o exemplo do mesmo comentador quando escreve mais abaixo” No privado perde-se o emprego…Um trabalhador do privado tem que pensar muito bem antes de fazer greve”

        Mais palavras para quê?

  3. Dédé diz:

    Como já referi no post de Paulo Granjo, abriu a época dos treinadores de bancada da Greve Geral.

    • Bruno Carvalho diz:

      Está a dizer que sou treinador de bancada ou vai participar comigo nas distribuições, pichagens, colagens e piquetes?

  4. Augusto diz:

    Bizantinisses, é lógico que se podem fazer greves gerais, com piquetes e manifestações, sempre assim sucedeu, não entendo agora esta conversata.

    Afinal os desempregados, os reformados, mesmo aqueles trabalhadores que não possam fazer greve, e que queiram de alguma forma aderir ao protesto, poderão sempre concentrar-se e mostrar que estão com os objectivos da Greve Geral.

    O problema é outro, esta greve geral, tem de atingir as empresas privadas, os bancos.etc, que normalmente não aderem , como o sector publico a este tipo de protesto.

    É essencial que os transportes publicos parem a 100%

    Mas desta vez é decisivo, que os transportadores que estão na maioria em risco de falência, veja-se o caso recente da TNC, tragam os seus camiões para o centro das cidades, e que as maquinas pesadas ligadas á construção civil, paralisem, os eixos centrais do pais.

    Sejamos objectivos, uma resposta de massas, para fazer parar esta ofensiva da direita tem de ser muito mais radical.

    Se a direita quer fazer um PREC á sua maneira, a esquerda deve responder-lhe como lhe respondia nos tempos do PREC.

    • Rafael Ortega diz:

      “O problema é outro, esta greve geral, tem de atingir as empresas privadas, os bancos.etc, que normalmente não aderem , como o sector publico a este tipo de protesto.”

      No sector público quem faz greve perde o dia de trabalho. No privado perde-se o emprego se a empresa tiver prejuízos.
      Um trabalhador do privado tem que pensar muito bem antes de fazer greve, o do público não.

  5. JA diz:

    O Paulo Granjo fala em ““vaquinhas” de transportes privados” numa resposta a um comentário a um post. O que é que isso tem a ver com “aluguer de camionetas”? Eu disponho-me desde já a dar boleia a si e ao Paulo para a manif da Unidade. Desde que não me caguem o carro, claro.

  6. Paulo Granjo diz:

    Parece que não foi só um comentador apressado a não ter conseguido concentrar-se durante 4 palavras seguidas, até ser capaz de ler «”vaquinha” de transportes privados». Também o meu digno co-bloguista teve essa incapacidade cognitiva, ou então a má-fé de, mesmo tendo lido, ainda vir aqui escrever «alugam-se umas camionetes».

    Felizmente, as questões levantadas pelo meu lacónico post até vão sendo debatidas na caixa de comentários respectiva, quer seja no tom “bimbalhista-tá-se-mesmo-a-ver-porque-sempre-foi-assim” que o meu digno co-bloguista aqui partilha, quer com uma maior preocupação de seriedade e efectivo debate.
    Por isso, remeto para aí aqueles eventuais interessados a quem regurgitar chavões preocupe menos do que, por exemplo, o facto de greves na realidade grandes terem vindo sistematicamente a ser interpretadas pela maioria das pessoas como se tivessem sido enormes fiascos.
    Preocupação que (tal como a tal vontade de sério e efectivo debate) é, tanto quanto sei, partilhada pela maioria dos dirigentes sindicais em posições de maior responsabilidade.

    Entretanto, e sem lhe querer dar conselhos, talvez não seja mau de todo procurar informar-se (quanto mais não seja, junto dos fundadores do blog) acerca do curriculo político e de intervenção social dos co-bloguistas que lhe apetece insultar. Sempre evita cair totalmente no ridículo.

    • Bruno Carvalho diz:

      Só achei isto: Antropólogo, investigador do ICS-UL e professor convidado da FCSH-UNL. De 1999 a 2006, foi professor visitante na UEM, em Maputo. Faz pesquisa em Portugal e Moçambique tendo estudado, neste último país, o trabalho e perigo na fundição de alumínio Mozal, as tensões de género e poder em torno da nova Lei da Família, as concepções e práticas ‘tradicionais’ de adivinhação e cura, a memória de acontecimentos traumáticos e a violência pública. Publicou diversos artigos e os livros “Lobolo em Maputo” e “Um Amor colonial”. Prepara a publicação dos livros “Família e Lei em Moçambique”, “Os Antepassados e Nós – incerteza no Moçambique actual” e “Mozal: Labour in a Border Culture”. Recebeu em 2007 o Prémio Sedas Nunes Para as Ciências Sociais. É membro honorário da Associação dos Médicos tradicionais de Moçambique.

