Anarquismo, a doença infantil dos indignados.

Perante uma das maiores manifestações de massas de todas as manifestações internacionais do 15 de Outubro, perante o resgate das Assembleias Populares e a sua imensa combatividade e perante a consolidação do movimento que nasceu a 12 de Março para ser determinante para derrubar a máfia do Sócrates e que agora continua para derrubar Passos Coelho e a austeridade, as diferentes famílias anarquistas preferem discutir quem invadiu mais a escadaria da Assembleia da República ou ficar meia-dúzia de gatos pingados acampados à porta de São Bento. É um direito seu mas é uma parvoíce uma vez que fazem falta a um movimento que até já é capaz de condicionar a convocatória de uma greve geral e de convocar mobilizações para parar o Orçamento de Estado. Ao invés de apontarem baterias ao governo dirigem as suas forças contra a organização de um protesto que pela primeira vez sem o recurso à burocracia devolveu a rua, o verbo e o voto popular às cem mil pessoas que a ele se juntaram. Anarquista que é anarquista não come mel, mastiga abelhas mas os nossos preferem esperam que os reformistas cumpram com a sua agenda revolucionária enquanto vão cantando loas ao imperialismo europeu. É muito verbo e pouca uva. É muita parra e pouco vinho.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

43 Responses to Anarquismo, a doença infantil dos indignados.

  1. Pingback: Ataque nazi em São Bento é espúrio e deve ser denunciado | cinco dias

Os comentários estão fechados.