O vídeo que escapou à TV

Consta que os agentes queriam levar alguém que alegadamente teria atirado um ovo. Neste vídeo percebe-se o zelo do agente perante o cidadão que desmaia. E, ao invés deste infeliz comentário da party program, havia muitos que pediam calma. O motivo não era a salvaguarda dos interesses da escadaria. Como se ouve num comentário, havia uma série de crianças na zona.

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17 respostas a O vídeo que escapou à TV

  1. PP diz:

    Caro Tiago,

    1 – o carro de som cortou ou não o som a quem momentos antes da invasão subiu ao microfone para gritar “ocupa são bento, invade o parlamento”?

    2 – viu em algum momento nesse video, ou em qualquer outro, alguma acção violenta em que algum manifestante agrida ou ameace um polícia? vê em algum momento a polícia a preparar-se para carregar? está algum grupo organizado a lançar pedras, garrafas ou qualquer coisa mais a alguém?

    3 – quem pedia calma não pedia pelas crianças, pedia porque num pânico inexplicável viu numas poucas dezenas de pessoas a puxar as grades algo semelhante aos motins de roma, pedia porque não suportou a ideia de a manifestação, ou parte dela, decidir fazer algo que o m12m e os pi não tinham decidido.

    4 – sendo que o m12m tinha um canal de comunicação aberta com a polícia porque é que não foi informada a assembleia do que era discutido nesses contactos? se o despejo das escadas foi negociado porque é que foram ainda duas pessoas detidas?

    5 – a invasão e ocupação da escadaria aconteceu apesar de quem estava no carro de som ter feito TUDO para que esta não acontecesse, só para duas horas depois dizer que era lindo ver as escadas ocupadas

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      1. Não sei, não vi.

      2. Neste vídeo não vejo qualquer acção violenta de manifestantes. Já levei com várias cargas policiais motivadas por muito menos. Não respondo à última pergunta.

      3. Ideia sua. Não a partilho. Mais, em Roma (tal como em Génova há 10 anos), foi a própria polícia que estimulou os confrontos. Já agora, veja lá o vídeo que também percebe que nem todos os polícias estavam fardados.

      4. O despejo das escadas foi negociado? Não o digo em lado nenhum.

      5. Isso são considerações suas sobre pessoas que não conhece… Mas posso-lhe dizer o que presenciei e o que fiz. Assim que começou a abrir aquela frente dirigi-me para lá. Abriu-se um corredor para passar quem queria ir para a frente e percebi que a maioria da minha vizinhança nunca tinha levado com uma carga policial na vida. A ocupação das escadarias é simbólica e politicamente importante. Não pode é ser feita à custa de inocentes e incautos.
      O meu receio era a carga policial que, nestes casos espera sempre uma decisão superior. Dirigi-me ao carro de som e falei com umas quantas pessoas que estavam na organização. Dei-lhes a minha opinião que se resumia em três pontos: 1. Importa não dividir a manifestação, a ocupação está feita; 2. Importa perceber se a polícia vai carregar; 3. Importa perceber se, do nosso lado, pode estar algo mais a ser preparado.
      Neste aspecto recordo sempre uma frase de um camarada, numa manifestação em que como dirigentes associativos tínhamos tentado evitar confrontos, exactamente no mesmo local há quase 20 anos, “nada mais a fazer, agora lutemos pelos nossos”. Também me lembro de como alguns radicais de fralda se escudaram na multidão para lançar pedras e paus que batiam na nossa linha da frente.

  2. Augusto diz:

    Nos dias que correm , um ovo é uma refeição.

    Era necessàrio avisar a policia, com antecedência , para eles trazerem frigideiras….

  3. anon diz:

    A moral dos BE’s que criticaram o PCP e a CGTP na manif da NATO e agora andavam ali ao lado da bófia inclusivé a ajudar a montar as barreiras, só rir. E essa de “a organização da manifestação” que se ouve lá pelo meio, que coisa ridicula.

    Já agora, tanto paisana filho da puta que se vê no video. 4.13 06.05 etc

  4. Bruno Peixe diz:

    Tiago,

    Não sei se o motivo era a salvaguarda dos interesses da escadaria. É com certeza uma questão importante, mas não posso avançar nada sobre a intenção dos senhores que pediam calma.
    O que posso testemunhas é que havia uns tipos em cima dum camião que berravam ordens às pessoas para se sentarem.
    Agradeço de todo o coração às pessoas que deram o seu tempo e o seu esforço à organização daquela excelente manifestação, mas isso não os faz donos dela, e com certeza que não fará que eu, e espero que muitos outros, estejamos a mando de um qualquer serviço de ordem e que nos sentemos e levantemos quando eles acham por bem.
    A questão política relevante não é a de substituir um governo mau por um governo bom, mas a de por em causa a própria ideia de governação. Do mesmo modo, não se pode tratar de substituir o comando autoritário (polícia) pelo bom comando (organizadores ou dirigentes), mas de recusar a estrutura de comando ela mesma.
    Um abraço,
    Bruno.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Bruno, a coisa do “senta” foi uma idiotice. O que não quer dizer que os seus objectivos fossem o de comandar as tropas. Abraço

  5. PP diz:

    1 – bom não acredite por mim, leia o público de ontem e está lá escrito (e citado por mim num outro post), foi também presenciado por inúmeras pessoas e até admitido por um dos PI numa conversa posterior.

