Greve Geral

Em tempo útil, acompanhada de manifestações, sem sectarismos e, de preferência, durante 2 dias.

Por favor, CGTP-IN e UGT?

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39 respostas a Greve Geral

  1. Manuel diz:

    …e com manifestações, certo?

    Há gajos inteligentes!

  2. Diogo diz:

    Estou positivamente farto de manifestações! Que mal tem dar uma valente chapada no Coelho, no Portas ou no Silva de Boliqueime?

  3. Dédé diz:

    Outro treinador de bancada…

  4. João Pais diz:

    se vai tudo para a manif quem e que faz o piquete?

    se os transportes estiverem em greve como e que se vai para a manif?

    • paulogranjo diz:

      Justifica-se, em termos de eficácia, que o piquete seja feito todo o dia, ou bastaria um par de horas, nos horários de entrada e de mudança de turnos?
      As eventuais manifestações ou concntrações não podem ser marcadas para horários que não colidam com o trabalho de piquetes e levem em conta as necessidades de deslocação?
      Para se fazerem manifestações, toda a área metropolitana tem que convergir para Lisboa, ou podem ser várias e descentralizadas?
      Não há a possibilidade de, com o apoio dos sindicatos e recorrendo a “vaquinhas” de transportes privados, os grevistas e apoiantes se deslocarem para os locais?

      São perguntas que faço, na expectativa de se poder aumentar o impacto da greve.
      Isto porque a imagem pública que ficou da mobilização para a anterior greve geral foi a de um fracasso – o que eu não penso que tenha sido.
      Mas, se a imagem que passa para a opinião pública é a de um fracasso, uma greve é de facto um fracasso, no seu impacto, por muito grande que tenha sido a sua mobilização.
      E nenhum de nós quer isso, pois não?

      • Manuel diz:

        Era o que calculava. Quando há greves berram por manifestações, nas manifestações berram por greves.

        Uns folclóricos estes inteligentes!

        • paulogranjo diz:

          Conforme referi no comentário anterior ao seu (e aproveitando para responder a umas bocas um bocado repetitivas que aqui apareceram), não pretendo ser treinador de bancada nem dar ordens a ninguém, mas sugerir que sejam equacionadas alternativas ao habitual modelo “chapa 5”, não por uma mania de inovar e ser diferente, mas porque o modelo habitual, sózinho, não funcionou na última greve geral.

          A imagem que passou para o comum dos cidadãos foi a de um grande fiasco, que objectivamente não foi, embora tivesse ficado abaixo das expectativas. Mas se essa é a imagem com que as pessoas ficam (porque há transportes a circular, as lojas estão quase todas abertas, os serviços públicos também e ninguém vê nem pode filmar os grevistas, que estão em casa ou às meias-dúzias em piquetes), mais facilmente o governo pode tratá-las como coisas irrelevantes. O impacto da greve torna-se um fiasco, mesmo que a própria greve não o fosse.
          Tenho muita estima e conheço uma boa parte dos dirigentes nacionais da CGTP e estou certo de que eles também têm esta preocupação. E penso que quem não a tiver é um perfeito inconsciente, que goza com os sacrifícios (quer financeiros quer, por vezes, de risco de emprego) que os trabalhadores fazem ao aderirem à greve.

          Como é que se consegue ter a maior visibilidade possível da força da greve e maximizar o seu impacto?
          É uma pergunta com que, creio, todos deveríamos estar preocupados, sejamos sindicalistas ou meros cidadãos que vão aderir à greve, como eu.
          As respostas podem ser muitas. Se calhar, não são manifestações, são concentrações ou é outra coisa qualquer, ou são coisas diferentes em sítios diferentes. Mas devemos fazer a pergunta e, em função da criatividade de todos e da experiência de quem a tem, encontrar essas respostas.

          Na minha única experiência de direcção para-sindical, semi-clandestina porque essa acção era proibida, lançámos mão de todos os meios que pudemos imaginar, que fossem viáveis e adaptados às necessidades e possibilidades. Tanto se distribuiam panfletos clandestinos como se vendiam jornais legais e registados, tanto se faziam reuniões públicas como discretas, tanto se faziam espectáculos como debates em estações de comboio, ou intervenções na televisão, entre pontuais ameaças de cargas de pancada ou de morte. Porquê? Não era por sermos mais espertos que os outros. Mas porque as condições eram difíceis, e tinha que se lançar mão do que se pudesse, sempre tentando tirar o máximo possível dos esforços de cada um. Para isso, tinhamos também que puxar o máximo pela criatividade e experiência uns dos outros, e analisar abertamente os prós e contras de todas as ideias que surgissem.

