Alô Fukushima? Escuto.

Já repararam no pouco que se fala e no pouquíssimo que se sabe sobre o desastre nuclear de Fukushima? Que parece bem mais grave que o de Chernobyl (gravíssimo: este fim-de-semana soube de alguns horrores por um ucraniano cujo pai transportou operários que trabalharam na selagem do reactor – quem sobreviveu melhor, aparentemente, foram os ratos).

Que têm a dizer sobre esta cortina de ferro de silêncio os habituais vendedores de democracia da cobra?

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

23 respostas a Alô Fukushima? Escuto.

  1. A.Silva diz:

    Reactor nuclear no Japão parou e ainda ninguém sabe porquê

    http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1514995

  2. De diz:

    Curiosamente:”Um reactor da central nuclear de Genkai, no Sul do Japão, parou hoje automaticamente sem que ninguém saiba explicar porquê, admitiu a empresa responsável.”
    http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1514995
    Coisas …

  3. l'outre diz:

    Não tem razão. Fukushima tem vindo a ser noticiada ao longo do tempo. Obviamente sem o mesmo fulgor dos momentos iniciais, o que é expectável, uma vez que o “valor noticioso” tende a diminuir com a passagem do tempo.

    Ontem saiu no Público:
    http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1514846

    E hoje saiu uma notícia afim, embora não relacionada com Fukushima:
    http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1514995

    E ao contrário do que diz, sabe-se razoavelmente bem o que correu mal em Fukushima:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Fukushima_Daiichi_nuclear_disaster
    http://www.world-nuclear.org/info/fukushima_accident_inf129.html

    Se quiser ler o relatório do inquérito oficial de Junho, está aqui:
    http://www.kantei.go.jp/foreign/kan/topics/201106/iaea_houkokusho_e.html

    • António Paço diz:

      L’Outre, consultar a wikipedia ou relatórios é sempre possível, mas não é a isso que me refiro, pois não? E na notícia do Público que cita já reparou que a Natureza (terramoto + tsunami) é a única responsável? Ou como diria o Outro, a culpa foi do macaco.

      • Nightwish diz:

        Diga-me lá uma fonte de energia que não esteja rodeada de problemas que eu vendo-lhe uma ponte.

      • l'outre diz:

        Eu acho que o António Paço não tem bem noção da dimensão de um sismo de magnitude 9.

        Este sismo libertou mais energia do que 25 000 bombas atómicas iguais à que os EUA lançou sobre Hiroshima. Uma bomba foi o suficiente para destruir grande parte de uma cidade, agora imagine 25 000.

        As ilhas do Japão (que têm uma área equivalente a 4 Portugais e 12 vezes mais população) foram deslocadas qualquer coisa como 2,5 m.

        O maremoto resultante deste sismo atingiu quase 40 metros de altura nalguns pontos do Japão (na cidade de Miyako por exemplo).

        Ninguém, absolutamente ninguém, pode estar preparado para uma força destrutiva desta magnitude. Não estavam os Portugueses em 1755 assim como não estavam os Japoneses em 2011.

        Já existiram diversos acidentes nucleares em consequência de erro humano (sendo o mais grave Chernobyl), mas este não é um desses casos.

        • António Paço diz:

          L’Outre (O Odre? Porquê? – just curious):
          Instalar centrais nucleares em zonas onde há sismos de grau 9 é uma opção humana, não um acidente da Natureza. No próprio artigo da wikipedia que recomendou discutem-se os ‘erros humanos’ envolvidos na catástrofe. Noutros lugares que tenho agora preguiça de ir verificar aponta-se para a ganância do lucro como factor importantíssimo nas dimensões que teve e está a ter a catástrofe e argumenta-se que provavelmente o nuclear não é compatível com a lógica da rentabilidade capitalista. Na própria televisão japonesa NHK, disponível na TV Cabo, há debates muito acesos sobre todas estas questões. Só cá, os vendedores de democracia-da-cobra a que temos direito nos nossos meios de ‘informação’ de massa é que preferem varrer a coisa para debaixo do tapete.

          • DrStrangelove diz:

            “Noutros lugares que tenho agora preguiça de ir verificar aponta-se para a ganância do lucro como factor importantíssimo nas dimensões que teve e está a ter a catástrofe e argumenta-se que provavelmente o nuclear não é compatível com a lógica da rentabilidade capitalista”

            E no caso de Chernobyl? A “ganância do lucro” não deve ter sido. O que foi, então?