    2 – eu também não vejo nenhum grupo no video. também não vi lá. aliás nunca vi nenhum grupo assim em portugal.

    3 – Em génova os motins na manifestação dos disobbidienti foram provocados pela polícia mas não através de infiltrados. na manifestação do black bloc partiram dos próprios manifestantes. Não lhe estou a dar a minha opinião mas a citar as conclusões dos tribunais. Também me parece que um eventual grupo de provocadores infiltrados a agir teria agido muito antes de se ter chegado à assembleia.

    4 – não disse que o tinha dito, disse que tinha acontecido. Vi claramente o m12m a atravessar as linhas policiais para dialogar com o polícia à paisana que no video tenta puxar o rapaz de cima do leão: a assembleia e a manifestação tem o direito de saber que negociações estão a ser feitas com a polícia e em momento algum me foi dada a hipótese de votar ou não no joão labrincha enquanto meu representante.

    5 – O Tiago não sabe se as conheço ou não, por acaso conheço bastante bem, há vários anos, algumas pessoalmente outras de outros momentos políticos. Acompanho os seus três pontos de reflexão – o “senta, senta, senta”, para além de insultuoso, procurou exactamente dividir a manifestação. Seria talvez pertinente questionar uma hipotética vanguarda que decide invadir sem ter em conta o resto da manifestação, mas esta invasão não partiu de um grupo fechado pessoas, partiu de centenas que não se conheciam entre si nem tinham necessariamente afinidades ideológicas ou politicas, como aliás mostra o video.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      1. Ok, não vi. De qualquer forma, o “ocupa o parlamento” é praticamente igual ao “senta” no que toca a legitimidade politica ou dirigismo. Ou aquilo foi votado e decidido?

      2. (salto)

      3. No facebook circulam várias fotografias de infiltrados a partir e a incendiar carros nas manifestações de Roma. Em Génova, a polícia também estava infiltrada. Há fotos e vídeos que o comprovam. Mas esse não é o tema deste post. Aliás, porque nesta também havia infiltrados, mas não estavam instruídos para agir.

      4. Eu também conheço as pessoas, muitos escrevem neste blogue. Não me parece que esteja na sua agenda a denúncia dos “violentos”.

      5. Pois, isso agora é uma discussão que não é para ser tida aqui. Não me lerá fazer a apologia da manifestação higiénica mas também não engulo as “espontaneidades”.

    • Renato Teixeira diz:

      O João Labrincha foi votado como interlocutor num plenário aberto para o qual até foste intensamente (you know what i mean) convidado.

      Quanto à escadaria está tudo dito mais abaixo. Se tal facto fosse assim tão constrangedor para a organização, esta teria cancelado a Assembleia e batido em retirada. N’est-ce pas PP?

      • PP diz:

        Não teria sido ajuizado que o conteúdo desse diálogo fosse partilhado no microfone aberto? Foi esse interlocutor avisado do despejo das escadas em que foram detidas duas pessoas? (não é uma questão retórica)

  6. Pisca diz:

    Delirante foi ver/ouvir a Sandrinha de Felgueiras a gritar histérica na RTP Informação, que estava a acontecer tudo como na Grécia, onde ela foi em turismo pago há uns dias

    A dita cuja, objectivamente estava bem longe do que se passava, mas berrava isso berrava

  7. AF diz:

    Ola a todos

    Sentarem-se
    O pedido para as pessoas sentarem-se não é uma ordem, evidentemente, mas antes um pedido quer para respeitar a intenção de quem organizou o protesto, quer também para começar a assembleia. É que na assembleia, para quem não sabe, Não há palmas, nem assobios, e estão todos sentados. Estão especificados um conjunto de gestos para aprovação e reprovação dos comentários dos oradores (esta foi uma falha em não explicar este processo tão recente). Ou seja terá de haver SEMPRE, SEMPRE uma Regra/Ordem estabelecida para todos nos entender-mos. Custe a quem custar.