          Claro que uma greve geral é uma coisa de uma dimensão totalmente diferente. Mas também as condições são muito difíceis (embora de forma diferente), e também é um absurdo desperdiçar esforços (e potenciais resultados) uma vez que se passe à acção.
          Se o formato habitual provou que não chega, parece-me evidente que se deve equacionar afincadamente as melhores formas de o complementar. E, aí, desvalorizar à partida as sugestões dos meros trabalhadores, como é o meu caso, parece ser um desperdício perigoso.

          Sugiro por isso, a si e aos restantes gozões que se apressam a tratar os outros como parvos, que papel é que estão a desempenhar ao fazê-lo, que figura é que estão a fazer, e que vantagens e desvantagens é que isso traz para o movimento que dizem defender.

      • Zuruspa diz:

        Quando a comunicaçäo social abafa o que acontece, até se estivesse um milhäo de pessoas em greve nas ruas, é claro que a imagem que passa para a opinião pública é a de um fracasso… a melhor maneira de mobilizar é mesmo através dos piquetes e da tecnologia, mostrando em tempo real a quem está indeciso que a greve EXISTE e que näo há de ter medo de se lhe juntar.

    • Carlos Carapeto diz:

      ««««««« João Pais says:
      se vai tudo para a manif quem e que faz o piquete?»»»»»»»

      Não se preocupe porque os trabalhadores têm inteligência e sabedoria suficiênte, para tomar decisões.

  5. António Fonseca diz:

    CGTP-IN e UGT leiam os posts do paulogranjo (e comprem frangos na primavera), e façam o que o paulo granjo quer pá(!) não sejam sectários caralho.

  6. Porque será que só em Portugal é que ou se faz piquetes ou se faz manifestação???? diz:

    Porque será que só em Portugal é que ou se faz piquetes ou se faz manifestação????

    Na Grécia não se faz piquetes por causa da manifestação?
    Na Espanha não se faz piquetes por causa da manifestação?
    Na França não se faz piquetes por causa da manifestação?

    Mentira, faz as duas coisas em simultâneo, acredito é que o pcp assim tenha muito trabalho para controlar tudo. Mas estejam descansados que não fazem vocês, há de haver alguém que faça…

  7. José António Jardim diz:

    Mais um treinador de bancada.Perdoai-lhes senhor que não sabem o que dizem.
    A isto chama-se “Obreirismo”!

    • Manuel diz:

      Não diga isso, o inteligente até só faz perguntas! Escreveu ele “São perguntas que faço, na expectativa de se poder aumentar o impacto da greve.”

      Para mim o importante é mesmo uma grande Greve Geral mas o inteligente prefere folclorices!

    • paulogranjo diz:

      Não, não chama. “Obreirismo” chama-se à visão (e práticas dela decorrentes) de que só os operários têm capacidade de análise, decisão e acção política consequente. Alguns maduros juntam-lhe ainda o “instinto de classe”.
      Se não acredita, vá ver naqueles manuais empoeirados que tem ao canto da estanto, por trás da matrioska, ou na caixa de cartão que está na garagem.

  8. João Pais diz:

    Greves gerais na Espanha e em França? Isso deve ser a gozar!

    E mais a gozar ainda deve ser a “vaquinha” para contratar transportes? Então, os trabalhadores das transportadoras furam a greve GERAL?

    Se os piquetes não fossem necessários, para que se fariam? São os trabalhadores que sao estupidos?

    E manifestaçoes descentralizadas em cada canto, é mesmo a imagem que se quer passar?

    Ja agora, so para que fique a nota aos colegas, o piquete é muito mais do que uma forma de trazer mais gente à greve, é sobretudo um instrumento para impedir acções ilegais do patronato. Terao ja ouvido falar de falsos serviços minimos? Ou casos tipo CTT Cabo Ruivo, ValorSul, etc.?

    • Manuel diz:

      “E manifestaçoes descentralizadas em cada canto, é mesmo a imagem que se quer passar?”

      Boa pergunta, João. Parece que há inteligentes que nem ainda repararam que o direito à greve é mesmo o primeiro dos direitos consagrados no CAPÍTULO III da Constituição da República Portuguesa o importantíssimo Capítulo dos Direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores.

      • paulogranjo diz:

        E…?
        É que isso já a gente sabe.
        Pretende tirar alguma conclusão desse facto, ou o seu comentário é mero trauliteirismo verbal, que não consegue sequer ser consequente, porque a cabecinha não dá para mais?