          • l'outre diz:

            Excelso,

            Sismos de grau 9 na escala de Richter são muito raros. Existiram 5 sismos de magnitude 9,0 ou superior desde 1900 em todo o mundo. Em toda a história humana registaram-se menos de 30 sismos com magnitudes superiores a 8,5.

            Sim, o Japão é uma área de grande actividade sísmica. Por isso é que as suas construções estão preparadas para os sismos. Mas sismos de magnitude 9 são uma raridade, mesmo no Japão. O Japão não é uma área particularmente sensível a sismos de magnitude 9. Nenhuma zona do globo é particularmente sensível a sismos de magnitude 9. São tão raros que não se pode dizer que sejam mais ou menos prováveis em certas zonas do globo. Estes sismos são imprevisíveis e devastadores.

            É impossível protegermo-nos destas forças naturais tão avassaladoras. Para proteger a cidade de Miyako por exemplo, seria preciso um dique com mais de 40 metros de altura. Acha que é exequível (ou até desejável) construir uma barreira com 40 metros de altura ao longo de toda a costa de todas as nações do mundo? E quando vier um maremoto com 45 metros de altura? e quando vier um com 50?

            Fukushima estava preparada para sismos e para maremotos. Fukushima estava desenhada para aguentar acelerações do solo na casa dos 0,5 g e maremotos com 5 m de altura. Durante o terramoto, a central teve de suportar acelerações de 0,2 g (perfeitamente dentro dos limites de operação, o que é comprovado pelas estruturas que não ruíram nem nada parecido), mas o maremoto teve cerca de 14 metros de altura (quase 3 vezes o valor para o qual a central foi projectada), o que inundou os geradores e, a juntar ao corte de energia generalizado na região, impediu o arrefecimento do reactor e das piscinas de combustível.

            Aquilo que se discute no Japão, não é se houve erro humano em Fukushima. Isso já foi afastado há muito tempo. Perante tal força na Natureza não havia nada a fazer. O que se discute é a continuação do programa nuclear, que é um assunto completamente diferente.

          • A.Silva diz:

            “Sim, o Japão é uma área de grande actividade sísmica. Por isso é que as suas construções estão preparadas para os sismos. Mas sismos de magnitude 9 são uma raridade, mesmo no Japão.”

            E eu que julgava que para se agir com responsabilidade, se devia prever situações limites, mas vá lá, para l`outre, um sismo de magnitude 9 é uma raridade…, mesmo no Japão.

          • l'outre diz:

            Excelso A. Silva,

            É impossível preparar para todas as situações. Um vidro à prova de bala é capaz de impedir uma bala de o atravessar. Acha que é capaz de impedir 10 balas? E se forem 100? E se forem 1000 balas? E se forem 10 000? E se for a ‘bala’ de um canhão?

            Em tudo há limites. Se a central estivesse preparada para resistir a sismos de magnitude 9, o que fazer quando existisse um de magnitude 10? ou de magnitude 11? Ou se um meteorito colidisse com a central?

            A preparação tem limites.

          • De diz:

            Caro A.Silva:
            Alguns estão apenas a exprimir o “pulsar da sociedade”.Melhor,das sociedades.Das sociedades anónimas claro está,ao serviço da indústria do nuclear.
            “Por conseguinte, pode questionar-se se é adequado construir centrais nucleares no Japão. A Tepco, tal como o governo, afirmou a sua convicção na superioridade da tecnologia utilizada. Sustentaram, em conjunto, o mito da segurança nuclear do Japão.”
            Lixaram-se?
            Não,lixaram os habitantes da região…e não só.

