(H)À rua!

A esquerda e os sindicatos não o assumem, mas o 15 de Outubro é decisivo. É certo que a manifestação se declara apartidária e não se espera que repita as palavras de ordem de 1 de Outubro. É certo que todos temos esta ou aquela crítica a fazer aos movimentos que convocam a manifestação, um argumento mal invocado, um comentário descontextualizado…
Mas será no próximo sábado, na rua, que a esquerda e os sindicatos poderão medir quem, dentro e fora dos seus tradicionais meios de mobilização, está disponível para travar o braço de ferro que precisa de ser travado.
A manifestação da CGTP ou a semana de luta que se avizinha, são momentos importantíssimos para luta dos trabalhadores. O 15 de Outubro também. Ficar em casa ou na praia, é dar trunfos aos vampiros que nos procuram consumir o cadáver.

Da Gui.

 

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25 respostas a (H)À rua!

  1. Operário Anarquista diz:

    Desculpe Tiago, mas:
    se os movimentos, os apartidários, os superiores morais que fazem parte da organização espontânea do 1 de outubro, acham importante que a luta continue, porque até hoje se têm colocado à margem do movimento sindical e até tido uma postura de sectarismo, porque nunca mobilizaram para iniciativas de luta do movimento sindical, e continuam insistentemente a vomitar teorias de que os sindicatos de classe são velhos e caducos, em que promovem debates com gente que ultimamente só tem colocado os sindicatos de classe como desnecessários, e nunca fizeram mais que o trabalho de interesseiros, ao colocar-se, qual emplastro do FCP, ao lado das lutas dos trabalhadores para projectar as suas.
    E digo as suas sabendo que me vão acusar de estar a dividir, e na realidade muita gente boa irá à sua luta, estará de certo na luta dos trabalhadores, e estará de certo no lado certo, e muitos têm entendido para que serviu o 12 de Março e para que servirá os movimentos e o 15 de outubro, e não estará lá sábado, porque não servem para nada.
    Não existem trabalhadores precários, não existem trabalhadores de primeira e segunda, não existem trabalhadores com direitos e sem direitos, não existem trabalhadores que podem fazer greve e podem lutar e os que não podem, e se os movimentos e quem organiza o 15 de outubro, quer de facto contribuir para a luta, que deixe dividir os trabalhadores entre velhos e novos, entres os que têm contrato e os que não têm, e os que podem lutar e não podem, porque a sociedade não se dividi assim, divide-se em quem trabalha e o capital, dividindo os trabalhadores como os movimentos têm feito, e como a organização do 1 de outubro tem feito é servir o capital, e desunir quem trabalha!
    Toda a força à luta dos trabalhadores, organizados!

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Operário Anarquista, esses argumentos podem ser invocados exactamente no sentido contrário. Eu acho que as manifestações somam, não dividem.

    • AF diz:

      Olá
      Quero dizer que concordo PLENAMENTE com operário Anarquista. Parabéns pá.
      É que sempre me fez confusão, todos se queixarem que tudo estár mal, mas em eleições para PM (TERRIVEIS), ou PR (MESMO CRIMINOSO), a malta pá, foi para a praia, cinema, etc e tal. e protesto, nada!!! Será porque, nós portugueses, e que nos deixamos levar atrás do que se faz lá por fora, também imitamos cá dentro? E se não tivessem começado os protestos no médio Oriente > Op State > Acampada, a “Democracia está na rua” cá, estaria em condições de se realizar? Há impressão minha ou a Democracia já está na rua desde 74? Enganei-me?

      Querem combater a Troika e seus poderes malignos, pois deixo-vos com uma troika MUITO MAIS PERIGOSA, do que estamos a lidar agora, do FMI, EU, BCE, e esta SIM, a PIOR de todos, que nos vai MATAR, se não agirmos:
      A Nossa incosnciência, a Nossa indiferença, a Nossa Inação.

      P.S: o Fantastik, foi apenas para a ilustração e só.

    • De diz:

      Operário anarquista:
      Estou de acordo com algumas coisas do que diz.A luta é entre explorados e exploradores.E muita confusão há por aí,muita “endógena”outra fabricada em laboratório.
      Mas cabe a nós,a todos nós, o contributo para o esclarecimento e para o debate
      A unidade forja-se também na luta.
      E como diz Tiago Mota Saraiva “Eu acho que as manifestações somam, não dividem”.
      Mais a dizer?
      Mas certamente que sim.Mas numa hora de luta cabe a todos nós dizer presente.
      Organizados se possível

  2. Chalana diz:

    Lamento… MAS EU VOU PRÁ PRAIA!