        • Manuel diz:

          Sabe? Nem sei se sabe o que sei é que desvaloriza sempre. Foge dos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores como o diabo foge da cruz.

          • paulogranjo diz:

            Como se vê pelas minhas intervenções públicas (já que à minha vida privada e profissional voc~e não terá acesso), como por exemplo em http://www.tvi24.iol.pt/programa/3471/210 , ou nos comentários que fiz, dia 15 na TVI24, ao OGE, à subversão dos direitos laborais e do estado social, e à manifestação.

            Desculpe o tom, mas apetece-me mesmo dizer-lhe que vá ter juízo, É que até para insultar os outros é precisa alguma pontaria.

    • paulogranjo diz:

      1. Embora a coisa não seja comigo, imagino que, por essa ordem de ideias as várias greves gerais convocadas só pela CGTP-IN não são, para si, greves gerais.
      2. Está lá escrito «”vaquinhas” de transportes PRIVADOS». É melhor ler 4 palavras seguidas antes de gozar, ou você é que acaba gozado…
      3. Os piquetes: Será porque são realmente precisos o dia todo? Será porque, em todas as instituições, se tendem a tornar asacções rotineiras e a não questionar a necessidade daquilo que é habitual? Será porque, não sendo os trabalhadores estúpidos, os dirigentes intermédios têm dificuldade em lhes dar que fazer, fora daquilo que já conhecem e sabem reproduzir sempre igual?
      4. As manifestações, descentralizadas ou concentradas, ou não manifestações mas concentrações, ou plenários, ou assembleias, ou no que quer que valha a pena pensar, são (está aí escrito noutro lado, mas se você tem dificuldade em concentrar-se ao longo de 4 palavras seguidas deve ter-lhe escapado) coisas a equacionar. Mas neste ponto, você teve um deslize: pensou e argumentou numa lógica de vantagens e desvantagens, mesmo que numa curta pergunta. Tenha cuidado, que pode ganhar-lhe o gosto.
      5. Pensei que não era só na tropa que «colegas são as putas». Ou então, a minha memória recente anda um bocado depauperada. No entanto, muito obrigado por ter apresentado um argumento, nesse parágrafo. Os argumentos são uma coisa que dá muito jeito quando se debate alguma coisa, sabe?

      • João Pais diz:

        1 – Uma greve é geral quando o apelo é a todos os sectores. Pode ser apenas de uma central sindical, mas dirigida em simultaneo a todos os trabalhadores. Podemos falar de uma greve “geral” da função pública ou do transportes, etc etc etc. Isso é o que acontece na maior parte dos países da Europa. Claramente quem aqui anda aos papéis não sou eu.
        2 – Qual é a manifestação de centenas de milhar de pessoas que se faz com a malta a vir de carrinho?! E estacionamento para isso tudo? É para deixar o carro em Alverca e vir a pé até a S.Bento?
        3 – Gosta de insistir que há quem ache os trabalhadores estupidos, mas aqui ninguém falou disso a nao ser você. O piquete ao longo do dia é necessário, sim, em muitos casos. É um mecanismo de defesa dos próprios trabalhadores e não apenas pelas razões que já enunciei.
        4 – Por serem “a equacionar” é que eu dei a minha opinião. Não me diga que na vida não devemos pensar nos prós (vantagens) e contras (desvantagens) das coisas. Então fazemos apenas o que nos der na gana de manhã? Então para quê marcar a greve geral de todo? Ou numerar os elementos de determinada argumentação? Ou tomar o pequeno almoço em casa em vez de no café?…
        5 – Se a carapuça lhe serve, pois reafirmo então que mesmo com as minhas dificuldades de concentração, não tenho dificuldade em ver em si isso mesmo, um colega!

  9. RML diz:

    Com tempo útil, presumo que queira dizer a tempo da votação do Orçamento. Um dos argumentos que se puxou bastante na Greve Geral de Novembro de 2010 foi a de que já não valia a pena, que o Orçamento já estava aprovado. Mas se o Orçamento é o momento que define a utilidade da greve, quase todas serão inúteis. O que deve definir a data da greve é a própria disponibilidade para a greve. Acredito que muitos quisessem (e se não lhes faltassem os meios, era mesmo o que faziam) marcar para amanhã. Que seja marcada para o momento certo, mais do que em tempo útil.