      • paulogranjo diz:

        Limitação interpretativa, ou dissonância cognitiva?
        Como imagino que saberá, isso é um curriculo profissional (en passant, até incompleto, pois só se refere ao meu trabalho sobre Moçambique), não o “currículo político e de intervenção social”.
        Quanto a isso, e já que se deu ao trabalho de fazer esta gracinha, já lhe sugeri quem lhe pode esclarecer parte da missa.

        • Bruno Carvalho diz:

          Independentemente do curriculum, o “revolucionário de teclado” fica à espera de o ver em distribuições, colagens de cartazes, pichagens e piquetes.

    • Manuel diz:

      “Felizmente, as questões levantadas pelo meu lacónico post até vão sendo debatidas na caixa de comentários respectiva (…) .
      Por isso, remeto para aí aqueles (…) a quem regurgitar chavões preocupe menos do que (…) o facto de greves na realidade grandes terem vindo sistematicamente a ser interpretadas pela maioria das pessoas como se tivessem sido enormes fiascos.
      Preocupação que (…) é, tanto quanto sei, partilhada pela maioria dos dirigentes sindicais em posições de maior responsabilidade.”

      E a maioria dos dirigentes sindicais em posições de maior responsabilidade são os mesmos que estão agora empenhados na concretização e consequente mobilização para uma próxima Grande Greve Geral, certo? Ou não? Então em que é que fica?

      Depois da decisão tomada por quem de direito – neste caso direcções da CGTP e da UGT – rema com confiança para o mesmo lado ou continua de cima do muro a desvalorizar a importância duma Grande Greve Geral?

  7. Manuel diz:

    “uma greve geral é mesmo uma greve geral e a ideia de uma greve geral é ninguém trabalhar.”

    Parece que foi em vão o meritório trabalho do Sassmine de divulgação da nossa Constituição.

    Não entrou mesmo em certas cabecinhas que trabalhadoras e trabalhadores têm os mesmos direitos, liberdades e garantias pessoais e de participação política de todos os cidadãos e cidadãs e gozam ainda de direitos, liberdades e garantias próprios, consagrados no Capítulo III – Direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores:

    Artigo 53.º – Segurança no emprego
    Artigo 54.º – Comissões de trabalhadores
    Artigo 55.º – Liberdade sindical
    Artigo 56.º – Direitos das associações sindicais e contratação colectiva
    Artigo 57.º – Direito à greve e proibição do lock-out

  8. JMJ diz:

    “Somos todos trabalhadores, percários são os vincúlos!”

    Será este um slogan de dificil tradução? Precisaram de legendas? How about (with thanks to the google translator)…

    “We are all workers, precarious are the links!”???
    “Wir sind alle Arbeitnehmer, prekär sind die Links!”
    “Nous sommes tous des travailleurs, précaires sont les liens!”

    et al…

  9. Job diz:

    Bruno,

    bem-vindo ao mundo real.

    Experimenta dizer a um “colaborador” precário sem contrato ou com um contrato a termo de poucos meses para fazer greve.

    Quem pode (funcionários públicos, contratados efectivos) faz, o resto manifesta-se quando pode. E nada do que tu possas alegar vai contrariar esta realidade. Por outro lado, com a alteração das regras de despedimentos, muitos dos que são efectivos e actualmente fazem greve, vão deixar de a fazer, isto porque vai passar a ser mais fácil ao patrão despedir. Aí restarão os funcionários públicos, mas até quando?

    Para a maior parte das pessoas, todas aquelas que não trabalham em sindicatos, fazer greve pode ser muito bom para defender direitos, mas se o fazer greve significar perder o trabalho, então entre greve e o trabalho, eles vão escolher o trabalho.

    Que fazer, então, uma vez que cada vez mais as políticas que têm vindo a ser postas em prática apontam para um esvaziamento de direitos, entre eles, o direito à greve? Essa é que é a questão.

    Não digo para não se fazerem greves. Quantas mais melhor. No entanto, não podemos deixar de reflectir no facto de o patronato e o estado estarem constantemente a mudar regras e tornar inócuo o efeito da greve marcada.

    A Gui certamente que não quis menorizar o direito à greve. O que a Gui fez foi colocar em perspectiva (e desta vez não é através de cartazes) o dano que uma greve actualmente pode produzir àqueles que vêm investindo contra os trabalhadores. E isso, meu caro Bruno, não só faz sentido como é urgente que se faça.

