A queda de um anjo* – Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda não ficou no século XIX

Há 12 horas que está a ser feita justiça no caso do Isaltino Morais. Pode ser libertado hoje ou até vir a cumprir pena, mas pelo menos uma noite já passou no xilindró. A ver se agora a PSP do Funchal segue o exemplo da PSP de Oeiras e não deixa o Alberto João Jardim continuar impune.

“– Pois se caminhou – replicou o presidente – não caminhou direita. Os homens são sempre os mesmos e quejandos; as leis devem ser sempre as mesmas.

– Mas… – retorquiu a oposição ilustrada – o regímen municipal expirou em 1211, senhor presidente! V.Ex.ª não ignora que há hoje um código de leis comuns de todo território português, e que desde Afonso II se estatuíram leis gerais. V.Ex.ª decerto leu isto…

– Li – atalhou Calisto de Barbuda – mas reprovo!

– Pois seria útil e racional que V.Ex.ª aprovasse.

– Útil a quem? – perguntou o presidente.

– Ao município – responderam.

– Aprovem os senhores vereadores, e façam obra por essas leis, que eu despeço-me disto. Tenho o governo de minha casa, onde sou rei e governo, segundo os forais da antiga honra portuguesa.

Disse; saiu; e nunca mais voltou à Câmara.”

Camilo Castelo Branco*

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