  4. xatoo diz:

    Fukushima já libertou radioactividade 168 vezes superior à de Hisroshima&Nagazaki juntas. Ao contrário do que se diz nem os ratos se safam. Até em Tóquio já apareceram ratos deformados. Mas para os portugueses, como é natural, não há inconveniente. Temos dois oceanos pelo meio; o maior perigo que pode aparecer por aqui uma nuke ou outra armazenada nos silos da NATO na Fonte da Telha

  5. xatoo diz:

    “The Tohoku earthquake and tsunami were powerful enough to damage
    Fukushima No.1. The natural disaster, however, was vastly amplified by two external factors: release of the Stuxnet virus, which shut down control systems in the critical 20 minutes prior to the tsunami; and presence of weapons-grade nuclear materials that devastated the nuclear facility and contaminated the entire region”
    Como em tudo o que de importante acontece, tinha de haver interesses israelo-Sionistas por detrás disto. A história vem contada aqui:
    Secret US-Israeli Nuke Transfers Led To Fukushima Blasts

  6. JP diz:

    Caro L’Outre, do ponto de vista técnico o que refere émais do que correcto. Com efeito, todas as estruturas desde a mais pequena à maior e complexa são calculadas para um determinado esforço limite, e por isso concordo integralmente com o que refere. Aliás os comentários seguintes revelam bastante ignorância em relação a isto e limitam-se a “chutar pra canto”.

    Quanto a mim o problema do nuclear é outro. Como sabemos, o risco de qualquer estrutura é o produto daprobabilidade de ocorrência de um determinado evento pelo custo desse evento. E é aqui que o nuclear cai com estrondo. É que mesmo que a estrutura seja muito robusta existe sempre um qualquer evento com uma probabilidade reduzidíssima (como um sismo grau 9) mas que pode causar um custo enorme (como foi/é o caso).

    Repare que outras formas de energia, nomeadamente renováveis, não apresentam riscos semelhantes a estes (talvez com a excepção das grandes barragens mas mesmo aí o efeito não se prolonga no tempo) simplesmente porque para probabilidades semelhantes os custos nunca são tão elevados. E por esta razão é que a energia nuclear é sempre mais perigosa (ou melhor dizendo arriscada) que as suas concorrentes.

    Cumps
    JP

    • De diz:

      O “chutar para canto”…?
      Um comentário com alguma razão..mas que demonstra à evidência quão limitada é a versão de um “tecnocrata”
      Ao menos nas conclusões concordamos no essencial
      Sorry pela frontalidade.
      Cumprimentos

    • l'outre diz:

      Precisamente JP.

      Eu sou contra o nuclear por esse mesmo motivo. O meu post apenas argumenta que, ao contrário do que é sugerido por António Paço, não se tratou de erro humano. Contra uma força da natureza tão grande não havia nada a fazer. Trata-se quanto muito de um erro político.

      • De diz:

        Essa história de não se saber do que se fala quando se fala em “erro humano”
        Essa história de tentar resguardar as decisões como meramente técnicas…
        Essa história da absolvição das trafulhices que giraram em torno de toda esta história
        Essa história do desejo do lucro a todo o custo abafado pelo poderio técnico e pela imprevisibilidade do acontecido, esquecendo tanta história

        Os dados estão disponíveis.Só não vê quem não quer

  7. De diz:

    Verdadeiramente há algo de horrivelmente sinistro nesta história toda de Fukushima.

    Este é um pequeno excerto de um artigo de Paul Zimmerman:
    “The Japanese have been victimized by nuclear horror more than any other people on Earth. Today they are immersed in an imperceptible tragedy that will slowly but inevitably bring disease and heartbreak to millions. In response to this crime, a rare and courageous opportunity exists. By undertaking a national campaign to honestly document the disaster that is engulfing them, they can lead all of humanity to break through the quagmire of deception and deceit that has allowed nuclear weapons and reactors to flourish. Truth finally has an opportunity to triumph over falsehood. In some small but significant way, this would be fitting repayment for the malevolence of Hiroshima, Nagasaki and Fukushima.”

    Vale a pena lê-lo todo:
    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=26798

  8. Aqui poderá aceder-se a alguma informação sobre um acontecimento, cujos efeitos estão apenas a começar a sentir-se, mas que parece ter deixado de servir de ‘matéria mediática’, de espectáculo dramático de que os espectadores/consumidores tanto costumam gostar de consumir:
    http://paisagenscontemporaneas.wordpress.com/2011/09/14/a-catastrofe-nuclear-de-fukushima/

  9. António Paço diz:

    Na Courier Internacional de Outubro (edição portuguesa, pp. 64-66) há um artigo do Eng. Takashi Hirose, intitulado «Mentira atrás de mentira», que questiona o mito de que o nuclear é mais barato e denuncia os interesses (albergados no Estado japonês) que propagam essas mentiras e se agarram ao nuclear.

Os comentários estão fechados.