    Porque não vale a pena continuar a defendermo-nos com paus contra quem nos ataca com pistolas.

    “Never bring a knife to a gun fight”

    • Bruno Carvalho diz:

      Não estou a ver outra forma de luta mais elevada que a greve geral, só mesmo a tomada do poder. Cá para nós, que ninguém nos ouve, eu acho que é mesmo só para não dizer está de acordo com uma acção de luta marcada e dirigida pela CGTP e para não admitir que há outras estruturas e movimentos que são incapazes de organizar essa forma de luta.

      E essa de se fomentar as manifestações nos dias da greve como escape para os que não podem fazer greve é não só divisionismo como sabotagem. Está a dar-se razões para que as pessoas não façam greve e cedam ao medo e à chantagem patronal. Mas cada um sabe de si.

  10. iskra diz:

    É isso Bruno. Era importante que as pessoas que não têm experiência de participação num piquete, viessem agora ganhar essa experiência. É que os piquetes que realmente podem criar impacto duram 24h. Por vezes, também tens que acudir e reforçar noutros lados, onde as empresas de segurança com a protecção da polícia carregam no piquete. Depois ainda tens que acudir em sítios onde a organização sindical é débil e não podes deixar trabalhadores a enfrentar o patrão mais a sua segurança, e depois tens que convencer outros trabalhadores que não devem substituir outros por ordem do patrão, e depois tens que. Pois um piquete de greve pode ser com um desgaste físico brutal. E nós que andamos nesta lutas há muitos anos, estamos já com algum desgaste. Era bom que toda essa juventude cheia de vontade de participar viesse engrossar os piquetes. E assistir à luta corpo a corpo. E conseguir escapar do camião que se atira para cima de nós, ou enfrentar um grupo de amarelos que nos querem bater porque tirámos uns barrotes de um monte lixo para nos aquecermos numa noite gelada.

  11. iskra diz:

    É isso Bruno. Era importante que as pessoas que não têm experiência de participação num piquete, viessem agora ganhar essa experiência. É que os piquetes que realmente podem criar impacto duram 24h. Por vezes, também tens que acudir e reforçar noutros lados, onde as empresas de segurança com a protecção da polícia carregam no piquete. Depois ainda tens que acudir em sitios onde a organização sindical é débil e não podes deixar trabalhadores a enfrentar o patrão mais a sua segurança, e depois tens que convencer outros trabalhadores que não devem substituir outros por ordem do patrão, e depois tens que… Pois, um piquete de greve pode ser com um desgaste físico brutal. E nós que andamos nesta lutas há muitos anos, estamos já com algum desgaste. Era bom que toda essa juventude cheia de vontade de participar viesse engrossar os piquetes. E assistir à luta corpo a corpo. E conseguir escapar do camião que se atira para cima de nós, ou enfrentar um grupo de amarelos que nos quer bater porque tirámos uns barrotes de um monte lixo para nos aquecermos numa noite gelada.

  12. Vasco diz:

    Agora que a Greve Geral está marcada vejamos alguns a defender manifestações, concentrações, greves de dois dias ou por tempo indeterminado, assembleias populares com ocupação disto ou daquilo. Vamos ver…

  13. Pingback: Grécia, a mãe de todas as greves (com Manifestação e Cerco ao parlamento) | cinco dias

  14. olé.

    1. subscrevo o ‘job’ – wake up.

    2. os desempregados e os precários não têm direito a greve, mantenho. se queres ficar na comparação com o tempo da outra senhora e no apelo à coragem-neo-mártir, enfim, tudo bem, mas eu não tenho como te responder, nem acho que precise. o PCP e a CGTP sempre tiveram dificuldade a lidar com os que caíram do código do trabalho abaixo, não é? eu falo da necessidade de tipos de luta que possam incluir toda a gente, incluindo os sem direitos. quem pode fazer greve, que faça. e os outros? como os mobilizamos? essa é que para mim é a pergunta para o 15O.

    volto a dizer: não tenho nada contra greves, seja em que formato for. os sindicatos é que as podem convocar, é a sua ‘arma primordial’, que a usem e façam o seu trabalho. o que eu ponho em causa é o posicionamento da assembleia popular do 15O de lisboa, (o tal protesto internacional que a miopia da CGTP não chegou a ver, por medo de não sei o quê), que ‘apela’ aos sindicatos que convoquem greve geral. ora, se, na minha modesta opinião, o 15O e os movimentos de ‘indignados’ TAMBÉM almejam representar quem não é sindicalizado PORQUE NÃO PODE SER SINDICALIZADO, e esta mobilização até começa nos precários, não faz grande sentido que se apele à convocação de uma forma de luta que exclui parte das pessoas.