    A questão das manifestações é bastante interessante. O impacto da greve medir-se-á não pela visibilidade, mas pela quebra na produção. Será muito difícil que os pequenos proprietários fechem o seu café, o seu restaurante ou a sua mercearia (argumento central de Bagão Félix quando desvalorizou a greve geral de 2002). A manifestação é marcada para quem trabalha e faz greve ou para que aqueles que não trabalham mas gostavam muito de dizer o que lhes vai na alma? O confronto é com quem e onde? E o que é mais forte em termos de visibilidade? Valeu mesmo a pena aquela amostra de manifestação no ano passado? (Poderia ter sido muito mais do que aquilo?) E quando diz acções descentralizadas, podemos considerar os trabalhadores concentrados à frente da sua empresa? Acha mesmo viável as vaquinhas no transporte privado?

    A questão dos sectarismos parece-me sempre útil relembrar. Contudo, não é fácil rotular a CGTP de sectária quando convida a UGT, dirigida por um homem da Comissão Política do partido da Troika, a aderir à greve geral.

    Em relação aos dois dias, tenho as mesmas dúvidas que tenho em relação ao tempo útil. Que se veja, pois claro. Mas é preciso garantir que não «há transportes a circular», nem permitir que «as lojas est[ejam] quase todas abertas» ou que «os serviços públicos também» e, acima de tudo, garantir que se filmam «os grevistas». Caso contrário, é o dobro do fiasco. A não ser, claro, que sejam duas manifestações, duas vaquinhas para transportes privados, dois piquetes, duas acções descentralizadas…

    • paulogranjo diz:

      1. Não tem que ser esse o momento. O que eu chamei “tempo útil” é o que você chamou “momento certo”, que podem ser vários. Certo, porém, é que há limites de oportunidade e prazos dificilmente compreensíveis pelo trabalhador “comum”; por exemplo, foi muito claro que a última greve foi considerada tardia pelas pessoas, e que a consequente ideia de que «agora já não vale a pena» (muito repetida a quem ia fazendo a pergunta a quem chegava a Lisboa para trabalhar e tentava arranjar transporte) foi um factor importante de desmobilização ou, pelo menos, uma boa desculpa para quem estivesse na dúvida.

      2. Não creio que o impacto (necessariamente político, pois é esse o desejado) de uma greve de um dia se meça pela quebra de produção, ou que esta faça pensar duas vezes um governo (mesmo se os governos podem fazer e divulgar, e muitas vezes o fazem, cálculos inflaccionados do impacto económico das greves, apresentado como o seu efeito nefasto para o país, que está à rasca e patati-patatá). O impacto da greve de curta duração é a generalização da ideia consensual de que a grande maioria dos trabalhadores aderiram e de que, tanto quanto possível, o país parou. Exactamente pela quase impossibilidade de que o país pare, mesmo com uma avassaladora adesão dos trabalhadores por conta de outrém (pelas razões que apontou e por mais algumas), a visibilidade da greve torna-se um aspecto fulcral. Aliás, nada disto é novo, mas parte do património do movimento sindical no nosso e em muito mais países, mesmo antes de os media ganharem a importância que hoje têm.
      O “de que forma?” e o “com que meios?” já são perguntas dcorrentes de se aceitar essa importância da visibilidade. Se são manifestações, concentrações, centrais ou nas zonas das empresas, mobilizando os grevistas para voltarem a estar juntos quando fazem greve, ou mesmo (lembrei-me desta agora) piquetes itinerantos debatendo com as pessoas, nas zonas comerciais previsivelmente abertas, as razões da greve, a sua necessidade e a necessidade do empenho de todos, isso cabe ao movimento sindical discutir. se o conseguir fazer, também, para fora das suas próprias fronteiras, melhor – pela maior riqueza de debate e pelo efeito mobilizador que isso pode ter sobre a sociedade.
      O que me leva à única das suas perguntas (todas pertinentes) para a qual tenho uma opinião mais firme. Parece-me que as eventuais manifestações e concentrações devem ser assumidamente abertas a todos os cidadãos. Não para “encherem” mais, mas por duas razões principais: para que o movimento sindical se assuma como aquele que é, de longe, o mais forte e relevante movimento social, com objectivos sociais (aliás, declarados) que vão para lá da mera defesa corporativa dos seus associados; e como demonstração da sua vontade e abertura para proteger e/ou dialogar sectores sociais que tenta em vão, há anos, aproximar de si – como os desempregados, os reformados e os trabalhadores estruturalmente precários e “ingrevisáveis”.