    Não entro em manifs em que a respectiva mobilização incluí:

    a) imagens de propaganda do PCP vandalizada
    http://5dias.net/2011/10/10/a-contra-propaganda-contra-ataca/

    b) A defesa da União €uropeia
    http://indignadoslisboa.net/2011/10/12/crise-do-euro/

    c) A demagogia anti-partidos do “eles são todos iguais”. Não! O PCP não é igual ao CDS!
    http://indignadoslisboa.net/2011/10/12/15-de-outubro-porque-e-que-faz-sentido-a-indignacao/

    Se a pequena-burguesia radicalizada de Lisboa
    (ver os dados estatísticos aqui: http://anti-trollurbano.blogspot.com/2011/06/estudo-sociologico-sobre-acambada.html)

    quer “unidade na acção” e, plos vistos, nem entre si consegue a unidade, (http://5dias.net/2011/06/03/luis-galrao-lia-nogueira-sergio-duarte-filipe-feio-e-yvan-le-unidos-no-sectarismo-no-pessimismo-e-na-calunia/)

    Então… vai ter que mudar de atitude! Eu plo menos, já não dou pra esses peditórios.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Chalana, nem é preciso seguir as ligações. Os “Indignados de Lisboa” são uma das muitas organizações que promotoras da iniciativa. Podem publicar o que bem entenderem. É o produto da sua reflexão política.
      O 15O é um protesto internacional. Pede mais democracia e critica o sistema capitalista. Nos organizadores haverá quem queira criar um capitalismo mais fofinho, outros que nunca pensaram no assunto, outros que são socialistas e aí por diante.
      Para qualquer comunista a luta principal é na rua. É lá que eu e os meus camaradas estaremos.

      • RML diz:

        Bom, para qualquer comunista à excepção, pelo menos, de Paulo Raimundo, da Comissão Política do PCP, que disse que

        «O combate a este ataque deve ser firme, não nos terrenos onde nos querem colocar virados para dentro e com o desvio do que é essencial, mas sim empregando todo o tempo e forças no reforço da organização e intensificação da acção reivindicativa, não permitindo que o inimigo nos distraia, mas combatendo-o onde mais lhe dói, nas empresas e locais de trabalho.
        […]
        «Mas o que é decisivo é a elevação da acção reivindicativa nas empresas e locais de trabalho e a resposta a problemas imediatos.
        «A conquista de pequenas vitórias em torno de aspectos concretos, a acção empresa a empresa com o envolvimento dos trabalhadores, o aumento da luta, criará condições para travar em cada local as pretensões do Governo e do capital muitas delas contidas no código de trabalho, ao mesmo tempo que contribuem para o aumento da consciência politica e de classe dos trabalhadores e para a sua disponibilidade para formas de luta que se venham colocar como necessárias em cada momento.
        «É nas empresas e locais de trabalho que se travam as batalhas decisivas, logo é aí que precisamos estar mais organizados.»

        no XVIII Congresso do PCP.

        Não estou a tentar «desmobilizar o protesto» nem pretendo demonstrar um «grande empenho revolucionário», mas como considera que

        1. A manifestação de 15 de Outubro é decisiva
        2. A luta principal dos comunistas é na rua

        gostava que me esclarecesse um pouco estas duas ideias.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      E já agora, aprecio muito a tentativa de desmobilizar o protesto. Denota um grande empenho revolucionário.

  3. Pisca diz:

    Estive na manif de 12 de Março, aquilo estava giro de facto, mas convenhamos foi muito levada ao colo “pelos do costume”, até os “Homens da Luta”, tinham ganho o concurso da cantigas, no final tudo boa gente e está a andar….

    Agora há o 15, pelo que tenho lido por aí, sem muita paciência convenhamos, que a idade já não ajuda, acaba por ser “mais do mesmo”, contra ou quase, os partidos, os sindicatos, a luta organizada, até aqui no 5Dias, há quem dia sim dia não proclame a necessidade da Greve Geral, do Assalto ao Poder, e sei lá que mais, quem não apoiar é porque está fora dos objectivos essenciais

    Lembra-me sempre uma passagem do Rumo à Vitória do Alvaro Cunhal, escrito a meio dos anos 60, onde se referia que, para derrubar o fascismo apareciam sempre uns “bem pensantes”, que determinavam:

    O PCP punha tudo à sua disposição, militantes, organizações, meios e sei lá que mais, mas…., havia sempre um “mas”, não deveriam aparecer nem em caso algum invocar a sua participação, porque poderiam, afugentar as pessoas, ser predominantes no assunto, estavam já nessa altura anquilosados e fora das realidades

    Também é curioso que passada a novidade, este 15 parece não merecer dos media o mesmo tratamento que teve o 12, deve ser uma imposição da troika ou coisa assim, ouserá que um dos objectivos, esvaziar a luta organizada afinal não funcionou assim tão bem ?