    também não faz sentido nenhum a tua irritação…. e chamar-me oportunista, aviso já, não gosto. acho, até, um pouquito idiota, se o objectivo (a mobilização para a luta anticapitalista, contra a hegemonia neo liberal) é comum (dah). o ano passado, pla mesma altura, já me fartei de protestar com esta situação. (ver http://oblogouavida.blogspot.com/2010/11/critical.html) – estamos do mesmíssimo lado e chateia-me que se assuma o contrário, logo que surge uma questão. trabalho com mais abertura democrática que isso. e não acredito em caminhos únicos.
    saudações outubristas.

    • JMJ diz:

      e prontos…

      … como o patrão não deixa, não se luta…

      • caro JMJ, isso é o comentário mais inteligente de que é capaz? uau. nota: não tendo trabalho, tb não tenho patrão. tire lá as palinhas e tente outra vez.

        • JMJ diz:

          Considero o seu discurso como potencialmente reaccionário, mas acima de tudo é sinal de um profundo desconhecimento do que foi a história das lutas de trabalhadores em Portugal.

          Caso não saiba, a Luta não nasceu com o Facebook, com a Internet, não precisa de tradução de inglês.

          A história do nosso povo está cheia de gente que lutou, que fez greve, mesmo em praças de jorna (Catarina Eufémia, já ouviu falar?)! Mesmo correndo perigo de vida! Mesmo quando os camaradas caiam ao lado, mortos pelas “forças da ordem” (Cândido Capilé, anyone? não?pois…).

          Atreve-se a insultar a inteligência do meu comentário? Quem é você? Faz uns desenhitos catitas e então? Que mais fez? Eu não sei! Mas sei que a Gui não faz mais pálida ideia do que eu faço! E sei que não sabe porque eu não estou interessado em fazer com que saiba. não interessa para esta discussão.

          O que eu sei é que há muita gente que vai pela primeira vez fazer greve no próximo dia 24 de Novembro. Como já estive em piquetes de greve sei da importância que podem ter neste processo, transmitindo a força necessária aos trabalhadores, seja qual for o seu vínculo, para lutarem solidariamente pelos seus direitos, junto dos seus camaradas/colegas de trabalho.

          É difícil fazer greve? claro que é! Por isso é uma forma mais elevada de luta! Então e porque é difícil não fazemos?

          Estou farto que digam que há trabalhadores de primeira (que podem fazer greve) e trabalhadores de segunda (que não podem fazer). Estamos todos juntos nisto ou não?

          A Greve não se faz porque é conveniente! Faz-se porque tem que ser feita! Porque os trabalhadores a isso são obrigados pela situação social e politica!

          • António Pessoa diz:

            Esqueceu-se, é claro, dos trabalhadores de 3ª(?): os que não querem fazer a greve e são coagidos pelos tais piquetes (mas isso não interessa nada, não é? é preciso é nunca perder de vista onde mora a PUREZA PREC).

            Ele há egos tão inchados e auto-deslumbrados de pureza PC que se um dia rebentam, em vez de ficar tudo sujo de merda (que é o conteúdo normal de egos inchados), fica tudo pintado de tinta vermelha!

          • P L diz:

            Correndo o risco de parecer reacionário…

            “Atreve-se a insultar a inteligência do meu comentário? Quem é você? Faz uns desenhitos catitas e então? Que mais fez? Eu não sei! Mas sei que a Gui não faz mais pálida ideia do que eu faço!”

            Olha, queres ver que temos aqui o camarada Cunhal a comentar?

            “Estou farto que digam que há trabalhadores de primeira (que podem fazer greve) e trabalhadores de segunda (que não podem fazer).”

            Pois é, pá. Mas é a realidade… Muitos podem, mas no dia seguinte estavam sem trabalho ou levavam um rombo no ordenado que nem é bom. Porque, e nem precisava de relembrar isto tendo em conta que você é uma pessoa com muita experiência nisto do mercado de trabalho, hoje em dia muitos trabalhadores têm subsídios de assiduidade que são parte muito importante do vencimento total. E isso acontece, sobretudo, para reduzir compensações em caso de despedimento, cálculo do susbsídio de desemprego (em que é apenas contabilizado o vencimento base) mas também para punir bastante em caso de falta injustificada (como é o caso de greve).
            Ou seja, o trabalhador não perde apenas o correspondente a um dia de trabalho. Perde um valor que é em média um terço do vencimento. é óbvio que nestas condições o trabalhador dificilmente tem condições para fazer greve, mesmo sendo efetivo.