      3. Considero que, pelo menos actualmente, a CGTP-IN é claramente menos sectária do que a UGT, mesmo se muitos dos seus activistas o são a um nível quase extremo. Creio que o cuidado com o sectarismo (sempre útil de relembrar, conforme refere) se justifica sobretudo em relação a outros movimentos sociais.

      4. A sugestão dos dois dias parte, por um lado, da ideia de que isso marcaria de forma mais forte a excepcionalidade do momento que vivemos e da luta que se lhe tem que opôr, criando um tempo especial que (bem aproveitado, através do tipo de acções paralelas de que falámos, por parte dos sindicalistas e dos grevistas) poderia até conseguir ser de denúncia e debate no espaço público, acerca da “crise”, das ideias que nos tentam vender acerca dela, das soluções e daquilo que os trabalhadores não podem aceitar. Parte, por outro, da ideia de que, numa greve de 2 dias simultâneamente atenta ao convencimento à porta das empresas e projectada para o espaço público, divulgando e debatendo as suas razões, importância e necessidade, o segundo dia poderia ser bem mais forte que o primeiro (ou único, caso seja só de um dia). mas claro que, como diz, isso teria que ser cuidadosamente pesado.

      Por fim, agradeço-lhe, muito sinceramente, a seriedade e conteúdo do seu comentário.

      • Manuel diz:

        “há limites de oportunidade e prazos dificilmente compreensíveis pelo trabalhador “comum”; por exemplo, foi muito claro que a última greve foi considerada tardia pelas pessoas, e que a consequente ideia de que «agora já não vale a pena» (muito repetida a quem ia fazendo a pergunta a quem chegava a Lisboa para trabalhar e tentava arranjar transporte) foi um factor importante de desmobilização ou, pelo menos, uma boa desculpa para quem estivesse na dúvida.”

        Não deixa de me divertir a ginástica do inteligente – “trabalhador “comum”, “pessoas”, “quem chegava para trabalhar” – para fugir ao termo trabalhador….

        • paulogranjo diz:

          “Quem chega para trabalhar” no dia da greve geral, ó abrunho! Ou o seu léxico reduz-se a “trabalhadores” e “amarelos”? Não há pachorra.

  10. zegna diz:

    A greve GERAL já foi feita por muita gente , foi aquando das ultimas eleições , ficaram em casa e não escolheram o seu caminho , agora querem greves estes otários?! Fossem votar nos partidos que iriam negociar outro caminho com a Troika , escolheram o PSD , CDS e PS? não?! temos pena………é que estes gajos foram os que ganharam …….
    os otários que não votam , os que votam em branco ou que votam nulo é deveriam aguentar com estes politicos …….
    Os politicos em Portugal não fracos , fracos são os eleitores………….
    Agora vão fazer GREVE?! os estado e os patrões agradecem………é menos um dia que pagam…..

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  12. Operário Anarquista diz:

    Mas os motoristas de autocarros, os maquinistas do metro e do comboio, os senhores das gasolineiras, os taxistas, não podem fazer greve geral? Então quem trás os manifestantes para a cidade?

    Sem sectarismo? Quer dizer que os PI, os FERVE, os M12M, os do Bloco, vão assumir de uma vez por toda que os trabalhadores com vínculos precários são trabalhadores?

    • paulogranjo diz:

      A primeira questão foi sendo conversada aí pelos outros comentários.

      Quanto à segunda, não sei o que essas organizações consideram, mas julgo que será óbvio para elas (como para mim) que são.
      A CGTP-IN, sei que há mais de 20 anos tenta organizar os trabalhadores precários, ou pelo menos fala nisso, mas sem grande sucesso na grande maioria dos sectores económicos. Se calhar, pelas mesmas razões (compreensíveis) que levam a maioria dos trabalhadores precários a considerarem que não têm condições para fazer greves. Um problema difícil de resolver e cada dia mais relevante, dada a forte e contínua precarização dos vínculos laborais no nosso país.

  13. RML diz:

    1. Tomei a liberdade de assumir que o momento seria esse pelos clamores do ano passado e porque nada apontava noutro sentido (ao contrário desta muito útil explicação). A expressão «momento certo» tem, contudo, uma vantagem à expressão «tempo útil». A segunda significa que não pode ser demasiado tarde. A primeira significa que também não pode ser demasiado cedo. No momento certo, pois então, e ainda bem que estamos de acordo.