    A este 15 desejo que se divirtam e seja bom, permitam-me que eu escolha com quem me dou e luto e em caso algum seja “tolerado” em qualquer luta dita “em meu nome”

  4. dr diz:

    Lá estarei , e de certeza muitos outros portugueses,sejam eles de que partido forem pois a única forma de mostrar a sua indignação perante este descalabro é virem para a rua.

  5. Camarro diz:

    Para 15 de Outubro está marcada mais uma marcha da Geração à Rasca. O PCP revê-se no movimento?

    Creio que as novas gerações têm já uma possibilidade de se manifestarem, designadamente no dia 1 de Outubro, na grande manifestação nacional convocada pela CGTP, uma grande acção que vai transformar-se numa manifestação de protesto e de luta dos trabalhadores portugueses, e as novas gerações têm aqui um papel importante. Em relação à chamada Geração à Rasca, se quisermos usar esse nome, consideramos que são movimentos por vezes contraditórios, diferenciados até nos objectivos, nas causas que os animam. Mas é um movimento que comporta um sentimento de revolta, de indignação e de protesto, com o qual obviamente nos identificamos. Não queremos apadrinhar ou condicionar esse movimento, como digo, vemos nele elementos que são contraditórios nos seus objectivos, mas o que mais destacamos é esse sentimento de indignação e que demonstra que aqueles que afirmam que a juventude portuguesa, os que nasceram um pouco antes ou depois de Abril, o que os leva a movimentar-se tem importância, e não são aquela geração indiferente que não se preocupa nem consigo nem com o futuro. É uma manifestação positiva e nesse sentido valorizamo-la.

    Retirado daqui:http://www1.ionline.pt/conteudo/146971-jeronimo-sousa-nunca-aceitamos-qualquer-satelizacao-portugal-ou-do-pcp

    Penso que, por outras palavras, é isto que o TMS defende no seu post… Nesse sentido, acho de uma tremenda falta de solidariedade, no mínimo, que alguns supostos militantes do PCP, postem comentários como aqueles que aqui lemos.

    Da minha parte, tenho a dizer o seguinte: estive no dia 1, estarei no dia 15 e estarei sempre presente quando se tratar de defender os direitos dos trabalhadores, sejam eles precários, sindicalizados, não sindicalizados, etc. Nesta altura, em que estamos a levar porrada de todos os lados, é indecente que as prioridades de algumas pessoas que se dizem de esquerda estejam, claramente, enviesadas.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Grande camarada Camarro, totalmente de acordo.
      Acrescento, um vídeo do Álvaro já muito postado no 5dias: http://www.youtube.com/watch?v=C6kuAma7DJE

      E a entrevista do Jerónimo antes do 12 de Março:
      “Não somos indiferentes à manifestação.Vamos estar lá”
      http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1798147

      • RML diz:

        Só para que não se metam 30 segundos da intervenção de Álvaro Cunhal sobre «A situação política e as tarefas do Partido no momento actual», bastante extensa, acrescento mais uns pedaços, do mesmo capítulo da mesma intervenção, feita a 20 de Outubro de 1974:

        «Lutando pela unidade, tem de combater-se firmemente os factores e os fautores de divisão.
        «Procuramos esclarecer os trabalhadores e as massas de forma a não se deixarem arrastar por orientações políticas divisionistas. Mantemos sem vacilação a nossa cooperação com o MDP, que outros gostariam de ver marginalizado e dissolvido. Combatemos o divisionismo sindical mesmo que disfarçado em defensor da liberdade. Lutar pela unidade é, necessariamente, lutar contra o divisionismo.
        «É também necessário desmascarar e isolar pequenos grupos pseudo-revolucionários, grupos exteriores ao movimento operário e democrático, que tomam como alvos preferenciais da sua acção o PCP, o Governo Provisório e o MFA, e outras organizações democráticas, que em algumas empresas, em escolas, em toda a parte onde aparecem, conduzem uma actividade divisionista, de intriga e de provocação, utilizando por vezes métodos de chantagem, violência e intolerância próprios de fascistas. É de sublinhar que os maiores protectores, propagandistas e defensores do direito à actividade legal destes grupos situam-se na direita reaccionária, a quem objectivamente servem com a sua actividade irresponsável.»