            Sabe porquê que os indíos foram exterminados? Porque se mantiveram fiéis às setas, mesmo depois de perceberem que os seus inimigos usavam pistolas.

            Enquanto não se perceber que aqueles que fazem leis atuam em conluio com aqueles que empregam no sentido de adotar estratégias com vista à defesa dos seus interesses, naturalmente contrários ao do trabalhador, e se se mantiver a mentalidade de século XIX, não vamos a lado nenhum.

            Sim, nós queixamo-nos que os patrões querem regredir as condições laborais às que se verificavam no século XIX. Felizmente ainda não chegamos lá. Mas vamos chegar.

            Chegaremos se aqueles que lideram a luta dos trabalhadores continuarem a pensar que conseguem mobilizar o povo da mesma forma que mobilizavam nessa altura. As pessoas faziam greve, passavam fome e arriscavam a vida. Certo. Mas elas já passavam fome mesmo não fazendo greve. Ou seja, a luta era mais intensa porque não havia nada ou quase nada a perder.

            Situação bem diferente se verifica hoje. Eu posso estar mal e podem estar a tirar-me direitos. Mas se falto um dia para fazer greve, deixo de ter dinheiro para alimentar os meus filhos, porque não me posso dar ao luxo de perder um terço do meu salário.

            Pode argumentar: mas se não luta vai perder os direitos e até pode vir a perder o terço definitivamente.
            É um equilíbrio dífícil. As formas de luta devem ser reinventadas. Ninguém – eu pelo menos e o alvo da sua critica – põe em causa o direito à greve, mas a greve não pode ser motivo para continuarmos neste imobilismo de luta. Porque as formas de exploração e opressão são cada vez mais sofisticadas. O tecido produtivo do país é diferente, a natureza dos vínculos é diferente, os direitos, felizmente são diferentes – já há mais a perder. Tudo é diferente, menos os métodos com que certas pessoas insistem em fazer a luta.

            Há que pensar nisso.

          • JMJ diz:

            e prontos…

            … como o patrão não deixa, não se luta…

          • António Curto diz:

            Para quem é assalariado de um sindicato é fácil falar.

            Quem tem de dar de comer aos filhos, vê a coisa de forma diferente.

            Seria de esperar que “os líderes do povo, convocadores-gerais de greves” inócuas percebessem isso.

            Porque hoje em dia só os funcionários públicos fazem greve.

            Os outros, precários ou não, efectivos ou nem tantto, esses não podem fazer greve porque isso ia ser contraproducente.

          • Bruno Carvalho diz:

            A quantidade de anti-sindicalistas que comentam este post é impressionante. E com todo o tipo de argumentos que fazem lembrar os promovidos pela imprensa e pela direita.

          • António Curto diz:

            Sr Bruno,

            Olhe que isso não é verdade.

            Mas quer entrar pela discussão de “quem faz o jogo de quem”?

            Importa-se de comentar se eu disser que actualmente os sindicatos apenas servem para conter os protestos dos portugueses, para os manter “na ordem”, para o encarneirar, para fazer sair o povo “a horas certas” ou mesmo para representar o papel da constestação que lhes está destinado pelos verdadeiros mandantes do país?

            não entre por aí, sr Bruno.

    • João Valente Aguiar diz:

      «os sindicatos é que as podem convocar»

      é verdade Gui, mas os sindicatos convocam greve para TODOS os sectores e para TODOS os trabalhadores. Não há NADA que impeça a participação de um trabalhador precário (sindicalizado ou não) numa greve. Ou achas que a maioria dos trabalhadores que ao longo da história fizeram greve tinham direitos? Nos países capitalistas, só na europa ocidental e, mesmo assim, só a partir dos anos 60, num cenário histórico que durou 30-40 anos quando muito… Em Portugal tens direitos razoáveis nos anos 70 e 80, e sobretudo nos sectores que mais lutaram no processo revolucionário e com isso almejaram importantes conquistas. Depois é sempre por aí abaixo.

      Acho que não devemos embarcar nesse discurso de separação entre os que têm direitos e os que não os têm. Todos os trabalhadores são explorados, independentemente do vínculo jurídico de trabalho. A condição de um trabalhador assalariado não é jurídica, é social (a sua vulnerabilidade estrutural perante o patronato que decide sobre o que fazer com ele/ela e a quem vende a sua força de trabalho – pode soar a algo velhinho, mas velhinha é a realidade capitalista que nos quer continuar a explorar, a dividir e a criar fantasias).