    SIM, cortaram a voz ao primeiro que pediu para ocupar são bento. Sabem que mais acho muito bem. Esse não era o propósito desta manifestação. Claro que há quem concorde, e dou o direito a isso, mas sugiro que vão lá hoje por exemplo, E NÃO SE ESCONDAM ATRÁS DE MULTIDÕES ENTRE CRIANÇAS, JOVENS E VELHOS.

    Já agora, occorre-me um pensamento:
    Partindo do principio que os populares presentes, acupavam a assembleia, o que faziam a seguir? Baixavam a bandeira? Faziam streep da janela? Mudavam o governo?
    Se mudavam o governo, AU poderia confiar em alguém que se instalasse, para repor a justiça?

    Ajudem-me, pf.

  8. Renato Teixeira diz:

    A organização não queria invadir. Pode ser criticada por isso, mas para salvaguardar a sua unidade não poderia, nem deveria, ser ela a dar o mote. É falso no entanto que tenha feito tudo para impedir a dita. Não havia serviço de ordem. De resto, estou convencido que se não toda uma parte significativa dela tenha ficado feliz com o avanço sobre a escadaria, quanto mais não seja porque deu condições para a realização da AP. Também não negociou a saída das escadarias. Quem entendeu oferecer resistência civil pacífica assim o fez, sem qualquer oposição por parte dos organizadores.

    • AF diz:

      Peço desculpa, então porque ajuizei mal. Se bem (que agora para teu espanto) umas castanhas naqueles gajos não iam nada mal. È que interpolei um Chulo disfarçado de RoboCop, e perguntei-lhe o k ele achava sobre o protexto contra o sroubos que estamos a ter e a resposta dele foi: “O Povo gosta é de levar porrada na espinha.” Diz lá agora se não eram bem dadas?. 🙂 inte

    • PP diz:

      Renato,

      ia responder no 5dias mas acabou de fechar para obras.

      Comprendo que a organização não quisesse/pudesse invadir e que num momento confuso seja complicado apontar dedos a uma organização que junta inúmeras pessoas de inúmeros grupos diferentes.

      mas restam algumas questões:

      – uma pessoa foi impedida de falar. que ela falasse não implicaria necessariamente a organização

      – o posicionamento de quem estava em cima da carrinha não foi passivo, ou seja, não só evitou dar o mote, comprensivel, como depois ordenou a todos que se sentassem. De resto parece-me claro que muita gente da organização terá gostado da ocupação das escadarias, de resto creio que todos teremos partilhado um sorriso ao ver que a primeira bandeira lá em cima era da ATTAC.

      – tão ou mais perigoso do que o arrancar das grades e a confusão que gerou foi o clima de pânico que os ordens de sentar geraram. eu estava a 20 metros da confusão e não percebia o que se passava, o carro estaria a 40 e ouvindo apenas o que diziam poderia supor-se que estava ali em curso um banho de sangue. Os gritos poderiam muito facilmente ter criado uma enorme situação de pânico na praça – se a organização queria zelar pela segurança de todos mais valia ter apelado tranquilamente e insistentemente à calma do que vociferar “eu já vos mandei sentar”.

      – concorde ou não com ela, e sabes que não concordo, entendo que numa manif do PC, do Bloco, da CGTP ou de uma outra entidade organizada e com militantes claros e definidos essas legitimações de quem fala ou não com a policía tenham algum peso. Disputo que numa como a do 15 de outubro a questão se possa pôr da mesma forma. Houve diversas assembleias de preparação e pelas mais diversas razões decidi não participar nelas, em parte também porque acredito que este movimento cresce quanto mais se multiplicarem polos de organização e discussão, mas acho que podemos concordar que é no complicado legitimar estas reuniões enquanto dignas representantes, e sobretudo lideres, das 50-100 mil pessoas que lá estiveram

      • Renato Teixeira diz:

        A organização de um protesto é necessariamente centralizada. Este, ao contrário de todos os outros, é aberto e democrático. Cada um participa, tem o mesmo direito à palavra, à proposta e ao voto.

        Optas-te por não participar, e é pena.

        Noto que de tudo o que aconteceu apenas te entusiasme com a crítica a uma organização que ao contrário do que dizes não tentou “impedir a ocupação.”

  9. Rogério Maia diz:

    Boas
    Fico muito feliz com a entrada ordeira do povo para as escadas do seu parlamento. Naturalmente que o “general intelecto” dos organizadores da manif não poderia aceitar tamanha afronta. A questão é simples, se estavam contra a subida das escadas porque razão se foram lá sentar ou, porque razão não fizeram a assembleia virados de costas para o parlamento ou ainda, porque não vão mandar sentar o cão para vossa cara. Estou farto de controleiros, aparelhos e agendas.
    Quanto aos bufos do M12M já não representam nada nem ninguém, servem apenas de joguetes nas mãos dos parlamentares.

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