Democracia espanhola prende Pablo Hasél


Esta manhã, o rapper catalão Pablo Hasél foi detido pela polícia espanhola quando caminhava pela rua. Depois de algemado, foi levado a casa, onde, durante três horas, a revistaram. Levaram material informático e livros. Neste momento, está na Audiência Nacional, nas mãos de torturadores, acusado de apologia do terrorismo.

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20 respostas a Democracia espanhola prende Pablo Hasél

  1. A.Silva diz:

    Deve ser por ser uma “Democracia” Borbónica.

  2. Renato Teixeira diz:

    Que vergonha. E ainda há quem diga que houve transição democrática no Estado Espanhol. Abaixo o pós-franquismo!

  3. rato zinger diz:

    UÇK?Kosovo?Espanha de merda.ETA.Pays Vasco.A diferença….assim,vai a palhaçada da puta da democra cia.Domocra cia nas empresas(CA’s),democra cia dos partidos do pantano,da corrupção sem vergonha alguma.
    Mas,apologia do terrorismo COM MORTES em BARDA é o que teem feito no ‘Kosovo’,no Iraque no Pakistão e,agora,na Libia com os massacres levados a cabo pela democracia das petroliferas.

  4. paulo diz:

    renato
    o franquismo matou milhões de seres humanos.
    comparar a democracia pos-franquista como franquismo é de uma cegueira brutal

  5. Pedro Moirinha diz:

    Caro Bruno, depois do Kukutza, o tentáculo espanholista continua a atacar a cultura divergente e incómoda. Dá-lhes imenso jeito silenciar, seja de que forma for. Grande abraço

  6. Boots diz:

    Mais um triste episódio que se vem avolumar ao fascismo encapotado que existe em Espanha e que cada vez mais mete as garras de fora

  7. De diz:

    Citando Hasél:” o nos movilizamos algo o no hay puto futuro.”

  8. Nuno diz:

    O Paulo tem razão. Desde que não matem milhões podem fazer o que quiserem. É de uma inteligência brutal

    • Carlos Carapeto diz:

      Não matam mas estão muito bem preparados para isso se for necessário. Vendo bem até matam, mas é fora de portas longe de casa.

      Em casa por enquanto ficam-se por fazer mossas. Os participantes do 15-M que o digam.

  9. José diz:

    Este género de acções policiais apenas faz subir a popularidade das suas vítimas.
    É confundir trabalhos artísticos e liberdade de expressão com apologias a terrorismo.
    (Era mesmo preciso dizer que o Pablo Hasél se encontrava nas mãos de “torturadores”? Sério?
    A polícia espanhola ainda não é a Gestapo ou a KGB…)

    • Bruno Carvalho diz:

      http://es.wikipedia.org/wiki/Informes_de_Naciones_Unidas_sobre_la_tortura_en_Espa%C3%B1a

      http://www.stoptortura.com/irudiIkus.php?gai=Tortura%20probak&ord=filename&ordN=asc

      Relato de Amaia Urizar:

      “No carro ia no meio de dois homens, levava a cabeça agachada. Logo que entrei, o que ia à minha direita começou a falar: Caíste, Amayita, e isto tens que assimilar; a nós tanto nos faz porque sabemos tudo, mas tem claro que tens de nos contar tu, e tens duas formas de o fazer, a boa e a má.”

      “Logo que se abriu a porta da cela, ouvi a voz do guarda civil, que tinha ido no carro até Madrid, dizendo a outro, a que chamou Garmendia, que fizesse o que tinha de fazer. Atirou-se sobre mim, levou-me para a cama e agarrou-me fortemente nos braços. Comecei a gritar que me deixasse, e eles gritavam-me “cala-te, puta”. Então vi-os. Estavam encapuçados e o que tinha ido no carro tinha as calças e os boxers despidos, e vinha na minha direcção enquanto me dizia entre risos “nós vamos foder a noiva do chefe”. Atirou-se sobre mim enquanto esfregava o seu corpo contra o meu (…) Gritava-me “que te diz o teu companheiro enquanto te fode, Gora ETA? Decerto que te estás a pôr docinha, puta, vamos-te foder todos e vai-te dar asco porque vamos passar muito bem contigo!”. Os que estavam à porta estavam a pedir o seu turno e entre risos diziam-me “até a rapariga que aqui está connosco te vai foder”.