      Como diz o JMJ acima “somos todos trabalhadores, precários são os vínculos”. E para terminar deixo só uma citação do Marx e diz lá se não isto que une e define o que é o conjunto de TODOS os trabalhadores:

      «o operário não somente restitui o que consome», portanto o valor correspondente ao seu salário, «como ainda dá ao trabalho acumulado um valor maior do que o que antes ele tinha». O conjunto dos trabalhadores assalariados constitui-se como a classe social que «não possui mais nada a não ser a sua capacidade de trabalho» (Trabalho assalariado e capital).

      • De diz:

        Clap,clap,clap!

      • … diga isso à CGTP que não sindicaliza precários!!!

        • Bruno Carvalho diz:

          Mentir é feio.

        • João Valente Aguiar diz:

          Cara Gui,

          Por exemplo, muitos novos sindicalizados em sindicatos de professores, enfermeiros, indústrias eléctricas, ferroviários ou do comércio são precários. Se há crescimento de sindicalizados ou entrada de novos sindicalizados em imensas profissões isso deve-se à entrada de trabalhadores precários. Não tenho dados estatísticos mas se se for, por exemplo, a um sindicato de professores, quase todos os seus filiados que entraram nos últimos 5 anos serão quase de certeza professores em situação de uma tremenda precariedade. E podiamos multiplicar os casos indefinidamente.

          Repara, eu não estou a dizer que os trabalhadores precários não possam (e até devem) participar em organizações próprias. Agora, nada disso deve ser contraditório com a sua participação nos sindicatos. No passado, quantos trabalhadores precários (refiro-me aqui aos operários industriais fordistas) não eram simultaneamente membros de associações de moradores, associações recreativas, cooperativas de socorros mútuos, associações desportivas, dirigentes sindicais, etc. Então porque não poderão precários que participam (e ainda bem) numa série de movimentos aderir a sindicatos?

          Pessoalmente, acho que existem muitas debilidades políticas e ideológicas no(s) movimento(s) do 15 de outubro (afastamento do movimento sindical, influências “anarquizantes” na sua percepção do mundo e da luta, achar que os “políticos” são os responsáveis da crise, não fazer uma análise de classe da situação existente, etc.). Não quero que isto seja tomado como uma crítica destrutiva, mas do que me parecem ser algumas características que permeiam o movimento. Apesar de serem debilidades, tb reconheço que só o facto de estarem a trazer dezenas e dezenas de milhares de jovens trabalhadores à luta contra as políticas criminosas das troikas é um aspecto extremamente positivo. Tb as debilidades que apontei são igualmente fruto da “juventude” do movimento (não no sentido etário, porque isso é extraordinariamente salutar, mas no sentido de ser um movimento recente, pouco politizado e sobretudo com pouca tradição de luta).

          Portanto, e pq já me alonguei demasiado, não sei em que é que deveremos insistir num fosso entre uma mesma classe. É natural que isso aconteça até um certo ponto: diferentes vivências, diferentes inserções no mundo produtivo e do trabalho, diferentes expectativas de vida de partida, o próprio capitalismo sempre necessitou do velho lema “dividir para reinar” como modo de tentar colocar trabalhadores contra trabalhadores (público VS privado; efectivos VS precários; empregados VS desempregados; homens VS mulheres; trabalhadores “nativos” VS imigrantes, etc.) e não há dúvida que o sistema é mto inteligente e eficaz desse ponto de vista. Agora, cabe às diferentes organizações representativas/mobilizadoras/etc. dos trabalhadores lutar e fazer tudo pela sua agregação enquanto classe. Isso não quer dizer que as diferenças, digamos políticas, entre diferentes organizações tenham de ser esbatidas ou escondidas. Mas no actual contexto só a unidade entre o que chamas de “trabalhadores com direitos” e os trabalhadores precários pode fazer frente ao que as troikas PSD/CDS/PS e BCE/UE/FMI nos querem impor. Porque na hora de explorar eles não se preocupam muito com as divisões secundárias entre trabalhadores. O que lhes importa é isso mesmo: precarizar todos os trabalhadores, retirar direitos a todos os trabalhadores, elevar a sua riqueza à custa do trabalho de todos os trabalhadores. Nisso o verso da CGTP, “unidade, unidade, unidade, do trabalho contra o capital” faz todo o sentido e mostra que em nada separa os trabalhadores precários das suas formas de luta mais elevadas.
          Bora lá mobilizar para a greve geral?