    • De diz:

      Camarro:
      Tudo dito
      E vamos deixar-nos de “tricas” e avançar no que nos une.
      Um abraço forte

  6. AF diz:

    Novamente cá estou.

    Operário Anárquico, concordaste com “algumas coisas”, estou curioso por saber o k não concordas 🙂

    Eu tb não acho que qualquer partido da oposição possa ser colocado, no mesmo saco que os outros partidos corruptos que temos tido a mandar no governo. Não só não concordo, como não é justo.
    Assim, e para não ser o único, desafio a que quem possa, e a bem da causa, consciência, boa ou não, desta onda que se levanta, sei lá mais, que surge-mos todos na assembleia, depois da manif, e digamos o que temos a dizer. Eu serei contra a corrente nesse dia, mas a “Democracia está na rua”, e eu lá estarei para exercer o meu dever. Mais um.

    Estejamos todos presentes. Desafio….

  7. RML diz:

    Não sou propriamente a esquerda nem os sindicatos, mas pergunto: decisivo porquê? Se estiverem lá 500 pessoas, são só esses os que estão disponíveis? E se estiverem lá 500 mil, estão todos disponíveis para o «braço de ferro que precisa de ser travado»?

    Antes de estarem como estavam? Indisponíveis? Como passaram a estar disponíveis? E se alguma alteração houve, por que razão é decisivo?

  8. o 15 de outubro NÃO é o 12 de Março. o 15 de outubro NÃO é o 12 de Março. o 15 de outubro NÃO é o 12 de Março. o 15 de outubro NÃO é o 12 de Março. o 15 de outubro NÃO é o 12 de Março. o 15 de outubro NÃO é o 12 de Março.

    … porquê?
    http://15october.net/
    http://15october.net/how-we-see-it/nothing-to-lose-everything-to-win/

    http://www.15deoutubro.net/manifestos/porto.html
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18669

  9. A.Silva diz:

    Como diz o Tiago, o que é preciso é somar e não dividir!
    Dia 15 lá estarei, pelo direito ao futuro!

  10. Chalana diz:

    Se não for incómodo, camarada Tiago, gostava que te desses ao trabalho de expor os argumentos que expus – já que me dei ao trabalho de comentar os teus.
    Abraço!

  11. Chalana diz:

    ou melhor: que respondesses

  12. De diz:

    Numa altura em que o neo-liberalismo avança com a fúria dos criminosos do capital sem freio,em que diariamente se somam as agressões contra o trabalho,em que se reduzem os subsídios de desemprego,em que se rouba uma parte do sub.de Natal,em que se aumenta o custo da electricidade,do gás,dos transportes,em que se promove o desemprego e o trabalho precário,em que se fala na privatização do que dá lucro,como os CTT,em que se prepara a derrocada do SNS e da escola pública,em que se avolumam os sinais de mais roubos nos salários,em que se equacionam cortes nos dias de férias e nos feriados,em que vemos os coelhos,os gaspares e quejandos na atitude nojenta do beija-mão submisso a Merkel e companhia,abanando a cauda com o ar de rafeiros obedientes aos ditâmes da troika e impantes com o ir mais longe do que esta nas medidas tomadas,numa altura em que assistimos à tentativa de ajustar contas com tudo o que cheire a mundo do trabalho, a progresso ou a 25 de Abril,num momento como este não há que hesitar na escolha.E a nossa escolha deve estar do lado dos oprimidos e dos explorados.E pelo combate sem tréguas,sem condições aos párias que nos governam,enquanto se governam.
    A.Silva..
    é isso aí
    “Pelo direito ao futuro.”
    Um abraço

  13. Sou professor.
    Sou delegado sindical.
    Acredito que é preciso dar uma resposta firme ao capital, que o roubo dos trabalhadores não é inevitável, que é fundamental conhecer quem está do mesmo lado da barricada mesmo quando existem diferenças de opinião.
    Por tudo isso, eu vou. [ http://fjsantos.wordpress.com/2011/10/12/eu-vou-e-tu/ ]

  14. Luis F. diz:

    A bem dizer, o que eu gostava de não pagar juros. Resolvíamos os problemas todos de uma vez: não há juros, não há mais empréstimos. Não há empréstimos, não há défice. Passamos a gastar o que há, e não mais que isso. Felicidade.

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