    2. Creio que o impacto se mede pela adesão dos trabalhadores, e essa adesão se avalia pela quebra. Se a questão da quebra não fosse assim tão importante não havia necessidade de invocar «serviços mínimos» para tudo quanto é sector. Parece-me ser, ainda, a questão central.
    Não estou a desvalorizar a visibilidade da greve. Pelo contrário. Preocupado com a visibilidade da greve, entendo que uma manifestação ou manifestações só servirão para diminuí-la. Ou ultrapassam a dimensão de manifestações anteriores, nomeadamente a de Março, algo que será difícil tendo em conta tudo aquilo que entretanto já se expôs e se foi discutindo, ou facilmente o governo dirá que «há um direito de manifestação, que é muito importante num país democrático, mas as pessoas perceberam que este caminho é inevitável». A questão fundamental desse dia seria a manifestação, não a greve. Agora, parece-me muito bem que se faça um esforço grande para a mobilização e concentração de trabalhadores em greve. Não faltam exemplos, felizmente, de grandiosas jornadas de luta à porta das empresas.
    Já em relação ao resto, e em particular à questão sobre a qual tem uma opinião mais firme, mantenho as minhas dúvidas. Em primeiro lugar, porque não creio que esteja em causa a dimensão social (e política, também) da Intersindical. Em segundo lugar, porque não concordo que seja essencial a participação de «desempregados, os reformados e os trabalhadores estruturalmente precários e “ingrevisáveis”». Em parte, porque não sei o que são trabalhadores estruturalmente precários e «ingrevisáveis». Mas principalmente porque duvido que as «acções concretas» a desenvolver com os «movimentos sociais […] que tenham identidades conexas com o movimento sindical» sejam as greves. É que na greve a oposição fundamental é entre trabalhador e patrão. Não faltam razões para desempregados e reformados protestarem. Mas na greve protestam como? Pois, através das manifestações, concentrações, acções diversas, etc. As minhas dúvidas permanecem.
    (Ou melhor, às minhas dúvidas acrescento esta: se a questão da visibilidade é central, que valor tem uma manifestação num dia de greve em que muitos dos grevistas não são trabalhadores que trabalham? Não faltou quem dissesse que nas grandes manifestações de professores em 2008 estivessem lá maioritariamente professores. Não estou a pôr isso em causa, apenas a colocar a discussão no terreno da visibilidade.)

    3. Não partilho a opinião. Que cada um fique com a sua, então.

    4. Percebo a tese, mantenho as dúvidas. Mas acrescento uma questão: a greve só seria um sucesso se o segundo dia tivesse, pelo menos, tanta força como o primeiro. E isso não é decretável. Que se pese cuidadosamente, então.

    Depois de tão amáveis palavras, não podia deixar de agradecer igualmente os esclarecimentos que faltavam ao post inicial. A diferença de conteúdo é abismal. O que no post é apresentado como exigência (vá, transformado em favor) nos comentários se transformam em dúvidas, legítimas e discutíveis. Por isso lhe agradeço.

    • paulogranjo diz:

      Vou afixar agora, mas terei que ler e responder mais tarde. Até já.

    • paulogranjo diz:

      Creio que, conversa feita, só se justifica da minha parte expor uma discordância com um aspecto que refere em 2.

      Um confronto numa greve de empresa, ou sectorial, é de facto com o patrão ou, em termos mais gerais, com o patronato (e, se também se der esse caso, só acessoriamente com o governo ou uma política específica de relevância local ou sectorial).
      No entanto, uma greve geral não é um confronto com o patrão, mas com o governo, com políticas específicas ou mais gerais que ele aplique, ou mesmo exigindo a sua demissão – quando não, embora raramente, mudanças de regime. Não é um conflito laboral, mesmo que o que esteja em causa seja, por exemplo, legislação laboral ou medidas que afectem os trabalhadores e/ou os seus direitos. Sendo assim, a mobilização, por parte do movimento sindical, da população que não é trabalhadora por conta de outrém dificilmente será descabida ou desnecessária, sobretudo num país onde só cerac de 40% o são.

      • RML diz:

        E o governo é de quem? Quem é o governo?
        A oposição parece-me mesmo ser a que digo…

        Construir a luta, eis o fundamental.

        Saudações.

      • Manuel diz:

        “Sendo assim, a mobilização, por parte do movimento sindical, da população que não é trabalhadora por conta de outrém dificilmente será descabida ou desnecessária, sobretudo num país onde só cerac de 40% o são.” ???

        Como na maioria dos países. Sim, na maioria dos países só parte da população é trabalhadora. Alguns até há em que 50% são jovens com menos de 15 anos…

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