  15. Afonso Costa diz:

    Felizmente os operários dos Séculos XIX e XX não tinham essa noção de manter o emprego como valor máximo a defender. Mas isso é coisa do passado, para os movimentos bué modernos e anti-partidos o mais importante é lançar à cara dos funcionários públicos que na prática só eles ainda mantêm o direito à greve. Greves são coisas do passado e cool mesmo é fazer assembleias populares em que se defende tudo e o seu contrário. Ainda acreditam que é assim que os trabalhadores vão vencer o governo…

  16. eu não sei se quem dá opiniões assim não sabe ou não quer ler. só sei que não é assim que se chega a algum lado. tanto sectarismo que há por estas bandas, xazus.

  17. Eu sempre quero ver o piquete aqui à porta de casa.
    O trabalho mudou! Alô?!

    Já sei que ter menos de 40 aninhos é ser burrinho e nunca ter ouvido falar da Catarina Eufémia. Ooooopppps! Vá, tentem lá outra vez. Mais uma volta, mais uma bela tirada!

    E ter mais de 40 aninhos implica mesmo ser cego e não ver que os trabalhadores já não estão só nas fábricas e nos latifúndios onde há piquetes de greve? Que já não é o tempo só das Catarinas Eufémias, nem dos operários da Marinha Grande? Que na realidade há uma enorme massa de gente que trabalha por projecto em pequenos escritórios ou em casa, com datas de entrega e que fazer greve implica apenas mais directas para cumprir o mesmíssimo prazo?

    É assim tão difícil perceber que ainda é permitido pensar em alternativas à greve geral e que isso não implica não mobilizar ou não a fazer e muito menos retirar-lhe apoio? Pensar é mesmo só… essa coisa subversiva que o PCP dantes tb fazia: pensar (desculpem a generalização, ó PCs a quem a carapuça não serve, sim?). Ou já não se pode pensar outra vez?! Esclareçam-me, que eu coitadinha tenho menos de 40, sou burrinha, portanto.

    A História do Trabalho e dos Trabalhadores só é História porque continuou. Senão era presente. Desconhecer o presente, as condições dos trabalhadores do Presente, a mim, parece-me mais grave do que conhecer em maior ou menor detalhe a história da luta alentejana nos anos 50.

    A questão de haver ou não manifestação. É verdade que havendo manifestação (ou manifestações, pode ser em cada cidade e não implicar obrigatoriamente uma deslocação geral a Lisboa) tb terá que haver gente a trabalhar. Mas sabem, por experiância longa da CGTP, que uma greve em que as pessoas não se apresentem em manifestação ou à porta do emprego (sem entrar ou sem trabalhar) é usada pelos meios de comunicação como arma de arremesso — sem razão nenhuma, mas com muita eficácia na opinião pública: dizem sempre que os preguiçosos é que fazem greve e foram mas foi para a praia ou o centro comercial, dependendo da meteorologia.
    O trabalho ao serviço de uma manifestação pode ser encarado como os serviços mínimos dos hospitais, algo de indispensável e ao serviço dos cidadãos.
    Quantos trabalhadores trabalham nas barraquinhas e camionetas do 1º de Maio?! Precisamente prevendo (e bem) que há gente que vem de muito longe e precisa de comer antes da viagem de volta e que idealmente toda a restauração estaria fechada.
    Não percebo o grande problema de aplicar o mesmo princípio à greve geral.

    E estou mesmo à espera do piquete aqui à porta desta grande fábrica que é a minha casa!

    • João Valente Aguiar diz:

      Cara Helena Romão,

      o trabalho em casa, apesar de ter crescido indubitavelmente está longe de ser maioritário. Em toda a UE o trabalho por conta própria é de uns 7-8% (não contemplam as clássicas profissões liberais mas inclui recibos verdes, formas de free lance, etc.). Ou das duas uma. Ou voltamos ao ludismo e quem trabalha em casa parte o computador ou aproveita o dia de greve e faz… greve, não trabalhando. Não vejo diferença fundamental, muito honestamente.

      Sobre a questão da manif. Há para aqui no 5 dias uns comentários interessantes entre o Bruno Carvalho e o Francisco Furtado sobre o assunto. Creio que é no post sobre a Grécia e, na minha opinião, penso que o Bruno esclarece bem essa questão.
      Saudações

