Defesa de Berardo, da COLECÇÃO BERARDO (e mais algumas coisas…)

(oriundo da péssima colecção Berardo)

Por acaso, a versão de Joe Berardo é aquela em que eu acredito (ou melhor, a colecção é aquilo que eu quero defender – mas não apenas, eu quero comentar uma coisa). A CGD (banco público) e o BES (sempre ele), mais o BCP (porque não?, olha quem…), ofereceram $$$$$$$$$ ao homem para entrar no capital do BCP. O homem contraiu uma dívida de 1000000000 de Euros, mil milhões de Euros. Ou seja, a CGD em vez de financiar a economia portuguesa (como se costuma dizer não é?, que é essa a “função” dos bancos e tal e tal…), “ofereceu” dinheiro a Berardo para comprar acções no BCP que hoje não valem quase nada. Parece-me que a posição do senhor hoje no BCP não vale mais do que 70000000 de Euros, o que dá uma dívida monstruosa. Julgo que a colecção é uma das garantias do empresário.

Sim ou não, não é isso que agora me interessa. Interessa-me que esta está avaliada em 316000000 de Euros, e que o Estado (que sempre se interessou muito por arte contemporânea, e por arte e cultura em todos os seus âmbitos), desconfia desse valor, e já pediu a outra leiloeira nova avaliação. Não tenho agora muito tempo para arrumar as peças do puzzle, mas sei que o Estádio de Leiria custou a esta nobre e culta pocilga de nome Portugal 90000000 de Euros.

Ora bem, se a colecção do homem, que abrange todo o século XX (diferentemente da de Serralves, por exemplo – dedicada ao pós-anos 60, ou seja, às neovanguardas) é coisa de pouca monta, porque é que este lugar e este Estado não construiu há muito uma colecção de arte do século XX, e teve de ser este homem (quiçá um enormíssimo especulador) a proporcionar a um Estado, que nunca teve pensamentos nem dores de cabeça para estes assuntos, preocupações e escolhas (a não ser agora!!), teve de ser este tipo a proporcionar a existência de um primeiro (!!!) museu de arte moderna e contemporânea a Portugal. Também há a versão simples (de governante, por exemplo: ah, não pensemos nisso, por cá não há “hábitos culturais”…).

E há a versão complexa, de alguém que reuniu 2 Picassos, Mondrian, Bacon, Pollock, Balthus, Dali, uma belíssima panorâmica do Expressionismo Abstracto, da Escola de Paris, da Pop, do conceptualismo, de tendências pouco ortodoxas (conceptualismo, letrismo, situacionismo, COBRA!!) e de artistas actuais como Gabriel Orozco, manos Chapman, Oursler, Rebecca Horn, Manuel Ocampo, Gerhard Richter, o genial William Kentridge, Gursky, Kapoor, Koons ou Bill Viola, etc, etc.

O meu mestre, professor, depois colega e amigo Lima Carvalho teve nos anos de 1974 e 1976 um grupo artístico em Portugal chamado ACRE (com Queiroz Ribeiro e Clara Menéres). Entre outras acções colectivas, distribuíram Diplomas de Artista a quem quisesse (era o espírito da época), pintaram com um padrão de círculos pela noite adentro para que de manhã a cidade acordasse com uma rua-tela uma das ruas da baixa, e executaram uma pouco referida acção arriscada. Lima Carvalho, à frente do colectivo suponho, ocupou (1976?) uma moradia devoluta na cidade (e foi necessária alguma violência) – era um gesto simbólico do ACRE para anunciar à sociedade que ali seria construído o 1º museu português de arte moderna. Até hoje…. Agora esta sociedade entretém-se a reavaliar Picassos!!!!

(Continuando e concluindo isto)

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