Contra-ataque

A greve geral, numa data a anunciar, vai ser uma resposta à escalada da ofensiva capitalista em Portugal. À violência das medidas anunciadas pelo governo PSD/CDS, com o patrocínio da troika e do PS, os trabalhadores portugueses têm um dos mais importantes meios de luta ao seu dispor. A elevação da intensidade do conflito social é a única solução para a declaração de guerra que Passos Coelho fez na semana passada. E como os tempos são outros, as respostas devem ser outras.

Não se trata já de resistir à retirada de direitos. A luta que o povo tem travado há mais de três décadas contra o ajuste de contas a cargo da direita (PS, PSD e CDS) em representação do capital contra as conquistas de Abril entra numa nova fase. A única expressão que me ocorre é contra-ataque. Há que reaver aquilo que nos roubaram e querem roubar. Num momento em que os perigos e as potencialidades são imensos, o capital apostará na divisão, em manobras de diversão e na desorganização dos trabalhadores. Apostará também na desclassificação, na criminalização e no medo.

Quando o PCP avançou com a consigna ‘fazer frente’, alertava já para o facto da nova ofensiva exigir um esforço suplementar de todos os comunistas, progressistas e democratas. No sábado, Jerónimo de Sousa explicava que o povo português “ou se conforma com a destruição pedra a pedra dos seus direitos, das suas condições de vida, do seu presente e futuro, ou se levanta e luta pela salvação do país, pela derrota de todas e cada uma das medidas que o Governo, a União Europeia e o grande capital querem impor ao país”.

Está mais claro, hoje, a justeza das posições do PCP quando contestou a entrada de Portugal na União Europeia. Isolados, na altura, os comunistas viram-se cercados pela campanha agressiva que se lançou. E se, hoje, ainda é difícil explicar a defesa da independência e soberania nacional face às grandes potências e ao capital estrangeiro muito se deve a todos os que desde a chamada esquerda parlamentar alimentam o sonho social-democrata da União Europeia como Europa dos Cidadãos. Os mesmos que não tiveram qualquer pudor em apoiar a banca grega.

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2 respostas a Contra-ataque

  1. De diz:

    Posso?
    Posso sublinhar algumas coisas?
    “Não se trata já de resistir à retirada de direitos…A única expressão que me ocorre é contra-ataque. Há que reaver aquilo que nos roubaram e querem roubar.”
    O povo português “ou se conforma com a destruição pedra a pedra dos seus direitos, das suas condições de vida, do seu presente e futuro, ou se levanta e luta pela salvação do país, pela derrota de todas e cada uma das medidas que o Governo, a União Europeia e o grande capital querem impor ao país”

    É isso aí
    O contra-ataque.
    Pelo futuro

  2. moby dique diz:

    Pois, mas estas coisas só são boas quando acontecem lá fora.

    A agudização do confronto não está a ser imposta por nós. É há vários anos imposta pelo capitalismo. Agora chegou a um ponto tal, de tanta violência social, que se não o assumimos claudicamos. É insustentável.

    Só que enquanto o mundo inteiro anda a gritar RISE UP! a esquerda portuguesa, nas suas manobras de divisão e manipulação dos movimentos sociais grita histericamente SENTEM-SE! aos microfones da manifestação dos indignados.

    Acho que se devia começar a olhar para os dirigentes e funcionários dos partidos de esquerda (sobretudo o Bloco) que tentam infiltrar e manipular protestos declaradamente de base e apartidários como infiltrados, confusionistas e colaboracionistas que são.

    Neste momento tem que pensar em algo mais do que no vosso salário, rapazes! percam a cabeça e juntem-se à indignação e à fúria. Se não, havemos de vos comer.

    abraços carinhosos

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