  18. José Henriques diz:

    JMJ, você é demasiado pedante para quem é ( ou almeja ser) revolucionário. Quem discorda de nós não é necessariamente nosso inimigo. Posso dizer-lhe eu que sei o que é um piquete de greve, quem foi Catarina e o que é fazer uma greve quando é impedida pela lei. Também sei o que é ser o único numa empresa a fazer greve e isso não me fez encher o peito e dizer que os outros são uma cambada de coisas ruins. Concordo em absoluto com as manifs em dia de greve. São um sinal de força e de união. Ou será que, porque já estão desempregados, deixámos de contar com estes? ( 13% da população activa é muita gente!!!) É o meu caso. Trinta anos de trabalho e como agora já não conto para as estatísticas da greve eu que me quilhe? É isso? Pois eu vou para a rua dia 24 de Novembro e seria bom que mais viessem. Em que é que isso impede que se façam piquetes de greve? Esta greve, vai ter que ser, e estou certo que será, a maior manifestação de força unitária de sempre contra os desvarios das políticas de direita e dos governos que as fazem. Não tem que ter uma cartilha, tem que ter raiva, festa e unidade. Com todos os que quiserem e puderem vir.

  19. Milé Sardera diz:

    alguém pergunta… olhem lá, não acham que estamos em momento histórico de acrescentar alguma coisa às greves, agora que há gente que não pode fazer greve (como muito bem lembra a Helena Romão, há uma quantidade de gente que trabalha a partir de casa, à tarefa, para quem e que “fazer greve implica apenas mais directas para cumprir o mesmíssimo prazo”… para além de que os desempregados – uma “força cada vez maior” – que, por definição, também não podem fazer greve)? A resposta é um sem fim de insultos, em vez dum argumentário onde se visse que, realmente, a questão inicial não tinha sentido…
    Eu é que sou bom… que já participei em piquetes de greve. Não… eu é que sou bom, porque até já levei porrada num. Nã… eu é que sou bom, que até consegui comer a neta da Catarina Eufémia. Quem não faz greve é covardolas, mesmo que seja precário… tem que priorizar a luta em relação à alimentação dos seus filhos, porque já foi assim muitas vezes na história.
    Andamos a brincar? Queremos mártires? Ou devíamos antes querer formas alternativas que permitissem a entrada “com menos riscos” dos que “não podem fazer greve” nos terrenos da luta directa contra o capital? Dito de outra forma, eu acho que a greve é uma forma de luta que nunca pode ser dispensada… deveria, aliás, ser utilizada mais vezes (num país onde a situação social se tem degradado a um ritmo tão alucinante, termos uma greve geral de ano a ano é ridículo). Mas também acho que há pessoas que não podem fazer greve e que não têm que a fazer só porque houve gente que morreu a lutar pelas 8 horas de trabalho, ou porque houve Catarinas Eufémias ou porque há gente muito tomatuda que se oferece para piquete de greve. E, por isso, acho que, se queremos que o rio da contestação engrosse, devemos tentar incluir, nas alturas de greve geral, por exemplo, outros apelos onde essas pessoas possam, mais confortavelmente, garantir o seu apoio à contestação. Se só quisermos gente de fibra, pronta a morrer pela causa e a ficar sem dar de comer aos filhos em nome da greve geral, temos os dias da contestação contados.
    Eu acho que a ideia da Gui seria a discutir isto. E para mim era importante que “isto” fosse discutido. Porque eu, que nunca estive num piquete de greve, nunca conheci a Catarina Eufémia (o Verde Eufémia não vale, pois não?), mas que tenho já alguns anos de trabalho político e social com gente “que pode” e gente que “não pode” fazer greve e que também já tive que enfrentar a repressão policial por várias vezes, não tenho tantas certezas como muita da gente que aqui escreve. E, sem certezas, só a discussão me pode melhorar.

  20. JMJ diz:

    Acho incrível como, em vez de procurar soluções para que todos possam participar numa Greve Geral, estejamos preocupados em arranjar regimes de excepção.

    Devíamos estar mais preocupados, nestas semanas que levam até ao dia 24 de Novembro, em criar condições que permitissem reforçar a solidariedade e unidade dos trabalhadores nos sectores mais fragilizados para que também eles possam fazer greve.

    Percebo, obviamente, que cada local de trabalho implica uma situação concreta que tem que ser analisada, mas essa analise deve partir, em primeiro lugar dos trabalhadores. Ás estruturas sindicais caberá apoiar as diversas formas de luta e procurar consciencializar os trabalhadores para a importância do momento e as armas que têm na mão, e transmitir-lhes o apoio necessário para que os trabalhadores não se sintam sozinhos.

    Ao invés partimos para esta luta (a luta da mobilização para a greve) derrotados, vencidos, e procuramos saídas “com menos riscos”. Se eu não me mobilizo a mim próprio, como vou mobilizar os outros?

    Olhar para uma Greve Geral e pensar que “ali” (seja lá onde for) não vale a pena tentar mobilizar e organizar piquetes porque não há condições, é partir derrotado para a luta.

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