      “Gritavam-me e insultavam-me “puta, vaca, mentirosa”, e colovacam-me um saco na cabeça enquanto mo apertavam por trás. Ao principio sentia calor, tinha a cara empapada em suor, tentava mover-me quando a bolsa me tapava a boca, não podia respirar e começava ter náuseas: conseguia romper o saco com os dentes, e naqueles momentos, quando começava a respirar de novo, golpeavam-me nos ouvidos com estaladas.”

      “Estava cansada, assustada, temendo o que me iriam fazer, tinha vontade de vomitar, assim que uma das vezes abriram a janela da porta aproveitei para lhes pedir que me deixassem ir à casa de banho. Então um deles respondeu-me: “Se vomitas, fodes-te, e o que sair comes”.

      “As paredes da cela eram irregulares e não sei qual seria a razão, mas via nela, e moviam-se. Tinha medo de sair dali louca, a cela tornava-se grande e pequena, a porta aproximava-se e afastava-se, o solo também se movia”.

      “Levaram-me de novo à habitação inicial. Ao entrar ali ouvi o ruido de água, era como se estivessem a encher algo, e eles riam-se enquanto me sussurravam ao ouvido “Amaia, Amayita”. Não sei se foi o terror mas nesse momento urinei-me. Alguns começaram a rir-se de mim, outros fartaram-se e disseram-me que tinha de limpar toda a habitação com a lingua. Parou o jorro de água, obrigaram-me a dar uns passos em frente e a pôr-me de joelhos. Tiraram-me o capuz. (…)Diante de mim estava a banheira…Fiquei muito nervosa e tentava andar para trás, mas não havia escapatória, estava rodeada. Já sabia o que me iam fazer (…) Então, entre dois homens, um agarrando-me o corpo e o outro enfiando-me a cabeça na banheira bruscamente, de forma que o meu peito ia contra a banheira; sentia que me afogava, tentava recuar com as pernas, para os lados, mas não podia; movia a cabeça com todas as minhas forças para a tirar da água mas era impossivel enquanto eles não quisessem. Engoli demasiada água, tanto pela boca como pelo nariz, tinha a cabeça cheia de tonturas, estava sem forças mas a eles tanto lhes fazia e continuavam gritando e dizendo nomes e mais nomes, que assumisse, que o assumira. O choro não me deixava decidir nada. Já não esperavam nenhuma resposta já que não davam a opção de responder, só davam tempo que respirasse um momento. Não podia mais, naqueles momentos pensava que não ia sair viva dali, que não podia fazer nada, e deixei o meu corpo como se tratasse de uma marioneta. Não fazia força, só queria que aquilo acabasse; se o objectivo era matarem-me, que o fizessem o quanto antes.”

      (…)

      “Estiveram a mostrar-me fotografias e mais fotografias até que se cansaram, e então o que fazia papel de chefe começou a gritar-me “puta, vaca, se não aprendeste nada nestes dias, vais aprender!”. Disse-me que naquele momento tanto lhe fazia dar-me dois tiros, e pôs-me de novo o capuz (…) Disse-me que o jogo tinha acabado. Levantou-me um pouco o capuz e mostrou-me uma pistola que era de metal. Eu tentei revolver-me, estava aterrorizada pensando que me iam dar dois tiros… Entre risos perguntaram-me se a queria ter na mão, a ver se tinha “colhões” como o meu irmão e o meu companheiro para lhes disparar; eu dizia-lhes que não, entre soluços, e eles entre risos dizia-me coisas do estilo de “puta traidora”. Então senti o metal entre as minhas pernas e um guarda civil sussurrou-me que não me mexesse. Eu chorava e comecei a gritar como uma louca, enquanto fazia forças para juntar as minhas pernas, mas não podia porque tinha os tornozelos atados aos pés da cadeira… Pôs-me a pistola entre as pernas e com a mão apalpou-me as cuecas; eu gritava-lhe que me deixasse em paz, mas ele começou-me a bater-me nos ouvidos com estalos e gritava-me que estivesse quieta ou que se ia escapar um tiro porque a pistola estava carregada. Ouvia as gargalhadas dos restantes dizendo coisas do estilo “vaca, puta, vais gostar..”. Introduziu-me o canhão da pistola na vagina enquanto me gritava ao ouvido uma e outra vez “que te digo quando te foder, gora ETA?” Não podia parar de chorar e já não tinha forças para gritar. Começou-me a introduzir e a tirar a pistola de forma mais violenta, o que me provocava dor, enquanto que o que me sussurrava “sim, tu gostas, puta”, “não vais ter um filho porque te vou dar dois tiros”…O seu odor metia-se dentro de mim, enojava-me, não sei se alguma vez me sairá este cheiro da cabeça…Estavam-se todos a rir (…) metia-me e tirava o canhão da pistola na vagina e sovava-me o peito de forma brusca, apertando-me o peito com as mãos. Notava dentro de mim o frio do metal, eles repetiam que a pistola estava carregada e que se disparassem a culpa seria minha…Não sei quanto tempo se prolongou a violação mas fiquei muda, estava como perdida; naquela habitação estavam a violar o meu corpo, mas por momentos consegui fugir dali em pensamentos, entre soluços, mas consegui fugir dali; dava-me conta da minha gente, estava com eles e elas, estava protegida… De repente sacou o canhão bruscamente de dentro de mim, enquanto lhes dizia (…) “temos de repetir, que ela gostou”… Voltei à realidade, encontrava-me dorida… De novo mostraram-me as fotografias, de uma em uma, e diziam-me a respeito de cada pessoa o que lhes tinha dito (de que local eram…) mais o que eles lhes queriam imputar; diziam-me que tinha de aprender tudo de memória para repetir quando tivesse de declarar… Repetiram-no muitas vezes e eu tinha que o repetir tudo uma e outra vez e se confundia começavam a bater-me e dar-me estaladas, e a ameaçar-me dizendo que me iam violar de novo”.

      “Não podia conciliar o tudo, estava aterrorizada e nervosa (…) Sentia-me suja, dava-me nojo o mero acto de o pensar, não sabia a razão pela qual me tinham violado e não podia deixar de chorar (…) Logo que entrei no banho tirei as cuecas para comprovar se me tinham causado algum ferimento ou algo do género porque me doía muito, mas estava “bem”.

      “Disseram-me que perante o juiz tinha de ratificar as declarações, que se não nem sabia o que me esperava e que não dissesse nada sobre as torturas se não queria voltar ali… Então foram-se. Depois meteram-me numa carrinha tirando-me o capuz, levavam-me à Audiência Nacional. Comecei a chorar. Por fim estava fora daquele inferno”.

      Chega, José?

      • José diz:

        Não, Bruno, não chega. Não deixando de acreditar que haja episódios de abusos policiais em Espanha – ou em qualquer país, diga-se – isso não chega para generalizar e chamar torturadores aos polícias espanhóis.
        As generalizações caiem muitas em vezes em cima de quem as faz, Bruno.

        • Bruno Carvalho diz:

          José, deixei-lhe várias ligações com informação. Todas demonstram que a tortura em Espanha não é ocasional mas sistemática e com um objectivo político. Se não lhe chega não me resta mais do que lhe desejar boa sorte porque espero que um dia não venha a viver um “episódio” de tortura num regime “democrático ocidental” e venha a encontrar pela frente gente como o senhor.

          • José diz:

            Gente como eu? Torturador? É isso que me está a chamar?

          • José diz:

            Bruno, creio que as suas convicções lhe toldam a leitura e o raciocínio.
            Aliás, parece que quem não leu foi você:
            El 6 de febrero de 2004 publicó su informe en el que expresaba que la tortura o los malos tratos no eran sistemáticos en España,y nego que estas practicas fueran regulares pero que a su juicio podrian ser «más que esporádica e incidental» y que «no se puede[n] considerar una invención las denuncias de malos tratos realizadas por personas acusadas de terrorismo en España».
            “En este segundo informe, como relator especial, agradeció al Gobierno de España la total cooperación brindada durante su misión, y concluyó que la tortura y los malos tratos no son prácticas sistemáticas en España. Aun así, estimaba que se podrían dar casos aislados de tortura, debido a que las medidas de seguridad no eran del todo eficientes. Critica que también señalo a otros países a la mayoría de países occidentales como Países Bajos o Alemania.”
            “En enero de 2008 se halló en poder de los etarras Igor Portu y Martin Sarasola (el primero ingresado en la UCI al día siguiente de su detención [12] ) un manual titulado Atxiloketari Aurre Eginez, 2º zkia (Haciendo frente a la detención, segundo volumen), en los que se comunica a los miembros de la banda terrorista: “Sé listo, no vas a ser devuelto otra vez a comisaría (…) Lo peor ya ha pasado. Por tanto, decirle al forense que escriba que te han torturado tanto física como psicológicamente”. Tras el interrogatorio a manos de la policía y llegados a la Audiencia Nacional, “la pesadilla ha terminado”, no van a ser devueltos a “manos del enemigo”, y deben decir: “Todo lo declarado en dependencias policiales es mentira. Son declaraciones hechas bajo tortura”.”

            Não sou ingénuo ao ponto de pensar que a polícia espanhola trata os presos e sobretudos os presos da ETA, com flores.
            O que não vejo nestes relatórios – os únicos que não pertencem a uma das partes em confronto – é a sua conclusão, antes pelo contrário: todos afirmam que a tortura não é uma prática sistemática, não negando a sua eventual existência.

          • Bruno Carvalho diz:

            Em relação aos independentistas bascos é sistemática. Mas não se preocupe. A si ninguém o vai torturar.

          • Nuno Rodrigues diz:

            A tortura tem muitas formas e quem entra em casa no direito de lhe tirar tudo porque vai contra o sistema, apesar de fazer parte do próprio sistema, é um torturador.

            Portanto, sim, ele está na mão de torturadores, por mais pequena ou aparentemente insignificante seja a acção.

    • Carlos Carapeto diz:

      ««««José says:
      A polícia espanhola ainda não é a Gestapo ou a KGB…)»»»»

      Afinal até sabes muito bem generalizar.

      És capaz de definir o que é fazer apologia ao terrorismo?
      Tu e os outros como tu quando louvam as agressões da NATO em países soberanos o que estão fazendo? Não só a aplaudir o terrorismo da Organização mais beliciosa e malévola que a humanidade conheceu, como pactuar com as suas ações e com os seus crimes ( neocolonialismo, rapina das riquezas de outros países) . Entendeste? Ou precisas que pormenorize.

      Porque comparando o momento atual com o período que antecedeu a II GG o percurso está a ser idêntico.

      Quanto a Pablo Hasél que acusas de conivência com o terrorismo. O que foi que ele fez mais que exigir liberdade para a sua terra? Raptou e torturou alguém violentemente? Invadiu outro país para impor os seus pontos de vista ? Assassinou mulheres, crianças e velhos?

      Se não cometeu qualquer destes delitos porque razão vens tu para aqui bater as orelhas com aforismos bacocos?

  10. De diz:

    A desonestidade tem coisas destas,caro Bruno
    Não se sabe onde acaba o panfleto desculpabilizador do tal estado
    e começa a apologia do mesmo estado que afinal parece que mais não é do que uma “bizarria”

    As torturas em Espanha têm um carácter orientado,político e sistemático
    Ora aí está mais outra coisa que, com convicção,assino por baixo

  11. Carlos Carapeto diz:

    ««««««José says:
    ou em qualquer país, diga-se – isso não chega para generalizar e chamar torturadores aos polícias espanhóis»»»»».

    Perdi definitivamente a paciência para aturar seguidores da direita alapados na toca da democracia (para não mais longe).

    A lata dele, não se atreve a defender abertamente os torturadores, no entanto critica as suas vitimas num acto cobarde para justificar as razões porque foram torturadas.

    E os GAL são uma invenção de quê? Não torturaram e assassinaram impiedosamente inocentes?

    Os admiradores do Nazi/fascismo não são diferentes. Não se atrevem defender esses sistemas, escudam-se no sofisma que o comunismo foi igual ou pior. Depois quando confrontados com os objetivos filosóficos,economicos e sociais de cada sitema ficam sem palavras.

    Generalizações, são as tuas absurdidades, mais velhas que aquela coisa que se faz de cócoras.

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